Fórum do Transporte Seguro propõe inclusão de câmeras de segurança na licitação de ônibus de Porto Alegre

Débora Fogliatto

Representantes dos trabalhadores, das empresas, da Prefeitura e da segurança pública participaram da reunião| Foto: Juliano Antunes/Sul21

Representantes dos trabalhadores, das empresas, da Prefeitura e da segurança pública participaram da reunião| Foto: Juliano Antunes/Sul21

Representantes de motoristas e cobradores, de três consórcios de ônibus, da Brigada Militar e da Polícia Civil reuniram-se nesta quinta-feira (10), na Câmara de Vereadores com a vereadora Sofia Cavedon (PT) para debater segurança no transporte público de Porto Alegre. No encontro do Fórum do Transporte Seguro, funcionários contaram situações de assaltos e insegurança e foram apresentadas propostas, especialmente a utilização de tecnologias como ferramenta para coibir crimes e identificar assaltantes.
De acordo com os dados fornecidos na reunião, a Carris sofreu 20 assaltos no mês de junho, enquanto na Conorte foram dez e na Unibus, 13. A Unibus também informou que já sofreu quatro assaltos em julho. Rangel de Luz Aurélio, da Conorte, afirmou que a empresa também percebeu grande número de assalto nos terminais, locais de embarque e desembarque, mas destacou que ainda não houve assaltos em julho nas linhas da zona norte.

Já nos assaltos da Unibus, há um padrão que se segue de assaltos na área das avenidas Saturnino de Brito e Protásio Alves. Na Carris, as principais linhas afetadas são T4, T6, T8 e T10. “Faz uns oito anos que temos essa preocupação e começamos a tratar com a BM, mas não verificamos eficácia na investigação”, disse Eduardo Morales Júnior, observando ser necessária maior participação da Polícia Civil. Ele observou também que dos 20 assaltos, 16 foram nos mesmos três pontos ou em áreas próximas.
A vereadora Sofia Cavedon, que convocou o encontro, apontou que a STS, que funciona na zona sul da capital, trabalha de forma integrada com a Polícia Civil. O delegado Paulo César Jardim também mencionou a integração que acontece entre policiais, Brigada Militar e funcionários na zona sul. “Mas acho muito cômodo as empresas cobrarem da Polícia e não darem segurança para os funcionários”, falou, dizendo que cobradores e motoristas raramente iam nas delegacias identificar os assaltantes. “As empresas precisam se responsabilizar pela tranquilidade dos cobradores. Precisam contratar um advogado e irem junto, com um representante, até a delegacia”, colocou.

Por outro lado, a Brigada e os funcionários apontaram que a Polícia Civil demora muito para realizar boletins de ocorrência, o que foi confirmado por Jardim, que no entanto disse que não há como acelerar o processo, especialmente por falta de pessoal para atender as demandas. “Precisamos que os funcionários não sejam expostos quando realizam identificação de assaltantes, precisamos que eles fiquem seguros”, disse Morales.

A vereadora então trouxe à tona o assunto das câmeras, que todos apontaram como uma maneira de fornecer maior segurança para os trabalhadores. A Brigada Militar apontou que já existem tecnologias de rastreamento que podem colaborar nesse sentido.
A EPTC afirmou que está trazendo critérios e discussão sobre isso, mas Sofia lembrou da importância de isso estar contido no edital da licitação do transporte. O delegado Jardim apontou, no entanto, que os custos das câmera e de sua manutenção são altos.
Outras alternativas foram propostas, como a realização de barreiras policiais e possíveis formas de se avisar à polícia durante os assaltos. A existência de um botão de pânico integrado ao sistema Tri, que pudesse comunicar sobre o crime, também foi sugerida.
A vereadora Sofia propôs que, para a próxima reunião do Fórum, estejam presentes também a STS, a Associação de Transportadores de Passageiros (ATP) o Ministério Público e o Judiciário, para que as demands sejam ouvidas de forma unificada. Os encontros já tinham sido realizados entre as empresas, funcionários e Brigada Militar, mas a Polícia Civil participou pela primeira vez.

“A Brigada encaminhou a necessidade de fortalecimento deste Fórum do Transporte Seguro, que já existe há oito anos, então a participação da Câmara coloca um peso nisso. De novo teve um assalto agudo na região leste no início desse ano e nós retomamos, vimos a dificuldade da BM de ter respostas objetivas da Polícia Civil”, apontou Sofia. O próximo encontro acontecerá no dia 7 de agosto.

SUL 21



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12 respostas

  1. Pra que?
    Se sair no noticiario não vão poder divulgar a cara de quem assaltou, se for “dimenor”, não pode ser preso, se for “dimaior” o nosso carandiru ta lotado.

    Sai mais barato dar um 38 pra cada cobrador.

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  2. Qualquer hora vão pedir onibus leito e serviço de bordo tbem! Mas ok, vão pedindo um monte de alteração pra ver quantas empresas vão cair nessa, vai ser igual à primeira licitação, nenhuma interessada!

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  3. Poderiam botar GPS e, ligado ao WAZE, estimar o tempo de chegada na próxima parada.
    Seria útil a quem espera, simples e acredito que bem barato.

    Mas como é Porto Alegre…

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    • E botar QR code na parada para acessar essas infos de barbada via smartphone. Mas como é POA, vão querer painéis digitais com mapas e sei lá mais o que. Para ser roubado.

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      • Sim, não dá para entender por que não podem adotar painéis simples, como os de Chicago. Sem ser telas LED/LCD.
        Aqui sempre exageram o simples, vão botar um mapa gigante interativo que ninguém vai usar e muito mais caro, e ainda por cima, passando o “CANAL VOCÊ”.

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  4. Um curso de tiro para os cobradores e permitir que andem armados. Muito mais eficaz que essa papagaiada toda aí.

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    • A ideia não é ruim… mas vamos colocar da seguinte forma:

      Será extinta a profissão de cobrador de ônibus. Todos os cobradores serão contratados como guardas municipais e farão a segurança dos ônibus e fiscalização da correta utilização dos mesmos.

      Que tal?

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      • Aceito! Vou mandar a sugestão pra prefeitura. rs

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      • O único impecilho é que guardas municipais devem custar o dobro (cobrador deve ganhar pouco mais que salário minimo), então o preço da passagem aumentaria.

        Não existe solução mágica.

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      • Uma vez que o guarda municipal dentro do ônibus também pode ficar de olho nas ruas e pontos de ônibus, como policiais que fazem ronda, o valor compensa. Aliás, deve sair mais barato que as 1000 câmeras da prefeitura que ninguém olha.

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      • Custa mais mas tem função para a cidade, ao contrário dos cobradores.

        Sem falar que sairia do custo da passagem.

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