Um roteiro para conhecer Porto Alegre, por Adeli Sell

Linha Turismo - Foto: Gilberto Simon - Porto Imagem

Linha Turismo – Foto: Gilberto Simon – Porto Imagem

Se você receber a visita de uma pessoa que não conhece Porto Alegre e quer muito conhecê-la, o que você fará? Provavelmente irá mostrar toda sua gentileza e pegará o carro para rodar pela cidade, certo? Errado.

Primeira coisa a fazer é desfrutar de um passeio com o ônibus de turismo, sentando, de preferência, na parte superior. Se a opção for esta, cuide com o sol e use sempre protetor. Ah, atenção também com a cabeça, pode haver galhos que a Smam teima em não cortar ou fiação solta.

Findado o passeio, sugiro uma caminhada pelo Centro. Vá ao Mercado Público e mostre que a parte superior foi “vítima” de um incêndio em julho, e que somente agora a recuperação está começando com verbas federais.

Almoce por lá mesmo. Mostre a diversidade de nossas bancas. Explique o que é erva-mate e como se aprecia um chimarrão. Faça a degustação de um café, pois aqui também produzimos boas unidades, e mostre que nossos espaços são aconchegantes, principalmente o deck externo, no Largo Glênio Peres. Ah, não se esqueça de mostrar que ali tem um chafariz que não funciona. Diga que isto acontece muito por aqui, que Porto Alegre já foi muito avançada, mas que atualmente a modernidade anda meio suspensa na cidade.

Mostra dali mesmo o Chalé da Praça XV, os prédios do entorno e a Prefeitura. Caminhe pelo Centro. Pegue a Sete de Setembro e vá até a Praça da Alfândega, mostre a riqueza daquele sítio e entre no Margs para apreciar um pouco de arte. Siga adiante. Entre na Casa de Cultura Mário Quintana e depois na Usina do Gasômetro.

Circule pela Orla, mostre tudo, mesmo aquilo que um dia será outra coisa, como a Orla acessível. Diga que tem um projeto, como deve ter dito que existe um Projeto para o Cais Mauá. Agora, vá até a Câmara, alugue bicicletas e circule até o Museu Iberê Camargo, pelo menos. Se tiverem fôlego para ir adiante, sigam até o bairro Tristeza, um dos lugares mais aconchegantes da cidade. Faça força vá até Ipanema. Volte pela Avenida Tronco. Mostre que as obras aqui são lentas, mas que um dia ficará pronto. Ah, como você já mostrou a bela cobertura do Beira Rio, passe pela Azenha e informe que o Olímpico será implodido em 2014 e que a nova casa dos gremistas é a gloriosa Arena do Grêmio. Ao lado, a Ponte do Guaíba, a Ponte estaiada e, é claro, as favelas da Entrada da Cidade.

De volta ao Centro, um pouco cansado. Agora, sim. O carro está liberado. Passe pelo IV Distrito, e siga até a Arena. Sobe a Dom Pedro, não sem antes mostrar o Aeromóvel que é nosso. Circule pelo Moinhos de Vento, explique o que é a calçada da Fama. Pegue a Zona Sul, mostre Ipanema, Belém Novo e Lami. Cruze a Restinga na volta, venha pela Lomba do Pinheiro ou pela Costa Gama.

Bem, você mostrou um pouco da cidade. Quanto tempo gastou? Não, tempo não se gasta. A gente frui. Está com sua visão e a do visitante. Já deve ter almoçado, jantando, tomado uma cerveja artesanal local, um espumante ou um vinho da Serra. Liberado para outras incursões.

Não esqueça: Porto Alegre é de fato demais. Mas não esconda que ainda temos problemas, e que podemos mais Será novamente uma cidade moderna e encantadora. Depende de nós, de nossas ações, mas principalmente da pressão que faremos sobre os gestores locais.

Artigo enviado pelo autor.

Adeli Sell foi vereador de Porto Alegre por 16 anos, e é atual presidente do PT de Porto Alegre.



Categorias:Artigos, TURISMO

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10 respostas

  1. Avisar o ex-vereador que o partido dele foi prefeitura 16 anos, e o que fizeram pela cidade, além de emplacar carroças???

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  2. Os políticos são culpados por tudo? Então nossa população é a mais passiva e boboca do país.
    Na verdade a cultura da cidade e sua mentalidade que são medíocres e provincianas, uma mentalidade quase interiorana que temos aqui, isso sim. Mentalidade onde a média da população acha o Guaiba lindo – e está tudo bem no jeito que está. Fale para a população na rua em fazer grandes empreendimentos na cidade … e vaja o que as pessoas vão dizer.

    As pessoas deveriam adorar receber empreendimentos como o Pontal, por exemplo.

    Mas não: na população em geral há a cultura de dizer que Porto Alegre é o máximo!

    Acima falaram que Porto Alegre tem aptidão para o turismo, pois tem o Guaiba, tem belezas, etc. Mas o certo é dizer que a cidade tem POTENCIAL para turismo, isso sim. Mas aptidão, não tem, pois aptidão significa prática em turismo, know-how, vontade de ter coisas, vontade de ousar, historico de grandes idéias… Quem tem aptidão é Gramado, Curitiba, Rio, Fortaleza. Essas cidades mostram sua aptidão em ações ousadas, em idéias, criatividade, vontade de ter grandes empreendimentos…
    Porto Alegre tem apenas potencial.
    Cultura e mentalidade para ser uma cidade vitrine, que faz, que quer mais e mais, não, Porto Alegre e os portoalegrenses não têm. Nem aspiração a isso tem.

    De novo, saia a rua e pergunte se as pessoas iriam adorar que PARTE de nossa orla tivesse bares, restaurantes, hotéis, empreendimentos legais…

    O que as pessoas desejam aqui é que a cidade seja muito tranquila. As pessoas tem medo de grandes empreendimentos. Veem com maus olhos coisas que façam a cidade perder seu jeito de interior.

    E mesmo assim todas vão bater no peito com orgulho desta cidade, e mais que isso, as pessoas afirmam que esta é uma cidade não apenas melhor em tudo, mas esta é uma cidade superior ao resto do Brasil.

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  3. A cidade obviamente não possui plano turístico consistente, possui no máximo algumas operações pontuais. Mas o pior de tudo é a visão que muitos possuem de que “não há nada para se fazer pois a cidade não possui aptidão para o turismo”. Aptidão para o turismo existe, o que não existe é administradores com aptidão. Sério, sempre comento com arquitetos sobre projetos que poderiam colocar a cidade no mapa, a conversa gira nos mesmos pontos. Cais, natureza, Patrimônio Histórico, revitalização urbana, Orla e etc (por alguma razão a política não é ousada, prefere-se fazer o medíocre sem concurso).
    Também existe uma mal explorada individualidade de PoA. É curioso que a capital mais meridional do país e sua cultura singular seja uma cidade amorfa que não desperta nada no imaginário. Veja que no Brasil é mais difícil gerar um caráter singular para uma cidade litorânea, pois o país que esta cheio delas. Enquanto isso, os porto-alegrenses reclamam do inverno.

    Por fim, a prefeitura esquece que qualificação do Patrimônio Histórico não apenas pintar prédio velho. É dar significado para própria história de PoA, pois o turismo gira entorno do significado. Sério, alguém visita o arco do triunfo apenas por que é bonito? Não, as pessoas vão pelo seu significado e história. Poucos sabem que na rua doutor Flores nasceu um cientista pioneiro do rádio (Landell de Moura) ou que o palácio piratini foi centro da Luta da Legalidade em 61, que Getulio planejou e começou a revolução de 30 no Malakoff (onde hj é o shopping praia de belas) etc. Citei só alguns exemplos, qualquer especialista no assunto pode fazer chover pois Porto Alegre esta cheia de história que precisa ser resgatada.

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    • Só uma correção: O Malakoff ficava ao lado do edifício Guaspari (aquele péssima e inexplicavelmente revestido de metal). E imagino que tu tenha querido dizer Rua da Praia Shopping (não Praia de Belas), onde antigamente era o famoso Grande Hotel, que incendiou e cujo nome ainda é usado pelo hotel que fica junto ao dito shopping.

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      • É vero, troquei os nomes. Foi no Grande Hotel que onde hoje esta o Rua da Praia Shopping. 🙂

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    • No mais, concordo contigo. POA além de uma cidade atirada ao abandono, tem administradores que não exploram minimamente suas diferenças em relação à outras capitais.

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  4. Passe pelo 4º Distrito, vendo a pitoresca vila dos Papeleiros, os abandonados pavilhões de uma Porto Alegre industrial esquecida no passado. Não deixe passar em branco a cracolândia da Comendador Azevedo e os inferninhos das transversais do badalado eixo Voluntários/Farrapos. Ao chegar na Arena, admire a suburbanização da Vila Farrapos e entornos, com arquitetura neopobre típica dos países subdesenvolvidos. Na volta, já pare no aeroporto e fique por lá pra voltar pra casa.

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    • O bom é ele falando dos problemas como se grande parte deles não sejam continuidade de um governo pífio de 16 anos do partido dele, onde Fortunati era vice. Como se a 3ª perimetral não tivesse levado 8 anos pra ficar pronta e entregue capenga.

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  5. Continuo levando o pessoal pra conhecer um shopping.

    O pessoal baba pelo total, mesmo sendo um shopping fraco, mas adoram ir comer e beber la.
    haha

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  6. Passe pela orla e explique que um dia ela sera acessivel…
    e explique que meu partido fez de tudo pra impedir que que existisse a avenida Beira Rio e que fizessem projetos para a orla em 1988 e. onze anos depois fez campanha contra o Pontal, e eu mesmo votei contra, e agora resolvi eescrever este texto para voces.

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