Vereadores querem bancar os artistas !!!!

Super-Cuia, de Saint Clair Cemin, é um monumento polêmico que motivou vereador a fazer este projeto Foto: Gilberto Simon

Super-Cuia, de Saint Clair Cemin, é um monumento polêmico que motivou vereador a fazer este projeto Foto: Gilberto Simon

Projeto determina que novos monumentos sejam aprovados por vereadores

Inacreditável!!!!

“Em breve, os vereadores porto-alegrenses podem se tornar espécies de curadores de arte dos espaços públicos da Capital.” 

Em contato com o Vinícius Vieira, Presidente da Associação dos Escultores do RS (AEERGS), Conselheiro do CEC – Conselho Estadual de Cultura do RS, Membro da Comissão de Seleção do Fumproarte SMC POA e Curador / Vice-presidente do IAB RS ele passa ao Blog Porto Imagem esse depoimento em nome da AEERGS:

“A AEERGS acredita que não é prerrogativa dos vereadores essa autonomia para agir como definidores da forma ou conceito mais adequado para a cidade. A lei em si é falha na sua origem, pois vincula e condiciona à aprovação na Câmara a instalação de uma manifestação cultural das artes visuais, própria dos artistas. Se aprovada, estarão sendo criadas condições para que os artistas só proponham ideias que agradem aos vereadores, ou sua maioria, desestimulando a arte como contestação ou representação das minorias.”

Veja a matéria na ZH, clicando aqui.



Categorias:Arte

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55 respostas

  1. É importante salientar que obras de arte e arquiteturas sempre foram motivo de discórdia, aqui, na Europa, nos EUA, na Rússia, em todos os lugares onde eram implantadas. Vejamos alguns casos como por exemplo a “TORRE EIFFEL” em Paris. A torre foi feita pelo engenheiro Eiffel para a exposição de Paris de 1900. Todos os Parisienses foram contra a sua construção, mesmo como obra transitória como havia sido pensada e que custou milhões de francos na época. Quando ficou pronta, todos gostaram e quando foi o momento de seu desmonte os parisienses não permitiram que ela fosse desmontada. Outro caso é das esculturas de RODIM, que como escultor oficial da cidade de Paris, tinha que fazer passar seus projetos pelas comissões republicanas, onde haviam todos os tipos de representantes, dos mais cultos aos mais arrivistas. Vejam como as questões se põe. O que temos em Porto Alegre é pobre, sem expressão, sem qualidade e sobretudo não passaria por nenhuma comissão de qualquer cidade onde a cultura da arte pública se faz corrente. A discussão sobre a aprovação na câmara de vereadores de esculturas e painéis é pequena como a mentalidade de nossa cidade que já foi grande em propostas. O que temos hoje não é nada em qualidade. Basta olhar a praça da Matriz de Porto alegre, a qualidade escultórica ali instalada. Aquele conjunto histórico é memorável e de qualidade republicana indiscutível e não existe no Rio Grande do Sul e no Brasil, metalúrgicas com capacidade de execução de um conjunto como este. De outra sorte, a visão republicana do monumento da Praça da Matriz é evidenciado pela escultura que coroa o conjunto, sendo ela a Republica, com seu rosto universal, tal como aparece na impressão do nosso dinheiro.

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  2. Essa é mais uma das safadezas que a turma que se instalou, boa parte dela instalada na Câmara Municipal de Porto Alegre, que não está nem aí para o cidadão que impostos, fazem do espaço público o seu curral político ou seja, atender os interesses do ente privado, o cidadão é mero expectador de todo esse circo.

    Se fechar a casa, ninguém notará, aliás, eles não nos representam, não com as atitudes e comportamentos demonstrados nas mais variadas vezes e oportunidades ao eleitor de Porto Alegre, um belo circo instalado à margem do Lago Guaíba.

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  3. Generalização errada essa afirmar que “Vereadores querem bancar os artistas !!!!”, sendo que a proposta é de apenas UM, e muitos são contra o projeto.

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  4. É melhor apresentar esta obra para CuiaBAH!

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  5. Que venham muitas estátuas para Porto Alegre;Lenin,Stalin,Maringuela,Che,Fidel,Lula,Raul Pont,Tarso Genro…Fortunatti.
    Serão estes os monumentos a serem discutidos na camara.

    obs.teclado com leves falhas

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  6. PESSOAL, A QUESTÃO É SÉRIA. E a Arte não por ser expressão de minoria ou maioria, mas deve existir porque a arte é algo que deva melhorar a nossa cidade, fazendo com que ela seja agradável, boa , participativa, melhore os sentidos. A questão não esta sendo tratada de forma profunda pelo artigo, mesmo porque o espaço é pequeno. É necessário que a comunidade tenha um posicionamento determinado contra a aprovação de pessoas que nunca foram nem seque ao teatro ou ao museu… Mas o pior é que com ou sem os vereadores, as porcarias ainda acabam por ser instaladas na cidade, vejam o munumento as tetas (cuias)… o círculo de concreto que vemos na ida para a zona sul da cidade mais parece um anus… temos esculturas que beiram o escatológico… e ninguém sequer fala ou critica… O porto Alegrense é omisso e a nossa arte esta mais para arte escatológica, repito, do que para algo bom, bonito e agradável, que é o que se espera da arte pública… colocada em espaços públicos. Vejam as esculturas de Botero, o mosaico do viaduto da Vasco da Gama de Porto Alegre, a arte das praças em Tokio, Madrid, Nova Yorque, mas poderia ser tambem em Medelin, lembrem das escadas de mosaico do Rio de Janeiro… a ate dos grafiteiros, enfim existe tanta coisa bonita… e Porto Alegre teima em ser estúpida.

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    • Discordo totalmente do que você disse. Tudo!

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      • Como é fácil ter um posicionamento que discorda de tudo sem argumentação. Como é fácil tratar desta maneira… Este tipo de comportamento não é republicano… vamos discutir, falar, argumentar… e depois haverá espaço para a síntese, que é o que qualquer republicano espera que ocorra.

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        • Concordo contigo, precisamos conversar sobre arte, monumentos… trazer esse tema para a câmara de vereadores é válido por esse motivo. Um grupo fechado da prefeitura não cumpre esse papel.

          Não entendo o medo do Gilberto… será que os vereadores vão barrar mais do que a prefeitura? Não vejo porque… Conchavos também existe nos órgãos da prefeitura. A obra de arte tem que agradar só o grupo de artistas? só quem entende? não concordo com esse posicionamento.

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      • É importante salientar que obras de arte e arquiteturas sempre foram motivo de discórdia, aqui, na Europa, nos EUA, na Rússia, em todos os lugares onde eram implantadas. Vejamos alguns casos como por exemplo a “TORRE EIFFEL” em Paris. A torre foi feita pelo engenheiro Eiffel para a exposição de Paris de 1900. Todos os Parisienses foram contra a sua construção, mesmo como obra transitória como havia sido pensada e que custou milhões de francos na época. Quando ficou pronta, todos gostaram e quando foi o momento de seu desmonte os parisienses não permitiram que ela fosse desmontada. Outro caso é das esculturas de RODIM, que como escultor oficial da cidade de Paris, tinha que fazer passar seus projetos pelas comissões republicanas, onde haviam todos os tipos de representantes, dos mais cultos aos mais arrivistas. Vejam como as questões se põe. O que temos em Porto Alegre é pobre, sem expressão, sem qualidade e sobretudo não passaria por nenhuma comissão de qualquer cidade onde a cultura da arte pública se faz corrente. A discussão sobre a aprovação na câmara de vereadores de esculturas e painéis é pequena como a mentalidade de nossa cidade que já foi grande em propostas. O que temos hoje não é nada em qualidade. Basta olhar a praça da Matriz de Porto alegre, a qualidade escultórica ali instalada. Aquele conjunto histórico é memorável e de qualidade republicana indiscutível e não existe no Rio Grande do Sul e no Brasil, metalúrgicas com capacidade de execução de um conjunto como este. De outra sorte, a visão republicana do monumento da Praça da Matriz é evidenciado pela escultura que coroa o conjunto, sendo ela a Republica, com seu rosto universal, tal como aparece na impressão do nosso dinheiro.

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      • CORREÇÃO, a Torre Eiffel foi construída para a Exposição Universal de 1889 e não de 1900 como afirmei no meu comentário anterior, errei por 11 anos.

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  7. O papel da arte muitas vezes é ser vanguardista, provocativa, e não ser óbvia…
    Se os vereadores vão decidir sobre a arte urbana, só iremos ver Bustos do Santos Dumont, testamentos do Getúlio Vargas….

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  8. É Gilberto, posso não entender de arte mas sou viajada, conheço Museus, tenho amigos artistas e tenho que conhecer “alguma coisa” pq sou eu que tenho que explicar algumas “obras de arte” em Porto Alegre a quem vem nos visitar.Se não houver um critério para a colocação de obras artísticas na cidade, algum dia não terá mais lugar para as BOAS obras que aparecerem. Enquanto eu estiver no turismo, eu aceito qualquer obra, mas como moradora posso me dar o luxo de não me preocupar com alguns lixos que chamam de obras.. Só que ninguém tem coragem de dizer!

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    • Hoje em dia a arte está como a arquitetura: voltada para si mesmo, sua tecnicidade e conceitos longíquamente pensados. Mas esquece o fundamental: ser bonita. As pessoas fazem filas para verem obras e prédios clássicos, mas obras e prédios modernos? Quem se importa? Provocam até o efeito contrário.

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      • Ninguém é obrigado a “comprar” o conceito do artista. Você costuma se irritar quando assiste a um filme e não entende a moral da história? Bem, então você precisa fazer um cursinho de história da arte, semiótica, fotografia, cinema ou algo do tipo. Sei lá, qualquer coisa que lhe dê uma introdução à linguagem visual. Aí você vai se libertar dessa angústia por “entender” uma obra. Liberte-se das dicotomias doce-salgado, feio-bonito e por aí vai.

        Outra sugestão: faça um curso de degustação de vinhos; nem curso: associe-se a uma confraria. Você perceberá que vinhos transmitem sensações distintas a cada indivíduo, remetem a momentos que só dizem respeito a você mesmo, mas, ainda assim, todos conseguem apreciar a bebida, cada um à sua maneira. Um gole pode até lhe deixar um pouco melancólico ou irritado, mas ainda assim satisfeito por ser de tal forma tocado pela bebida.

        O belo é uma criação humana. Tem ligações com nossos instintos mais básicos de equilíbrio e simetria, mas achar que só o simétrico e equilibrado pode ser belo é como só conseguir distinguir doce e salgado numa refeição. Um adulto é capaz de suportar mais nuances, até porque a idade faz com que tornemo-nos mais resistentes à surpresa. Não quero tornar a minha vida um tédio com uma cidade abarrotada de réplicas de obras clássicas.

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        • Na verdade é questão de gosto. Eu preferia viver numa cidade clássica (quem falou em réplicas?) cuja beleza não se discute, é consolidada. E tu preferes bizarrices que a maioria da população nunca “entenderia”. A política não é voltada pras massas? Pois é.

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        • Renan, as massas talvez preferissem algo que tu sequer imagina, talvez o que é costumeiramente referido como arte popular – alegorias de carnaval, quem sabe. Na verdade, acho que deve haver espaço para todas as expressões artísticas, das originais às manjadas, das medíocres às complexas.

          Se quiserem erguer um shopping cheio de colunas gregas com uma estátua da liberdade na frente, ao estilo lojas Havan (mas nem precisa ir tão longe, a Carlos Gomes tem prédios assim, só falta a estátua), ótimo. Se quiserem grafitar muros ou quem sabe uma intervenção carnavalesca e permanente na Lima e Silva, ótimo também. O que me deixa indignado é que quando Porto Alegre ganha umas migalhas de arte contemporânea ou algo que possa tornar a cidade uma referência artística em um detalhe que seja, a obra é rechaçada, rotulada como “feia”. Feia é a falta de cultura de muitos conterrâneos, isso é que me envergonha.

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    • Não terá lugar para novas obras?
      Como se houvesse uma grande “efervescência” de monumentos em Porto Alegre…

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    • Gladis, pode dar um exemplo de “monumento lixo” instalado em um local público de Porto Alegre, seguido de uma argumentação do porquê trata-se de uma obra de arte de segunda categoria?

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    • Só pra esclarecer, não falei especificamente de ti quando falei que seria preciso entender de arte. Se tu entendeu assim, desculpe.

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  9. Obras de arte pela cidade? Pelo amor de Deus. Arrumem o asfalto podre de nossas ruas, criem um padrão de calçadas, cortem os matos das pracinhas, troquem as paradas de ônibus que mais parecem sucata de ferro-velho, verifiquem os gargalos de nosso caótico trânsito pensando em contrução de viadutos ou passagens de nível…. por último pensem em ficar fiscalizando monumentos. Estes vereadores realmente não nos representam.

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  10. Isso é bom, caro Gilberto. É fundamental que a arte seja percebida como tal pelas pessoas comuns da cidade, e não só pela panelinha corporativista dos artistas. Os vereadores, bem ou mal, formam uma pequena amostra dessas pessoas comuns. Eles são nós, e nós que devemos decidir o que é bonito e o que é feio para por na cidade.

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    • Nao concordo. Entao que se aumente a pluralidade dos integrantes da comissao. Eu nao me acho capaz de decidir qual arte é melhor que outra, por que um vereador será?

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      • Mas você pode votar em um artista e assim incluir a “arte” entre os vereadores. Infelizmente no Brasil temos políticos de carreira*. Nos EUA, por exemplo, há o político representante dos médicos outro dos engenheiros, dos artistas, dos esportistas… não que eles sejam propriamente artistas, esportistas ou qualquer coisa, mas são pessoas que entendem profundamente do assunto e acabam pautando as decisões políticas.

        * Esses políticos de cerreira são apenas políticos, não sabem nada e não fazem nada além de política. Daí justificam-se (e justificam) a contratação de um monte de assessor (que maioria são apenas políticos também, não entendem de mais nada) e gastam rios de dinheiro com consultorias tendenciosas, onde o consultor são amigos ou parentes.

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      • Usando essa lógica, vereador não deve decidir nada. O que vereador sabe sobre a história da cidade? deixe com historiadores. O que vereador sabe sobre trânsito? deixe com urbanistas e engenheiros. O que vereador sabe sobre árvores? deixe com biólogos. O que a esposa do prefeito sabe de animais? Opa, ela não é vereadora…

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    • Se eles terão que decidir qual obra de arte é melhor pra cidade e qual não é, eles terão que consultar especialistas pois eles não entendem lhufas de arte. E quem eles consultarão ? A mesma comissão que existe hoje ? Então não mexe. Isso é só um capricho do vereador Bernardino Vendrúscolo que não entendeu algumas obras de arte e tá complicando isso. Tem tantas outras coisas pra legislar…

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    • Então, se formos pela cidade, não teremos mais nenhuma obra nela Ricardo!

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  11. Continuando a discussão aqui…

    Se precisa da aprovação de órgãos ligados a prefeitura, estamos sujeitos aos amiguinhos do prefeito, seu partido, puxa-saquismo, financiadores de campanha, partidos coligados… nada muito diferente do que acontece na câmara de vereadores. Aliás, como a câmara é composta por pessoas heterogêneas, juntando inimigos políticos na mesma panela, me parece mais justo a câmara de vereadores do que qualquer secretaria ou comissão da prefeitura.

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    • Me desculpe a ignorância, Gilberto, realmente não entendo como funciona.

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    • Esta visão não é republicana, e mostra o quanto as pessoas ainda pensam com base numa realidade de trafego de influencia. Cada vez mais as aprovações de qualquer coisa nas Prefeituras, Estado e União deverão estar baseadas em fatos técnicos e políticos igualitários. Esta visão não contribui para um processo republicano, criminaliza tudo e todos tratando as realizações como apadrinhadas e comprometidas.

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  12. Nada mais normal, se tratando de Porto Alegre.

    Aqui vereadores são artistas plásticos, engenheiros de trânsito, biólogos, ambientalistas.

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  13. E pq a população não é consultada? Paga impostos e ainda é obrigada a ver certas “artes” que nada tem a ver com a cidade.. Primeiro, os artistas apresentam sua obra,após os portoalegrenses vão julgar e depois a Assembléia bate o martelo. Democracia…..

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    • Também penso dessa forma, mas como é complicado fazer plebiscitos, elegemos representantes do povo (vereadores) para votar por nós. Se fosse possível a população votar diretamente, nem de vereador precisaríamos, para nada!

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    • Gladis, Arte é concepção, nem todos são capazes de entender, E por que vc não entende, não pode tirar o mérito do artista. Desde pequeno frequento galeria de arte e sempre me perguntei o porque de certas obras. Mas com o tempo fui me dando conta de que por eu não entender, ou até não apreciar, não quer dizer quer aquela obra deixe de ser valorizada ou deixe de estar em algum local público.
      Adoro arte e sou totalmente contra este projeto. O vereador exagerou demais !!!
      QUEM TEM QUE SER CONSULTADO SÃO OS ARTISTAS, ATRAVÉS DAS ENTIDADES QUE OS AGRUPAM.

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  14. Não vejo problema nisso… Não vejo problema em artistas apresentarem monumentos para os vereadores e eles discutirem isso. Quem for contra vai ter que se justificar, é claro.

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    • Pablo, já existe uma comissão hoje em dia, de artistas, incumbido disso. Pra que buRRocratizar a questão???

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      • São coisas que acontecem tão pouco em Porto Alegre, além disso talvez levando a arte para as discussões da casa, eles prestem mais atenção à beleza da cidade.

        Não vejo um prejuízo nem mesmo mudança em relação aos monumentos de Porto Alegre.

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        • Depoimento do Vinícius Vieira, Presidente da Associação dos Escultores do RS (AEERGS), Conselheiro do CEC – Conselho Estadual de Cultura do RS, Membro da Comissão de Seleção do Fumproarte SMC POA e Curador / Vice-presidente do IAB RS:

          “Acredito que não é prerrogativa dos vereadores essa autonomia para agir como definidores da forma ou conceito mais adequado para a cidade. A lei em si é falha na sua origem, pois vincula e condiciona à aprovação na Câmara a instalação de uma manifestação cultural de artes visuais, própria dos artistas. Se aprovada, estarão sendo criadas condições para que os artistas só proponham ideias que agradem aos vereadores, ou sua maioria, desestimulando a arte como contestação ou representação das minorias.”

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        • Faz sentido, nesse caso, nunca será aprovada alguma obra de arte que critique os vereadores.

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        • Hoje em dia não precisa da aprovação da prefeitura? Ou de algum órgão da prefeitura?

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        • Sim, existe. É essa comissão de artistas que o Gilberto citou.

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      • Em alguns lugares obras assim são aprovadas por conselho dos moradores do bairro.

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    • Acho que a localização de monumentos deveria ser discutida de forma mais ampla, como consultas públicas, juntamente com entidades artísticas e de arquitetura e urbanismo. Vereador vai começar a misturar política (tanto de esquerda quanto de direita) e moralismo retrógrado à curadoria das obras.

      A supercuia é de extremo bom gosto, é uma obra contemporânea que mistura tradicionalismo e também transmite fertilidade com as cuias aparentando mamas. Os significados são múltiplos e “dá a liga” entre o tradicional (o tradicionalismo gaúcho) e o contemporâneo (o design minimalista, quase remetendo a coisas da Apple). Também transmite uma ideia do poder da mulher, com o fato de um monumento se referir a seios de uma forma tão transparente em um estado tradicionalmente machista. A obra é perfeita e posso continuar a dar outros argumentos do porquê ela é icônica para a cidade e o RS.

      Outra obra excelente, do uruguaio radicado em Porto Alegre Gustavo Nakle, é o timão com o lhama (ou algo parecido) com uma face humana. Não tenho como evitar argumentar ad hominem neste caso quando alguém critica esta obra: é coisa de povinho provinciano, educado com cultura Coca-Cola e nunca assistiu a um filme fora do circuito hollywoodiano. Este monumento tem sim uma carga de cultura platina e latina (estrangeira, portanto), mas também remete a mar, à vocação de Porto Alegre (um tanto esquecida) para a navegação. Em arte nem tudo tem explicação e é assim que deve ser, mas posso dar uma possível e subjetiva explicação para o lhama (ou quadrúpede) olhando para o lado oposto ao Guaíba, como uma espécie de negação. Os quadrúpedes somos nós, animalescos, mas que se julgam racionais, dentro de um timão-pôr-do-sol, negando o potencial e a beleza do nosso rio.

      Fantástico! Duvido que nossos vereadores chegassem a uma faísca dessas reflexões. Por isso, prefiro deixar a arte com o povo e com os artistas.

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      • Uma pena que tenha que a arte tenha que ser tão esteticamente horrível para passar uma mensagem. Que se entupa a cidade de estátuas clássicas, aí sim não me sentirei em uma latrina pós moderna.

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        • Coloque no quintal da sua casa. Aliás, muitas floriculturas e artesanatos vendem réplicas de obras clássicas ou mesmo “obras” inéditas a preços atrativos. Dentro de área privada, qualquer um pode dar asas à breguice e à falta de alfabetização em linguagem visual.

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        • Acho que ele se referia a “obras de arte” como as de Duchamp. Acho que não ficaria bem um mictório no meio da cidade, por mais famoso que seja o artista.

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        • Discordo, Adriel. Prefiro ver obras “feias” e seminais nas ruas de Porto Alegre — o que grande daria visibilidade à cidade até para o turismo — do que o “belo” consolidado. Não adianta querermos imitar Barcelona ou Florença. Essas duas cidades são importantes por serem originais naquilo que são. Não existe uma nova Florença (até pode existir na periferia, mas os turistas querem ver o centro histórico, a herança renascentista que um dia foi seminal e influenciou o ocidente).

          Fico imaginando o que os “críticos de arte” portoalegrenses do início do século XX (1904) fariam se houvesse a hipótese de um prédio receber uma remodelagem desse tipo:

          Somos a cidade do atraso não porque somos do contra, mas sim porque temos uma sensibilidade artística provinciana, enlatada, enfim, brega. É preciso dar um fim no provincianismo, e isso pode ser resolvido com mais arte nas ruas, na forma de monumentos, encenações e mais salas de cinema com filmes fora do circuito shopping/blockbuster de super-heróis.

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        • Gostar dessa arte moderna ou experimental ou o que for, é como se interessar por drogas pelas ligações carbônicas das moléculas. Quem se importa com o detalhe, se a massa da população (e dos turistas) não acha bonito? Daqui a pouco vão querer a Yoko Ono pendurando um quadro em branco na Redenção para representar o vazio das nossas vidas… me poupe.

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        • Não vejo problema algum com termos uma instalação da Yoko Ono em algum lugar de Porto Alegre. Seria bem interessante, o difícil seria ela se interessar pela cidade. Se a Câmara tornar-se uma curadoria dos monumentos públicos, teremos uma enxurrada de monumentos positivistas que parecerão ter sido criados há mais de um século, só que não. Assistiremos à reencarnação de Décio Villares, que é o retrato de uma época, mas ninguém precisa de mais obras de exaltação às república e aos grandes nomes da política.

          Quero ver mais obras como a supercuia e o sol-timão-com-lhama. Quero ver mais grafite e intervenções populares nas ruas. Tinha um painel no Gasômetro em que o povo começou a interferir e deu o maior rolo. Arte é nos tocar por dentro. Quem só quer ver o indiscutivelmente belo, precisa tornar-se adulto um pouco e descobrir que a beleza é mais do que imitações baratas de Van Gogh para pendurar na sala de estar. Você vê que alguém não entende nada de arte quando ele recém começou a assimilar as obras de mais de 100 anos de idade.

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