Teste revela abuso na cobrança de táxi no Aeroporto Salgado Filho

Usuários chegam a desembolsar quase o dobro do valor pelas corridas

Teste revela abuso na cobrança de táxi no Aeroporto Salgado Filho

Teste revela abuso na cobrança de táxi no Aeroporto Salgado Filho

Parte dos passageiros que chega a Porto Alegre está sendo prejudicada no balcão da Cooperativa de Táxis do Aeroporto Salgado Filho de Porto Alegre (Cootaero). Em vários casos foi comprovado que usuários chegam a desembolsar quase o dobro do valor pelas corridas pagas antecipadamente com uso de cartões de débito ou crédito. As tabelas da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), que estabelecem os valores praticáveis, são frequentemente ignoradas no balcão da Cootaero. Os cerca de 260,4 mil turistas que visitarem Porto Alegre durante a Copa do Mundo poderão ser vítimas. A Cootaero atribui os “possíveis enganos” aos atendentes “inexperientes”.

Os valores abusivos foram verificados em quatro corridas pagas com cartão, entre os dias 22 e 27 de maio. O Salgado Filho é um dos dois lugares da cidade – o outro é a rodoviária – onde é possível pagar a corrida com antecedência. Uma tabela formatada pela EPTC estipula os valores aproximados para diversos pontos da Capital. No entanto, a lista de preços está sendo desprezada no momento da cobrança no aeroporto.

O trajeto até o Hotel Sheraton, distante 7,8 quilômetros do terminal aeroportuário, deveria custar, na bandeira 1, cerca de R$ 24. No entanto, em 26 de maio custou R$ 35 – 45,8% acima do estabelecido. O mesmo ocorreu na corrida até o Hotel Intercity Premium, na avenida Borges de Medeiros: a tabela manda cobrar R$ 35, mas o usuário pagou R$ 50. Até o estádio Beira-Rio, custou R$ 60, quando deveria ser R$ 34,80.

A irregularidade surpreendeu o presidente do Sindicato dos Taxistas de Porto Alegre (Sintáxi), Luiz Nozari. “Se isto é verdade, considero profundamente entristecedor, porque os taxistas do aeroporto sempre foram vistos como a elite do táxi em Porto Alegre”, diz Nozari, ao estranhar que os órgãos fiscalizadores não tenham coibido a prática.

O presidente da Cootaero, Ronei Caetano Montiel, diz que a cooperativa vem cumprindo com os valores do zoneamento feito pela EPTC e que “enganos” podem ter ocorrido pela inexperiência dos atendentes. “Já aconteceu de termos que devolver os valores”, afirma. Já o supervisor do ponto, Jorge Ouriques, ressalta que a orientação é cobrar um valor justo e não lesar o cliente. “Estamos tentando aprimorar o atendimento para anular a possibilidade de erro”, frisa, observando que, havendo bagagem, o custo pode ser maior.

Se for lesado, deve reclamar

O coordenador de Atendimento do Procon Porto Alegre, Roberval Barros, aconselha os passageiros que foram lesados a denunciarem o fato. “O táxi é um serviço público e estabelece uma relação de consumo. Aquele que se sentir enganado pode procurar o Procon”, sugere. O artigo 20 da Lei Geral dos Táxis diz que é direito dos passageiros serem “restituídos dos valores indevidamente pagos a mais pelo transporte e em desacordo com a legislação que fixa a tarifa do serviço, se assim comprovado tal fato”.

Para evitar abusos, o ideal, segundo Barros, seria haver uma divulgação das tabelas de tarifas para que o consumidor tenha ciência de quanto vai gastar dentro dos trajetos a percorrer. “O taxista ficaria inibido ao tentar cobrar um valor mais alto”, considera.

“A situação é completamente irregular”, atesta o diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari. As sanções preveem devolução integral do valor pago, multa, recolhimento do alvará e abertura de processo para cassação da concessão. “A tabela da EPTC é revisada periodicamente e tem que ser respeitada”, diz. Cappellari acrescenta que a lista de tarifas tem que estar visível no balcão para conferência do passageiro.

Correio do Povo



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19 respostas

  1. a burguesia se queixando dos taxisistas.da

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  2. Só não entendi como uma corrida ao Hotel Intercity na Borges custa mais cara do que uma corrida até o Beira-Rio, conforme consta na reportagem: (O mesmo ocorreu na corrida até o Hotel Intercity Premium, na avenida Borges de Medeiros: a tabela manda cobrar R$ 35, mas o usuário pagou R$ 50. Até o estádio Beira-Rio, custou R$ 60, quando deveria ser R$ 34,80.)

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  3. Apenas para deixar mais clara a discussão. Até onde eu saiba os táxis do aeroporto não podem tomar passageiros fora do seu ponto, isto é, devem retornar ao seu ponto-aeroporto sem pegar novos passageiros, com isto o custo do retorno é cobrado. Esta situação não ocorre com os táxis normais, os quais podem tomar passageiros fora do seu ponto. Acredito que a tabela dos táxis normais não incluam o retorno, pois não consideram a impossibilidade e obrigação de retorno vazios ao ponto de origem. Outro fator a considerar são as dimensões e o tipo de carro a ser utilizado, maiores e mais caros do que os táxis comuns.
    Não sou a favor de diferenças nos valores das tabelas e não acredito em táxis especiais, porém dever-se-ia considerar a existência de serviços de transfer com a opção de ônibus, Vans e carros, estes sim com preços diferenciados e sem identificação o que impediria a realização de “corridas dentro da cidade”.
    É anacrônico nosso serviço de transporte de nosso aeroporto, para não dizer o próprio aeroporto.

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  4. Esse cara que cobra o dobro, faz parte da corja que está deixando o país nesse estado. Como o ditato diz, o povo tem o lider que merece.. infelizmente.. nesse caso a maioria escolheu.

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  5. Nao sao taxistas, é o funcionario no balcao que cobra quase o dobro do que vc pagaria no taxímetro, ao pagar antecipado. E o proprio funcionario que me atendeu no aeroporto me disse que é assim.

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  6. Evito ao máximo pegar táxi em Porto Alegre porque sei que tenho grandes chances de sair prejudicado. Fora os que andam em velocidade absurda, freiam bruscamente, não respeitam o pedestre, furam sinaleiras, a lista é imensa. De madrugada piora exponencialmente – superei meu medo de assalto e ando a pé quando não é muito longe. O pior é que não dá pra dizer para os estrangeiros evitarem táxi porque as únicas outras alternativas, ônibus e lotações, são tão precários (principalmente quanto a informação de linhas) que são quase impraticáveis pra não-nativos.

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  7. Não da pra generalizar. Tem muito taxista honesto, acho que a maioria.
    Mas tem uns tantos com espírito carioca! Deviam cassar a licença.

    Nem me importo de pagar 1 ou 2 reais a mais, mas me importo com o taxista achando que tá enganando, tirando pra bobo. Aí anoto o prefixo e denuncio mesmo, a EPTC adora receber essas denúncias.

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  8. [off-topic] Vocês viram como ficou a nova rodoviária de Curitiba?

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