Planta assinada por arquiteto alemão comprova importância cultural das casas da Luciana de Abreu

Nubia Silveira

O procurador José Túlio Barbosa considera uma afronta à sociedade e ao Ministério Público Estadual o anúncio da Goldsztein Administração e Incorporações, publicado nesta quarta-feira (18) nos jornais de Porto Alegre, sobre as seis casas geminadas da Rua Luciano de Abreu, cuja preservação é defendida pela Associação Moinhos Vive e pelo MPE. No anúncio, a empresa faz duas afirmações contestadas pelo procurador: de que as casas não foram projetadas pelo arquiteto alemão Theo Wiederspahn e de que o processo que discute a preservação dos imóveis está encerrado.

Barbosa afirma que no dia 9 de setembro recebeu do arquiteto Cláudio Alberto Frank Aydos a planta das casas, assinada por Theo Wiederspahn, que também assina os prédios da Cervejaria Brahma, do Memorial e do Museu de Arte do Rio Grande do Sul. Cláudio Alberto é herdeiro da empresa Alberto Duclós Aydos e Cia. Ltda., construtora dos imóveis em discussão. Para o procurador Barbosa, o documento comprova o interesse histórico e cultural das residências.

“O processo ainda não acabou”, afirma o procurador. “Nós vamos recorrer”. Nesta quinta-feira (19), ele se reunirá com o Setor de Recursos, preparando a documentação que será enviada ao Supremo Tribunal de Justiça (STJ). O Ministério Público vai requerer que o STJ determine que o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul anexe a planta ao processo e o julgue novamente.

Parceria

Barbosa afirma que vem trabalhando em parceria com a prefeitura de Porto Alegre, que também analisa a situação das casas. O Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural (Compahc) se reunirá segunda-feira (23) para analisar o pedido de proteção feito pela Associação Moinhos Vive.

Luiz Antônio Custódio, coordenador da Memória Cultural, da Secretaria Municipal de Cultura, diz que as residências não poderão ser demolidas enquanto o processo não for finalizado. E enquanto a Justiça não dá a decisão final, a Prefeitura pode reestudar o assunto e definir pela importância cultural dos imóveis. A planta assinada por Wiederspahn, obtida pelo MPE, é um elemento importante para a futura decisão.

Fotos: Flavia Boni Lich

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Categorias:Patrimônio Histórico

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59 respostas

  1. passei tantas vezes em frente a estas casas neste último final de semana em porto alegre. estou aliviado com a notícia. podiam tomar como exemplo a solução encontrada para o imóvel da esquina da miguel tostes com a mostardeiro, onde o casarão ficou na frente preservado e construiram o prédio atrás. assim está sendo feito também no casarão da dr. vale. no caso das casas da luciana de abreu, a branca, na minha opinião é sem dúvida a mais bonita, mas o conjunto das outras, se restaurado, poderá agregar valor ao empreendimento e devolverá as casas ao bairro, a cidade outra vez. todos sairão ganhando. porque não agregar valor aos projetos? porque não inserir o que é bonito? os terrenos ali são grandes, cabe muito bem o prédio e as casas? ao invés de fazer um jardim na frente, porque não manter as casas? são parte da nossa memória…acho que nós que apoiamos a preservação das casas, ganhamos o dia.

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