MP vai recorrer contra demolição dos casarões no Moinhos de Vento

Construtora Goldsztein pretende construir condomínio na área nobre de Porto Alegre

Construtora Goldsztein quer construir condomínio na área nobre de Porto Alegre Crédito: Paulo Nunes / CP Memória

Construtora Goldsztein quer construir condomínio na área nobre de Porto Alegre
Crédito: Paulo Nunes / CP Memória

O Ministério Público (MP) vai tentar reverter no Tribunal de Justiça (TJ) a permissão para demolição de seis casarões construídos nos anos 30 no bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre. A decisão foi favorável à construtora Goldzstein, que pretende erguer um edifício residencial na rua Luciana de Abreu.

O embargo de declaração deve ser acrescido de documentos importantes que foram rejeitados pela 22ª Câmara Cível do TJ. Ao recurso também vai ser anexada uma declaração do herdeiro da construtora onde trabalhou o arquiteto alemão Theo Wiederspahn. As plantas das residências, assinadas por ele e Franz Filsinger, serão reunidas no embargo. O processo já dura mais de uma década.

As provas, para o MP, servem para tornar ainda mais inquestionável o valor histórico e cultural dos casarões. É o que entende o procurador José Túlio Barbosa. “Para nós, não é decisivo o fato de ter essa assinatura. Mas é um dado relevante. O que vale mesmo é o grau de testemunho daqueles casarões, que representam a própria arquitetura do Estado. Outro aspecto é que o município não pode definir sozinho o que é patrimônio histórico”, sustenta.

O representante do MP ainda vai entregar documentos questionando a suposta rapidez da Prefeitura em liberar as licenças de demolição ainda em 2002. No mesmo dia em que o pedido foi protocolado, um engenheiro liberou a derrubada das casas, conforme o promotor. Desde então, ações do MP mantiveram os casarões em pé.

Barbosa ainda questiona a motivação da equipe de Patrimônio Artístico e Cultural (Epac) que retirou as residências da listagem de tombamento do município há 10 anos. Restaram somente 127 imóveis. “Quem excluiu as casas da lista não deu nenhuma fundamentação técnica para isso”, frisou. Já a construtora fala que foram realizadas perícias anteriores que não comprovaram o valor histórico dos imóveis.

Manifestação no domingo

Neste domingo, um ato organizado pelo Facebook, contrário à derrubada dos casarões, vai ocorrer na rua Luciana de Abreu a partir das 16h. O evento, denominado “Pare na Luciana”, tinha mais de 2 mil pessoas confirmadas até o fim da tarde desta sexta. Estão confirmados shows, projeção de filmes e atividades para crianças. Os organizadores pedem que os participantes levem cadeira ou canga.

Correio do Povo



Categorias:Outros assuntos, Patrimônio Histórico

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20 respostas

  1. Art. 397. É lícito às partes, em qualquer tempo, juntar aos autos documentos novos, quando destinados a fazer prova de fatos ocorridos depois dos articulados, ou para contrapô-los aos que foram produzidos nos autos.

    Se não são novos (e não são pelo visto), já era.

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  2. Tu já estiveste em Manhattan? Não faz o menor sentido compará-la com Porto Alegre, seja pela organização e tamanho das ruas, pelo tamanho das calçadas, pelo relevo, pelo transporte público, etc.

    Ademais, a construção de prédios é muito distinta: lá, constrói-se prédios próximos à calçada, e em geral um prédio se junta ao outro nas laterais; aqui, faz se o recuo na frente e nas laterais, colocam-se grades e constroem-se os prédios no meio.

    Basta caminhar nas duas cidades para saber a diferença. O modelo “Goldsztein”, “Rossi”, etc. de verticalização é o prato perfeito para incentivar o uso de carros: quem vai querer caminhar em uma calçada estreita, onde se anda paralelo há grades e mais grades, com poucos estabelecimentos comerciais? No fim das contas, esses condomínios são enormes ilhas, cujo acesso é via ruas estreitíssimas, não planejadas para tal densidade de pessoas.

    Lamento que tantas pessoas por aqui não tenham o menor discernimento e se ocupem em defender interesses corporativos. Enquanto isso, quem tenta salvar a cidade da ignorância fica rotulado de revolucionário atrasado.

    Dou a vocês um conselho: vão morar em São Paulo, vão veranear em Miami. Assim vocês podem curtir o “progresso” do concreto e do kitsch que tanto amam.

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    • Falou tudo! Acho que a questão não é nem “mais prédios, mais trânsito, mais poluição, menos qualidade de vida”.. A questão, pelo menos pra mim, é puramente de IDENTIDADE. identidade de uma cidade que, outrora, era conhecida pela sua arborização, harmonia das ruas e calçadas, bucolismo e valorização do patrimônio histórico. E, infelizmente, essa cidade tá se perdendo com o tempo. Eu sempre amei essa cidade e a Porto Alegre de atualmente não é a mesma pela qual me apaixonei há 10 anos atrás… A Porto Alegre de hoje, só me faz sentir dó. Dó porque temos exemplos suficientes no mundo – e principalmente no Brasil – pra vermos e compreendermos que esse modelo de criar cidades destruindo tudo e levantando grandes paredes de concreto sem preocupação nenhuma com estética e harmonia não dá NADA certo e só favorece os carros e aumentam distâncias.

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  3. A pergunta que fica é se Porto Alegre possui segurança juridica para atrair investimentos ou não????????

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  4. “Quem excluiu as casas da lista não deu nenhuma fundamentação técnica para isso”, frisou Barbosa.
    “Outro aspecto é que o município não pode definir sozinho o que é patrimônio histórico” sustenta Barbosa
    .
    Finalmente o promotor “holofote” está levando o debate sobre patrimônio para o centro da questão!
    .
    Mas continuo pensando que a discussão deveria ser quem vai dar manutenção e vida para as casas. Porque repito; nem a Prefeitura, nem o Compahc, nem a Associação, nem o MP e muito menos o promotor holofote, farão isso!

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  5. pessoal…aloooouuuu….o viaduto otavio rocha tá caindo….a degradação da Orla É EMINENTE…o dliluvio é um reduto de crakeros…o centro historico está atiradissimo e voces estao se matando por conta de uma permuta de um negocio privado…

    pq voces estao fechando os olhos para os problemas cronicos da cidade??

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    • Uma coisa não exclui a outra, luli.

      Pra ilustrar, alguém poderia responder ao seu comentário com algo como “pessoal…aloooouuuu…. os hospitais públicos caindo aos pedaços, os professores da rede pública ganhando salário de fome, o saneamento básico precaríssimo e vocês se matando por conta de assuntos como arquitetura e urbanismo?”

      O fato de estarmos discutindo esse tema não significa que se está fechando os olhos para os problemas crônicos da cidade. É só passar os olhos nos comentários de qualquer matéria sobre a orla, sobre o Dilúvio, sobre o centro histórico e verás que o debate é sempre intenso e rico.

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  6. Lamentável acharem que um monte de prédio novo, com cada apartamento vendido hiper-inflacionado para familias que ficarão brigando entre si e entupindo as ruas de carros, é uma boa coisa. Querem prédios? Porto Alegre está cheio de áreas onde se pode fazer milhares deles, e Moinhos de Vento NÃO é um desses lugares. Será que não aprenderam com Sao Paulo que este tipo de expansão é o PIOR que uma cidade pode ter? Funciona da mesma maneira que avenidas: ja foi comprovado que alargando avenidas nao melhora o transito mas piora, pois o transito se multiplica, a qualidade de vida diminui.
    Será que é tão difícil encontrar um foco na qualidade de vida ao invés de pura expansão demografica?

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    • Quanto bobagem num mesmo comentário. 1) Moinhos NÃO é um dos lugares pra se construir prédios? Engraçado pois o bairro está cheio deles e quem não quer que mais pessoas morem no bairro já tem o seu ap untuoso e com o metro quadrado caríssimo e especulado, já que as casas remanescentes são na sua grande maioria destinadas ao comércio e serviços. 2) Duplicar vias não multiplica o trânsito e não investir em infraestrutura viária também não vai melhorá-lo o trânsito. O fluxo de veículos invariavelmente vai ser cada vez maior porque quem antes não tinha carro tá começando adquirir e isso não vai parar tão cedo. Soluções? Transporte público de qualidade a principal dela, mas investir conscientemente no sistema viário também ajuda. 3) Realmente, o foco deve ser a qualidade de vida, mas essa é uma meta que só é alcançada através de muito planejamento. Fora, claro, que depende também de índices econômicos e sociais das cidades. Mas exemplo mundo afora não falta, principalmente na europa. E elas em momento algum sacrificaram o que entendemos por “progresso” pra garantir qualidade aos seus moradores. Coisas que aqui no Brasil não se conjugam tamanha nossa tupiniquisse.

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      • Falou falou e nao disse nada. Se Moinhos ja tem um numero de prédios não significa que mais ainda são bem-vindos. Não, nao tenho nada no Moinhos nem pretendo ter, mas nao quero a cidade como num geral cheia de predios residenciais. Posso? Posso sim querer isso e tem um monte de gente que concorda comigo. E todo mundo está careca de saber que transporte publico está em um mega-deficit, pesquise e vai ficar sabendo que enlargamento de vias nao ajuda em nada independente do numero de carros (olha o numero de carros em Los Angeles).

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        • Lembra muito a ideologia portoalegrense do não pelo não. Não quero prédios porque não quero prédios. Existe uma razão de POA e todas as capitais brasileiras serem verticais: a violência, a falta de planejamento e pouca infraestrutura principalmente nas regiões mais afastadas da cidade, onde, nos EUA, por exemplo, ficam os subúrbios verdejantes. Sim, tu podes querer uma cidade sem prédios mas tem muita gente que prefere viver em edifícios do que em casas, por questões de segurança, proximidade com os núcleos de serviço, comodidade. Eu sou a favor de uma verticalização onde os prédios sejam uma referência arquitetônica e sirvam pra agregar qualidade ao corpo urbano de uma cidade. No moinhos, com exceção do espigão rosa da 24, a maioria dos prédios são belas referências arquitetônicas de sua época, seja a modernista, dos anos 70, 80, 90 e também contemporâneos, afinal, valor arquitetônico não se dá apenas no patrimônio histórico. Ou seja, a verticalização também seu papel na construção do tecido e da paisagem urbana e quando os lançamentos são de qualidade o impacto pode ser positivo.

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    • Quanta bobagem! Cidades verticais costumam ser muito mais eficientes. NY é uma das cidades que geram menor poluição por habitante com transporte e eletricidade nos EUA. Isto pq prédios desperdiçam menos energia com calefação, a área construída costuma ser menor e as pessoas tendem a morar mais perto de onde trabalham, enquanto cidades horizontais tudo é longe e é necessário grandes deslocamentos diários e sistema de transporte de muito maior capacidade.

      A razão para POA ser uma cidade verticalizada são várias (sistema de transporte precário e congestionado, menos custo) , mas principalmente: maior segurança! Poucas pessoas hoje possuem coragem de morar em residências onde todo o custo por segurança precisa ser bancado pela mesma pessoa, ao contrário de prédios onde isto é dividido pelos moradores.

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    • Mas nos outros bairros pode né??

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      • Tipica paixonite por prédio das pessoas, é tudo que consigo ler. Mas nao consigo encontrar nenhum argumento válido em favor da proliferação de prédios. A pior desculpa que me dão é a segurança. Quer dizer se resolve a segurança construindo prédios, mas não a segurança?

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  7. Aaaaaa, vai la e derruba.
    Pronto.

    haha

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  8. Foi o que falei, quanto atraso!! Pronto, aos que fizeram um caos com isso, PARABENS! Pela eternidade terão esses 6 casarões. Desfrutem! Espero que aproveitem os finais de semana para irem visita-los! Salvem a mentalidade atrasada de POA!!

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  9. Isto é Porto Alegre. Discussões, discussões, discussões, discussões, debates, debates, debates, debates, discussões, discussões, discussões…

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  10. Que piada isto!

    Brazil = Insegurança jurídica

    Até a The Economist já percebeu isto… com atraso de 4 anos.

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  11. Essa história toda talvez nem seja a parte histórica, mas sim o impacto que 3 torres de 16 andares causarão na vizinhança, mais de 500 pessoas, mais de 150 carros, aumento no numero de lixo e esgoto, acredito que isso seja um grande impacto para uma região nobre da cidade.

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