Viaduto da Borges se consolida como o grande albergue central de moradores de rua. Ou: Como um das poucas atrações turísticas de Porto Alegre é relegada ao esquecimento

Cheiro de urina,  pichações,  lojinhas das mais ordinárias, mais de 12 pessoas dormindo no chão. Que tristeza.

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39 respostas

  1. Ótima a manifestação do Walter. Faltam cuidados com o patrimônio e o espaço público, com a preservação e a valorização da cultura da cidade e do estado. Espaços de convivência pública são cada vez mais raros. Quanto ao viaduto, que está horrível, o trabalho deve ser multidisciplinar: engenharia, arquitetura, planejamento urbano, comercio, comunidade do centro histórico, cultura, segurança, assistência social e educação. Mas acima de tudo vontade política de se fazer, de renovar a cidade, de revolucionar os espaços.
    Aproveito para observar como continua feio o entorno do privatizado Araujo Vianna.

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    • Porto Velho em Rondônia reformou a orla… E para quem pensa que foi construído um Shopping com patrocínio da Coca Cola, surpresa! Fizeram um museu.

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      • Alguns já argumentaram várias vezes que é melhor qualquer coisa do que nada. Qualquer coisa = projeto de metrô malfeito, highway na orla, chafariz furreca da coca cola no largo etc.
        Quando se olha para trás e, de acordo com o comentário do Rogério, vê-se que a escadaria melhorou nesse espírito de fazer qualquer coisa para melhorar (como todos vemos, os cuidados são insuficientes ainda que tenham alguns), xingam. Como lidar com essa contradição?
        O que o Pablo referiu logo acima de fazer um museu na orla destroi toda esse conto da carochinha de que é necessário construir shoppings e arranha céus à orla para ter algo de qualidade. Para mim, fazer shopping e arranha céus é o “qualquer-coisa” contemporâneo, é o pasteurizado, o lugar-comum de quem não consegue pensar a cidade para além do consumo.

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        • Walter, as intervenções feitas no viaduto não foram qualquer coisa, foram intervenções bem feitas que resultaram em melhora do mesmo. O problema não é de arquitetura ou de mobiliário urbano, o problema é de falta de sensibilidade, de humanidade e excesso de individualismo, hedonismo das últimas gerações.
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          Perdeu-se o que era o espírito cristão de solidariedade, que para a maioria era um verdadeiro cinismo, poucos praticavam, inclusive os clérigos, porém eliminado esta carga de responsabilidade que a religião impunha, nada o substitui.
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          Mas este cínico, para a maioria, e real, para uma minoria, não foi substituído por nada. Tudo agora é responsabilidade do Estado, fazendo que a capacidade de indignação contra o estado de miséria tenha sumido da consciência.
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          Agora mendigos não são pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza nas condições mais degradantes da natureza humana, agora mendigos são coisas que defecam nos nossos prováveis pontos turísticos.

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        • Rogério me desculpa, mas já vi alguns arquitetos se queixando da reforma do viaduto. Como não entendo do assunto, não posso opinar tecnicamente mas honestamente opino que pouco adianta reformar sem mudar outras coisas como o perfil das lojas que tem ali.

          Por exemplo, e se aquelas lojas virassem uma sequência de bares similares aquele que mencionei, no segundo piso? Potencialmente aumentaria a frequeência a noite, o que ajudaria a reduzir a depredação e naturalmente tirariam os moradores dali.

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  2. Não entendi bem o título do post, quando li achei que teríamos fotos de grupos de mendigos achacando a população, como aparece em filmes norte-americanos quando eles querem representar qualquer país do terceiro mundo.
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    “Viaduto da Borges se consolida como o grande albergue central de moradores de rua.”
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    Acho que não há um grande alberge, mas sim um grande exagero.
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    Morei na continuamente na Duque de Caxias de 1957 até 1974. Durante toda a minha infância e juventude, desci e subi as escadarias do viaduto, principalmente quando ia pegar a frente do mercado Público o ônibus da Viação Guarani para atravessar a cidade e ir ao colégio.
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    NUNCA O VIADUTO FOI UM LOCAL LIVRE DE MENDIGOS,
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    e pior, nas escadarias que ligavam as rampas com a parte de baixo do viaduto (hoje elas não existem mais) elas eram uma verdadeira latrina pública, fazendo com que ao passar pelas rampas era necessário se afastar o máximo possível delas porque o cheiro era insuportável. Nestas mesmas escadarias havia verdadeiras lendas urbanas sobre malfeitores, estupradores e assassinos, que se escondiam nelas para pegar os incautos. Diga-se de passagem que quando elas ainda existiam e eu era menor sempre que eu e alguns amigos passavam frente a elas passávamos na corrida!
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    Isto era a realidade do viaduto em épocas que muitos consideravam o período áureo da segurança e “higienização” da cidade (na época em que via “manus militares” desalojou-se da ex Ilhota centenas de famílias para a Restinga). Posso dizer com tranquilidade que os cuidados que todas as gestões municipais nos últimos 25 anos estão tendo com o viaduto é muito maior do que tinham naqueles tempos.
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    Não me venham contar lorotas pois aquela área eu conheço-a muito bem. Iluminação, por exemplo era algo que não existia, os postes de iluminação eram aqueles bonitos postes pequenos que de cada dez funcionavam dois, tanto que após determinada hora só grandes aventureiros ousavam passar pelas rampas laterais. Onde atualmente existe o edifício Dom Filipe, era um esqueleto resultado da falência de uma grande construtora portalegrense que servia também para esconderijos de “maconheiros” e alcoólatras (na época não existia, cocaína e muito menos crack).
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    No lado do Edifício Duque havia o teatro de Arena, e como neste lado há também edifícios mais abaixo a situação era bem melhor, mas do outro lado era um show de horrores (pelo menos infantis).
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    Até há mais de três anos meus pais moravam ainda Duque, e passava por lá de automóvel e ficava impressionado com o bom estado do Viaduto em relação ao passado.
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    Depois desta breve descrição, que pessoas com mais de 50 anos (ou 60, como é o meu caso) que moravam nas redondezas, podem confirmar, posso dizer que as imagens de três mendigos dormindo empacotados abaixo do viaduto, não me impressiona muito. É inverno, e moradores de rua não tem mais onde dormir que não seja na área central.
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    Agora me questiono sobre o porquê de toda esta indignação por três mendigos estarem dormindo nas arcadas daquele viaduto, para procurar entender volto as minhas reminiscências do passado.
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    Já relatei aqui, que antes da histeria por segurança que domina grande parte da sociedade, estes mesmos moradores de rua se distribuíam ao longo dos bairros, tendo em cada bairro os seus “habitués”. Eles eram conhecidos pelo nome e as senhoras que ficavam no fim da tarde pelas calçadas ou janelas, conheciam as suas histórias com detalhes. Eles não eram “moradores de rua”, eram o Seu Fulano ou o Seu Beltrano, ou mesmo o louquinho Sicrano, todos tinham nome ou apelido.
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    Posso dizer com certeza, os moradores de rua não pioraram, não se tornaram mais imundos nem mais agressivos, quem na realidade quem mudou fomos nós.
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    Voltando as minhas imagens e lembranças de infância, logo depois do almoço batia a porta um desses nossos mendigos, e se havia uma boa sobra de comida se fazia um bom prato com bastante feijão e arroz e um pedaço de carne e se dava a esta pessoa, eles alternavam as casas para não ficar pesado. Quem tinha alguma roupa para dar vestiam de dignidade estas pessoas. Porém eles não eram moradores de Rua, eles eram pessoas conhecidas e que não se procurava distanciar do convívio.
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    O que fazemos hoje em dia? Adotamos a arquitetura “presidiária” em nossos edifícios, com muros autos, portas duplas, cercas eletrificadas ou até concertinas eletrificadas. Além do aspecto arquitetônico TERCEIRIZAMOS através de guardas, vigias ou porteiros O DESPREZO, A INDIFERENÇA E A FALTA DE SOLIDARIEDADE HUMANA.
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    NÓS É QUE MUDAMOS, E PARA PIOR.
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    • No tempo da tua infância já não estava certo. Atualmente também não está. Se ninguém se preocupar nem com um mendigo montando acampamento na Borges, nada vai acontecer mesmo.

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    • Entendi. Já que era horrivel nos anos 70 que continue assim haha.

      Mas concordo que dão mais importância pros mendigos do que eles tem.

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    • Sr Rogério, moras no centro mesmo? Eu moro na Salgado Filho e acredito ter feito um downgrade na vida por ter escolhido ir morar no centro saindo da Auxiliadora. E posso afirmar com certeza que esses 3 Mendigos não são só eles, tem vezes que são bem mais e independe de ser inverno ou verão? Já andou no centro depois da meia-noite? Eu chego do trabalho as 00:10 e posso dizer que além de mendigos, tem os que saem a noite pra “caçar” as periguetes dos inferninhos já bêbados e achando que qualquer lugar é banheiro. As marquises dos prédios da Marechal, Vigário e adjacentes sempre tem um ou dois sem tetos dormindo. Durante o dia é ÓBVIO que não ficam por não ter espaços por causa do movimento, mas mesmo assim vc encontra um ou outro deitado no meio da calçada. Levanto as 05:20 da manhã quando eu vou pro meu outro emprego e vejo muita sujeira, lixo na rua e fezes. Faz algum tempo que não vejo mais o caminhão do DEMAE passar lavando tudo, agora ficou por conta dos condomínios, e realmente a cidade esta muito mais abandonada do que alguns anos. Vivi na capital as décadas que passaram e sinceramente a coisa esta cada vez pior.

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      • Caro Luis.
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        Não sei se notaste, mas a ênfase que dou não é sobre o aumento de mendigos, mas sim pelo aumento dos mendigos nas áreas centrais, pois os mesmos estão sendo corridos dos bairros residenciais pela verticalização da cidade.
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        Estes mesmos mendigos são praticamente expulsos por aqueles que contratam os terceirizados da “higienização” de suas ruas e de seus bairros, restando para os mesmos somente os locais públicos.

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    • Um longo e cansativo comentário que eu resumiria em: a situação é velha, não incomoda, é habitué, sempre foi assim, a culpa é nossa que não temos mais solidariedade humana. Com raciocínios assim nossas poucas atrações turísticas continuarão na mesma situação do Viaduto da Borges.

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      • Marcelo, talvez por ter sido longo o comentário não tenha entendido o seu espírito, pois o resumo é uma releitura distorcida do mesmo.
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        Em nenhum momento falei que a mendicância pela rua não me incomoda, o que me incomoda é que além de não termos de forma CIVILIZADA E HUMANA (sem ações higienistas), não termos eliminada a mendicância mas sim nos afastamos mais dos mesmos, tornando-os seres de outro mundo, e pior de tudo é a indiferença.
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        Agora quanto atrações turísticas, nem estou aí, que explodam as atrações, pois o bizarro, o diferente, o ótimo ou o péssimo são atrações turísticas.
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        Milhares de turistas ficam maravilhados com a miséria na Índia, ou seja, desgraça também é turística.

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        • O problema é que tu não falou claramente isso no post original…

          Mas sobre o turismo do miserê, milhares de turistas ficam maravilhados com a Índia mesmo, mas poucos querem se mudar para lá. Mais confortável ir para o Canadá ou a Austrália certo? 😉

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  3. O centro todo esta como o viaduto… sinceramente nunca vi a capital tão relaxada como agora….

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  4. Olhando o lado bom: abriu um novo bar no lugar do antigo tutti, em cima do viaduto. Sugiro a visita, de bom gosto e tem boas cervejas. Como não é bar de hipster a quantidade de clientes é normal e silenciosa, recomendo!

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  5. Mas ainda tem morador de rua no Brasil? Imaginei que fosse culpa do FHC, FMI, neoliberalismo etc. Por falar nisso, e a marcha dos sem, acabou?

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    • Esse é o ponto… antigamente havia desculpa para os moradores de rua, hoje em dia todos tem (ou teriam) direito ao bolsa família, então não há mais desculpa para moradores de rua.

      O mesmo se refere a assaltantes e ladrões. Não é por fome, porque de fome eles não morrem, pois o bolsa família dá o mínimo para alimentação, é ganância mesmo, a mesma ganância que levou pessoas a adulterarem o leite ou médicos baterem o ponto e irem embora como foi mostrado essa semana.

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    • Qualquer pessoa minimamente informada sabe que mendigo tem em todos lugares, eu vi na Austrália que é rica e pouco desigual. Mas lá não vi estes acampamentos que vemos aqui.

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    • E tem mendigos que tem até graduação universitária. O que acontece com muitos mendigos é que tem alguma doença mental e a família não aceita e simplesmente os abandona à própria sorte.

      Outros, “sãos” não aceitam ir para abrigo pois perdem metade do que conseguem acumular nos seus dias, fora que não podem manter animais. E o cachorro não é só o melhor amigo do homem de classe média, mas o do sem teto também.

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      • Teve uma época que a Ipanema FM fazia umas entrevistas que o ouvinte ligava e entrevistava qualquer pessoa que quisesse.

        Teve um cara que ligou e resolveu entrevistar 3 mendigos. O caso dos 3 eram iguais. Casaram, compraram casa, tiveram filhos e a mulher se separou e tirou tudo deles… Não sei até que ponto foi sacanagem delas ou eles é que preferem viver como mendigos a pagar pensão, mas isso é algo que acontece.

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  6. Que?
    Ninguem chamou o post de higienista preconceituoso e blla bla bla?

    hahaha

    É triste isso, e ninguem faz nada.

    Tinha que ter algo pra proibir isso, é um absurdo, mas é claro que vão chorar falando que é inconstitucional e bla bla bla…

    Lugar pra eles sempre teve, mas todo mundo sabe que eles não querem por que não podem beber ou se drogar.

    Que forcem para a recuperação, mandem para as cidades das quais nasceram ou vieram, e assim vai.

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  7. Se esses mendigos fossem contratados como CCs, acabaria-se os mendigos de PoA, pois seriam 1000 CCs mendigos que produziriam tanto quanto os atuais CCs… ou até mais.

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  8. Cansei de passar por ali e ver fezes ao longo da calçada. Imagina que impressão da cidade vai ter um turista da Europa ou do Canadá, por exemplo, com povos acostumados a viverem em cidades limpas, sem ao menos uma titica de pombo ou toco de cigarro nas calçadas. Vergonha do vexame.

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    • Observação… tem cidades europeias que são mais limpas que a brasileira… mas não quer dizer que as ruas estão brilhando… também há pessoas que jogam lixo no chão lá… e também existem mendigos… mas é claro que isso não justifica o descaso com o viaduto… também sou contra esse desleixo…

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    • Triste mesmo, o viaduto afinal nao faz tanto tempo que foi reformado, mas aqui e assim, reformam, revitalizam como se diz agora, e depois se abandona ate cair de podre e sujo, dai revitaliza de novo, desvia bastante dinheiro, contrata bastante gente, deposi deixa apodrecer por falta de manutençao e policiamento. Vcs ja viram a praça da alfandega, mal acabou de ser reormada e ja esta com um poste caido, uma luminaria quebrada , muitas pedras portuguesas faltando, e nada é feito pra consertar, ja faz meses que as luminarias estao quebradas. O destino é o mesmo que o da Borges, dinheiro posto fora!

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  9. Mais um exemplo da falência de Bovinópolis :
    http://www.correiodopovo.com.br/blogs/hiltormombach/?p=27502

    Sobre o Beira-Rio avançar sobre a calçada
    Postado por Hiltor Mombach em 28 de agosto de 2013 – Esportes
    Sobre o teto novo estádio Beira-Rio avançar sobre a calçada da Avenida Padre Cacique duas informações.
    Primeira.
    A matrícula do terreno “invadido” é do Inter.
    Segunda.
    A calçada é pública.
    Do secretário municipal de Gestão e Acompanhamento Estratégicos, Urbano Schmitt:
    “A matrícula é do Inter e a calçada é pública.
    Não houve invasão.
    Não houve ilegalidade.
    Tudo foi aprovado pela prefeitura”.

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    • acho que a questão não é nem pela legalidade ou não… é pelo aspecto “gambiarra” de se resolver… pelo que deu a entender o projeto da avenida não previa esse desvio e agora terão que fazer um desvio tirando o canteiro central que antes existia…

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    • Quanto à isso não vejo problema algum… Essa invasão da calçada é como uma marquise afrescalhada, nada de mais. O problema são as calçadas de 20cm, com buracos, barro…

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    • Por favor envie sugestão de pauta via email. Obrigado.

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      • Marcelo Bumbel, o blog é teu , não vou enviar pauta por email – já passei do tempo de tomar guaraná com tampa de rolha .. Fique ‘a vontade para bloquear. Obrigado, André

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  10. Belo cartão postal que ficou, literalmente “imagina na copa”. Que, com certeza, todos serão limados dessas áreas, serão escondidos, e depois da copa, liberados, vamos aguardar.

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