Presídio Central de Porto Alegre começa a ser demolido nesta terça-feira

Débora Fogliatto

Pavilhão C, que já foi um dos mais sangrentos do Central, já está esvaziado | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Pavilhão C, que já foi um dos mais sangrentos do Central, já está esvaziado | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

O maior presídio do Rio Grande do Sul e considerado um dos piores do Brasil, o Presídio Central de Porto Alegre (PCPA), começa a ser demolido nesta terça-feira (14), com a destruição do Pavilhão C. A medida foi anunciada durante visita guiada e entrevista coletiva nesta segunda-feira (13), com a participação do governador Tarso Genro (PT), da secretária nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Regina Miki, do secretário de Segurança Pública Airton Michels, do diretor-geral do Departamento Penitenciário Nacional, Renato Campos Pinto de Vitto e do presidente do Tribunal de Justiça José Aquino Flores de Camargo.

Na ocasião, o governador afirmou que se trata de um “momento histórico para o Rio Grande do Sul”. O Pavilhão C, que foi considerado o mais violento do Presídio, abrigava 363 detentos que já foram transferidos. O esvaziamento do PCPA foi iniciado em junho deste ano e, desde então, 645 presos foram para Montenegro e 202 para Charqueadas. O Central abriga, neste momento, 3.735 presos, embora tenha 2.069 vagas. Em 2010, chegou a abrigar 5,2 mil detentos, mais do dobro de sua capacidade.

Tarso lembrou que a situação do PCPA é crítica há mais de 40 anos e garantiu que foi “uma questão de princípio para o governo fazer a desativação do presídio”, que considerou uma “masmorra indecente”. Ele afirmou que não será possível desativar totalmente o local até o final de 2014, mas garantiu que haverá no máximo 500 apenados lá até então. O próximo pavilhão previsto para ser demolido é o D, ainda sem data marcada, e também serão destruídos o A, B, E e F.

O governador defendeu a necessidade de se ter uma estrutura prisional “decente  para abrigar e recuperar pessoas”. “Esse é o objetivo do Ministério da Justiça, do governo federal, e nós devíamos isso à sociedade gaúcha e aos apenados. Pessoas que têm ajustes de conta a fazer com a lei devem ser tratadas com decência e respeito para que possam ser ressocializadas”, afirmou, completando que se trata de uma “nova época no sistema penal do RS”.

Sobre a escolha do Pavilhão C, Tarso explicou que se deve ao fato de estar mais deteriorado, classificando uma “conveniência técnica”, e disse que ainda não há indicativo sobre o que será feito com a área. “O ritmo de demolição e o destino final vamos discutir com a prefeitura e a comunidade. Mas essa estrutura medieval tem que desaparecer”, assegurou. A deterioração do pavilhão era aparente pelas paredes mal conservadas e esburacadas, assim como a fiação elétrica, pendurada nos tetos.

A secretária nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Regina Miki, afirmou que a destruição do Central “é um exemplo para o país”, por se tratar de algo que representa a transição de “um passado terrível para um horizonte diferente, em que a pena cumpra seu papel de ressocialização e dê oportunidade para essas pessoas se integrarem à sociedade pelas portas da frente e não dos fundos”. Ela afirmou que é necessário o cumprimento da pena, mas que isso precisa ser feito com “respeito à dignidade humana”.

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17 respostas

  1. Belo timing. Tomar essa decisão a uma semana e pouco das eleições. Grande jogada, Tarso.

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  2. Finalmente! Tomara que vire um parque.

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    • Parque de drogas tu quer dizer ….

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      • Ah claro Gilerto. Todos sabemos que vamos resolver o problema das drogas eliminando espaços públicos. Faz favor…

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        • Eu não disse isso. Tu ja ta colocando palavras na minha boca. Eu apenas pensei que ao criar outro parque, nessa região, provavelmente será um parque largado como estes parques de periferia. Eu não to tentando esconder a realidade. Vai sim ficar largado e entregue aos marginais e drogaditos.

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      • Ceeeerto… mas e o que tu propõe então? Se não é deixar de fazer o parque deves ter outra proposta, não?

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      • Podiam fazer como fizeram no Carandirú que virou um parque com biblioteca e tal. Podia ter um parque feito via PPP com alguns espaços para se abrir umas lojinhas e cafés pequenos no meio do parque, obrigando a construtora a deixar 80% da área como parque público, e firmando em contrato que as lojinhas manteriam o parque. Mas isso nunca vai acontecer porque a Sofia Cavedon ia perder as cordas vocais de tanto gritar “ESTÃO PRIVATIZANDO ALGO QUE NUNCA EXISITIU E EU NUNCA DEIXAREI EXISTIR”

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      • Honestamente não sou fã de PPP, mas algo nessa linha seria bacana, Guilherme.

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  3. Tem lógica. Cada vez mais bandido, cada vez menos presídio. Tá aí mais uma campanha de inclusão social do Dilmão. Adote um apenado.

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  4. Agora é esperar pela briga pelo terreno, que provavelmente vai ficar largado por bons anos ate criarem algo no lugar.

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