Estátuas asiladas já estão no seu novo local

Depois de receberam ordem de despejo da Praça onde residiam desde 1866 – eram o monumento mais antigo de Porto Alegre – o que restou, esquartejadas e sem mãos, está agora asilado na Hidráulica do Dmae no Moinhos, onde receberam uma merecida iluminação.

Poucas pessoas sabem que as estátuas, do escultor italiano Giuseppe Obino, faziam parte de uma elegante fonte (abaixo), e foram alocadas inicialmente à Praça da Matriz, diante do Theatro São Pedro, no lugar onde está fixado o monumento a Júlio de Castilhos.

Por volta de 1910, quando decidiram que laurear Júlio de Castilhos era mais importante que homenagear as águas que abastecem a região, jogaram fora as estátuas para dar lugar ao líder positivista do governo de plantão. Foram guardadas em depósitos da prefeitura até 1923 quando foram vendidas. Por pressão popular e da imprensa, conseguiram que o município resgatasse o estuário todo. Foram novamente compradas pela prefeitura com a promessa de sua reutilização em logradouro público.

Entretanto as peças foram mais uma vez vendidas. Passaram por diversas mãos até retornar à propriedade da prefeitura, por volta de 1935, quando foram instaladas na Praça Dom Sebastião, já sem a figura do Guaíba no conjunto histórico. Atingidas por agressiva pichação e violento vandalismo, com braços e mãos arrancadas, foram removidas, em 1983, para um abrigo municipal onde permaneceram confinadas até 1996 – quando voltaram ao mesmo logradouro público, mas já sem a escultura principal.

Incompleto, portanto, e relegado agora a um local de muito menos visitação, visibilidade e contato com a população, o conjunto serve agora como símbolo da desconsideração com os monumentos da cidade e da depredação da nossa própria memória.

Uma restauração minuciosa e profissional das estátuas e novamente as águas e fontes borbulhando ao redor na Praça São Sebastião, era o que merecia esse nosso lindo e mais antigo monumento.

créditos: primeira foto: Zero Hora/ texto:  Mário Lopes (adaptado e condensado) e M. Bumbel

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Categorias:Arquitetura | Urbanismo

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9 respostas

  1. antes asilado e inteiro do que público e a merce da população que a destrói…. não é possível ter monumentos de valor sentimental ou monetário em lugares públicos numa população burra ou ignorante em diversos aspectos… a destruição do patrimônio público não é culpa da falta de segurança, e sim de questões bem maiores que envolve evolução do carácter das pessoas do local onde moram…

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  2. O chafariz original ja perdido era de 1865/6 mas as estátuas são posteriores. Tem fontes que colocam a estátua do conde de Porto Alegre como o monumento mais antigo.

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  3. Acho que estão melhor na hidráulica. Infelizmente em Porto Alegre tem que ser assim, pois a sociedade é muito retrógrada e caminha a passos lentos na valorização do Patrimônio Cultural, exemplos recentes disso são a alocação deste valoroso acervo em local protegido de vandalismo, apesar da menor socialização (o que realmente é lamentável) e a preservação do patrimônio do bairro Petrópolis que está exigindo esforços da comunidade e inclusive intervenção do Ministério Público para sua concretização.

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  4. muito bonito

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  5. Aparentemente ficou legal, tem que passar lá e ver.

    Pena a perda da estátua principal… até onde sei ninguém sabe onde foi parar.

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  6. Pior que gostei do novo lugar, e pelo visto, com uma iluminação.

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