‘Rolezinho’ no RS tem funk em praça de alimentação apesar de liminar

FELIPE BÄCHTOLD, DE PORTO ALEGRE

Foto: Moinhos Shopping

Foto: Moinhos Shopping

Um dos shoppings mais luxuosos do Rio Grande do Sul foi à Justiça para barrar o primeiro “rolezinho” de Porto Alegre, marcado para este domingo (19). O evento foi mantido, mas reuniu poucos participantes.

A direção do Moinhos Shopping, que fica em uma das áreas mais nobres da capital gaúcha, solicitou uma liminar determinando que os participantes deixassem de se manifestar nos limites do shopping e que fosse permitida a revista de pessoas no local. Também pedia autorização para impedir a entrada de menores de idade desacompanhados.

Na decisão, a juíza responsável proibiu somente atividades que pudessem “interferir no funcionamento” do local. No horário marcado para o encontro, agendado via Facebook, um oficial de Justiça entregou uma notificação judicial a um dos organizadores.

O analista de sistemas Fábio Fleck, 27, que recebeu a ordem judicial, diz que a intenção do evento era prestar solidariedade aos participantes de “rolezinhos” de São Paulo que foram barrados nos shoppings nas últimas semanas. “É uma crítica à desigualdade social. O movimento está sendo criminalizado, o que não pode acontecer”, afirmou.

A segurança privada do shopping foi reforçada. Policiais militares também acompanharam a movimentação do lado de fora.

Em um primeiro momento, porém, o encontro reuniu mais jornalistas do que ativistas. O grupo, de cerca de dez pessoas, caminhou pelos corredores do shopping, deu entrevistas sobre o tema e se dispersou.

Pouco depois, um outro grupo, mais agitado, chegou ao centro de compras para participar do “rolê”. Integrado por militantes da União da Juventude Socialista, organização estudantil ligada ao PC do B, 12 jovens cantaram músicas de funk pelas dependências do estabelecimento comercial e chegaram a entrar em lojas.

Em uma loja de vestidos, tiraram peças do mostruário e deixaram os responsáveis apreensivos. “Não vou levar porque é muito caro”, disse, em tom de brincadeira, um participante do movimento.

Em um estande da Ferrari, os manifestantes provaram óculos de sol. Mais tarde, foram à praça de alimentação tomar sorvete e deixaram o shopping em seguida.

O conselheiro tutelar da região, Cristiano Pinto, acompanhou o evento e diz que houve manifestações de racismo de moradores do bairro que pediram “providências” contra o ato e contra a presença de “maloqueiros”.

A direção do shopping afirma que foi à Justiça para garantir o funcionamento normal do estabelecimento. Com várias lojas de grifes, o shopping funciona anexado ao hotel Sheraton, um dos principais do Estado.

FOLHA DE SÃO PAULO



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108 respostas

  1. Nosso país está afundando! Tudo muito confuso, muita hipocrisia dos dois lados, puro extremismo, e o fato é que continuamos sendo um país atrasadaço, vexame total! Estas criaturas deveriam estar sendo atraídos e curtir estar é em escolas (que na real algumas das públicas chegam a ser lixões), mas nossos governos não fazem sua parte e daí dá nisso, um monte de amebas querendo “ostentar” atraídas para esses “templos de consumo”, se apropriando de um espaço antes exclusivo. Meu, queria ver esta gurizada na ordem e podendo usufruir de ambientes bacanas de ensino integral, com canchas, salas bacanas, recursos didáticos adequados e um bom corpo de professores. Isto o governo não dá, mas dá condições via bolsa família e outros incentivos para que possam consumir, então estes outrora pobres excluídos tornam-se consumidores vorazes e claro querem estar na crista da onda. O shopping é seu objeto de desejo e então apesar dos pesares há certa coerência neste “movimento”, claro considerando que nossa política é de alienação, populismo e de lavagem cerebral de que o país é o máximo. Nada a ver.

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  2. Na verdade se gasta muito com universidade pública num país em que a educação básica é um verdadeiro lixo. O orçamento da UFRGS em 2012, até onde sei, foi de mais de R$ 1 bilhão! (o terceiro maior do RS, só superado pelo próprio RS e por POA) E o fato é que tendem a estudar lá pessoas da classe média (como eu) ou alta. Não acho esse o melhor sistema, já que toda a população mais pobre ajuda a bancar a UFRGS com seus tributos. Sou favorável a investir mais da educação básica e deixar o ensino superior com as instituições privadas (cabendo às públicas, como a UFRGS, focar na pesquisa pura), sendo que o pessoal que não pode pagar uma privada recebe bolsa do governo. Ou então a UFRGS deveria ser paga para quem tiver renda suficiente. Na verdade, o gasto público excessivo com universidades federais (em detrimento da educação básica) acaba concentrando renda no Brasil. Cotas e bolsa-família pouca diferença fazem diante dessa realidade.

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    • A educação básica não gera votos, ta ai o problema.

      Não acho ruim investirem nas universidades federais, mas o básico da vida é o que vem antes disso.

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    • Concordo plenamente! A educação de base é de extrema importância, muito mais importante que mestrado ou doutorado (*estou fazendo doutorado)

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  3. Rolezinho “salvem as casinhas da luciana” pode, né? rs

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  4. Vocês vão acreditar num pseudo protesto de CC`S de uns partidinhos?
    hahaha

    Vocês não conhecem as feras como eu conheço, esse povo arruma bronca até nas eleições do CAAP, é uma palhaçada total.
    hahaha

    2013 eu aguentei muito esse povo, eles levam tudo para o lado anti capitalismo.
    Até um protesto contra um malucou preconceituoso acabou com bla bla bla anti capitalismo.

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    • Só pra não passar informação errada, dos que eu conheço, ja divulgaram no facebook que não são CC’s como divulgado, e sim, estagiários.

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      • Se são estagiários, é pior ainda, pois presume-se que façam estágio para serem aprendizes e que sejam escolhidos por fatores técnico-educativos. E não políticos. Acaba que esses “estagiários” nada mais são do que CCs camuflados, se o que tu dizes se confirmar mesmo. Então, é mais grave….

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  5. O shopping é um estabelecimento privado, de circulação pública, porém não deixa de ser um negócio com dono. Se o dono não quer que X pessoa vá no seu estabelecimento, ele tem esse direito.

    Mas, o que poderia se chamar de “rolezinho” é quando os jovens das vilas na região do Shopping Praia de Belas, e agora no Barra, iam e faziam baderna. Hoje isso acontece bem mais no Barra.

    Um grupo fazendo baderna num shopping traz prejuízo aos lojistas, pois as pessoas tem medo de ir ao shopping, com isso as lojas ficam vazias, quando não são roubadas.

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  6. Algumas coisas:
    Em SP, onde surgiram, o rolezinhos são reuniões de jovens da periferia, em shopping centers de periferia, em que eles se encontram para fazer bagunça, gritar, paquerar, reforçar a identidade de grupo. Condenável, porém comum

    A maioria dos jovens da periferia não está nem aí para política.

    Aqui no Sul o que temos são integrantes de grupos e partidos de esquerda tentando se apropriar de algo espontâneo, que a arruaça pura e simples

    Black Blocs já se apropriaram do movimento, com depredações, roubos e violência.

    Jovens da periferia, segundo matérias publicadas em ZH e Veja chegam a gastar 500 reais num único boné ou par de tênis. Os rolezeiros originais não estão criticando nada, eles querem é mais CONSUMIR e OSTENTAR.

    Em POA, o que tivemos foram esquerdistas de classe média tentando levar a coisa para o lado da politica(gem) e dar um caráter de “crítica ao capitalismo” que esse troço em sua origem não tem.

    Os jovens que foram ao Moinhos Shopping NÃO SÃO da periferia

    O Moinhos Shopping é um shopping pequeno, de bairro, e está longe de ser “o mais luxuoso” de POA (Iguatemi e Barra o são muitíssimo mais). Quem diz que o Moinhos é elitista e luxuoso não conhece este centro de compras, porque ele não é nada disso. É um shopping bem acanhado, até. A maior loja é uma muito popular Americanas, que vende bugigangas, produtos de bazar e peças de roupas baratas.

    Impressionante como a mídia do RS comprou uma mentira como sendo verdade….

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    • Eu gosto bastante do Shopping Moinhos, principalmente do cinema, que é o melhor cinema de shopping de PoA no quesito variedade. Mas é elitista sim… tem uma loja em que na vitrine tu encontra relógios Rolex e Cartier de 50 mil. Não me recordo de outro shopping de poa que tenha artigos desse nível.

      Acho que esses rolezinhos têm vários significados. Por exemplo, eu gosto bastante da Padre Chagas e dos cafés, mas por que só lá as coisas funcionam? Por que só lá os bombeiros fiscalizam os bares? Por que só lá não ocorrem pichações e sujeira nas calçadas?

      Certamente não é só o cidadão que é mais educado, mas porque os serviços públicos (infraestrutura e fiscalização) são muito mais ativos na região. Um rolezinho no Moinhos tem um significado para mim de protesto (e pode não ter para os rolezeiros, pois eles não são obrigados a fazer essa análise antropológica). Eu gostaria de ter um centro com o mesmo nível de presteza dos agentes públicos na hora de resolver questões urbanísticas, assim como os rolezeiros querem shoppings e intraestrutura qualificada na periferia.

      É protesto sim e vai ter quebradeira sim, à medida em que o conflito for se reforçando. Se a administração dos shoppings não desse bola e focasse estrategicamente em pequenos focos de assalto, o movimento não ganharia a força de luta de classes. Agora essa bola de neve só tende a crescer.

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      • O que teve no Moinhos Shopping não foi rolezinho. Rolezinho, com o nome que seja, acontece há muitos anos em POA, em dia de passe livre, quando o Praia de Belas e, mais recentemente, o Barra, são “invadidos” por jovens de periferia, notadamente da Zona Sul de POA, a fim de bagunçar e se divertir. O que houve no Moinhos não foi rolezinho, tu até podes chamar de protesto. Eu acho que foi, pura e simplesmente, uma orquestração de grupos políticos. Se tu entrares na página oficial do organizador do tal rolezinho do Moinhos Shopping, um estudante de filosofia, fica claro que ele o grupo dele aproveitaram a onda e organizaram um protesto. Mas não foi rolezinho. Isso já ocorre há anos em POA em dias de passe livre. Sei de que loja tu estás falando no Moinhos. Que é fácil de perceber, já que é a única, incluindo as duas lojas de joias, que são as únicas coisas “elitistas” no Moinhos Shopping. No Iguatemi e no Barra, a quantidade de lojas “exclusivas” e carésimas passam das dezenas. E não apenas no segmento de joias.

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  7. A invasão de gente de classe media na redenção durante a noite, momento em que há prostituição e tráfico de drogas não seria uma espécie de rolezinho? Pense bem, tirar um grupo pequeno de “pobres” de dentro do shopping acontece todos hora, mas um grupo grande se “protege” e nada acontece. Na Serenata Iluminada da Redenção acontece o mesmo.

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  8. Que viagem… o pessoal mete comunista e socialista em tudo!

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    • O que mais tem aqui nesse fórum é gente que ainda vive nos tempos da Guerra Fria.

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      • O que mais tem no Brasil nos tempos atuais é gente vivendo a guerra fria. Aliás quando eu comecei a ler as entrevistas dos “organizadores” do role e depois as fotos do evento ficou bem claro que o ontem foi apenas uma manifestação políticos partidária, só faltou o Tarso cumprimentando os caras. E o que menos tinha ali era pessoal pobre. A maioria é tudo militante do PcdoB, PSTU e etc…
        Os pobres já vão nos shoppings há muito tempo. No B.Ipiranga o pessoal q mora na frente vai direto. Não precisa d rolezinho e todo mundo se respeita.

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      • A Guerra Fria acabou porque um dos lados perdeu.

        Mas quando você vive em um país onde partidos políticos lançam manifesto de apoio a CORÉIA DO NORTE (os mesmos partidos que tentam se apropriar ideologicamente do “rolezinho”), percebe que vários abobados não se deram conta.

        A propósito, a ditadura brasileira também acabou, mas está sempre na boca dessa gente demagoga, quando querem justificar suas paranóias sociais.

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  9. Me parece que esse aqui foi o primeiro rolezinho que aconteceu no Brasil

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