Velocidade de tráfego reduz para 40Km/h…. em Nova York

Visão zero: medida se baseia na premissa de que nenhuma morte no trânsito é aceitável. Foto: Reprodução

Visão zero: medida se baseia na premissa de que nenhuma morte no trânsito é aceitável. Foto: Reprodução

A partir de 7 de novembro, ruas de Nova York (EUA) terão sua velocidade máxima permitida reduzida para 40 km/h (25 mph). O objetivo é aumentar a segurança de pedestres e ciclistas e diminuir o número de mortes causadas por alta velocidade e imprudência. Rodovias e vias arborizadas, conhecidas como parkways, ainda terão limites mais altos, enquanto nas zonas escolares e outros pontos a velocidade será ainda mais baixa.

Essa é mais uma medida da prefeitura nova-iorquina na agenda de segurança no trânsito. Apenas com o uso de câmeras contra motoristas que furam o sinal vermelho, houve redução de 31% em atropelamentos nos cruzamentos com maior ocorrência.

Campanha alerta para a importância da redução da velocidade. Foto: Reprodução
Limites de velocidade mais baixos retardam carros e protegem as pessoas. Em um atropelamento por um automóvel a viajando a 65 km/h (40 mph), uma pessoa tem 70% de chance de morrer. Aos 50 km/h (30 mph), a pessoa tem 80% de chance de sobreviver. Limites de velocidade não são feitos para render multas.

Campanha
Está em vigor nas redes sociais a campanha para alertar a população sobre a importância da redução da velocidade. “Esta é uma das mudanças mais radicais que podemos fazer para proteger as famílias e bairros, mas tudo se resume às escolhas individuais e às decisões que cada um de nós faz. Estaremos nas ruas e nas ondas do rádio para garantir que os nova-iorquinos entendam como essa mudança é vital”, disse o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, em comunicado.

A campanha contará com uma fotografia de um nova-iorquino, juntamente com uma legenda sobre o porquê ele gostaria que condutores diminuíssem a velocidade em Nova York. As imagens incluem famílias afetadas por incidentes de trânsito, novos motoristas, cidadãos engajados​​, advogados e funcionários públicos. A primeira família da campanha “25 pessoas de 25 mph” são parentes de Sammy Cohen Eckstein, um garoto de 12 anos morto por uma van no ano passado, em Prospect Park West.

A cada ano, 250 pessoas em Nova York são mortas em “acidentes” veiculares, e outras quatro mil ficam gravemente feridas. Os pedestres representam 56% de todas as mortes no trânsito de Nova York. Crianças e idosos são especialmente vulneráveis. Pessoas com mais de 65 anos constituem 12% da população da cidade, mas representam 33% das mortes de pedestres.

Ser atingido por um veículo é a principal causa de morte relacionada a lesões para crianças menores de 14 anos. A principal causa para essas mortes (70%) é a condução perigosa de veículos.

Visão Zero

Esse tipo de mudança é feito com base no paradigma de transporte do Visão Zero, programa implementado na Suécia em 1997 e que redesenhou o sistema de transportes priorizando a segurança. A ideia que norteia todos os princípios é que “nenhuma morte é aceitável”.

O resultado é que incidentes de trânsito envolvendo pedestres no país caíram 50% nos últimos cinco anos. Os pilares são mudanças na infraestrutura viária, tecnologia de prevenção de acidentes nos veículos, educação e fiscalização. Entre os elementos de segurança implantados ou a serem realizados estão:

Novo desenho de sinalização nas vias – esclarecer a quem se destinam os espaços nas ruas através de melhores marcas;

Adicionar faixas de pedestres – esclarecer onde os pedestres atravessam por meio de sinalização;

Melhorar a visibilidade nos cruzamentos – remover barreiras visuais tais como áreas de estacionamento;

Ampliar faixa de estacionamento – manter carros e caminhões de entrega fora das faixas de rodagem parados em fila dupla;

Adicionar ciclovias e ciclofaixas – mostrar claramente a preferência do ciclista;

Criar espaços de conversão à esquerda – aumenta a segurança e evita que o trânsito pare;

Criar sinalização específica de conversão à esquerda – separar do tráfego no sentido contrário e pedestres;

Eliminar conversões inseguras – intersecções com melhores condições para a visibilidade e tráfego;

Sinalização para pedestres – dar a quem está a pé mais tempo de travessia;

Saída antecipada de ônibus – permitir que os coletivos saiam do semáforo antes dos carros;

Instalação de redutores de velocidade – em ruas residenciais, colocar lombadas para lembrar os motoristas de trafegar em baixa velocidade;

Semáforos coordenados – o alinhamento vai permitir a criação de “ondas verdes”, mantendo os motoristas viajando juntos em uma velocidade consistente;

Redução do excesso de velocidade noturna com tempo de sinal – tirar a oportunidade de desenvolver grande velocidade fora do horário do rush;

Aumentar o nível de iluminação pública – melhorar a visibilidade à noite em áreas com alto índice de colisões;

Ilhas de segurança de pedestres – encurtar distância de cruzamentos e afunilar pistas para motoristas;

Estender meio-fio para trazer pedestres para a linha de visão dos motoristas – diminuir distâncias de travessia;

Limites de velocidade mais baixos – enviar mensagem de que os motoristas estão entrando em zonas escolares ou outras áreas com tráfego intenso de pedestres;

Melhorias de acessibilidade – sinais de pedestres com acessibilidade e rebaixamentos de guias.

Vá de Bike



Categorias:Outros assuntos

15 respostas

  1. Seria muito bom que essa medida também fosse aplicada aqui em Porto Alegre, incluindo todas as cidades brasileiras. Mas que haja fiscalização e as multas por excesso sejam bem pesadas, tendo em vista que nossos motoristas são rebeldes em sua maioria. Os 40km/h está na medida certa para o perímetro urbano.

    Curtir

  2. Vale lembrar que obviamente a medida não se aplica a vias expressas.

    Curtir

  3. Mas então NY está atrasada. Aqui em Porto Alegre, em zonas escolares, a velocidade máxima permitida é de 30 km/h.

    E quanto ao transporte público Nova Iorquino, ele se resume ao metrô, que é excelente. Quanto aos ônibus, o de Porto Alegre é muito melhor, quanto à abrangência e assiduidade.

    Curtir

    • Exatamento o que ia falar… Aqui a velocidade em ruas eh 30, somente avenidas eh 60…. Porem as fiscalizacoes sao feitas apenas nas avenidas…

      Curtir

    • Não, José. NYC tem uma malha de ônibus complementar ao metrô de ótima qualidade. Boa parte da cidade não é acessivel pelo metro (boa parte do Queens, Bronx e adjacências principalmente). A cidade possui uma da frota 100% acessível e com ar condicionado e quase nunca está abarrotada, as linhas seguem o padrão matricial de desenho da cidade o que a torna muito fácil de usar. A cidade possui um BRT na Avenida 2 com pagamento antecipado em tótens, e os ônibus normais não possuem cobradores, pois aceitam o MetroCard da MTA ou dinheiro, o que o torna mais eficiente financeiramente falando. Além dos ônibus urbanos, uma frota de ônibus executivos cruza a cidade ligando os bairros às cidades adjacentes como Yonkers, localidades em Long Island e New Jersey. Sem sombra de dúvidas o sistema de ônibus de NYC é infinitamente superior à esse arremedo de linhas que não foram projetadas, mas amontoadas que convergem para o centro da cidade sem razão alguma para isso. Então, não, José, não.

      Curtir

    • 30km/h? Podia jurar que é 40km/h no Leonadro da Vinci Beta ou naquele na frente do Beira-Rio (esqueci o nome).

      O artigo diz que zonas escolares vão ter velocidades mais baixas. O limite de 40km/h é a regra, o resto é exceção. Só não sei dizer se a cidade tem muitas estradas e “parkways”… não sei dizer se dá para comparar com nossas avenidas.

      Curtir

  4. “nenhuma morte é aceitável” na Suécia. Aqui, o que mais leio nos comentários do ClicRBS é “esse mereceu”.

    Curtir

    • NY também adotou a mesma meta: morte zero.

      Fico imaginando se um dia o cappelari não vai aparecer na TV dizendo que faz o mesmo, ao encher a cidade de bretes.

      Curtir

  5. Enquanto isso, em Porto Alegre, Brasinha quer aumentar o limite para 80km/h. Somos vanguarda!

    Curtir

  6. E vai invejar por toda a sua vida, já que a não ser que o mundo mude abruptamente, NY vai ter sempre uma malha de transporte público infinitamente superior à de Porto Alegre. Mas não se preocupem, os novaiorquinhos cuidam relativamente bem da sua cidade, nós é que devíamos nos preocupar com a nossa cidade ao invés de nos desculparmos todos os dias que não fazemos nada porquem em NY é assim, ou em Copenhagen é assado.

    Curtir

  7. Deveras interessante, mas ainda invejo NY pelos seus mais de 400 km de metrô que não param de se expandir. E acima de tudo, pelos nova-iorquinos usarem o “Subway” e sentirem certo carinho por ele, sem considerá-lo “transporte de pobre”.

    Curtir

    • Por que precisa de metrô para isso? A média de velocidade aqui já é muito inferior.

      Esse tipo de medida para mim é muito marqueteira. Diminuir o limite máximo é relativamente fácil, uma por que impacta pouco no tempo dos trajetos e outra por que ao menos aqui ninguém respeita mesmo.

      Curtir

      • Ora bolas. Numa cidade com 400km de metro andar de carro é luxo. Aqui em Porto Alegre é necessidade básica pra muita gente que se dispõe a pagar quatro, cinco ou mais anos de suas economias por modelos tão simples a ponto de não serem vendidos nem em outros países da América Latina. Logo, Nova York pode fazer isso e mais, pois a população tem excelentes opções. Aqui não temos opção.

        Curtir

      • Caro Adriano, não estou dizendo para não andar de carro. Estou dizendo que não há necessidade de andar a 60, 70km/h. Notou que estas notícias de redução para 40km/h nunca vem acompanhadas de matérias sobre impacto no trânsito?

        O impacto é mínimo.

        Curtir

%d blogueiros gostam disto: