Comissão de moradores vai acompanhar obras da nova ponte na Ilha Grande dos Marinheiros

Débora Fogliatto

Encontro reuniu moradores com representantes dos poderes públicos | Foto: Diogo Baigorra/ Gabinete do Deputado Adão Villaverde

Encontro reuniu moradores com representantes dos poderes públicos | Foto: Diogo Baigorra/ Gabinete do Deputado Adão Villaverde

Em reunião realizada na manhã desta sexta-feira (30), os moradores da Ilha Grande dos Marinheiros deram um passo que sugere maior participação popular na construção da nova ponte do Guaíba. O encontro com o secretário de Planejamento, Gestão e Participação Popular (Seplag), João Motta, resultou na determinação de que será formada uma comissão de acompanhamento das obras, integrada pelos moradores, que será formada já na próxima semana.

Cerca de 850 famílias da Ilha serão afetadas e terão que ser reassentadas com a construção da ponte. Nas últimas semanas, os moradores demonstraram preocupação com seu futuro, participando de uma audiência pública na Câmara de Vereadores na qual relataram temor de que as remoções sejam realizadas sem conhecimento prévio.

Os representantes dos órgãos públicos, no entanto, buscaram tranquilizá-los. Na reunião, estiveram presentes também o deputado estadual Adão Villaverde (PT), o vereador Carlos Comassetto (PT), além do diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT), Delmar Pelegrini, e do irmão Miguel Orlandi, da Congregação Marista da Ilha.

O secretário João Motta decidiu pela formação da comissão, indicando o técnico da Seplag, Décio Schauren, para fazer a mediação com os moradores. “Eles se comprometeram, especialmente o secretário, a colocar todas as demandas numa ata e criar essa comissão. Os moradores ficaram bastante contentes, porque todo mundo vai poder participar. O secretário deu a palavra dele de que a obra vai ter que ser de respeito à comunidade que vai ser atingida”, contou o Irmão Miguel. O Sul21 tentou contato com a Seplag, mas foi informado de que o secretário preferia deixar o assunto no âmbito interno.

O deputado Villaverde, que intermediou o encontro, acentuou a importância da abertura de um canal direto dos moradores com o governo estadual evitando desencontro de informações que envolvem outros órgãos estaduais, a prefeitura, o DNIT e o consórcio responsável pela obra, formado pelas empresas Queiroz Galvão e EGT Engenharia. O secretário Motta pediu para que se desse atenção às demandas dos moradores, como as preferências dos que gostariam de permanecer nas ilhas.

Segundo Irmão Miguel, o DNIT, órgão federal responsável pela obra, também se prontificou a participar da comissão em encontros uma vez por mês. O Sul21 entrou em contato com o DNIT e enviou uma série de perguntas à assessoria de imprensa, para as quais obteve a seguinte resposta: “O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) está em tratativas com a comunidade. Técnicos da autarquia estão realizando reuniões com as lideranças comunitárias para ouvir as demandas dos moradores e esclarecer sobre a obra para, então, iniciar as ações no local. Em momento oportuno, o DNIT divulgará como se dará o cadastramento e a realocação desta população”.

Moradores vivem em comunidade humilde, mas não querem sair da Ilha | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Moradores vivem em comunidade humilde, mas não querem sair da Ilha | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

O objetivo da comissão é ser aberta a todos os moradores que desejem participar. Outra exigência colocada pelas lideranças das Ilhas foi a de que as remoções aconteçam de forma com garantias de moradia, e não para casas de passagens. “Também foi discutido que os moradores que desejarem sejam capacitados para poderem trabalhar na obra durante a construção da ponte e que os equipamentos públicos que vão ser atingidos pela construção sejam depois reconstruídos, como o galpão de reciclagem”, disse Irmão Miguel.

Ciclovias

Outra polêmica envolvendo a construção da ponte foi a carta enviada pela ONG Mobicidade — Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta. Os ativistas, em nota divulgada nesta quarta-feira (28), expressaram repúdio à decisão do DNIT em não incluir acesso para pedestre e ciclistas na nova ponte. “Hoje, a atual ponte do Guaíba é a única opção para quem precisa realizar o trajeto entre Porto Alegre, região das Ilhas, Guaíba, Eldorado do Sul e demais cidades da Região Metropolitana na região a oeste da capital gaúcha” , lembrou a Mobicidade.

A carta expressa ainda que cada vez mais ciclovias estão sendo incluídas na cidade, inclusive nas avenidas Voluntários da Pátria e Dona Teodora, que darão acesso à nova ponte. Os ativistas destacam que é dever do governo, através do DNIT, garantir que as modificações assegurem deslocamento seguro para a população que se desloca a pé e em bicicleta. Questionado sobre o assunto, o DNIT preferiu não se manifestar.

SUL 21



Categorias:Nova ponte Guaíba

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1 resposta

  1. No meu ”mundo ideial” imagino que o mais coerente seria que essas remoções fossem feitas ANTES da construção, ou seja, em momento de lançamento de partido, quando o local já está definido – até porque uma ponte menos de 1,5 anos não deve levar.

    Durante construção é muito caótico, tanto pra moradores quanto pra quem vai gerir a obra… sempre vai dar um problemão.

    Acho que “mundo paralelo” fica melhor que mundo ideal…

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