Em audiência pública, população pede diálogo com poder público sobre inventário do bairro Petrópolis

Audiência contou com participação da população no Grêmio Náutico União | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Audiência contou com participação da população no Grêmio Náutico União | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Débora Fogliatto

Será mais uma vez revista a lista de imóveis do bairro Petrópolis incluídos no inventário da cidade. A decisão foi tomada pelo vice-prefeito Sebastião Melo (PMDB), depois de cerca de quatro horas de debate sobre o tema em audiência pública ocorrida na noite de quarta-feira(10), realizada no Salão de Festas do Grêmio Náutico União. Na ocasião, o vice-prefeito ouviu os pronunciamentos do coordenador da Memória Cultural da Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural (Epahc) Luiz Antônio Custódio, da procuradora Andrea Teichmann Vizzotto e da população que se manifestou sobre o assunto. Ele determinou que a lista feita pela equipe do Epahc seja revista mais uma vez e que após isso, os imóveis que não estejam pré-listados sejam desbloqueados.

Com o início do processo de listagem do bairro, todos os imóveis incluídos no processo ficaram impossibilitados de serem vendidos, demolidos ou reformados, a menos que tivessem o aval da Prefeitura. O processo, polêmico desde fevereiro, já foi anulado e reiniciado, buscando atender aos interesses da população enquanto preserva o patrimônio histórico e cultural.

Luiz Custódio explicou critérios de inclusão de imóveis no inventário | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Luiz Custódio explicou critérios de inclusão de imóveis no inventário | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Durante quatro horas, na audiência, ouviu-se opiniões favoráveis e contrárias ao inventário. Dentre as que se opõe ao processo, houve os que reclamaram da “falta de diálogo” da Prefeitura sobre o assunto, acusações de que o Executivo estaria agindo a favor das empresas de construção civil, afirmações de que modificar imóveis seria “direito do proprietário”, argumentos de que outros bairros que foram inventariados estão sucateados e até comparações do processo de listagem ao nazi-fascismo. Já os que defenderam a lista do Epahc manifestaram que já há grandes prédios bloqueando o sol no bairro, reiteraram que é do interesse da população a preservação dos imóveis, criticaram a lei aprovada pela Câmara que determina que inventários passem pelo crivo do Legislativo e argumentaram que a medida valorizará o bairro a ponto de transformá-lo em local turístico

Inicialmente, Custódio explicou os critérios de inclusão de patrimônios no inventário, colocando quais os tipos de arquitetura presentes nas edificações do bairro, entre elas a luso-brasileira, eclética, neocolonial hispânica e californiana, art déco, racionalista — a maioria –, moderna e contemporânea. “Verificou-se que o bairro tem em torno de 3,6 mil edificações e foram bloqueadas por ordem do prefeito. Na medida em que as que se verifica que não estão na lista, são liberadas. Os imóveis de interesse à preservação envolvem apenas 6,5% das edificações do bairro”, esclareceu.

Argumentos contrários ao inventário

Sua fala foi seguida pela do representante da Associação dos Moradores do Bairro Petrópolis Atingidos pelo Inventariamento da Prefeitura (Amai), Fernando Molino, que tem sido a principal oponente à inclusão dos imóveis no patrimônio histórico. Molino acusou a listagem de não ser feita para bem comum, mas sim para “proveitos pessoais” e classificou a inclusão de imóveis no inventário de ser parte de uma “fúria ‘inventariante’ da Prefeitura”. “O sentido de nossa fala decorre de posicionamentos a partir de sete meses de vivência sobre o inventário, que foi imposto pela prefeitura aos moradores, atingindo o direito da propriedade privada”, criticou.

Ele defendeu a lei aprovada na Câmara de Vereadores em maio, proposta pelo vereador Idenir Cecchim (PMDB), promulgada na semana passada. Para Molino, as decisões foram tomadas de forma “unilateral” e a listagem faz com que o bairro perca “vitalidade”. “Defendemos a construção participativa de uma política de preservação do patrimônio histórico de Porto Alegre, defendemos a preservação real. A aventura inventariante desrespeita direito de propriedade e invade privacidade”, disse, sendo aplaudido de pé por parte do público presente.

Fernando Molinos representou os moradores contrários ao inventário | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Fernando Molinos representou os moradores contrários ao inventário | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Nas horas que se seguiram, a maioria das pessoas que pediu a palavra falou contra a proposta. Dentre elas, Daniel Michelin, que afirmou defender alguns construtores e afirmou que nos bairros Humaitá e Navegantes já foi feito inventário e regiões estão “em decadência”. A moradora Freida Gianecchini, que contou ser proprietária de uma casa inventariada, disse que a ferramenta que deve ser utilizada para se referir ao potencial construtivo é o Plano Diretor e questionou por que sua casa foi incluída no inventário enquanto outras com o mesmo estilo não foram. “Pessoas que têm suas casas incluídas não podem fazer o que seus vizinhos já fizeram, vendendo terrenos e tirando toda privacidade e o sol das pessoas que estão sendo inventariadas”, reclamou.

O morador Evandro Kruel defendeu que se tenha compensação financeira para os proprietários e disse aos servidores da Prefeitura que eles são “funcionários da população, que paga seus salários”. Ele acusou o Epahc de trabalhar a serviço das construtoras, alegando que seria do interesse destas que, com a impossibilidade de se construir em determinados bairros, sejam valorizados terrenos em áreas periféricas.

Argumentos favoráveis ao inventário

Durante a audiência, parte dos pronunciamentos foi feita por moradores favoráveis ao inventário, especialmente ligados ao movimento Proteja Petrópolis. O poeta Luiz Coronel foi o primeiro a se manifestar, lembrando que em muitos lugares da Europa há limitação de andares para se preservar cidades e que “o reino dos espigões é o reino das sombras e o sol é patrimônio coletivo. Estamos demolindo desnecessariamente nossos bairros residenciais”.

Audiência durou cerca de quatro horas nesta quarta-feira | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Audiência durou cerca de quatro horas nesta quarta-feira | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Milena Vieira de Oliveira leu o início de um documento que entregou à equipe da Prefeitura, com uma compilação de postagens no blog do Proteja Petrópolis. Ela afirmou que a organização já reuniu uma petição online em favor da preservação do bairro e conta com apoio de proprietários de bens inventariados. “Quero dedicar à Epahc esse material, como homenagem dos esforços a esse grupo de técnicos que mediante a todos os desafios impostos pelos inimigos da preservação”, disse.

Duas pessoas se manifestaram argumentando a inconstitucionalidade da lei aprovada pela Câmara. O ambientalista Edoíno de Mattos lembrou que “na Constituição diz que bens e imóveis são de responsabilidade do Executivo, então o Legislativo está ultrapassando suas funções”. A Prefeitura não entrou com recursos jurídicos referentes à aprovação da lei.

Marco Aurélio Vargas, do Proteja, afirmou que considera o bairro privilegiado por sua “fisionomia característica”. “Acreditamos que com o inventário haverá segurança de investir nas casas. Almejamos que novo inventário venha qualificado e aprimorado frente ao anterior. Poder público e proprietários são responsáveis pelas edificações e devem trabalhar juntos”, colocou.

Componentes da mesa

O vereador Idenir Cecchim (PMDB) esteve presente e defendeu seu projeto, afirmando que o Executivo irá cumpri-la e que não se pode substituir a Câmara “por três ou quatro técnicos”, mas garantiu que especialistas serão ouvidos.

Procuradora disse não concordar com a lei, mas defendeu seu cumprimento| Foto: Ramiro Furquim/Sul21
A procuradora Andrea rebateu a algumas críticas e protagonizou um bate-boca com um morador que não aceitou suas respostas. “Foi levantado uma suspeita de que seríamos eventualmente financiados por empresas privadas. Eu tenho 20 anos de procuradoria, sou servidora concursada”, informou, mostrando-se ofendida com as acusações de Evandro Kruel. “Pessoalmente não concordo com a lei do inventário. Mas por me submeter ao princípio da legalidade respeito a lei, e vou cumpri-la mesmo que pessoalmente não concorde com ela. Não é uma questão ideológica, é técnica”,afirmou.

Custódio também afirmou ter sido ofendido de forma irresponsável e esclareceu alguns pontos. “O inventário foi inventado pelo Plano Diretor, o Plano Diretor definiu o inventário. A lei de 2008 apenas redigiu aquilo que o plano diretor de 1999 definiu”, relatou. Ele afirmou que o Epahc trabalha em cima da “base legal existente” e que “não inventou” os critérios para inclusão no inventário.

Encaminhamentos

O vice-prefeito explicou que a parte técnica do inventário está finalizada e, agora, os atingidos pelo inventário têm 60 dias para pedir esclarecimentos. Então, a lista será entregue à Câmara, que realizará audiências públicas e fará debate sobre o tema e possivelmente modificará à listagem. Já modificada, a lista irá ao Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural (Compahc), que aprovará ou não e fará novas modificações e a enviará ao prefeito, que tem a palavra final.

“Com essa audiência, o Custódio e os técnicos farão uma revisão final da lista. E me comprometo a desbloquear o restante do bairro após a elaboração dessa lista provisória”, afirmou. O representante da Amai, Fernando Molino, pediu para que sejam concedidos 30 dias para se realizar um diálogo com a equipe do Epahc e se encontrar uma solução conjunta. Melo concordou, mas lembrou que isso levaria à maior demora no desbloqueio do bairro. “Acho que o Custódio e sua equipe e a Andréa podem abrir uma agenda. Achamos que proteção cultural é importante para a vida da cidade”, reiterou.

SUL 21

_________________________

IMPORTANTE: 

TEXTO DA ARQUITETA ANGÉLICA CRUSIUS, REPRESENTANTE DIRETORIA AMAI, Associação de Moradores do Bairro Petrópolis Atingidos pelo Inventariamento da Prefeitura.

Publicado hoje, 12 de setembro de 2014, no Blog da AMAI

Alguns questionamentos levantados na Audiência Pública de 10/09/2014

Arquiteta Angélica Crusius expõe seus questionamentos à prefeitura. Foto: Andréa Prestes

Arquiteta Angélica Crusius expõe seus questionamentos à prefeitura. Foto: Andréa Prestes

Tanto se fala em preservação do patrimônio histórico, a sua importância pra cidade, pra memória de um povo, mas com tantas falas belas e ideológicas, uma dúvida ainda persiste: estamos mesmo falando a mesma língua? Ou melhor, estamos usando os meios adequados para os fins corretos? Queremos mesmo a preservação do nosso patrimônio, ou há por trás uma vontade escondida e não confessada? Quero relembrar o motivo da anulação do inventário anterior: falta de quórum no COMPAHC conforme consta no Diário Oficial de 16 de maio de 2014, e questionar se a finalidade do inventário anterior estava correta. O antigo inventário tinha única e exclusivamente o objetivo da preservação, ou ocultava por trás de seu discurso a contenção imobiliária? Porque o desvio de finalidade, que antes da anulação era sim comentado, atualmente não é mais citado? Pergunto se o novo inventário já não nasceu, uma vez que já está pronto, com o mesmo vício do anterior. Vício, este, que caiu no esquecimento da prefeitura, mas não dos moradores. Haverá novamente a dificuldade em assumir a responsabilidade de usar meios errados para cumprir uma finalidade oculta?

Dando continuidade a essa lógica de pensamento, e sabendo que temos um plano diretor que não é dos melhores, já que quase tudo é aprovado com EVU hoje em dia, porque o avanço imobiliário não está sendo tratado no âmbito do plano diretor? Porque não assumir o que se quer e tratar dos problemas dentro das respectivas esferas de atuação? Acredito que a transparência nas responsabilidades está deixando muito a desejar.

Em diversos momentos foi comentado a respeito da lei 601/2008, que trata sobre os bens imóveis do município, ter problemas. Não foi algo citado em bastidores, mas em reuniões da AMAI com os responsáveis técnicos e autoridades da prefeitura. Pergunto, se esta lei tem problemas, e de fato os tem, porque um novo inventário é feito com base em uma lei com problemas que podem sim ser sanados? Não seria cometer um erro em cima de outro? Porque a lei não é reestudada antes de começar o inventário novo? Medo da pressão imobiliária? Sinceramente, vejo uma falta de coerência no processo em que a população não é ouvida, porque escutar a população depois que algo está pronto, como é o nosso caso, já que a lista de imóveis inventariados está pronta, não é dialogar. Acredito que a movimentação no bairro Petrópolis contra o inventário aconteceu justamente pela fase em que estamos: a população não aguenta mais ver processos errados acontecendo e não sendo reestruturados da maneira correta.

Outro ponto que quero salientar dentro da linha da falta de diálogo, que foi claramente constatada ao longo do processo, é a não participação da população na escolha do que ela considera patrimônio. Se o patrimônio é da cidade, porque a população não tem seu direito de decidir, e a decisão fica sempre na mão de técnicos, que conforme as próprias autoridades já disseram que sim, cometem erros? No dia 18 de outubro de 2013 foi entregue ao prefeito o Plano Municipal de Cultura, que cita nos itens:

“3.3.9 Promover a complementação do inventário do patrimônio cultural material e imaterial, de forma democrática, promovendo a participação na identificação das edificações a proteger.” (PLANO MUNICIPAL DE CULTURA PORTO ALEGRE, 2013, p.92)

“3.3.16 Promover a complementação do inventário do patrimônio cultural material e imaterial, de forma democrática, otimizando e oportunizando a participação social  na identificação das edificações a proteger.” (PLANO MUNICIPAL DE CULTURA PORTO ALEGRE, 2013, p.92).

Eu pergunto: Porque o inventário de Petrópolis está acontecendo antes da vigência deste plano municipal de cultura, plano que inclui a população no processo democrático de escolha? Ou será que o plano será alterado e a parte democrática de escolha será retirada? Porto Alegre se orgulha tanto do Orçamento Participativo como ferramenta de Gestão Democrática, que deveria incluir mais ferramentas inclusivas, e não exclusivas.

Outro ponto a ser levantado: qual instrumento previsto para a checagem do que já foi inventariado? Quando se fala em gestão da qualidade, há uma ferramenta muito simples utilizada na administração chamada PDCA (planejar, fazer, checar e agir). O checar é olhar para trás e ver o que deu certo e o que não deu. A prefeitura já fez uma análise se o modo como ela está fazendo os inventários está correto? Se a lei está realmente alcançando os fins? Isto seria um bom parâmetro para mostrar a necessidade de reestuda-la. Vamos olhar para o bairro Navegantes, com inúmeros imóveis inventariados, zona de insegurança, tráfico de drogas e prostituição. Há um tempo atrás a prefeitura lançou um plano de revitalização do Quarto Distrito. Quer dizer que é preciso primeiro deixar abandonado e depois revitalizar? Claro que há outros fatores que contribuem para a decadência da região, mas com certeza o inventário da região teve importante papel. A pergunta que fica é: a prefeitura pensa em melhoria contínua ou somente em fazer inventários da mesma maneira só pra seguir uma legislação?

Soma-se a questão da insegurança, a alteração de uso que querem fazer nas áreas chamadas de AICs (Áreas de Interesse Cultural) e AACs (Áreas de Ambiência Cultural), pois querem colocar na região o uso predominantemente residencial em troca do misto. Quero lembrar que um dos grandes problemas das cidades modernistas era a segregação de atividades e que deixar áreas com uso predominantemente residencial  piora a situação de segurança, aumenta o número de condomínios fechados por diminuir o fluxo de pedestres durante o dia. Se trata de uma análise bem clara exposta no livro “Morte e Vida de Grandes Cidades”, da tão famosa urbanista Jane Jacobs. Recomendo a leitura para uma análise mais profunda do processo que leva à morte das cidades. Por falar em alteração de áreas especiais, a criação da AIC Petrópolis e da AAC Guararapes, nas quais foram baseadas o novo inventário, já estão vigentes ou novo inventário está baseado em áreas ainda em estudo? Não seria mais uma vez processos errados? Aprovar algo em cima de outro que não está aprovado, e por isso ainda pode ser discutido?

Por fim pergunto: diante do exposto, é a maneira atual prevista na legislação é a correta? É assim que se faz cidade? Ou será que o diálogo, não somente em audiências públicas, mas em um processo democrático e que precisa ser revisado, não precisa ser retomado, ou melhor, priorizado? Chega de fazer processos errados.

Porto Alegre, 10 de setembro de 2014.

Angelica Diemer Crusius
Arquiteta e Urbanista

CAU A73007-6



Categorias:Patrimônio Cultural, Patrimônio Histórico

Tags:, , , , ,

16 respostas

  1. As contradições deste grupo não são apenas um privilégio da arquiteta Angélica Crucius.

    O presidente da associação invoca a função social da propriedade, demais princípios e artigos que defendem a preservação cultural para tentar justificar exatamente o contrário disto.

    Dizem que a questão do bairro deve ser regulada pelo Plano Diretor; mas ignoram o art. 14, § único, I e II do próprio Plano de Diretor que prevê expressamente o inventário, nas modalidades estruturação e compatibilização; e forçam um inexistente desvio de finalidade.

    A advogada do grupo confunde competência legislativa concorrente e supletiva com competência material exclusiva – para justificar a regularidade de LC flagrantemente inconstitucional do ver. cecchin.

    Alegam que democrático e correto é os moradores e vereadores e construção civil (isto não falam mas se extrai com facilidade dos interesses velados defendidos) escolherem diretamente as casas a se preservar – o que nos retroage a um regime da Grécia Antiga.

    Em síntese, algumas das inúmeras impropriedades e contradições deste grupo.

    Contradições e impropriedades das quais fica a dúvida: ignorância ou malícia ou ambas?

    Curtir

  2. A Jane Jacobs escreve Morte e Vida de Grandes Cidades num contexto histórico onde o urbanismo se resumia a derrubar grandes áreas das cidades e reconstruir do zero,como no conjunto habitacional Pruitt-Igoe, vocês podem ler a respeito aqui:

    http://en.wikipedia.org/wiki/Pruitt%E2%80%93Igoe

    Esse conjunto habitacional devastou parte da cidade de St. Louis, toda sua ambiência, paisagem, e história, e no lugar disso construiu uma série de torres verticais de uso exclusivo residencial. Passado 20 anos teve que ser implodido porque se tornou uma imensa favela vertical

    Basicamente, ela como jornalista, escreveu defendendo a manutenção da cidade com uso misto, e alta densidade, e dedica vários capítulos do seu “Morte e Vida” para defender uma cidade mais humana, protegida do mercado imobiliário, da especulação, e com a manutenção do patrimônio histórico.

    É um livro bem básico na verdade, não tem nenhum estudo de caso, apenas idéias, nenhuma pesquisa, e não comprova nada, só chama as pessoas para uma reflexão, mas não é científico.

    E aí você ve pessoas como Angélica Crusius e Antony Ling usando a pobre da Jane Jacobs como referencia, retirando algumas frases dela do contexto, e utilizando como mantras libertários.

    Na verdade a Jane não acreditava no determinismo arquitetônico, não acreditava que um arquiteto poderia prever, executar, e controlar uma cidade, mas só isso, não existe nada nos textos dela colabore com idéias neoliberais de como uma cidade deve se organizar.

    Curtir

  3. Agora, a pessoa citada na matéria parece jamais ter lido o livro da Jane Jacobs, ou então saberia que ela versa sobre a necessidade da manutenção de edificações antigas simples e completamente banais, como forma de manutenção da diversidade urbana.
    Jane Jacobs é uma leitura excelente pra entender POR QUÊ preservar todo o patrimônio cultural do bairro Petrópolis, e não o contrário.

    Curtir

  4. Preguiça dessa “polêmica” toda. A incompetência da prefeitura e da EPAHC não justifica uma reação descabida e mal informada como essas todas.
    Participação num inventário, como versam as premissas do Plano de Cultura que ajudamos a redigir participando da Conferência ano passado; não significa colocar as casas em votação (nem de moradores, nem de vereadores) como esse grupo parece querer.

    É uma coisa complicada quando os dois lados que se digladiam estão equivocados. Esse caso do Petrópolis entra pros anais da defesa do patrimônio cultural brasileiro como um dos episódios mais esquizofrênicos.

    Curtir

    • Um estacionamento custa 10 reais! Os caras não tem vergonha de estacionar em cima da calçada e ciclovia?

      Curtir

  5. Jane Jacobs não era urbanista! Era jornalista

    Curtir

  6. Para que discutir esse inventário ainda? Já passou a lei, agora as construtoras, digo, os vereadores que decidem isso. hehehe

    Curtir

    • Talvez por que o inventário é esdrúxulo…

      A única motivação desse inventário é ir contra as construtoras (e o capitalismo). Ou será que é coincidência que isso ocorre no bairro mais valorizado da cidade (faz tempo ultrapassou moinhos e Montserrat, estando junto com bela vista)?

      Isso é sacanagem com os donos das casas, com quem quer comprar um imóvel (pois com menor oferta ficarão mais caros) e não beneficia a cidade nenhum pouco pois a quase totalidade dos imóveis inventariados não tem relevância histórica nenhuma.

      Curtir

      • Eu nem quis entrar nesse mérito, mas pela nova lei não devia ser aprovado pelos vereadores antes?

        Curtir

      • Vou explicar o meu caso: a casa da minha mãe é de 1951. Um estilo arquitetônico comum na época. Existem centenas de casas semelhantes em Porto Alegre, espalhadas por vários bairros, principalmente no Santana, Petrópolis e Vila Assunção. Um estilo totalmente comercial, sem detalhes que configurariam um valor histórico para a casa.
        Pois bem: foi construído pelo meu pai, ao casar com minha mãe. Fruto das suas economias e uma parte de financiamento. É um patrimônio nosso. Somos 5 irmãos, já proprietários da casa. O valor dela é de aproximadamente 800 mil reais. É o único patrimônio significativo da minha família, salvo um outro pequeno apartamento que temos, de 2 dormitórios.
        Com este esdrúxulo inventário, a casa pode perder até 70% do seu valor. Os 5 irmãos vão dividir, quando minha mãe não mais estiver por aqui o quê ? 250 mil reais ? Não se pode mexer no patrimônio de uma família assim.
        Se fosse uma casa histórica como os palácios do centro por exemplo, tudo bem. mas é uma casa simples, grande mas simples. Não tem cabimento nenhum isso.
        Vou lutar sempre, toda a minha vida pra que não percamos isto. E ponto final.

        Curtir

      • Ignorando as teorias conspiratórias de sempre, onde viste que o Petrópolis é o mais caro? Procurei e só achei esse artigo classificando os bairros. Bota ele em sexto.

        http://blog.imobiliariaducati.com.br/index.php/pesquisa-revela-os-bairros-mais-valorizados-de-porto-alegre/

        Curtir

    • A questão não é vender pra construtoras. Felipe, deixa de ser generalista. É questão de perdermos o nosso patrimônio.
      Quem vai querer comprar uma casa antiga, desvalorizada ???? Nem valor histórico tem.
      E outra: dezenas de casas com valor cultural e histórico não foram inventariadas. Tem um conhecido comunicador da RBS que tem sua casa no bairro, construída em 1939, que não foi inventariada. Mas como assim? O objetivo do inventário não é preservar o patrimônio histórico e cultural do bairro?
      Na rua Saicã, próxima da minha casa, existem pelo menos umas 10 casas tão antigas como a minha, que não entraram no inventário. Por que ?
      Existem centenas de casas que poderiam ter entrado e não entraram? Que critérios eles usaram?
      Quer dizer que é dois pesos e duas medidas ?
      Então usa um critério de data, todas construídas entre 1935 e 1960 são inventariadas. Não é justo para os que tiveram suas casas inventariadas, vão perder o valor dos seus imóveis e não poderão dispor do seu patrimônio pelo valor que os demais que não tiveram as suas casas inventariadas. Nossa casa fica numa esquina. Várias casas ao lado dela não foram inventariadas. Meus vizinhos poderão vender pra construtoras, edificar prédios de 16 andares ao lado da minha e eu não. Por que ? Vocês não percebem o erro disso tudo ? Não, não percebem, por que não pegou no calo (patrimônio) de vocês, só por isso.
      Pensem bem antes de escrever besteiras sobre coisas que vocês nem imaginam que acontece com as coisas que a prefeitura faz.

      Esta casa é uma das mais antigas do Bairro e não está no inventário feito em janeiro. O seu proprietário pode demoli-la a hora que ele quiser….

      Carlos Carvalho

      Curtir

      • Mais uma vez, não entro no mérito das casas inventariadas pois não sou especialista. Meu ponto é que além de não serem especialistas os vereadores são fnanciados por empresas que tem fortes interesses no assunto. Talvez do jeito que estava era ruim, mas a solução mão me parece melhor.

        Considero ingenuidade pensar que as empresas financiamento campanhas sem esperar favores em troca.

        Curtir

      • O Lauro Quadros vende sua opinião em troca de arrego$ ….

        Curtir

%d blogueiros gostam disto: