Honda começa a construção de parque eólico em Xangri-lá

Companhia japonesa vai construir parque eólico no litoral gaúcho para abastecer fábrica de automóveis em São Paulo

Por Laura D’Angelo

Inagurao_Parque_Elico_Honda-350São os ventos do extremo sul do Brasil que vão impulsionar um projeto inédito da Honda no mundo. Xangri-lá, município do litoral gaúcho localizado a 130km de Porto Alegre, vai abrigar o primeiro parque eólico da companhia japonesa, construído para fornecer energia à fábrica de automóveis de Sumaré, em São Paulo. Serão nove torres capazes de gerar 3 megawats, o suficiente para abastecer uma cidade de 35 mil habitantes. As turbinas entram em funcionamento em setembro de 2014. A construção e gestão do parque ficam a cargo da Honda Energy, subsidiária da Honda Automóveis do Brasil.

Inagurao_Parque_Elico_Honda-350O município do Rio Grande do Sul foi escolhido após pesquisa em outros 30 lugares do Brasil. “Não foi só pela questão do vento, mas também pela logística e pela infraestrutura já instalada na região”, explica Carlos Eigi Miyakuchi, presidente da Honda Energy, referindo-se ao parque eólico presente na cidade vizinha de Osório. Para acelerar o processo, a Honda Energy comprou um projeto realizado pela empresa francesa Theolia, que já continha as licenças ambientais aprovadas. A construção do parque deve envolver 150 profissionais enquanto a operação contará, inicialmente, com 20 funcionários. A intenção é que praticamente toda mão-de-obra seja local.

Nas previsões da Honda, o investimento, que custou R$ 100 milhões, deve se pagar em oito anos. O objetivo é reduzir o custo com energia em 50% na unidade de Sumaré e, principalmente, diminuir em 30% a emissão de CO2. “O parque eólico é um símbolo do comprometimento da Honda com a sustentabilidade no Brasil”, completa Miyakuchi, destacando que a redução da emissão de gases poluentes é uma meta perseguida por toda a empresa.

Em cerimônia de lançamento da pedra fundamental da obra em Xangri-lá, Miyakuchi afirmou que a Honda não deve parar nesta primeira experiência. A empresa planeja investir em novos parques eólicos para abastecer a fábrica de motos de Manaus e a unidade que está sendo construída em Itirapina, no interior de São Paulo, que entra em funcionamento no segundo semestre de 2015. O terreno de Xangri-lá, arrendado por 20 anos e com possibilidade de renovação para mais dez, vai operar com capacidade máxima, sem a possibilidade de expansão.

De acordo com os executivos, a Honda Energy não descarta a possibilidade de vender energia ao mercado caso haja produção excedente. No entanto, não está nos planos da companhia entrar como competidor no setor energético brasileiro. “Os projetos desenvolvidos são apenas para servir as fábricas da Honda”, garante Artur Signorini, gerente ambiental e de sustentabilidade da Honda.

Revista Amanhã



Categorias:Energia Eólica

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7 respostas

  1. A energia que o RS produzir deixará de ser importada via sistema interligado. Sairemos ganhando nós, gaúchos, porque consumiremos mais energia verde, já a montadora será alimentada via sistema sudeste. Na contabilidade compensa, mas na prática ganham todos.

    Atualmente o estado importa do sistema interligado mais de 50% do que consumimos e as linhas de transmissão, como sempre, estão no limite. Então gerando aqui, alivia-se o sistema de transmissão, que tem perdas em torno de 10%. O ideal seria produzir perto do consumidor, evitando-se transmitir, ou seja, o RS produzir o que necessita, assim economizamos carvão e por conseguinte, diminuiem-se as emissões de gases.

    Achei excelente a ideia da Honda. Se cada montadora gerasse tivesse a mesma atitude, compensaria em parte o efeito nefasto doproduto que eles colocam no mercado. Que as demais sigam o exemplol!

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  2. Acho que na verdade, como o sistema elétrico do país é todo interligado, é mais uma contrapartida da empresa por ter a fábrica. O parque eólico deles não vai gerar energia só pra fábrica, vai entrar no sistema interligado. Mas dessa forma a empresa está colaborando pra gerar de forma limpa.

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  3. Isto é um verdadeiro absurdo. RS gerando energia para SP crescer, ainda mais e mais, enquanto o fornecedor só faz retroceder. Absurdo!

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  4. Faço minhas as palvras do DiegoMoal.

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  5. Eu gostaria muito de saber qual é o grupo japonês fabricante dos aerogeradores?

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  6. Sei que o pessoal “eco” pode não gostar. Mas eu gostaria de ter a montadora da Honda no RS e o parque eólico em SP.

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