Quem planeja Porto Alegre?, por Vinicius Galeazzi

Ou: De como o Instituto dos Arquitetos do Brasil, IAB, perdeu seu lugar no Conselho do Plano Diretor – CMDUA – de Porto Alegre para, por exemplo, o Sindicato dos Corretores de Imóveis do RS

Porto Alegre - Foto: Gerson Ibias (2013)

Porto Alegre – Foto: Gerson Ibias (2013)

A Capital do Rio Grande do Sul, com cerca de um milhão e quatrocentos mil habitantes, que porta em sua história a participação de reconhecidos arquitetos urbanistas que estudaram e propuseram o seu desenvolvimento, não tem mais uma SMP – Secretaria Municipal de Planejamento. O setor de planejamento, com a função de pensar a cidade, naquela falecida secretaria, foi diminuindo de tamanho e importância que, no início da atual gestão, virou um minguado setor na novíssima SMURB – Secretaria Municipal de Urbanismo.

A função de pensar a cidade e determinar seu desenvolvimento, está deixando de ter o seu fórum centrado no Município, enquanto sede de governo e de decisões, mas deslocado para um posto ainda indefinido que não prioriza o que o planejamento da cidade deve visar: o direito dos cidadãos de habitar, de locomover-se, de trabalhar, de formar-se e de divertir-se da melhor, mais abrangente e mais harmônica maneira possível. Enfim, a cidade que todos quereríamos. Prioriza outra coisa.

Vem de roldão, um conceito de cidade “intrépida”, que vai pondo abaixo a “romântica” cidade para os cidadãos. Faz erguer rapidamente grandes e fascinantes empreendimentos imobiliários, shoppings, viadutos e avenidas, empurrando as moradias para mais longe. Longe do trabalho, da escola, do lazer, exigindo esticar as linhas de ônibus, energia, água, recolhimento de lixo, longe da cidade fascinante. Mais triste e mais caro para o Município.

Mas, dirão, o Conselho do Plano Diretor – CMDUA – cumpre um papel importante de decidir as intervenções na cidade, os traçados das ruas e avenidas e os grandes empreendimentos imobiliários. E cumpre uma função democrática no processo de planejamento de Porto Alegre, pois é um colegiado bem representativo: além do secretário da SMURB, representantes eleitos das nove regiões da cidade, representantes de nove entidades governamentais e representantes de nove entidades que atuam na cidade. Neste último grupo que o IAB integrava o CMDUA desde 1955.

Este grupo é dividido em três subgrupos. Na eleição de novembro de 2013, havia no subgrupo do IAB, 25 entidades candidatas e eleitoras que deveriam escolher cinco representantes. Entre elas, a Sociedade de Engenharia do RS – SERGS -, o Sindicato dos Arquitetos do RS – SAERGS –, o CREA-RS, o CAU-RS e o Sindicato dos Engenheiros do RS – SENGE-RS – que eu representava.

Fizemos uma breve articulação por telefone e na chegada à sala da eleição, entendendo que garantiríamos, pelo menos, dois representantes (IAB e SAERGS), quando víamos chegar à sala, com passo firme, outros representantes tranquilos, com o voto já decidido. Alguém lhes entregava uma cédula pronta. O coordenador da eleição fez uma breve e bonita preleção, explicando o processo eleitoral, finalizando com um “viva a democracia”. Solicitou que cada um dos presentes justificasse a importância de sua entidade fazer parte do Conselho. Lembro que o representante do Sindicato dos Transportes Pesados e Armados, ao final de sua fala, gritou também “E viva a democracia”.

O resultado da votação foi implacável. Os 16 votos batidos para as cinco entidades da cédula pronta garantiram-lhes as cinco vagas do subgrupo: a Associação Gaúcha dos Advogados do Direito Imobiliário e Empresarial (Agadie), o Sindicato dos Corretores de Imóveis do Rio Grande do Sul, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RS) e o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil (STICC) e a Sociedade de Engenharia (SERGS). Esta última, a SERGS, teve 17 votos. Se entende, pois quando fui pedir para o representante do CREA apoio para o SENGE, este respondeu que estava lá para dar o voto tão somente para a SERGS.

A articulação com as 16 entidades funcionou. Ao passo que o IAB, SAERGS e SENGE receberam 6 a 7 votos.

Merece reflexão a composição do grupo da cédula. Merece, ainda mais, o resultado dessa votação. Será sinal dos tempos esse resultado? Que, com exceção do SERGS, associações de advogados imobiliários e corretores de imóveis garantam seu lugar no conselho que decide o planejamento e o urbanismo da cidade e o IAB, por exemplo, fique fora?

Duplamente, me parece. Dum lado, o Mercado, o mercado imobiliário e empresarial, assenta-se, articulado e organizado. De outro lado, as entidades que reúnem profissionais da arquitetura e da engenharia que, no passado, tiveram voz ativa e presente nas definições dos rumos da cidade, se encolhem, desarticuladas. Não ganham nada para isso, me justificou alguém. Noutros tempos também não ganhavam.

Se quisermos aprender alguma coisa com os fatos e reverter a situação, é preciso pensar na próxima eleição do DMDUA, a partir de hoje.

Paralelo a isso, se esvazia o setor de Planejamento do Município; onde estão os urbanistas que deveriam conhecer a fundo a história, a vocação, as prerrogativas da cidade para propor a cidade para seus cidadãos? Grandes projetos urbanísticos são encomendados de eminências de fora e os espaços públicos negociados. O mais evidente e simbólico sinal dos tempos é ver (e não vi isso nos lugares importantes de outras cidades no Brasil e fora daqui) nossos mais tradicionais e queridos espaços públicos, Teatro São Pedro, Largo Glênio Peres, Auditório Araújo Viana e daqui há pouco o nosso cais, crivados de Coca Cola.

Vinicius Galeazzi é engenheiro civil.

SUL 21



Categorias:Arquitetura | Urbanismo, Plano Diretor

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31 respostas

  1. Que tenha Coca, WallMart, McDonalds, Ford, Cherry, Volks ou Escambau, não me importa, o que eu quero é serviço e resultados, com ou sem ajuda de multinacionais.

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    • Concordo Marcelo. Exatamente. Até por que as parcerias público-privadas são usadas com sucesso em vários países do mundo. Mas aqui é considerado privatização. Não consigo entender essa mentalidade atrasada de quem pensa assim.

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      • É fácil entender. Basta assistir na totalidade esse documentário: http://www.youtube.com/watch?v=Z4PXtze1MU4 (link da parte 1, tem as outras no youtube também)

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      • Fica mais facil ver todas as partes por este link: http://www.youtube.com/watch?v=Z4PXtze1MU4&list=PL92F126C96310262A

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      • Até concordo com as parcerias, mas convenhamos que o Glênio Peres ficou uma droga e o chafariz está desligado.

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        • Duvido que a Coca tenha lacrado os chafarizes. Acho que deve ser alguma burocracia ou entrave com a municipalidade, tipo transeuntes não poderem passar etc.

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        • Claro que não lacraram, desligaram mesmo, por que botar aquele chafariz no meio de um trecho de alto trânsito de pedestres não foi uma boa ideia mesmo, um monte de gente tomou chuá por desaviso.

          A ideia de colocar jatos da água no centro em teoria é boa, mas precisa ser pensado, não é só jogar em qualquer lugar. Vi um muito bom no Darlin Harbor em Sydney. Mas enfim, se tivessemos um porto como o deles…

          http://anotherdonkeydesign.blogspot.com.br/2011/10/darling-quarter-just-in-time-for-summer.html

          Note que é uma área claramente delimitada.

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        • a coca fez com o chafariz o mesmo que o zaffari fez com as toras para a ciclovia da ipiranga.

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        • Bem lembrado, a ciclovia da Ipiranga é outra obra privada com má qualidade.

          Honestamente acho que se o governo é incapaz de gerir suas obras da maneira que é por aqui, é incapaz de negociar boas parcerias ou contrapartidas também, sei lá.

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        • Existem exemplos e exemplos, Felipe X. Concordo a respeito da ciclovia. Quanto ao Glênio Peres lembro de ter lido que era para ter tido um outro tipo de intervenção no local. Aí, começou todo um bafafá nas famigeradas redes sociais (sempre elas, urgh! e é bom que se lembre que existe um órgão governamental do Estado apenas cuidar das “redes sociais” e isso diz muito, não?…) e acabou se revendo tudo (o que acho compreensível, afinal, por que tu vais fazer uma obra num local se, teoricamente – veja bem, teoricamente – , a população TODA está contra (sqn)?????

          A iniciativa privada já deu uma bela arrumada no entorno do gasômetro em diversas vezes (coisa que nenhum administração municipal fez). O problema é que a prefeitura tem que ao menos conservar estes locais e aí vem o problema mesmo… todo o trabalho acaba sendo posto fora.

          O Parque Moinhos de Vento só está bonito e limpo porque tem o dedo do Hospital homônimo e do Grupo Zaffari…

          Moro há dez anos na Bordini e só recentemente a praça Athos Damesceno Ferreira virou algo digno do nome de praça, (antes era um depósito imundo de viciados e moradores que rua que impediam o acesso dos principais interessados, as crianças) porque uma incorporadora a adotou… E, ironia das ironias, tal incorporadora está construindo umas torres de apartamento na Quintino. Quem entende do riscado diz que quando aquilo ali estiver cheio de moradores vai ser um caos, porque está bem na região do famigerado conduto Álvaro Chaves, na esquina de ruas pequenas e que já têm trânsito intenso (a Marques do pombal e a própria Quintino)…. Me parece óbvio que está faltando planejamento da prefeitura, fiscalização, e está sobrando ganância das empresas…. um cenário bem ruim se avizinha…

          Além disso, as discussões em POA são sempre ideológicas: quem é contra que se façam prédios altos na orla do Guaíba poderia invocar que isso pode alterar – e muito e para o mal – o clima em POA. Poderiam se ancorar em estudos de meteorologistas, físicos, etc. Mas o que os caras fazem? “Não pode porque é uma privatização de espaço público”! “Não pode porque está beneficiando o grande capital”. “não pode porque ali foi abrigo de índios micricricri no século XIII (nem que tenha sido só por uma semana…), “não pode porque a vereadora Sofisma Caveirão diz que ali foi um quilombo de anões fugitivos de jardim na metade do século XIX”, “não pode porque é neo-liberal”, e por aí vai. Não se discutem com critérios técnicos, só político-ideológicos. Como levar a sério este tipo de discussão?

          Entende o ponto em que quero chegar, Felipe? Os caras talvez ATÉ tenham razão em ser contra isso ou aquilo. Mas não usam argumentos técnicos, usam de conceitos estranhos à população (“privatização de espaços públicos, por exemplo, “entrega para a Coca-cola”, outro exemplo), ideologizam a coisa e se aliam, inúmeras vezes, a políticos que se notabilizaram por estarem na mídia, sempre defendendo algum tipo de “luta” (e com vistas a se eleger/reeleger em pleitos futuros). Não consigo levar esse pessoal a sério ainda que, repito, talvez a proposta que defendam tenha razão de ser.

          É isso, acho que fui bem claro.

          E não vejo este cenário melhorar a curto prazo na cidade. Muito ao contrário, o pessoal está cada vez mais em trincheiras opostas, apenas defendendo seu lado político. Enquanto isso, POA naufraga…

          Abs!

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        • Concordo que a intervenção da Pepsi no gasômetro foi boa. Mas basicamente é isso, temos casos de sucesso e de falha, parece depender de “sorte”. Não sei sobre essa movimentação nas redes sociais, mas a não ser que me mostre alguma evidência para mim parece fofoca.

          Não vou entrar no assunto dos prédios na orla pois é muita polêmica para um assunto só.

          Mas enfim, sobre o cara não usar termos técnicos eu repito mais uma vez: eu achei a crítica dele errada, mas isso não invalida o argumento sobre os problemas de corretores terem mais voz que arquitetos no planejamento urbano. Eu não preciso concordar 100% com alguém, posso aproveitar partes do que ele escreve.

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  2. Se o articulista queria que discutissem a quantas anda o planejamento urbano em POA e em como certas categorias estão alijadas deste processo (se é que se pode chamar assim) em detrimento de outras, que pouco têm a ver com arquitetura e urbanismo, ele deveria ter centrado seu artigo em argumentos técnicos (coisa que tenho certeza ele tem plenas condições de fazer). Ao invés disso, ele preferiu uma discussão com claro viés ideológico, e utilizando chavões que a esquerda, principalmente a porto-alegrense, já desgastou ao limite, como o de que a “Coca-cola está em toda a parte, em espaços tradicionais”, etc. Ao fazer isso, ele esvaziou uma discussão que é importante, infelizmente. Difícil não julgá-lo…. Até porque, foi ele que escreveu e assinou tal artigo, logo, presume-se que tenha assumido a responsabilidade de como as pessoas o julgariam ( e não apenas os esquerdistas que fatalmente concordariam com ele)….

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  3. Olha, o fato de a cidade não ter uma secretaria de Planejamento é grave, sim. E o fato de terem dado preferência a corretores e empresas de transporte pesado em detrimento de uma entidade de arquitetos e engenheiros, nem se fala.

    MAS, aí tu vais ler os argumentos e vem em aquela velha lenga-lenga das “izquerdas”: que a coca-cola está tomando conta de espaços tradicionais ( se ele tivesse escrito espaço de “saberes” tradicionais e “populares” estaria tudo perdido mesmo), etc etc. Ou seja, tira-se o debate do urbanismo, que é necessário, e voltamos a mesma e enfadonha questão da militância vermelha de sempre. Um saco isso, não sei se alguém ainda tem paciência com estes militantes mal-disfarçados de “desenvolvimentistas”…

    Então, não dá para levar a sério, o que é uma pena. Uma oportunidade de se discutir a cidade que é jogada na lata de lixo, até porque NÃO PARECE ser esta a intenção, e sim discutir ideologias, tema que não vai a lugar algum e que serve apenas para desviar o foco do assunto principal: POA está caos por falta de visão administrativa arraigada e não por culpa do capitalismo, do liberalismo, da Coca-cola e sei lá mais do quê…

    E, ademais, o Sul21 é um veículo chapa-branquíssima do governo federal e estadual….

    Fail…

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    • eu sempre defenderei o ideal, mas sou capaz de aceitar o nao-ideal, como as propagandas da coca-cola.
      E por isso acho que essas entidades devem cobrar o ideal: que seja mantido pela prefeitura.
      Que se resolva as pensões, que se diminui o numero de CCs e funcionarios , que a carris dê lucro. Tudo para a prefeitura ter mais dinheiro e posso arcar com as responsabilidades dela e nao transferir a entidades privadas.

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      • A grande briga que o IAB comprou com a Prefeitura Municipal de POA e que está como plano de fundo desse processo de isolamento do IAB, foi no processo de contratação do Jaime Lerner para a Orla do Guaíba.

        Na época a contratação foi por notório saber, e a justificativa dada pro prefeito é que dessa forma se iria agilizar o processo e ter a orla pronta para a Copa.

        Só que não…

        Não foi nem lançada licitação da execução do projeto, e nada será feito até a copa, o que mostra que a contratação por notório saber do Jaimer Lerner foi um prejuízo para cidade de Porto Alegre. Foi pago um valor acima de mercado, em um processo duvidoso (por que Jaime Lerner?Poderia ser até Frank Gehry)

        O IAB não é contra a revitalização, e não é contra o Jaime, mas entende que aquela área da cidade deveria ter um projeto escolhido por concurso público, como Vitória está fazendo atualmente com a sua orla. Se Vitória, capital do Espírito Santo, consegue fazer um concurso público para revitalização da sua orla, porque raios Porto Alegre não?

        Dessa maneira você atrai os melhores escritórios do Brasil, consegue a valorização da arquitetura, e joga transparência no processo.

        Eu fico assustado como a população aceita isso com parcimônia, como se direcionar um projeto milionário para um profissional fosse algo aceitável em 2014…E senso que a justificativa plausível que era a Copa do Mundo nem foi atendida…

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    • O João Inácio conseguiu sintetizar bem o que eu penso. Plenamente de acordo.

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    • Será que o exemplo da Coca-Cola, citado pelo articulista, ocorreu por causa que a empresa patrocinou a reforma de um espaço público (largo Glênio Peres) ou em razão do autor do artigo ser de esquerda?
      Bom, não sei a resposta, então acho melhor não ficar julgando as pessoas…

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    • Não sei por que vcs não conseguem aproveitar as partes boas do artigo e só se focam na bobajada do último parágrafo. Dificilmente se encontra alguém que a gente concorda em tudo, a não ser que no fundo o cara enrolou, enrolou e não disse nada.

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  4. O arquiteto é por definição da lei de criação do Conselho de Arquitetura, CAU, o profissional responsável pelo urbanismo, paisagismo, patrimônio histórico, entre outras atribuições, que são temas muito pertinentes nas reuniões do conselho. Na verdade desde os tempos do CREA era assim, mas os arquitetos sentiam que o CREA era uma conselho guarda-chuva, que por abrigar várias profissões acabava negligenciando os temas pertinentes a arquitetura.

    Não possuir um representante do IAB no Conselho é um baita retrocesso para a cidade de Porto Alegre e para categoria dos arquitetos.

    É uma situação tão constrangedora quanto ter Marcos Feliciano na Comissão de Direitos Humanos,

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  5. “…..sinal dos tempos é ver nossos mais tradicionais e queridos espaços públicos, Teatro São Pedro, Largo Glênio Peres, Auditório Araújo Viana e daqui há pouco o nosso cais, crivados de Coca Cola…..”
    hahhahahahahaaaaa……quando eu penso que ja ouvi de tudo, vem mais uma novidade.

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  6. Sindicato dos Transportes Pesados e Armados é f0da. É por causa deles que o Piso da rua da Praia está um lixo.

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  7. Bah,
    Ja estava acabando meu papel higienico…mas agora tenho um rolo do jornaleco Sul21 pra emergencia!!
    Obaaaaa….

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