Vereadores de Porto Alegre votam hoje ampliação do Hospital de Clínicas

Votação será polêmica porque envolve um prédio histórico e questões ambientais

Votação será polêmica porque envolve um prédio histórico e questões ambientais Crédito: Tiago Medina / Especial / CP

Votação será polêmica porque envolve um prédio histórico e questões ambientais
Crédito: Tiago Medina / Especial / CP

A melhora no atendimento de milhares de pessoas que circulam e chegam diariamente ao maior hospital universitário do Estado – Hospital de Clínicas – será decidida nesta quarta-feira, na Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Protocolado em caráter de urgência, o projeto de lei complementar que permite que a reforma de ampliação da instituição ocorra junto ao prédio principal do complexo, alvo de polêmica, será votado nesta tarde. A partir da autorização dos vereadores, a obra deverá estar concluída em três anos e meio e ampliará a capacidade de atendimento em 70%.

Desde 2012, uma série de polêmicas envolvendo o patrimônio histórico e ambientalistas impede o início das obras de ampliação do complexo. No centro da discussão, a fachada modernista do prédio. A diretora da Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural (EPACH) da Secretaria Municipal de Cultura, Débora da Costa, conta que o estilo modernista do edifício, construído em 1942, colocou-o no patamar de inventariado, conforme a Lei 601/2008, e por isso, sua estrutura e entorno não pode ser modificado. A diretora do EPAHC diz ter repassado ao Clínicas em janeiro de 2012 as diretrizes para que o projeto fosse aprovado: construir a nova emergência nos fundos do prédio atual, não mexendo assim na fachada.

O engenheiro responsável pelo Hospital de Clínicas, Fernando Martins, afirma que após vários estudos, ficou comprovado que não existe outro espaço no terreno que comporte o tamanho da ampliação. Ele diz ainda que se a nova emergência fosse instalada nos fundos do hospital, o acesso de ambulâncias e a operação do hospital ficariam prejudicados. Fernando garante que os arquitetos que desenvolveram o projeto também se preocuparam em manter a linguagem arquitetônica do prédio atual.

Débora faz questão de dizer que é favorável à reforma, desde que dentro das diretrizes legais. “O EPACH é a favor da reforma, trata-se, afinal de um hospital importantíssimo não só para a cidade, mas para o Estado e o Brasil, mas é preciso cumprir com certas diretrizes”, que até o momento não foram cumpridas. Por isso, caberá à Câmara a decisão de aprovar ou não o projeto, pois uma alteração na lei, considerando que se trata de um caso de utilidade pública, de cunho social, permite que o projeto seja aprovado integralmente”.

Ela lembra ainda que o projeto de reforma do Hospital de Clínicas antes de chegar até ao EPACH, passou pela Comissão de Análise Urbanística e Gerenciamento (CAUGE) da prefeitura, que reúne todas as secretarias envolvidas e arquitetos e engenheiros e que a reforma foi indeferida antes mesmo do parecer do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico Cultural (COMPACH), vinculado ao EPACH, que também acabou não autorizando a obra. Indeferimento pelo descumprimento, segundo a diretora, de leis do município: inventários e Plano Diretor.

Outro ponto questionado pelo EPACH, o descumprimento da Lei do Plano Diretor estabelece que o local tivesse 4.145 vagas de estacionamento para atender a todo o complexo, mas a instituição se propôs a fazer apenas 2.296. O engenheiro responsável argumenta que a reforma prevê a construção de dois estacionamentos de subsolo para 722 vagas e que dessa forma, liberaria a área externa para circulação das pessoas.

A mais nova batalha envolvendo a reforma do HC diz respeito ao corte de 240 árvores previstas no projeto para a construção dos dois anexos, como explica Fernando Martins: “Sim, o projeto prevê o corte de 240 árvores de um total de 600, mas cabe lembrar que muitas das árvores são na verdade arbustos, e por isso, da forma extremista como foi colocado (corte) não corresponde à verdade. Para essa operação, obtivemos laudo de cobertura vegetal, fizemos um trabalho técnico, conversamos com biólogos.”

O corte é contestado pela Associação Gaúcha de Proteção ao Meio Ambiente (Agapan) e Instituto Ingá de Estudos Ambientais. O professor da UFRGS e ambientalista Paulo Brack argumentou que não foram apresentadas alternativas ao corte da vegetação que cumpre importante função para a recuperação de pacientes e para manutenção do conforto térmico do bairro. “É importante verificar se existe algum outro prédio que pode ser utilizado para realizar a ampliação sem a necessidade de derrubar tantas árvores. Muitas já foram cortadas nos últimos anos na região. O problema é que não nos apresentaram nenhuma alternativa, mesmo que solicitadas ao poder público”, sustentou.

Fernando ressalta ainda que a área a ser reformada não é um bosque, e sim árvores plantadas, muitas, segundo ele, sem nenhum critério ambiental. “O projeto que vem sendo trabalhado há quatro anos prevê a manutenção da mancha verde entre a Protásio Alves e a Ramiro Barcelos, e, além disso, envolve um trabalho de paisagismo para que as pessoas possam usufruir daquele local”, conclui.

O engenheiro espera que a Câmara aprove o projeto, pois segundo ele, trata-se de “legitimar a vontade da população por mais saúde” e faz um alerta: caso a obra não comece em 2014, a verba destinada para a reforma, R$ 408 milhões obtidos junto ao Ministério da Educação, já que o Clínicas é um hospital universitário, terá que ser devolvida.

Se aprovada a ampliação, o setor de Emergência passará de 1700 para 5.159 mil metros quadrados, triplicando sua capacidade e o Centro de Tratamento Intensivo (CTI) aumentaria de 54 para 110 leitos; o bloco cirúrgico de 28 para 41 salas. O local destinado para recuperação pós anestesia passaria a contar com 90 leitos mais 60 poltronas. Hoje, são apenas 22 leitos.

Imagem: Divulgação / HCPA

Imagem: Divulgação / HCPA

Correio do Povo

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Um comentário do jornalista José Luiz Prévidi, em seu Blog, no dia de hoje:

VERGONHA NA CARA!!

Espero que os vereadores de Porto Alegre aprovem hoje a ampliação do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.
Caranguejos-urubus não querem, porque vai descaracterizar aquela “caixa de fósforos” que é o prédio e não admitem que derrubem alguns “indivíduos arbóreos” – é como esses moderninhos de merda chamam as árvores.
No mínimo, não querem que derrubem eucaliptos.
BANDO DE IDIOTAS!!
Na real querem apenas aparecer.
Sabe de uma coisa?
Deveriam chupar imediatamente um carpim sujo!!

SÓ DIGO UMA COISA:

VOU INFERNIZAR A VIDA DESSES “VEREADORES” QUE VOTAREM CONTRA A AMPLIAÇÃO!!



Categorias:Arquitetura | Urbanismo, Patrimônio Histórico

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17 respostas

  1. Dá para ver que nossa Câmara de Vereadores não chega perto de ser séria a partir da teatralização dessa votação. Vê-se gente vibrando, batendo palmas, se abraçando por uma decisão um tanto quanto óbvia. Queria ver a mesma vibração para resolver problemas mais complexos como o Plano Diretor, as obras do aeroporto e a mobilidade urbana.

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  2. Falando em hospital, quem escreveu o fim dessa matéria ta precisando de um rivotril.

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