Câmara protocola projeto que exige ar-condicionado nos ônibus de Porto Alegre

Medida não valeria para veículos já em circulação que não tenham o equipamento

Ônibus da Carris com ar

Ônibus da Carris com ar

O vereador Paulinho Motorista (PSB) protocolou, nesta quarta-feira na Câmara de Porto Alegre, projeto de lei obrigando as empresas concessionárias do transporte coletivo em Porto Alegre a oferecer ar-condicionado em todas as linhas e horários. Conforme o texto, o equipamento deve ser ligado sempre que a temperatura do ar estiver acima de 30°C, no verão, ou abaixo de 12°C, no inverno, ou ainda quando solicitado por qualquer passageiro.

Segundo a EPTC, apenas 27,5% da frota de ônibus da Capital dispõe de ar-condicionado, ou 468 de 1.705 veículos. Atualmente, a Carris é a empresa com o maior volume de veículos com ar-condicionado – 54% da frota. A medida não vale para os veículos em funcionamento que ainda não dispõem de ar-condicionado.

A partir da aprovação da proposta, todos os ônibus que ingressarem na frota deverão obrigatoriamente ser equipados com ar-condicionado com capacidade adequada ao tamanho e termômetro de mercúrio comum, com bulbo seco e leitor digital visível aos passageiros, além de janelas que permitam abertura. Hoje, a obrigação é que apenas um de cada 10 veículos novos adquiridos pelas empresas possuam ar-condicionado.

O que fala a EPTC

A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) ainda discute incluir a instalação de aparelhos de ar-condicionado em toda a frota de ônibus da Capital na licitação do transporte público que está para ser lançada. Um dos entraves para que o benefício seja ampliado é o custo adicional. O diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari, explica que o preço maior para compra, manutenção, entre outros, pode resultar em um aumento de R$ 0,10 no preço da passagem em Porto Alegre.

Ele exemplifica citando o caso de um ônibus articulado, cujo valor normal é de aproximadamente R$ 800 mil. Essa avaliação sobe para R$ 930 mil no caso de prever ar-condicionado, o equivalente a um acréscimo de 16% no custo. Além disso, o gasto com combustível sobe em 50% e o custo de manutenção também cresce, segundo Cappellari.

A fim de unificar a frota, a opção da EPTC de instalar ou não os aparelhos de ar-condicionado nos ônibus deve valer para todas as linhas em operação após a licitação, ainda sem prazo para ser lançada. Já foi definido que os ônibus do sistema BRT (Bus Rapid Transit) contarão com ar-condicionados na totalidade.

Correio do Povo



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48 respostas

  1. O SUJEITO NÃO QUER PAGAR ALGUNS CENTAVOS PRA TER UM ÔNIBUS COM AR. AI AO DESCER DO ÔNIBUS CORRE PRA COMPRAR ÁGUA GELADA OU PICOLÉ…

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  2. Precisa obrigar a por na frota atual.

    São centenas de ônibus, alias, mais de mil, nem sei quantos, do que adianta se só vão ir clocando poucos com ar?

    Não precisa por em todos pra ontem, mas da um prazo para ir atualizando.

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  3. Ter até poderá ter… mas não garantem ligados nem funcionando… o que mais tem hoje é isso.

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  4. A EPTC é mestra em dar desculpas e falar asneiras. E tem gente que apoia eles. Os mesmos que estão trancadas nos congestionamentos ou suados e apertados nos ônibus.

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  5. Onibus pelo mundo:

    Macau – China

    Hong Kong

    São Francisco – USA

    Toronto – Canadá

    Plymouth -UK

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  6. Vida de empresário do transporte coletivo de Porto Alegre é muito fácil… Não se preocupa com os custos, a EPTC faz isso por eles.

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  7. Enquanto isso no primeiro mundo:
    Olha só o interior do novo bus londrino:

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    • Uma coisa que eu não gosto desses ônibus europeus é o estofamento. Apesar de dar um conforto a mais, acho que a manutenção dele tem um custo desnecessário. Creio que com um assento plástico com o que temos, e com um projeto ergonômico adequado, este não fica muito atrás do estofamento londrino.

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    • Olha, pegar informações da internet sempre pode dar margem a um entendimento distorcido. Já estive várias vezes na europa e posso afirmar que um percentual muito pequeno da frota tem ar condicionado, geralmente apenas os veículos de linhas que conhecemos como “executivas”.

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      • Se tivéssemos clima europeu também, a comparação seria válida.

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        • Guilherme,
          Posso falar apenas do que conheço. Que eu lembre, todos os busões (e bondes, VLT) em que andei na Alemanha, no inverno, tinham calefação. Em Belgrado, no verão (tão ruim ou pior que Porto Alegre, sei lá, é um inferno) todos os micro-ônibus que fazem linhas urbanas têm ar gritando e de dois banzos “grandes” que peguei, um tinha ar e outro não tinha. E apenas como curiosidade sobre o clima na Europa, no verão em Portugal pode fazer 47 graus (temperatura! não é sensação, não), 45 na Espanha e França, 41 na Suíça, na Bósnia, na Sérvia, ,na Áustria (na Áustria, durante ondas de calor intenso (heatwaves) que podem durar duas semanas eles chamam de “Os Dias de Cão”), 40 na Alemanha, 39 na Sibéria (durante vários dias seguidos, . .), quase 39 na sempre amena Inglaterra (apesar de lá isso não ser muito comum). Na verdade, são poucos os lugares da Europa onde nunca faz calor “de verdade” (Islândia, irlanda, Escócia, Noruega e as repúblicas bálticas). Quem tiver tempo e paciência, poderia pesquisar como é o transporte público dos maiores países da Europa e postar para termos uma ideia. Acho que tem mais ar-condicionado nos banzos de “lá” do que aqui. É só uma desconfiança, precisa confirmação.

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  8. Quem suspendeu a colocação do Ar condicionado nos ônibus da frota de Porto Alegre foi o então prefeito Jose Fogaça, ele disse em reportagem na Zero Hora. Os ônibus não precisam ter Ar Condicionado. Eu li e m indignei. Eu ando de ônibus….

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  9. Alguem sabe qual a porcentagem de impostos no preço da passagem? Pesquisei na net e não achei um valor total.
    Mas penso que pode-se ainda ter AC demitindo os cobradores (que coisa ridícula aquele cara sentado naquela poltrona alta só para receber dinheiro daqueles poucos que não tem cartão ainda, que cois atrasada, deveria ser proibido pagar dentro do ônibos: que se compre passes em qualquer loteria ou supermercado, ou o motorista poderia receber o dinheiro em último caso) e reduzindo muito o passe livre.

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  10. Sendo aprovado, na prática vai acontecer de as empresas ficarem os ônibus caco-velhos até o limite da sua vida útil só pra não comprar novos com ar. Máfia!

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    • Bah! Pior que senti o mesmo temor ao ler na reportagem esse adendo do projeto. O que em outras palavras pode ser algo como passar o projeto e tudo continuar igual por muito tempo. Pior, os políticos profissionais usarem isso ainda como campanha pra eleições: “fui eu que consegui os a/c para os ônibus, votem em mim!” e a gente derretendo nessa cidade… ¬¬

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    • Honestamente prefiro caco velho com ar. Em algum momento o custo de manutenção fica muito alto e trocam.

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    • Nossos ônibus são cacos-velho e são novos, pois o importante é ter uma frota “nova” a qualidade não é relevante…

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  11. Não consigo entender. Todas as lotações e vans (clandestinas) têm ar-condicionado e dão lucro. Só as empresas de ônibus alegam ter prejuízo. Será que as isenções de tarifa refletem tanto no resultado das empresas de ônibus? Ou seria má gestão (ou até mesmo mistérios na contabilidade delas)?

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    • Má gestão chega a ser um elogio pro gerenciamento dessas empresas. É tudo a miguelão, não se tem nenhum interesse em melhorar.
      Até as condições de trabalho são precárias, viram o pessoal reclamando que a maioria dos terminais das linhas não tem nem banheiro? Enquanto isso, aqui na empresa fomos notificados por que não havia a “quantidade ideal” de banheiros químicos por pessoa no canteiro de uma obra de ampliação (acho que um a cada 10 ou 15 funcionários). Ou seja, sendo compadre, tudo ok. Se não, é canetaço.

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    • Eu não tenho dúvida do que o Julian Gritti afirma. Já trabalhei tanto na iniciativa privada quanto pública e é impressionante como inexiste um gerenciamento, como ele disse, é tudo ‘miguelão”. Só que, Lucas, embora concorde contigo, é preciso ver que não dá pra comparar os custos de um ônibus com o de uma lotação. Se gasta bem menos para manter uma lotação e, sei que sabes disso, a tarifa delas é quase o dobro da tarifa dos ônibus.

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      • Vou dar um exemplo. Tenho um amigo farmacêutico. Ele disse que para um farmacêutico montar uma farmácia de manipulação ou o cara é quase milionário, ou acerta na loteria, ou consegue uma parceria amigável além da conta com uma rede, pois os governos (municipal, estadual, Anvisa, etc etc etc) colocam tantas questões que o empreendimento se torna quase inviável. Ele trabalhou numa farmácia de manipulação que foi multada pesadamente pela Anvisa por ter dois (DOIS!!!!) azulejos levemente rachados numa área em que nem ficavam medicamentos, nem nada. Agora, vá até a Farmácia da Prefeitura do Posto Santa Marta. FEDE, TEM MOSCAS, NÃO TEM AR-CONDICIONADO, MEDICAMENTOS NUMA PAREDE DE TIJOLOS DESCASCADA E COM TEIAS DE ARANHA, etc etc etc. Falei para esse amigo e ele foi lá, ele só parou na frente da farmácia e ficou apavorado. Denunciou na Anvisa. Aconteceu alguma coisa? Não. É assim no transporte público, é assim na saúde pública, na educação, etc etc

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      • Cris, mesmo a tarifa sendo o dobro, os ônibus levam o dobro (ou triplo, quádruplo) de passageiros que as lotações. Quanto ao custo de manutenção ser bem mais alto, isso foge aos meus conhecimentos, mas não vejo motivos para serem muito mais altos (talvez algum engenheiro ajude).
        Enfim, talvez pudesse ser desenvolvido um sistema melhor e mais transparente de controle sobre as passagens, tipo um relatório em tempo real de pagantes, não pagantes, etc…

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    • Não é tão simples. As “clandestinas” fazem as linhas que querem quando querem. As linhas oficiais tem que passar mesmo que seja a meia noite e entre apenas um passageiro. Esse custo tem que ser distribuído para os demais usuários.

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  12. Finalmente uma medida sensata!
    Se querem aumentar a utilização do transporte público, este tem que melhorar e oferecer mais conforto.
    Quanto ao custo… este terá que ser avaliado pelo governo e empresas.

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  13. Eu espero que ele queira dizer que custaria 10 centavos (ênfase no tempo verbal) ligar o ar condicionado hoje. Mas fazendo licitação tudo pode acontecer, até redução de tarifa. Se fizerem bem feito, claro.

    Mas de qualquer maneira eu pago 10 centavos com gosto. Quem deve ser contra é o empresariado que paga maior parte das passagens via VT, seria um custo a mais na folha.

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  14. É sério que um equipamento de ar condicionado custe R$130.000,00? E que aumente em 50% o custo com combustível?

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    • Honestamente não consigo entender como pode aumentar em 50% o combustível, é muito ineficiente. Gostaria de ouvir de alguém que entenda de mecânica, mas imagino que o torque de um motor de ônibus seja altíssimo, ainda mais sendo a diesel.

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      • Quem tem carro com ar-condicionado sabe que o gasto com gasolina aumenta muito por usá-lo. Veja-se os taxistas que, quando não estão transportando ninguém, desligam o ar-condicionado e rodam com janelas abertas… Isso é só um exemplo empírico, claro, mas dá pra ter uma ideia de que aumenta significativamente o custo. Não digo 50% de aumento. Agora não tem nada ver relacionar alto torque com baixo consumo de combustível (se foi isso que deste a entender), pois a energia pra aumentar torque (mudar a inércia mecânica) precisa vir de algum lugar, nesse caso do combustível. Enfim, não é porque o motor de um ônibus é mais “forte” que de um carro que ele tem consumo menor… Tem mais coisa em jogo no custo de um ônibus. Só pra deixar claro, também sou à favor de porem ar-condicionado nos ônibus.

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      • Meu carro gasta 15% a mais de combustível com AC. Me parece irreal um onibus gastar tanto a mais assim.

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      • Eu não sei a porcentagem, mas ar-condicionado nunca gastou 50% a mais de gasolina. Inclusive, acima dos 60 km/h, é mais econômico andar de vidros fechados e com ar ligado do que com o ar desligado e vidros abertos. Porém, o que o nosso “querido” Cappellari esqueceu é que todo sistema mecânico evolui, sempre buscando maior eficiência. Ou seja, o ar-condicionado do modelo Viale BRT, refresca mais e gasta menos que os do modelo da Caio da foto, inclusive roubando menos potência do motor.

        Ou seja, ele provavelmente utiliza como base os sistemas dos veículos mais velhos da frota, mas na prática o aumento do custo não será proporcional, pois substituindo os modelos antigos, já se gastará menos combustível pelos motores e ar-condicionado mais eficientes, mesmo que vá se gastar mais nos veículos que não o tem. E a manutenção também não subiria proporcionalmente, pois com maior quantidade se obtém mais descontos.

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      • Nos carros o aumento fica entre uns 10 e 15%, o motor perde força.

        Não sei se na mecânica a diesel é muito diferente disso, mas acho que não.

        Mas não posso afirmar nada, até por que os onibus andam lotados, pode ser que realmente precise forçar o motor, sem contar que é um sistema mais potente do que nos carros.

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  15. Sou a favor, mas e o reflexo nas tarifas?

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    • Vou ser repetitivo. Mas se tirarem os cobradores dá e sobra dinheiro para instalação de A/C em toda a frota além de /2 a quantidade de grevista e o poder desta máfia sindical.

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      • Pedo que eu me lembre o custo com cobrador corresponde a aproximadamente 15% do preço da passagem. ou seja R$0,42.

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      • [vou pensar em “voz alta”, pois não sei sobre isso] Isso me parece que só seria possível se todas as passagens fossem via cartões magnéticos (ou algo que o valha)… Tería que se abolir o uso de dinheiro no ônibus. Ou me engano? É que o motorista ser cobrador ao mesmo tempo só funciona porque as lotações trasportam pouca gente, ao contrário dos ônibus (ainda mais em dia de rush). Pra isso, creio, não teria que se transformar uma ínfima parte dos “cobradores” em caixas de venda de passagens avulsa. Penso aqui no modelo do tremsurb.

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        • Uma opção é implementar um modelo misto como o de Lisboa. A passagem pode ser com cartão (disponível para recarga em ATMs pela cidade e/ou bancas, mercados, etc.) ou diretamente com o motorista. Neste caso custando significativamente mais para desincentivar o uso.

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        • Sou muito contra o motorista ser cobrador também.

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      • Ótima sugestão. Sobra dinheiro para o ar condicionado e para os fiscais.

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      • Qualquer país sério do mundo não tem cobrador. Eu concordo que não deveria ter. Uma máquina que aceite cartão tri e dinheiro (como vending machines por aí) resolvia o problema. Mas o sistema Tri teria que ser decente, com vários pontos de venda do cartão, sem toda essa burrocracia (sic) que tem hoje.

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