Beautiful Game Played With a Gaúcho Flair in Southern Brazil

World Cup 2014: In Porto Alegre, a More Dour Soccer Culture

By ANDREAS CAMPOMAR  –  JUNE 20, 2014

A fan dressed for winter in Porto Alegre, Brazil, watching the Netherlands’ 3-2 victory over Australia on Wednesday. Credit Lucas Uebel/Agence France-Presse — Getty Images

A fan dressed for winter in Porto Alegre, Brazil, watching the Netherlands’ 3-2 victory over Australia on Wednesday. Credit Lucas Uebel/Agence France-Presse — Getty Images

PORTO ALEGRE, Brazil — “Tell me how you play, and I will tell you who you are.”

It is one of soccer’s great truisms, and nowhere does it have more meaning than in Brazil, where soccer is widely thought to articulate the country’s sense of self.

When the country won its third World Cup in 1970, the Jornal do Brasil asserted that “Brazil’s victory with the ball compares with the conquest of the moon by the Americans.” Overnight, the country was no longer recognized for its Carnival, but for its soccer. Brazil had found its place in the world.

The “jogo bonito” intoxicates those who watch it. Brazil’s style of play represented a better, idealized version of the country where improvisation led to transcendence, success and international acclaim. The curse of Brazil has always been the gulf between what it could be — since the 1940s it has been the “country of the future” — and what it is.

On the soccer field, this was felt most sharply in 1982, when Brazil lost in the second round of the World Cup. The magical midfield of Falcão, Zico, Sócrates and Cerezo proved so dazzling that many observers were blinded to the side’s vulnerability. Brazilians still crave a World Cup for this phantom team that never delivered.

Neymar’s extraordinary skills seem to give the country's team enough Brazilian-ness to satisfy the nation. Credit Lucas Uebel/Agence France-Presse — Getty Image

Neymar’s extraordinary skills seem to give the country’s team enough Brazilian-ness to satisfy the nation. Credit Lucas Uebel/Agence France-Presse — Getty Image

Not everyone in Brazil expects this national team to win. Expectations often vary by region.

Here in the southern city of Porto Alegre, everyone is dressed for winter. They wear black, as if they are mourning the warmth of summer. This is not the subtropical, samba Brazil of the imagination, but the dour reality of winter in Brazil’s southernmost state, Rio Grande do Sul.

On any other weekday, people here would be at work, but Thursday was the Feast of Corpus Christi, a national holiday. Some two dozen middle-aged men took to an unkempt soccer field, wedged between the high-rise apartment blocks in the genteel neighborhood of Moinhos de Vento. They play for two local clubs, as their fathers did before them. The soccer on offer is of meager fare; it is bereft of the skill and guile associated with the Brazilian game. This is football as it might be played in northern Europe.

Fernando, who works in administration, is waiting to join the game. “There’s a lot of contact and hard tackling in our gaúcho football, which you don’t see in other states,” he says. “It’s a more physical game here.”

Porto Alegre’s two main clubs, Grêmio and its archrival Sport Club Internacional, have a reputation for playing the Uruguayan and Argentine way: tough, and without restraint. This is the warrior-like culture of the region’s gaúcho heritage. They call it having raça — guts. There is even a belief that, due to its geographical proximity to the Río de la Plata, soccer in Brazil was first played here rather than in São Paulo.

This region has stood apart from the rest of the country for decades. In 1972, Brazil celebrated its 150th anniversary of independence with a small international tournament. No player from the state of Rio Grande do Sul was chosen to play. To make up for the slight, the local soccer federation organized a match between the national team and a team of local players.

This would be no friendly. Such was the regional fervor in Porto Alegre’s Beira-Rio stadium that the national anthem was jeered and local fans took to burning the national flag. Whenever the “Brazilians” had the ball, they were greeted with abuse from the 110,000 spectators. The match ended in a 3-3 draw. The usual conspiracies began to circulate. The national team, which had not lost a match in five years, could not be allowed to lose.

The current Brazilian team seems not to possess either of the two principal aspects of the Brazilian game — it has neither the samba nor the fearlessness. But Neymar’s extraordinary skills at least seem to give this team enough Brazilian-ness to satisfy the nation.

Meanwhile, Luiz Felipe Scolari, Brazil’s coach, has crowded his midfield, hoping for a goal with the help of a partisan crowd.

Still, here in Porto Alegre, some are unconvinced of Brazil’s chances of success. Fernando cracks a half smile and says, “If you mark Neymar and Oscar out of the game then we don’t look too threatening.”

Scolari is from Rio Grande do Sul, so there are no charges of bias. Though the same cannot be said for the choice of sites. Even if the national team reaches the final, it will not have set foot in Porto Alegre.

When Argentina faces Nigeria at the Beira-Rio stadium here next week, the city is likely to descend into football fervor. For the visiting Argentine fans — and no doubt the attendant hooligans known as barras bravas — they will find a home away from home. For the locals, however, it may just be a little unnerving to watch their River Plate brand of soccer being played by the Argentine national team.

The New York Times

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Texto publicado em inglês como o original propositalmente

Esta matéria aparece na versão impressa do NY Times no dia 21 de junho de 2014.

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 Do site da Prefeitura:

The New York Times destaca Porto Alegre e futebol dos gaúchos

As impressões do jornalista Andreas Campomar, correspondende do jornal The New York Times, feitas a partir de Porto Alegre, destacam características do povo da Capital gaúcha e do futebol do Rio Grande do Sul. O artigo foi publicado na última sexta-feira e pode ser lido na versão original aqui.

O profissional, falando a partir da “cidade sulista de Porto Alegre”, diferente do “Brasil subtropical do samba da nossa imaginação”, relata uma partida de futebol realizada na quinta-feira, 19, durante o feriado de Corpus Christi, “em uma quadra entre dois prédios de apartamentos do agradável bairro de Moinhos de Vento”. O jornalista destaca que os praticantes seguem uma tradição familiar de torcer pelos dois principais times locais. E comenta que “o futebol jogado aqui é um tanto diferente do resto do país. Fica mais próximo daquele jogado no norte da Europa.” Andreas faz referência à histórica partida de 1972 no estádio Beira-Rio, Seleção Gaúcha 3 x 3 Seleção Brasileira.

Ao falar sobre os times gaúchos, Grêmio e Internacional, o correspondente avalia que ambos “têm um estilo mais uruguaio ou argentino. É o chamado estilo guerreiro, herança da cultura gaúcha pela proximidade geográfica com os países do Prata”.

Ao final, fazendo referência à terra natal de Luís Felipe Scolari, diz que mesmo que chegando à final, o time brasileiro não passará por Porto Alegre.



Categorias:COPA 2014

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7 respostas

  1. Mas isso era óbvio.
    A grande semelhança que temos, mas que o povo não aceita, não percebeu, é na politica, acham que são diferenciados por usarem bombacha, mas não perceberam que o jeitinho brasileiro já infectou todos nós.
    Se acham superiores por isso, mas não conseguem ver nas noticias que aparecem todos os dias sobre os golpes aplicados, sobre a corrupção e tudo mais.

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  2. Lembro qdo coloquei um link questionando as duplicações, trincheiras e viadutos. Como era em inglês o Gilberto reclamou… Não sei se era por causa do inglês ou por causa do conteúdo.

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  3. O Brasil é um país de dimensões continentais, então é claro que há diferença de uma região para outra – o que o jornalista fez foi apenas destacar o óbvio.
    É a mesma coisa que um jornalista do Brasil visitar Nova Iorque e dizer que ela não se enquadra naquele estereótipo americano…
    Nós, gaúchos, somos diferentes do povo do norte, sudeste, nordeste etc, a diferença é que muitos de nós nos achamos “superiores” – o que não é verdade (quem aqui não se lembra da época em que achávamos que o gaúcho não era corrupto?).
    Quem sabe um dia deixemos essa mentalidade atrasada de lado!

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    • Exato Murilo. Essa ótica de que não parecemos brasileiros é muito relativa, afinal existem muitos países dentro de um só.
      O que infelizmente ocorre é que existe um eixo muito divulgado pela mídia que é Bahia, SP e Rio.
      Mas mesmo no nordeste há cidades e estados que em nada lembram a nossa ideia de que temos de nordeste. A mesma coisa por aqui, há regiões no sul do país que parecem muito com as favelas cariocas.
      E nós gaúchos somos sim um lugar bem brasileiro, com negros, populações indígenas, e toda uma riqueza humana sem igual, que só esse país tem.
      Estamos longe, mas muito longe da hemogenia européia (graças a Deus)

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      • Graças a deus porque? O Sul do Brasil só é desenvolvido por causa dos europeus: o que seria o RS sem os italianos e alemães?

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      • Marcelo Bumbel. Em momento algum critiquei os europeus que colonizaram o RS, o que eu quis dizer que somos como todo o país uma miscigenação de raças e cores. Estamos longe de ser um estado de brancos europeus, bem longe. A população de negros, índios, pardos é grande em nosso estado especialmente em nossa cidade
        Por isso o Graças a Deus! Pela rica cultura de raças e cores em nosso estado e cidade.

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  4. É aquela coisa: o RS se acha diferente do resto do Brasil, mas como isso só fica a nível nacional, parece que é birra nossa. Agora o mundo está reconhecendo que os gaúchos são diferentes mesmo. Nosso “modo de vida” pode ficar ainda mais destacado e diferenciado com essa atenção internacional. Os turistas estão descobrindo essa jóia cultural e humana ao sul da Banânia. Acho que só temos a ganhar.

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