Setor portuário gaúcho rejeita Porto de Rocha

Associações acusam governo brasileiro de agir guiado por programa partidário

O favorecimento de concorrência ocasionado pela possibilidade de o Brasil investir no futuro Porto de Rocha, no Uruguai, incomoda associações ligadas ao setor portuário gaúcho. Eles acusam o governo brasileiro de agir guiado por um programa partidário, e não por uma política de Estado. “Isso não é uma política de Estado, é uma conduta politiqueira, um programa de partido”, aponta o presidente do Sindicato dos Operadores Portuários do RS, Mário Lopes. Ele cita como exemplo o investimento brasileiro direcionado ao Porto de Mariel, em Cuba, inaugurado em janeiro. A obra só foi concretizada após acerto, feito durante o governo Lula, de aporte financeiro do BNDES no valor de 682 milhões de dólares. Estima-se que o apoio do BNDES para concretizar o porto uruguaio chegaria a 1 bilhão de dólares. Em nota divulgada na noite dessa terça-feira o BNDES informou não estar analisando pedido de financiamento para o porto.

“Não vejo esses países do Mercosul como região de operação para mercadorias brasileiras. Estou pasmo com esse sentimento dos nossos políticos”, afirma Lopes. Ele questiona se os operadores portuários brasileiros – em Rio Grande, terminais e operadores somam cerca de 30 – poderão atuar no Uruguai. “Classifico como uma barbaridade. É um alinhamento político que tem sido seguido pelo governo nos últimos anos, mas não vejo retorno econômico para a sociedade.”

A sensação de influência negativa em Rio Grande também é compartilhada pelo presidente do Sindicato dos Terminais Marítimos no Porto de Rio Grande, Paulo Bertinetti. Ele cita investimentos no porto gaúcho para facilitar o escoamento da safra: “Agora o nosso governo, a exemplo do que fez em Cuba, vai colocar dinheiro no Uruguai para um porto de águas profundas que irá influenciar negativamente”. Ele indica que, se o valor fosse aplicado na melhoria da infraestrutura de acesso dos portos brasileiros, haveria menor dificuldade para escoar a safra.

O presidente do Centro de Navegação Riograndense, Eduardo Adamczyk, não nega que o investimento no Uruguai parece ser uma boa oportunidade de negócio, mas diz estar extremamente preocupado com a situação. “Não é possível que o governo financie uma concorrência direta. Essa ajuda do BNDES é interessante para a nação?”, questiona.

Calado à espera de homologação

Os investimentos nos últimos anos pelo governo para a dragagem do Porto de Rio Grande, segundo as entidades portuárias, não trouxeram grandes resultados. A dragagem dos canais não chegou a ser homologada e está sem sinalização, o que, na prática, não permite o ingresso de embarcações maiores. A profundidade de 18 metros ocorre apenas em alto-mar. O canal foi dragado até 15 metros, mas o calado dos terminais segue com 12 metros.

O projeto do Porto de Rocha indica calado de 20 metros. Alguns terminais de Rio Grande, construídos há três ou quatro décadas, só atingiram capacidade plena nos últimos três anos. Graças à subutilização, dizem as entidades, o line up (fila de navios para descarregar) é pequeno. A espera, mesmo no auge da safra, não ultrapassa 15 dias, enquanto nos Portos de Santos e de Paranaguá há filas de 40 dias.

Câmara vê danos pela proximidade

A Câmara de Comércio de Rio Grande ficou apreensiva com a notícia da possibilidade de financiamento brasileiro em um empreendimento uruguaio. Renan Lopes, presidente da entidade, considerou “um absurdo” a construção de um superporto uruguaio com financiamento brasileiro. “É o mesmo que fizeram em Cuba. Só que o superporto do Uruguai prejudicará o de Rio Grande diretamente. Será uma concorrência forte.” Lopes teme que o Porto de Rocha possa ser melhor que o de Rio Grande e prejudique pela proximidade. O tema irá à reunião “Tá na Pauta” da Câmara, dia 30, com palestra do presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Wilen Manteli.

Correio do Povo



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15 respostas

  1. Da primeira vez que fui aos EUA eu comprei uma máquina fotográfica digital “Made in Brazil – Zona Franca de Manaus” pela metade do preço que eu pagaria no Brasil.

    Vai sair mais barato os agricultores da fronteira exportarem para o Uruguai para eles exportarem para os demais estados do Brasil por simples burocracia, falta de infraestrutura e altos impostos ao cruzar fronteiras dos estados.

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  2. E mesmo com todas essas proezas do governo dilma, que indignaria qualquer cidadão em sã consciência, ainda tem gente que vai reeleger essa raça

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  3. Eu não entendo

    O mercado diz q não devemos ser protecionistas, e que a concorrência é o que faz a melhoria da qualidade dos produtos.

    O porto vai sair de qualquer maneira, agora é uma questão de: vamos participar ou não deste negócio.

    Não emprestar dinheiro cheira a protecionismo para mim, o produto brasileiro tem que ser bom e barato por méritos da nossa economia e infraestrutura, não sabotando a economia de vizinhos.

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    • O governo não deve ter o rabo preso como tem com as montadoras de carros e outros produtos do tipo.

      Deve ser isso.

      A diferença é que esse investimento poderia ser muito bem usado para melhorar o que falta ser melhorado no Brasil, e não fazer como nos outros setores onde apenas aumentam impostos para ferrar com o consumidor brasileiro.

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    • quem disse que o porto sairá de qualquer maneira?

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    • O porto sai de qualquer maneira? Sem o nosso dinheiro? Como?

      Outra: O que é protecionismo? Protecionismo é um conjunto de medidas econômicas que favorecem as atividades econômicas internas em detrimento da concorrência estrangeira. O que querem fazer dando dinheiro barato do BNDES ao comunista Mojica é o INVERSO de protecionimso: é favorecer as atividades econômicas externas em detrimento das atividades internas!

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  4. Escrevi isso no outro tópico, mas não teve reply. Gostaria de saber o que o vocês acham…


    da mesma forma que produtos produzidos no Brasil chegam a mercados no outro hemisfério custando a metade do preço, será que não ocorrerão coisas misteriosas como cruzar o Brasil e o Uruguai por rodovia para sair por um porto uruguaio e ainda assim sair mais barato do que sair por um porto brasileiro?

    Quando eu penso na máfia que são os portos e na quantidade de subsídio ao diesel e transporte por caminhão, não vejo essapssibilidade tão absurda.

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    • Realmente não é absurda Pablo. Como eu disse em outra ocasião aqui, esse ano já tiveram caminhões transportando parte da safra do Paraná, Mato Grosso do Sul e até de Tocantins aqui para Rio Grande. Isso porque o porto de Santos está saturado a muitos anos e o tempo de espera na fila é mais do que o dobro que leva a viagem até aqui.
      Andei vendo algo sobre o governo começar a cobrar um imposto de 6% sobre a exportação de soja, se os países do Mercosul forem isentos desse imposto é possível que as empresas prefiram repassar a carga para o Uruguai e exportar de lá.

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      • Acho que é esse o pulo do gato. Vai ser mais barato “exportar” para o Uruguai por rodovia e a partir de lá reimportar em SP ou nordeste a partir de uma empresa uruguaia do que usar os portos e a parafernália burocrática dentro do Brasil.

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  5. Engraçado mesmo seria o Brasil não investir, o porto sair igual e perder a chance de ser sócio.

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  6. Gostaria de ter lido: “Setor portuário pede ferrovias para alavancar o transporte hidroviário”

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  7. Quero um dia conhecer alguem que vota na reeleição da Dilmanta, isso sim!!!

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