Só a preguiça pública explica a degradação irrecuperável da zona central de Porto Alegre

Foto: Marcelo Bumbel, Porto Imagem

Rua da Praia – Foto: Marcelo Bumbel, Porto Imagem

Tenho normalmente enorme dificuldade para concordar com as opiniões da editora de Política do jornal Zero Hora, mas desta vez a jornalista Rosane Oliveira está coberta de razão ao fustigar de modo devastador a situação de degradação da zona mais central de Porto Alegre. Não é possível imaginar como é que o prefeito José Fortunati convive com lixo acumulado até na quadra da esquina democrática, calçadas esburacadas e desalinhadas, piso irregular e imundo da rua da Praia, sujeira por todos os poros, lixeiras desbotadas e imundas, falta de iluminação, pontos de ônibus desleixados, praças mal cuidadas e região despoliciada. Afinal de contas, o prefeito mora na Praça da Matriz. O caso não pode ser apenas de preguiça, mas parece mais de incompetência atávica.

Leia a nota de Rosane:

Com lixo pelas ruas, obras inacabadas, calçadas deterioradas, paredes e muros repletos de pichações e mendigos dormindo nas praças. É assim, sem maquiagem, que os turistas que vierem assistir aos jogos da Copa encontrarão Porto Alegre. Não há tempo nem dinheiro para deixar a cidade com a cara de quem está pronta para receber visitas. E não se consegue mudar do dia para a noite os hábitos de uma população acostumada a jogar lixo no chão ou nos arroios, apesar de estar em vigor a lei que pune os infratores com multa.

O vice-prefeito Sebastião Melo foi muito sincero, ontem, numa entrevista ao Gaúcha Atualidade. Disse o que a prefeitura está fazendo, mas não tentou tapar o sol com a peneira ao falar dos problemas. Reconheceu que Porto Alegre tem mais de mil adultos vivendo nas ruas e que não há como obrigar essas pessoas a irem para os abrigos.

– Não vamos esconder os mendigos durante a Copa – garantiu Melo.

Uma das áreas mais movimentadas da Capital, a Rua da Praia, será vista pelos visitantes do jeito que está, com o calçadão cheio de remendos. A Associação de Bancos doou para a prefeitura um projeto de revitalização, como compensação pelos estragos provocados pelo peso dos carros-fortes que circulam pelo Centro, mas o governo não tem os R$ 5 milhões necessários para executar a obra.

Não é apenas o reparo do calçadão que precisa ser feito, mas também a substituição de cabos e redes subterrâneas.

Apesar dos problemas estruturais e dos circunstanciais, Melo acredita que os turistas não irão se decepcionar. O vice-prefeito diz que a cidade está preparada para receber os visitantes e destaca a hospitalidade dos porto-alegrenses como um dos pontos positivos da Capital.

CLIQUE AQUI para ler outra queixa de Rosane, intitulada “Senti vergonha da minha cidade”, no mesmo tom.

Jornalista Políbio Braga, com matéria da Rosane de Oliveira, ZH



Categorias:Abandono, Arquitetura | Urbanismo, Pichação

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30 respostas

  1. Precisamos urgente melhorar e adequar as calçadas do centro da cidade. É uma região onde residem vários idosos e estes estão como os direitos de acessibilidade violados.

    Por favor governantes, estamos esperando melhorias.

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  2. BALAUSTRADA

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  3. Vocês já viram o estado da balautrada da praça Dom Feliciano, na face que dá frente para a avenida Annes Dias, e a Santa Casa de Misericórdia? Simplesmente, o muro histórico e arquitetonicamente valioso um belo dia desabou, e em seu lugar colocaram um pedaço de ferro, um corrimão (que já está torto, e mesmo que não estivesse, é horroroso!), um remendo que liquida com o valor turístico do local.

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  4. Pessoal, estamos registrando recordes históricos de visitas no Blog nos últimos 2 dias …. mais de 30 mil visitas cada dia !!!!

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    • Parabéns! Interessante que está acontecendo recordes de visitas, entretanto houve períodos com muito mais comentários. Parece que as coisas não são muito relacionadas.

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  5. Olha que interessante, o buraco tem a forma do mapa do Brasil

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  6. Moro no Centro mas admito que vou raramente no quadrante Mercado-Rodoviária-Mauá-Salgado por pena de mim mesmo, porque sei que fico arrasado e depressivo sempre que passo por lá. E até o início dessa administração da prefeitura eu dizia que o Centro estava em sua melhor fase em muitos anos (a retirada dos camelôs ainda era recente, vários prédios históricos estavam restaurados, o mercado e seus cafés começaram a ser frequentados por classes mais altas, o comércio subiu de nível, a mídia noticiava o ressurgimento do Centro como protagonista na cidade e, principalmente, tínhamos uma enorme quantidade de projetos de revitalização – o cais, o esqueleto, a rua da Praia, podem olhar nos arquivos do blog, todos tinham projetos de revitalização). Depois vieram as obras da Copa (nenhuma visando o turismo – apenas obras viárias absolutamente discutíveis), os protestos (a pichação estava diminuindo, com os protestos voltou com tudo, idem o vandalismo), as pouquíssimas obras decepcionantes (reforma do Glênio Peres, Praça da Alfândega, absurdo da Andrade Neves que não gosto nem de lembrar…), incêndio do Mercado, a demora-quase-desistência de obras como a do esqueleto, o cais engatinhando, a Copa com 0% de melhoria no turismo etc. Enfim, aos poucos parece que foram desistindo do Centro. As únicas coisas que destaco como positivas nos últimos anos são a pintura de edifícios (só falta o mercado!!!!) e a diminuição das sujeiras nas ruas.

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