Partidos disputam anúncio do metrô de Porto Alegre

Cerimônia de divulgação das obras está prevista para este sábado

Cerimônia de divulgação das obras está prevista para este sábado Crédito: Montagem com fotos de Halder Ramos e Mauro Schaefer / CP Memória

Cerimônia de divulgação das obras está prevista para este sábado
Crédito: Montagem com fotos de Halder Ramos e Mauro Schaefer / CP Memória

Em um jogo político que se estendeu durante toda quinta-feita e prossegue nesta sexta, o governo do Estado decidiu praticamente dobrar sua participação financeira nas obras do metrô de Porto Alegre, de forma a que ela chegue a R$ 1 bilhão, incrementando seu mérito no projeto e garantindo o anúncio nesta sábado. O valor corresponde a 20% do custo total da obra, que é de R$ 5 bilhões, e a 28,5% do valor a ser colocado no projeto pelo poder público, que é de R$ 3,5 bilhões, já que o R$ 1,5 bilhão restante caberá à iniciativa privada.

Pelo que já estava acordado entre as três instâncias do poder público, além do R$ 1 bilhão a fundo perdido acertado em 2011, a União bancaria a fundo perdido agora mais R$ 1,3 bilhão. O Estado, além de contrapartida de R$ 350 milhões acertada em 2011, garantiria, via financiamento, uma segunda parcela, entre R$ 250 milhões e R$ 350 milhões. Iguais valores caberiam à prefeitura. As segundas parcelas dos valores serão anunciadas amanhã pela presidente Dilma Rousseff, em Porto Alegre. Mas, com a mudança, a União coloca a fundo perdido R$ 1,8 bilhão, o Estado garante R$ 1 bilhão e a prefeitura permanece na faixa dos R$ 700 milhões.

Na noite de ontem, integrantes do Piratini, tendo à frente o secretário estadual do Planejamento, João Motta, prosseguiam no fechamento da costura do acordo com o governo federal. Motta recebeu orientação expressa do governador Tarso Genro, que retorna hoje do Chile, para aumentar a participação ao máximo. ‘Como estamos aumentando nosso espaço de endividamento, temos condições de aumentar nossa participação. Nós temos esta margem’, informou Motta.

A estratégia tem por objetivo colar no governo do Estado a imagem de que não mediu esforços para viabilizar o projeto e, ao mesmo tempo, deixar com a prefeitura qualquer responsabilidade sobre dificuldades nas negociações, já com vistas à eleição de 2014. Ela foi colocada em prática após o prefeito José Fortunati, do PDT, negar ontem pela manhã, via Twitter, que as negociações sobre os percentuais de participação da União, Estado e prefeitura estivessem fechadas desde segunda-feira e insistir que a capacidade de endividamento da prefeitura estava no limite.

A ideia inicial dos apoiadores de Tarso era anunciar que o Estado bancaria tudo o que a prefeitura não fosse capaz de fazer. Mas articuladores de Fortunati também entraram em campo e, ao final, para que o Estado possa aumentar sua participação e capitalizar a iniciativa, a saída foi reduzir a participação da União. Como o governo federal tem sobrando ainda R$ 18 bilhões dos R$ 50 bilhões do PAC da Mobilidade Urbana, nada impede que, em um segundo momento, com a apresentação de um novo projeto, os recursos da União a fundo perdido voltem a ser turbinados.

metropoa

Correio do Povo

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Do Jornal Metro – 11/10/2013

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Categorias:Metro Linha 2

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37 respostas

  1. Se o trajeto fosse pela Cristóvão ou pela Plínio seria mais proveitoso…..

    Ademais, espero que a integração com os BRTs metropolitanos seja feito de forma decente na estação triângulo.

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  2. Hmm notei alterações no projeto…

    1) Colocaram uma estação para integrar com a Terceira Perimetral. Excelente. Era algo que eu já vinha dizendo aqui no blog que era uma obviedade.

    2) Moveram a estação da Félix para a São Pedro. Não tenho certeza se é bom. Por um lado, a São Pedro é o eixo do bairro, mas por outro, acaba ficando muito próximo da Estação Cairú. O local anterior (Félix) era interessante porque poderia permitir conexões interessantes com linhas da segunda perimetral.

    3) Estação Ramiro virou “Florida”? Será que não podia ser um pouco mais ao Norte? Parece-me que a distância entre esta estação e a da Félix ficou muito grande. Pode ser muito ruim pro Bairro, ainda mais se considerarmos que já é um bairro sofrido em termos urbanísticos.

    4) Obviamente, o trajeto foi encurtado, não indo mais até a FIERGS. Supostamente, o pretexto é “economia”, mas todo mundo sabe que esse era justamente o trecho mais barato por ser em estrutura elevada.

    5) Aparentemente, resolveram agora interligar a linha ao pátio de manutenção do Trensurb. Ou seja, vão construir um túnel entre a Cairú e Farrapos, e vão conectar com os trilhos do Trensurb. Se isso vai ser feito, porque diabos já não conectamos os dois sistemas duma vez? Linhas compartilhando trilho é a coisa mais normal do mundo.

    E claro, as cagadas anteriores continuam:

    1) Local bizonho pra estação-término no Centro. Largo Glênio Peres seria bem melhor, pois lá tem muito mais espaço.

    2) Insistência nessa curva ao Sul para a improvável ampliação do sistema em direção àquele traçado circular bizonho que ignora as novas centralidades da cidade (i.e. Carlos Gomes).

    3) Demanda considerável de pontos atratores de viagem no lado Oeste do Centro ainda resta ignorada.

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    • Linhas compartilhando trilhos é comum quando existe uma extensa rede (como em Paris ou Londres) ou quando se concentra duas linhas de “média demanda” em uma de alta, como acontece em Brasília e em Recife.

      A linha 1 tem uma quantidade muito grande de passageiros e ela começa a “soltar gente” justamente a partir da do Aeroporto, colocar mais os trens da linha 2 justamente onde as pessoas começam a descer não é uma boa ideia. Fora que nãos e sabe ainda a especificação dos trens da linha 2 (o edital sugere driverless), e o sistema CBTC não é tão difícil de implantar em uma linha nova (como a linha 4 de SP), mas vem dando trabalhos em linhas que usavam maquinistas antes, como a linha 2 de SP. Não creio ser possível que trens usando maquinistas e driverless compartilhando trilhos, fora que teria um custo mais alto para instalar CBTC nos atuais e novos trens da trensurb e instalar portas em todas as plataformas da linha 1.

      E o último problema, a iniciativa privada vai tocar a linha 2, e o lucro dela precisa ser garantido. Compartilhar esse trecho faria ela dividir dinheiro com a Trensurb.

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      • Quanto a demanda: o trensurb ainda não está no limite da via. Ele atingiu o limite dos veículos, mas ainda existe espaço para incrementar a oferta diminuindo o headway (i.e. mais veículos). E isso considerando que o sistema de sinalização do Trensurb é mais antigo, não permitindo moving block signaling (MBS), apenas . No caso de uma fusão entre as duas linhas, poderíamos ter o trecho compartilhado com sinalização MBS, de forma que o intervalo entre os veículos seria menor do que o que o Trensurb permite hoje – mas deixaríamos o trecho só-Trensurb com o sistema atual.

        Essencialmente, a operação poderia ficar “um trensurb, dois minutos, um metrô, dois minutos, um trensurb, [etc]” no trecho compartilhado e “um trensurb, quatro minutos, outro trensurb” e “um metrô”, “quatro minutos”, “outro metrô” nos trechos isolados. Isso daria uma boa capacidade para as duas linhas no horário de pico.

        Quanto ao problema de misturar trens com e sem maquinista: com certeza, esse problema existe. Com certeza trens automáticos são uma ideia muito interessante em geral, mas eu julgo que a partir do momento onde a opção por trens automáticos nos “força” a ter duas linhas paralelas (praticamente grudadas), fica difícil de defender. Existe economias internas e externas que poderiam ser conquistada em se dividir a estrutura por dois serviços: menos manutenção, mais opções de conexões, além, é claro, da valorização que a área junto a este trecho compartilhado poderia ter.

        Quanto ao problema da iniciativa privada: até onde eu entendo, e pelo que já ouvi de gente da trensurb, é o maior impedimento mesmo. Mas aí de novo eu começo a ficar em dúvida se vale a pena sacrificar o interesse da mobilidade das pessoas (conexão na Cairú é melhor que no Centro) nessa separação de sistemas somente em nome de garantir o lucro do parceiro privado. Com certeza existem outras modelagens financeiras que poderiam permitir o sistema compartilhado.

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    • Não esteja tão certo sobre uma conecção com Trensurb. O que estão planejando é apenas um ramal de manutenção saindo da estação Cairú, passando num túnel por baixo da estação Farrapos do Trensurb e indo para um novo centro de manutenção do metrô na área desativada da Rffsa.
      Não aparece em ponto algum, nem ao menos a idéia que seria óbvia, de fazer desse ramal também operacional, com uma estação do metrô conectada com a estação Farrapos do Trensurb.
      Pelo jeito, querem mesmo é que quem venha da região metropolitana do Trensurb em direção à zona norte de Poa e vice-versa, continue indo até o centro pra trocar de transporte…. Lamentável. E que desperdício.

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    • Não esteja tão certo sobre uma conecção com Trensurb. O que estão planejando é apenas um ramal de manutenção saindo da estação Cairú, passando num túnel por baixo da estação Farrapos do Trensurb e indo para um novo centro de manutenção do metrô na área desativada da Rffsa.
      Não aparece em ponto algum, nem ao menos a idéia que seria óbvia, de fazer desse ramal também operacional, com uma estação do metrô conectada com a estação Farrapos do Trensurb.
      Pelo jeito, querem mesmo é que quem venha da região metropolitana do Trensurb em direção à zona norte de Poa e vice-versa, continue indo até o centro pra trocar de transporte…. Lamentável. E que desperdício.

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  3. Bah, nunca deu as caras sobre o metrô, eu ate comentei esses dias sobre a tal das estrelas que tanto falaram nas propagandas politicas, ao menos o Tarso, depois de tanto tempo, resolveu fazer algo, pena toda essa demora né.

    Se vão cortar algo, ao menos poderiam dar um jeito de criar uma ligação com os onibus da RM com a primeira estação do metrô, só pra facilitar um pouco a vida da população.

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  4. Poxa, tiraram o metrô de dois dos bairros mais populosos da cidade… O Sarandi e o Rubem Berta. São os que mais precisam do metrô.

    Sem falar no pessoal que viria de Alvorada, Gravataí… A prefeitura vai ter que planejar e gerenciar muito bem a interação entre ônibus e metrô se quiser que a população daquela região realmente se beneficie.

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  5. Olha a gambiarra aí gente!

    O traçado entre o Triângulo e a FIERGS foi abandonado, já era. Diminuíram o traçado do metrô em quase 5 km ou 30%.

    A central de manutenção do metrô será na região Humaitá, não sei bem em qual local, se é que existe alguma área grande disponível por aqueles lados.

    Vem aí o maior projeto e obra feito nas coxas de todos os tempos. Esperem e verão.

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  6. Nao havera ligacao direta com o trensurb???
    Deveria ter um ramal ligando a estacao Cairu ao trensurb….e um tunel interligando a Rua da Praia/Mercado.

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  7. Foi só eu que achei graça desses 1,77 bi?

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    • Leio diariamente o blog do Rodrigo Constantino. ele tem excelentes argumentações que nos levam a crer que se o PT continuar gastando o dinheiro de forma irresponsável, MAIS CEDO OU MAIS TARDE O BRASIL QUEBRA!!!

      A Petrobras já tá quebrada, o BNDES também, a divida interna está em um patamar nunca visto antes na história desse país…

      não duvido que esse desgoverno emita moeda para evitar a quebra do Brasil e voltaremos ao patamar de inflação da década de 80.

      Me desculpem, mas nunca estive tao pessimista como estou atualmente.

      Não existe fabrica de dinheiro, ou se gasta menos do que arrecada ou então se revê os gastos até equalizar o caixa!!

      vale o mesmo no âmbito regional senhor TARSO GENRO !!!

      Angela Merkel está aí para provar o sucesso de uma gestão responsável…Não precisamos ir muito longe…o Chile é outro exemplo de sucesso!!!

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    • Bah, alguém ainda dá crédito pra alguma coisa que sai na Veja?

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      • Vai dar crédito pra quem? Carta Capital? Ou pra mídia ninja talvez?

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        • Ué, como não dar crédito pra mídia ninja? Transmissão ao vivo o mais próximo possível do que é notícia, filmagem bruta, sem análise. Ou é mlehor ficar com as imagens e a análise que o Jornal Nacional quer que nos atinja?

          Sobre a Carta Capital, não leio a revista mas acabo lendo alguma coisa do site. O conteúdo, em geral, é bom. É uma revista assumidamente de esquerda, não se auto-propagandeia como “A” verdade, como faz a Veja, que quer pagar de neutra, mas é de um reacionarismo patético.

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      • Concordo plenamente.
        Na minha modesta opinião a Veja é para as revistas o que o Diário Gaúcho é para os jornais.

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      • A veja é a única revista que ainda tem peito para criticar essa porcaria de governo Petista… Pior que tudo que ela publicou está se confirmando, ou estou mentindo???

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      • Tem muita coisa boa na veja, tenho pena é de quem não tem a capacidade mental de ver o que é exagero por parte da revista, e o que é real.

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  8. Que dessa vez saia mesmo, quem sabe em 2025 entregam.

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  9. Tanto a conta de 1 bilhão de reais para o quebrado governo do estado, como os 700 milhões para a Prefeitura de Poa, são participações altas para a realização desse sonho, mas pequenos perante os imensos benefícios desse sistema de transporte.

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    • É verdade. E o governo federal vai acabar recebendo todo esse dinheiro “a fundo perdido” na forma de juros, como o faz há décadas. Ou seja, a generosidade aparente do governo federal não é mais do que uma suavizada nos juros, mas certamente não vai perder dinheiro.

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  10. Noticia tendenciosa do CdP. Ambos Tarso e Fortunati declararam em seus twitters que a vitória foi de todos, agradecendo o envolvimento de todos os órgãos públicos.

    Tipica noticia para jogar o povo contra.

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