Extremo sul da cidade está sendo povoado por condomínios

Este texto foi sugerido por leitor do Blog. O que você acha? Estes condomínios estão acabando com a natureza no extremo sul de Porto Alegre? Este desenvolvimento de extensos condomínios de casas é prejudicial à cidade? Ou faz parte do crescimento natural de uma metrópole ? Há alternativas menos invasivas ?

A autora do texto abaixo é a Jacqueline Custodio, formada em medicina e em artes plásticas pela UFRGS, mas agora, advogada. Tem um blog chamado “Chega de demolir Porto Alegre”, que denuncia os atentados contra o patrimônio afetivo da cidade e a devastação das construtoras na memória urbana.

Ponta do Arado

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O extremo sul da Zona Sul está sendo povoado por condomínios de luxo. Já está por lá o Terraville 1 e, em planejamento e construção, o segundo condomínio homônimo. Recentemente, ouvi falar de outro empreendimento (Dahma). É uma propriedade particular de 400 hectares, que inclui a Ponta do Arado, no bairro Belém Novo, e que abriga um sítio guarani pré-histórico valioso, além de ser uma importante área de preservação ambiental.

Pelo tamanho do empreendimento, foi exigido um Estudo de Impacto Ambiental, apontando as possíveis consequências ecológicas, através de laudos técnicos e estudos especializados, propondo medidas mitigatórias e de fiscalização. Tudo isso é apresentado através de um relatório, que deve ser claro e acessível à comunidade e deve estar disponível à consulta de qualquer pessoa. Também é obrigação realizar uma audiência pública, para que os interessados saibam como será o projeto, os impactos esperados e para que se manifestem a respeito daquilo que tiverem dúvidas. A característica desta audiência é ser meramente informativa. Isso significa que não há poder de decisão.

De qualquer forma, tal audiência ocorreu na semana passada (30/01), num período em que muitas pessoas tiram férias e abaixo de chuva. Alguns moradores do local dizem que o empreendimento, além de ser numa área importantíssima para a preservação ambiental, faz parte da cultura do bairro Belém Novo. Questionam o acesso à orla do Guaíba, principalmente pelo fato de que o local apresenta balneabilidade, devendo, portanto, ser garantido o trânsito da população.

Por outro lado, representantes da comunidade, que participaram do processo de liberação do projeto, dizem que muitas contrapartidas estão sendo negociadas e que o empreendimento se pretende sustentável, tendo sido observados todos os procedimentos legais. Mas a questão é: A Zona Sul, dia após dia, vem perdendo as características que a fazem tão especial para a cidade. Está se perdendo a área rural, em que há produção de hortifrutigranjeiros, pela ganância imobiliária aliada à falta de planejamento da administração pública, para deixar apenas na conta de um problema crônico, perpetuado ao longo de muitas gestões municipais.

Infelizmente, a população se encontra em desvantagem, sempre correndo atrás do prejuízo: ou fica sabendo depois dos fatos acontecidos ou não consegue se fazer ouvir, nem mesmo nos fóruns que necessitam da legitimação de sua participação. O próximo passo é estudar com o Ministério Público quais são realmente os impactos ambientais e culturais deste empreendimento e o que é possível exigir de contrapartidas para amenizar tais impactos. O resultado da devastação de nosso verde já está sendo sentido (literalmente) em nossa pele.

Fonte do texto: Meu Bairro

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Obs.: Não curto muito a ação deste tal de “Chega de Demolir Porto Alegre”…  acho sensacionalista e sem critérios. Querem se autodeclarar superiores ao IPHAN, a EPHAC, ao COMPHAC, etc…  às vezes canso dessa gente…

Vejam este comentário e a foto postada hoje no Facebook

Opções para esta história

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O prédio demolido no Cais do Porto era o local das balanças usadas pelo porto e pelo comércio de Porto Alegre. Também abrigava um refeitório (Restaurante), ponto de encontro dos trabalhadores portuários e clientes.

Na análise de valoração dos armazéns do Cais realizada para o projeto de revitalização, este trecho foi considerado sem valor arquitetônico e sua demolição foi autorizada pelos órgãos de preservação.

Se por um lado é evidente que este trecho não tinha qualquer mérito arquitetônico, por outro é impossível declarar “puxadinho” uma edificação que abrigava um uso importante na funcionalidade a todo o Cais…

O prédio demolido no Cais do Porto era o local das balanças usadas pelo porto e pelo comércio de Porto Alegre. Também abrigava um refeitório (Restaurante), ponto de encontro dos trabalhadores portuários e clientes.

Na análise de valoração dos armazéns do Cais realizada para o projeto de revitalização, este trecho foi considerado sem valor arquitetônico e sua demolição foi autorizada pelos órgãos de preservação.

Se por um lado é evidente que este trecho não tinha qualquer mérito arquitetônico, por outro é impossível declarar “puxadinho” uma edificação que abrigava um uso importante na funcionalidade a todo o Cais…



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51 respostas

  1. Conheço a zona sul, é um lugar bonito cheio de verde com ar de interior…

    Porto Alegre já está saturada de construções e ainda há o Guaíba, 9 morros, e cidades metropolitanas ao redor, por tanto um dos poucos caminhos que ainda restam para crescimento habitacional em Porto Alegre é a Zona sul…

    Sempre apontei a necessidade de expansão de ruas e avenidas que levam a Zona Sul já prevendo um fluxo de mobilidade grande por lá. A avenida Beira Rio e ao redor do Gasômetro já estão ampliados, mas ainda falta muita coisa a ser feita…

    Sempre ouço o chavão: ( o que morar na zona sul de Poa?? tá louco prefiro então morar na região metropolitana que chego mais rápido no centro de Poa )
    Isso tudo por causa da falta de planejamento de décadas, ou seja nossa cidade poderia ter uma economia maior e melhor organizada, ao invés disso perdemos moradores pra cidades vizinhas…

    Obs:
    1. Não gosto de asfalto, mas acho que necessário em alguns pontos da cidade pra haver desenvolvimento.
    2. Não gosto de uma cidade grande demais, mas também acho um absurdo, a cidade não se desenvolver por causa de maus governantes que não planejam a cidade e empobrecer economicamente.
    3. Fica mais produtivos comentários de pessoas que conheçam a cidade direito para uma opinião que satisfaça as necessidades da cidade, ao invés de ficar discutindo idiotices de quem está certo, ou então gente defendendo coisas que nem elas mesmo sabem direito o que querem.

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  2. Antes de entrar em discussão sobre as ações de um grupo, procure conhecê-lo, saber suas intenções, justificativas e embasamento.

    De qualquer forma, sinta-se a vontade pra “descurtir” o grupo, mas antes de se manifestar é bom ter um embasamentosinho mínimo pra não queimar o próprio filme 😉

    A ignorância e falta de cidadania é algo que precisa ser urgentemente demolido na cidade.

    Abs

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  3. O ideal para o crescimento organizado da cidade é incentivar o aumento de moradias em zonas onde há bastante postos de emprego, áreas de lazer, comércio e serviços; e incentivar o aumento de postos de emprego e serviços em zonas onde existe somente residências. EM questão de mobilidade urbano é péssimo o surgimento desses condomínios estilo Terraville na zona SUl.

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  4. Não entendo. Querem as margens do lago livre pro cidadão. Pra que? Jogar lixo, poluir? Não querem condominio fechado. Melhor deixar favelas se criarem as margens do lago, como fazem com as ilhas.

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  5. A discussão é válida. Mas vemos muitos discursos aqui que mostram como nós gaúchos nos preocupamos tanto com o discurso, mas impedimos a cidade de crescer! Visto que nunca nos preocupamos com a Orla do guaíba para o lazer e o turismo. Somente há poucos anos surgirá. Projetos e mesmo assim, muita gente é contra! Quanto à Povoar o extremo Sul da cidade, paraticamente não é uma opção e sim uma necessidade. Sobre a ocupação da área para o empreendimento, não existe problema algum, desde que atenda à legislação ambiental pertinente é ao PDDUA. A única questão que concordo que deve ser amplamente debatida é sobre o direito de livre acesso à praia, pois é um direito previsto em lei. O único caso o qual é permitido praia particular é se estiver dentro da área particular e se for restrita por morros que impeçam o acesso pela orla. No entanto, toda e qualquer área que tenha margem de rios e lagoas tem que ser submetida ao Estado (Dep. De Patrimônio, o mesmo que trata das concessões de ilhas no Guaíba e demais Rios e Lagoas). Ele regulamenta e concede. Não é somente a Prefeitura!

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  6. Resolução CONAMA 09/1987:
    Art. 2o Sempre que julgar necessário, ou quando for solicitado por entidade civil, pelo Ministério Público, ou por 50 (cinqüenta) ou mais cidadãos, o Órgão de Meio Ambiente promoverá a realização de audiência pública.
    § 5o Em função da localização geográfica dos solicitantes, e da complexidade do tema, poderá haver mais de uma audiência pública sobre o mesmo projeto de respectivo Relatório de Impacto Ambiental – RIMA.

    A ata pode ser consultada no site do IBAMA:
    https://www.ibama.gov.br/licenciamento/index.php

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  7. Estamos vivendo um fenômeno muito parecido com o que ocorreu nos Estados Unidos a partir das décadas de 1950 e 1960, que é a suburbanização das cidades ou, como diz o termo original: “suburban sprawl” (para o qual ainda nem temos tradução sedimentada, de tão novo o fenômeno). Até o marketing em torno desse novo produto é parecido: vida próximo à natureza, casas maiores do que na região central, apelo à questão da segurança…

    Aquilo que parecia ser uma boa ideia na época, no entanto, hoje se vê que não é bem assim. A vida nos subúrbios acarreta uma extrema dependência do automóvel (muitas vezes, é literalmente impossível ir até a padaria ou a farmácia sem carro), ineficiência do transporte público para alcançar esses locais, grandes distâncias entre origens e destinos (trabalho, estudo, serviços), carência de sensação de pertencimento e de comunidade, inexistência de sensação de vínculo com o espaço público, ineficiência econômica relativa à instalação e manutenção de redes de água, esgoto e energia elétrica.

    No exemplo dado no início da conversa, pelo Adriel (https://www.google.com/maps/preview/@45.551299,-122.851972,308m/data=!3m1!1e3), temos uma região de casas bonitas, impecáveis, sem nada de pixação (isso parece o mias importante, pra muita gente aqui). No entanto, não se vê uma viva alma na rua. Aliás, se vê sim, mas estão todos dentro de carros. Experimentem colocar aquele bonequinho do Google Street View numa das ruas desse bairro e tentem achar alguma pessoa na rua, caminhando. Eu não consegui. (Se alguém achar, posta o link aí.) E essa realidade, de não haver pessoas nas ruas, acontece em praticamente todas as cidades norte-americanas que se desenvolveram depois da disseminação do automóvel.

    É óbvio que um comentário meu desses não vai mudar a tendência do nosso urbanismo, não tenho esperanças que isso ocorra. Mas talvez faça um ou dois dos leitores daqui repensarem a ideia de comprar uma casa dos sonhos num condomínio fechado a 20km do centro. Eu mesmo comecei a ler sobre o assunto faz pouco tempo, dois ou três anos. Mais ou menos nessa época, me achava o cara mais imbecil entre os meus colegas, já que, no dia em que lançaram aquele Alphaville (lembram?) eu optei por não ficar na fila para disputar a tapa um dos lotes. Hoje, depois de ler bastante, vejo que eu não era assim tão burro.

    Esse vídeo a seguir fala um pouco sobre isso:

    Do mesmo cara, tem esse livro aqui, que eu acho que vale muito a leitura.

    http://www.amazon.com/Suburban-Nation-Sprawl-Decline-American-ebook/dp/B0058U7I16/ref=tmm_kin_title_0?ie=UTF8&qid=1391781819&sr=8-1

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  8. Só tenho uma coisa para dizer: para algum tem de se construir, ou pra cima ou para os lados.

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  9. Tenho conhecidos que compraram casas nesses condomínios da Zona Sul e estava muito satisfeitos com o local, segurança, limpeza… mas desistiram e venderam a casa por causa do acesso ao centro.

    Além do quesito segurança, o acesso a meios de transporte conta muito.

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