Posso cortar a unha do pé?, por Diego Casagrande

Preciso cortar a unha do pé. Especialmente a do dedão que está grande. Com o cortador na mão, tenho dúvidas. A lei permite? Difícil saber, do jeito que nossos legisladores influenciam de forma medíocre no cotidiano das pessoas. Quando eu era menino o pai chamava o jardineiro para cortar uns galhos das árvores no fundo de casa quando estes encostavam nos fios de luz. Coisa normal. Experimente podar qualquer árvore hoje em dia para ver se não leva uma multa caríssima e se vê às turras com a justiça. Hoje, os tentáculos do Estado, representados por um emaranhado de leis burras e antidesenvolvimentistas, sob o pretexto de proteger a vida, impedem quase qualquer coisa.

Nesta mesma linha, é medíocre e inócuo o projeto aprovado pela Câmara de Vereadores de Porto Alegre proibindo comandas em danceterias com mais de 600 lugares. Sim, comandas. Aquele papel onde o garçom marca o consumo do cliente, que depois pagará no caixa. Agora, o pagamento do consumo terá de ser imediato no balcão, com fichas compradas ou colocando créditos em um cartão. Ou seja, os legisladores criaram mais burocracia para os empreendedores e, sobretudo para os clientes, que terão de pagar ou na hora ou antecipadamente, nunca depois. Uma bobagem. Há alguns anos já haviam proibido a consumação mínima, sob a justificativa tosca de que isso incentivava as pessoas a beber. O único resultado tangível foi aumento do custo para os consumidores. As danceterias, que antes não cobravam entrada, passaram a cobrar. Ficou mais cara a vida de quem vai a uma boate se divertir.

Pior é usar a justificativa de uma tragédia para legislar sobre coisas que, verdadeiramente, não salvam vidas. Na boate Kiss as pessoas poderiam ter sido salvas se não houvesse mau-caratismo dos donos e da fiscalização. Comandas não matam ninguém. Quando vidas estão em risco, não abrir as portas é safadeza e fora da lei. O resto é oportunismo. Seria o mesmo que proibir os carros por causa dos acidentes e mortes. O Estatuto do Desarmamento proibiu a arma do cidadão de bem e o índice de homicídios não caiu.

Eleitos pelo povo, os que criam regras esdrúxulas para quem gera empregos, renda e desenvolvimento, em sua maioria nunca souberam gerar um único centavo.

Minha unha do pé está grande. Vou logo cortar. Será que alguma lei me impede?

Diego Casagrande – 29.10.2013 – Jornal Metro – Porto Alegre



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34 respostas

  1. Que texto ridículo e ignorante.

    Comanda gera vários problemas além da questão da segurança em uma eventual necessidade de evacuação. Pela lei, é responsabilidade do local cobrar o cliente, isso de ter que guardar a comanda e cobrar ou impedir a saída de quem perde é ilegal.

    No mundo inteiro esse sistema não é utilizado ou foi proibido justamente pela questão de segurança, é indicação dos especialistas.

    É fácil crucificar um funcionário ou segurança que atrasam a evacuação duma boate, difícil é entender que ele faz isso porque é o cu dele que tá na reta se não for nada e o pessoal sai sem pagar.

    Todos lugares do mundo em que saí, inclusive muitos bares, paga-se a cada pedido. Com sistema de cartão fica até mais fácil, só carregar o que se imagina que vai gastar depois ir pedindo.

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  2. Falando em árvores… reparei neste final de semana que o canteiro central da avenida cavalhada, mais precisamente após o zaffari (centro bairro) recebeu muitas árvores e não são palmeiras… não sei que tipo de planta é como ficará quando crescer… mas pelo menos não são palmeiras…

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  3. Este é o jornalista genial que fez uma matéria, para o TeleDormindo, usando um COLETE A PROVA DE BALAS na Redençao. Isso prova falta de senso de realidade, não?

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  4. Por mais que achem o texto exagerado, falta interpretação de texto para alguns.

    O caso não se usar comanda ou não é melhor ou pior. Mas o abuso do estado em querer determinar isto.

    O estado tem que atentar as questões básicas civis, o comerciante tem de ter o livre direito de exercer sua atividade/comércio de maneira que bem entender(resguardando sempre preceitos da vida em sociedade).

    Daqui a pouco vai ser o que:
    – lei impede estabelecimentos de vender uma marca somente de bebida, tem que ter duas opções
    – lei obriga restaurantes a ter opção vegetariana
    – lei obriga restaurantes vegetarianos a ter opção de carne animal

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    • Mas tem coisas que se o Estado não determinar (mediante leis) estas coisas simplesmente não mudam, e quem sai prejudicado no fim das contas é a ponta final (cliente).

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    • O legislador é pago exatamente para regular as relações entre os indivíduos, pois em uma sociedade calcada no Estado Democrático de DIREITO é na lei que devem se embasar essa convivência.

      E o comerciante exerce sua atividade livremente, desde que atente para as normas que a regem. Se a tua ânsia de tirar o Estado dessa relação fosse a regra, teríamos falta de legislação até para as questões sanitárias, pois o comerciante teria de ser responsável por si só, não necessitando da tutela do Estado.

      O texto, de um jornalista conhecido por suas posições extremas, peca por vociferar contra algo que NÃO irá afetar o faturamento de nenhuma casa noturna, bem como eliminará, incidentalmente, diversos problemas, como outro comentarista já apontou.

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      • perfeito. chega de mimimi de fãzocas de empresários.

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      • Eu acho que você deveria estudar um pouco mais sobre o Estado Democrático de Direito, especialmente sobre totalitarismo, para entender que já passou da era que o Estado regulava todos os aspectos da vida da pessoa. O muro de Berlim caiu.

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      • O mérito mais básico o Tony ja trouxe bem.
        Estado minimo ou pelo menos menor do que temos hoje não é o mesmo que não ter estado.

        Teu argumento é falacioso, mas não discordo totalmente de você.

        O que é mais importante pra mim, muito mais que esse artigo carnavalesco é o fato de estarmos legislando sobre coisas que o livre mercado resolveria.

        O bom senso deveria vir antes da lei, se e somente se houvesse exploração de uma situação, poderia vir uma lei para regular a sociedade. Mas não é o caso da lei em discussão.

        Cada vez mais, caminhamos para um estado paternalista, uma verdadeira babá para seus cidadões chorões. Onde para tudo precisa-se de uma lei boba, enquanto as discussões verdadeiras para a melhora da sociedade ficam as margens.

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        • O mesmo vale pra essa notícia. Boba. Enquanto tem tantos assuntos que ficam as margens, não acha?

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  5. Texto ridículo. Ninguém vai desistir de construir uma boate em Porto Alegre porque não pode ter comanda.

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  6. Porra, tenho que pagar antecipado, comprar ficha?? Isso sim incentiva a pessoa a beber mais: ora, se já ta pago, azar…

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  7. Diego Casagrande. Impressionante a quantidade de bobagens que este “jornalista” consegue produzir um tão curto espaço de tempo. Sabe tudo, tem solução pra tudo e tem o monopólio da verdade. Ele não opina, arrota a verdade. Aliás, gostaria de saber a opinião, ops, o veredito sobre jornalista ganhar dinheiro para falar bem de determinados partidos e criticar outros usando veículos de concessão pública com a finalidade de informar?

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    • Não conheço o jornalista mas, você tem razão Adir quando diz que tem partidos que pagam pra falar bem deles. É um atentado à nossa inteligência termos que ver o governo “comprando tendências” com publicidade de estatais. Isso acontece em toda a imprensa que não sobrevive sem esses anúncios, mas, tem as Carta Capital da vida e outros.

      Quem está no poder gosta de falar de estatização. Controlar empresas significa poder. Imagina o orçamento dessas estatais todas. Quanto cargo para apadrinhados sem falar na caixinha. Aliás um certo partido desmantelou as Agencias colocando amigos por nomeação em detrimento de técnicos.

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  8. Gosto pessoal do Diego Casagrande. Por mais cômodo que possa parecer a comanda, se perde um bom tempo na fila de pagamento na saída. Nos eua nunca vi a utilização de comanda. É tudo questão de costume.

    Não faço ideia de que partido seja, mas achei o texto bem exagerado. Sembra uma dor de cotovelo do autor.

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    • Não só nos Estados Unidos, mas em Londres ou qualquer outra grande metrópole mundial você pede a bebida e paga no ato. Evita surpresas desagradáveis. Ou por que marcaram a mais ou por que o sujeito bebeu um pouco mais da medida e perdeu o controle.

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    • Também achei um exagero.

      Impressionante o que as pessoas fazem (ou falam) quando mudam um pequeno detalhe em suas rotinas.

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    • Quem tem que regular isso?

      O mercado, e não os vereadores!

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    • Não é exagero meus caros. É restrição de liberdades. É um princípio. É verdade que nos EUA e UK não se tem comandas, mas isso é por causa da lei? Se vocês estudarem a escola de Chicago verão que esse pequeno tipo de regulação possui grande impacto sobre determinados pontos. É tudo uma grande bola de neve.

      Ademais, em cidades mais republicanas nos EUA, esse tipo de regulamentação jamais passaria, por causa do princípio da liberdade. O problema é que na América Latina, por fatores históricos, temos um paternalismo. Jogamos muito as coisas nas contas do Estado.

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      • Essa onde neocon é demais, até no caso das comandas vem neguinho falar dos republicanos. Lá, essa lei não ia passar, mas também não ia ter ensino da evolução ou do big ben, então prefiro ficar no paternalismo que pelo menos não proíbe a ciência.

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      • Mas o problema é que aqui muitos agem como animais. Então todos precisamos ser domesticados.

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  9. Excelente texto! Gostaria de saber o nome e o partido do mentecapto que teve a ideia de fazer um projeto de lei desses.

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    • Vereador Idenir Cecchim
      E-mail: idenircecchim@camarapoa.rs.gov.br
      Partido: PMDB

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    • Complicado, eu concordo com tudo que ele falou, mas fico em dúvida quando a comanda.
      A escola de chicago, uma das mais liberais, diz que leis que regulam por exemplo o direito de acesso a informação sobre o produto ou serviço que se está adquirindo estão ok. Por exemplo: saber com antecedência se é permitido ou não fumar num estabelecimento, qual a garantia de um produto, ingredientes,…

      Sou extremamente liberal, mas no caso da comanda não acho que seja papel do consumidor guardar a informação sobre o seu consumo, exceto para seu próprio controle. Acho absurdo “em caso da perda ter de pagar R$200” pois é papel do estabelecimento controlar isto. Por causa disto fico em cima do muro quanto a esta lei, pendendo para ser a favor dela.

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