O mundo começa envelhecer

O mundo vive um marco histórico, com a maior população de jovens da história, segundo relatório inédito do Fundo das Nações Unidas para a População, divulgado na manhã desta terça (18). Mas isso significa que, a partir de agora, a população começa a envelhecer. Há leituras positivas sobre isso. Estudo do IPEA, por exemplo, destaca a redução da violência no Brasil, com a taxa de homicídios hoje de 29 casos por 100 mil habitantes, a maioria de jovens, para apenas 4,3 no ano 2050. Para a Organização Mundial da Saúde, o índice considerado não epidêmico seria de 10 mortes para cada 100 mil.

Mais dependentes que ativos

Quando houver mais dependentes da população do que pessoas em idade ativa, outros problemas se multiplicarão – é a consequência do envelhecimento do mundo, noticiado pelo relatório do Fundo das Nações Unidas para a População, na manhã desta terça (18). O Japão está perto desta situação e por isso nunca mais conseguiu realizar o milagre econômico de quando reconstruiu o País saído da guerra. E sua população encolhe ano a ano. Com previsão de diminuir em 40% até 2060. Países da Europa – também com a população envelhecida – apelaram para a imigração. O Brasil está em um momento ideal para o crescimento, semelhante a 58 outros países, com mais pessoas em idade ativa – de 15 a 64 anos – do que dependentes. Mas precisa se preparar para a mudança. E um dos problemas que todos os países têm dificuldade de enfrentar, o Brasil incluído, é adiar a aposentadoria, adequando-a ao aumento da longevidade. A reivindicação hoje é no sentido contrário. E então pode chegar o momento em que não há contribuintes ativos suficientes para sustentar os dependentes.

Affonso Ritter



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9 respostas

  1. Não só ajustar a idade de aposentadoria, mas promover as famílias numerosas. Ainda hoje existe uma campanha na mídia colocando medo na população para uma suposta superpopulação que irá dizimar o planeta. Também o que mais se vê é elogios às mulheres que decidem não ter filhos para crescer na carreira, “igualar-se aos homens”. Não se pode obrigar ninguém a ter mais filhos, mas não precisa colocar como ideal o filho único.

    Se não me engano, o Brasil já está bem abaixo da taxa de reposição, que é de 2,1 filhos por mulher. O Rio Grande do Sul, ainda mais abaixo.

    O Japão vai aguentar por bastante tempo essa situação, pois é um país rico. Mesmo assim, o primeiro ministro japonês um tempo atrás sugeriu que não se investisse em equipamentos que prolonguem a vida de idosos. O que vai acontecer quando nós formos velhos e o Brasil continuar um país pobre?

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  2. A previdência teria que ser revista de uma forma bastante drástica, falo isso porque a algum tempo atrás vi um Globo repórter sobre a previdência que passou dados alarmantes: Naquela época tinha 22 milhões de aposentados no pais e a grana da previdência estava dividida assim. 50% do dinheiro era para 20 milhões de aposentados e os outros 50% era para apenas 2 milhões de aposentados.
    isso mostra que tem muita gente com a aposentadoria bem gorda mamando nas costas de quem contribui.
    O que teria que ser feito é cortar já essas aposentadorias milionárias. Criar um teto.

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    • De todo o dinheiro pago aos aposentados, 60% do dinheiro para para “ricos”.

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    • Pra mim, a Previdência SOCIAL (ou assistencial), a ser paga pelo Estado, deveria ser de 1 salário mínimo, tanto para trabalhadores privados como para servidores públicos. Quem quisesse receber mais do que isso deveria pagar uma Previdência privada (ou mesmo garantida pelo Estado, através dos Bancos públicos – BB e CEF).

      O problema seria como fazer a conversão do regime atual, injusto, desequilibrado e que exige constantes ajustes e aportes do sistema produtivo, para esse novo regime, mais justo e equilibrado, já que o Estado precisaria continuar pagando valores acima do mínimo para aqueles que já estão aposentados.

      De qualquer forma, alguma geração de trabalhadores brasileiros, no futuro, terá de pagar essa conta, sustentando o sistema atual (chamado solidário) ao mesmo tempo que contribui para sua aposentadoria própria.

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      • Exatamente. Se quer mais de um salário, que seja uma previdência no estilo das PGBL/VGBL, ou seja, tu recebe o valor que tu acumulou. Hoje o que acontece é que quem está na ativa paga por quem está aposentado.

        Conforme a população for envelhecendo, fica impagável. Quer dizer, dão um jeito de pagar, mas vai ser a custo de alguma outra coisa.

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  3. Em relação a esse fato, uma das minhas maiores críticas à turma mais a esquerda é pois eles são sempre contra a flexibilização da jornada de trabalho.

    Na Alemanha conheci uma senhora que trabalhava duas tardes em um supermercado. Ela não era explorada pelos empresários malvados. Duas tardes era o tempo que ela tinha a se dedicar à economia local e a ajudar seus vizinhos que frequentavam o supermercado recebendo uma complementação de renda e fazendo algo mais do que ficar sentada em casa fazendo tricô.

    Temos que começar a considerar a terceira idade como parte do mercado de trabalho. Isso é vantajoso para o país, para a economia e para eles mesmos. Para uma pessoa que trabalhou a vida inteira, ficar sem fazer nada é um convite à doença.

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    • Concordo e não precisa parar nas senhoras. Muita mulher gostaria de ter um emprego desse tipo logo que são mães, para ficar mais com a criança enquanto é pequena.

      A CLT tem coisas boas, mas ela sofre muito de uma lógica de trabalho industrial, que não se aplica em muitos casos – especialmente serviços. E essa lógica está contaminada no setor sindical.

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      • Só lembrando que a CLT é do ano de 1943. Os tempos eram outros e, evidentemente, essa Lei precisaria de uma atualização voltada para os tempos atuais.

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  4. Temos 15 anos para aproveitar o “bônus demográfico”. Alguém acredita que vamos?

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