Poluição de carros mata mais do que acidentes de trânsito

Autos e motos respondem por 90% da poluição em São Paulo. No Rio de Janeiro, a taxa é de 77%. Especialistas sugerem substituir motores a combustão por sistemas elétricos

Pedestres e ciclistas são mais expostos à fumaça de carros créditos: Fotos Públicas / USP Imagens

Pedestres e ciclistas são mais expostos à fumaça de carros
créditos: Fotos Públicas / USP Imagens

Pesquisa realizada pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade revela que a poluição mata mais do que acidentes de trânsito em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em 2011, no Rio, os números chegaram a 4.566 óbitos – 50% a mais do que as ocorrências ao volante, que marcaram 3.044. Já no estado paulista, o resultado é ainda mais alarmante. Houve 15.700 vítimas da atmosfera poluída, contra 7.867 do tráfego; ou seja, mais que o dobro.

O estudo revelou, ainda, que mesmo se a emissão de poluentes reduzisse em 5% ao ano, em 2030 a má qualidade do ar chegará a matar 256 mil paulistanos. Sem projeção para o Rio, estima-se que entre 2006 e 2012, 14 pessoas morreram diariamente.

Segundo o levantamento, quem mais sofre com os efeitos nocivos da má qualidade do ar são as crianças, os idosos e os portadores de doenças respiratórias, como asma, rinite alérgica e bronquite. As mucosas ressecam facilmente, sem falar nos prejuízos à defesa do corpo e à resistência do pulmão. Dessa forma, o organismo está mais propenso a desenvolver infecções virais e bacterianas.

O pneumologista Oliver Nascimento, presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT), explica que todos ficamos muito vulneráveis às substâncias presentes na atmosfera, uma vez que, devido à respiração, os pulmões recebem diretamente os inúmeros poluentes.

“No ar estão, predominantemente, os elementos derivados da queima dos combustíveis fósseis, liberados pelos automóveis, como o monóxido de carbono, o dióxido de enxofre e o dióxido de hidrogênio”, explica Oliver. Em São Paulo, estes fatores são responsáveis por 90% da poluição; no Rio de Janeiro, 77%.

Além de afetar o sistema respiratório, estes gases podem passar pelos alvéolos e alcançar a corrente sanguínea – espalhando-se e afetando todo o organismo. Em longo prazo, além de piorar os quadros já existentes de síndrome pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), por exemplo, pode propiciar alterações cardiovasculares.

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Segundo as informações da Organização Mundial da Saúde estes distúrbios respondem por 80% das mortes provenientes da poluição. A exposição contínua e prolongada também aumenta as chances de câncer – principalmente de pulmão, assim como é fator desencadeante de doenças neurológicas como Parkinson, Mal de Alzheimer e ansiedade, devido a inalação de metais pesados.

Diminuir as emissões

Conforme o Ministério do Meio Ambiente, desde 1990 a emissão de poluentes na atmosfera caiu drasticamente. Entre 1991 e 1992, os automóveis liberavam 13 mil partículas; atualmente são 10 mil. Entretanto, o nível de gás carbônico continua a subir. Por isso, em 2013 o Governo Federal lançou o programa Inovar Auto, condicionando a redução do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) à redução de ejeção da substância.

“O poder público deve se preocupar em melhorar o transporte público. Com isso, teremos diminuição na quantidade de carros particulares circulantes. Claro que o coletivo também deve ser limpo, utilizando biocombustível ou energia elétrica”, conclui dr. Oliver.

O estudo completo pode ser acessado no site do Instituto Saúde e Sustentabilidade

Portal Mobilize Brasil



Categorias:Meio Ambiente

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15 respostas

  1. Há algum tempo atrás (antes de Fogaça / Fortunati) existia um projeto de ônibus movidos a células de hidrogênio, menos poluentes. Quem fim aquilo levou?

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  2. Podiam iniciar uma massiva inspeção veicular nos veículos de carga e eletreficar os corredores de ônibus para operarem como trolleybus

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    • Acho que só existir fiscalização decente em veiculos de transporte publico como lotaçoes, taxis, onibus e vans escolares ja faria MUITA diferença. Afinal, quem nunca viu uma lotação bufando fumaça preta pro alto?

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  3. Provavelmente essa iniciativa reduzirá IPI de carros menos poluidores e manterá um IPI absurdamente alto para trens ou motos elétricas , que existe até em Cuba.

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  4. Acho engraçado que o artigo e os comentários quase só mencionam carros.

    Apesar de eu achar importante buscar otimizações neles (afinal não vão deixar de existir cedo), o mais importante é alternativas mais eficientes. Principalmente transporte de massa.

    Eu poderia reaproveitar a foto do Thierry acima, ou uma da beira rio para mostrar o que estamos fazendo errado 🙂

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    • A impresao que tenho é a mesma sua Felipe.

      Eu que cresci no vale dos sinos vinha muito a poa quando era adolecente ou criança e me surpreendia com a quantidade de arvores na ciadade, e com as obras que eram feitas para corredores de onibus, os “novos” terminais construidos no centro, a polemica 3a perimetral.
      Quase tudo feito pelo transporte publico e com plantio de arvores

      Agora o que vemos é exatamente o contrario, nao se fazem obras massivas para o transporte publico, nao se ve arvores (exeto jerivas) nas novas avenidas.

      Porto alegre esta perdendo suas principais caracteristicas.

      Olha a comparação

      Corredor da érico contruido a decadas:

      Corredor novo da padre cacique
      https://www.google.com.br/maps/@-30.0657025,-51.2340835,3a,75y,271.41h,82.56t/data=!3m4!1e1!3m2!1sjiMDRLnPpJgrkeXMCWOjnw!2e0
      (o link do google nao esta atualizado mas acabei de passar por la e nao mudou praticamente a quantidade de arvores nem gerivas tem)

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  5. Enquanto isso a prefeitura tem preferido abrir novas vias SEM plantiu de arvores

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  6. Nao sei voces mas eu sinto MUITA diferença no cheiro e “peso” do ar quando caminho na av ipiranga em ou joao pessoa ou protasio ( e outras avenidas engarrafadas) no horario de pico em dias de semana.
    Principalmente se comaprado com as proprias em um domingo.
    Creio que nessas situações a concentração de poluentes por cm³ seja muiito maior.

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  7. Fazer o que? Com um governo escroto como o nosso que cobra absurdos em impostos por carros comuns, velhos, beberrões, incentiva uma suposta tecnologia que só faz com que os carros bebam mais (fréxs póuer) cria um incentivo para elétricos e híbridos bizarro e tem o rabo preso com as montadoras que deixa com que elas lucrem absurdos com isso tudo?

    Além é claro de misturar alcool na gasolina, pra fazer com que os carros bebam mais ainda.

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  8. Essa medida que reduz o IPI de carros menos poluentes é estranha…

    Vamos supor que o IPI seja 5% mas para os carros menos poluentes é 3%. Qual sera o Imposto sobre Produtos Industrializados sobre lavadoras de roupa ou maquinas fotográficas que não emite particulado nenhum? 5%?

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  9. Finalmente começamos a falar sobre os particulados. Essa é poeira fina que só é visível quando olhamos a cidade ao longe e é aquela névoa cinza.

    Essas partículas vão se acumulando no organismo até causar doenças, alergias, resfriados…

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