Operação gera dúvidas na nova ponte do Guaíba

Empreiteira responsável pela obra é uma das citadas na Lava Jato

Cíntia Marchi

Operação gera dúvidas na nova ponte do Guaíba | Foto: Divulgação / CP

Operação gera dúvidas na nova ponte do Guaíba | Foto: Divulgação / CP

A Operação Lava Jato que nesta quarta-feira já mostrou impactos no Rio Grande do Sul, com a previsão da demissão de 1 mil funcionários da Iesa, em Charqueadas, suscita dúvidas em relação a obras da União no Estado. As empreiteiras investigadas pela Polícia Federal e que têm contratos na ordem de R$ 59 bilhões com a Petrobras são responsáveis por grandes obras de infraestrutura no país. Na Região Metropolitana de Porto Alegre, a Queiroz Galvão, uma das citadas pelo esquema de corrupção, é a responsável pela construção da segunda ponte do Guaíba, com custo estimado em R$ 649,6 milhões. A licitação foi homologada em março e obra iniciada em outubro.

Apesar de a obra da ponte do Guaíba não estar sob investigação na operação Lava Jato, que aponta para corrupções na Petrobras, a continuidade da obra passa a ser um ponto de interrogação. De acordo com a Controladoria-Geral da União (CGU), caso ocorra de a Queiroz Galvão e as demais empreiteiras serem declaradas inidôneas, a ilegalidade valerá, em princípio, para novos contratos. No entanto, o ministro da CGU Jorge Hage explicou na terça-feira, em um evento oficial, que o administrador de um contrato em vigência – neste caso da ponte, o Dnit – poderá avaliar a conveniência da respectiva rescisão. A CGU complementa que será necessário aos órgãos analisar, por exemplo, se o prejuízo de rescindir será, ou não, maior que o prejuízo em se manter o contrato. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) informou que não irá se manifestar sobre o assunto.

A Controladoria-Geral da União (CGU) acrescentou que, no caso de haver sobrepreço ou superfaturamento comprovado, a recomendação da CGU é de que seja feita a imediata repactuação do contrato em vigor. A segunda ponte do Guaíba é alvo de dois processos, ambos em andamento, no Tribunal de Contas da União (TCU). Um dos processos já possui uma deliberação, de maio de 2014. Este acórdão analisou o anteprojeto da obra e não evidenciou danos ao erário, mas recomendou uma série de ajustes ao Dnit. O acórdão do segundo processo ainda não está disponível.

Correio do Povo



Categorias:Nova ponte Guaíba

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26 respostas

  1. Eu muito gostaria de ler a opinião de vocês, caso estivessem por exemplo, na situação em que os mais de 1000 trabalhadores de Charqueadas estão, mercê da nojeira que é o Brasil “democrático de direito”. Aposto que aí viriam aqui escrever e clamar pelo fígado da Dilma e do sistema de governo. Quando se está com o rabinho na reta as coisas são diferentes. Só pra lembrar ao forumistas, eu estou numa situação ultraconfortável, pois sou funcionário público concursado, com estabilidade de emprego e o povo me sustenta….entretanto, tenho autocrítica e empatia. Empatia é a capacidade de colocar-se no lugar alheio e entender a situação de outrem. Não sou cínico, tampouco corporativista. O que vale pra mim, deve valer para todos e vice-versa.

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  2. Você, inexplicavelmente, omite o fato de que existem democracias e democracias. A nossa, como todos estamos vendo e sentindo na pele, é nociva aos interesses da nação.
    Defender a nossa corrupta democracia é em si um ato ad hominem, pois vai à contramão dos interesses sociais. Defender um regime de exceção ou como queiram, uma ditadura militar, nas circunstâncias em que estamos é uma válvula de escape necessária e uma aposta. Vale qualquer coisa para tentar quebrar o eixo estatal malévolo em que o Brasil está inserido. Prefiro jogar todas as fichas num regime alternativo, do que ficar apoiando o nosso status quo moribundo. Outra observação, é que eu jamais disse que a minha opinião é mais válida, relevante ou importante que a opinião alheia. Mais uma interpretação indevida e errônea dos meus interlocutores incapazes ao embate de ideias. O Brasil dos últimos 20 anos é um país crescentemente aniquilado do ponto de vista ético. País permissivo com o crime, com o tráfico de drogas, com a violência e com a corrupção. Há duas alternativas; representantes democraticamente eleitos ou a quebra do paradigma. A primeira alternativa, digo que é ineficaz e surreal, pois os partidos políticos e o sistema são dominados pelos mesmos feudos que fizeram do Brasil o lixo que está. Então prefiro a estratégia arrasa-quarteirão. Colocar todo mundo no olho da rua e começar do zero. Pode ser pior? Pode. Pode ser igual? Pode. Mas também há a possibilidade de ser bom ou menos ruim. Na alternativa democrática essa chance é natimorta.

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  3. Eu entendo que apologia ao crime é defender as roubalheiras do nosso regime de governo “democrático”. Esse, na minha opinião, é o pior dos crimes, pois é anti-patriotismo. E esse negócio de ameaças tolas às pessoas, só porque elas têm opinião dissonante, é a prova de que os que se autodenominam democratas, na verdade não conseguem esconder um absolutismo nato na disputa pela primazia dos argumentos. Contra-argumente Ricardo, em vez de ameaçar. Tua réplica soa como capitulação e intolerância à diversidade de opiniões. Se tens alguma convicção, desenvolva-a, em vez de fazer queixinhas infantis ao moderador.

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    • Que mistureba.

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      • Argumente, Pablo. Estás convidado ao debate também.

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      • Defender a democracia não é defender a roubalheira à democracia. Defender ditadura não é patriotismo, pela simples razão de que o regime ditatorial aniquila o sentimento de patriotismo em detrimento do medo do regime ditatorial. Condenar a apologia á ditadura não é ataque à tua pessoa, a não ser que você considere que uma opinião vale mais que uma pessoa. Considerar opiniões mais importantes que as pessoas é típico de ditadura. Por isso que matam pessoas com opinião contrária.

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  4. Defender golpes contra o regime democrático é fazer apologia ao crime! Alô, moderação do blog!!!

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    • Concordo. Respeito opiniões, mas já passou do limite…
      Uma coisa é alguém criticando o PT e os comunistas, outra é alguém defendendo o fim do estado democrático de direito.

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      • Essa é a minha opinião, é o que eu desejo, é a minha preferência. Se não concordas com a minha opinião, tens todo direito. Se eu não gosto de uma coisa essa é uma questão de foro íntimo. Jamais fiz apologia ao crime ou sequer cometi algum ato ilícito. Que eu saiba, ainda não é proibido expor gostos e preferências. Não faço campanha contra ou a favor de derrubada de governo nem proselitismo público a regime militar. Apenas digo o que gosto e o que não gosto. O que quero e o que não quero. Interpretação de que eu faço apologia ao crime e contravenção incorre em difamação e calúnia, aí sim, imputável perante o Código Civil. Prudência é altamente recomendável.

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  5. A nossa democraciazinha de araque é muito mais deletéria e perniçiosa ao cidadão do que a mais sanguinária das ditaduras. Afinal de contas, pra quê serve uma democracia? Governo do povo e pelo povo? Se é esse o conceito precípuo, então ela não está cumprindo nada dos seus desígnios filosóficos, e se não diz a que veio, não serve. Nossa democracia não passa de uma ferramenta para locupletar os representantes e seus nepotes, enquanto o povo a alimenta nas urnas. Estelionato social descarado.

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  6. Os EUA não têm nem tiveram uma ditadura. Eles SÃO a ditadura do mundo. Eles é que mandam e desmandam no planeta. Eles é quem decidem de modo unilateral o que bem quiserem. Manda quem pode, obedece quem precisa…e tudo isso sob a égide de uma aparência ultra-democrática. Nem Roma foi tão cínica. Nada mais irônico do que um país invasor e interventor por natureza, abrigar em seu território uma entidade regulatória dos conflitos internacionais. O país que mais alardeia os ideais de liberdade e democracia é em essência, o mais ditatorial e opressor da face da Terra. Por trás de epítetos adocicados, existe muito mais absolutismo do que se pensa.

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  7. Voltem generais! Voltem logo e expurguem a gaia rapaziada cheerleader da nossa democracia corrupta.

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  8. “Está na hora dos 5 estrelas entrarem em ação. O Brasil provou que não tem estofo moral para usufruir de democracia.”

    realmente não temos muito estofo moral enquanto país, mas mesmo o pouco que temos já consegue ter como superado esse tipo de pensamento rasteiro

    ainda bem que (ao menos quero eu acreditar) os atuais militares tem muito claro que vivemos um processo lento mas contínuo para chegar a um estado democrático de direito realmente dito e que nem eles pensam dessa forma………… os poucos que pensam diferente que se juntem ao clube dos militares de pijama e vão reconstruir a porquice que fizeram na transamazônica

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    • Se há uma coisa certa no mundo, é que história das repúblicas há ciclos de democracia entremeados por ditaduras. Ainda bem que o nosso atual ciclo de libertinagem está com os dias contados. A democracia brasileira cavou sua própria cova.

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      • Estados Unidos teve ciclo de ditadura? Do jeito que você fala, parece que todos os países do mundo já passaram por uma…

        E se o país está nessa situação atual, é justamente pela herança da tua badalada ditadura militar.

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      • O mesmo que esses dias atacou cada minoria existente em um artigo sobre arquitetura? Não surpreende.

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  9. Acho que muitas pessoas ainda não deram-se conta de que TUDO está contaminado. A corrupção respinga em todos os cantos, todas as áreas, estejam elas no setor público ou privado. Quanto maior a obra, maior o desvio e locupletação de entes públicos e empresas. Em nível municipal é no varejo, em nível federal é no atacado. A perversidade da situação é tal que, além dos superfaturamentos, a grande maioria das obras são executadas do modo mais porco possível. Está na hora dos 5 estrelas entrarem em ação. O Brasil provou que não tem estofo moral para usufruir de democracia.

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    • E milico lá é exemplo de ética?? Pqp, achas que a corrupção no Brasil começou em 1988 ?? Antes eram todos honestos e as obras custavam o mínimo possível…ahamm

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      • Não subestime o interlocutor com assertivas simplistas.
        É evidente que havia muita corrupção em nosso regime militar. ACONTECE que, naquela época a corrupção era uma fração da que vemos hoje. Por essa comparação, a ditadura já serve amplamente à nação. Aliás, falando em corrupção, o mais badalado e reverenciado presidente da república até hoje, o Juscelino, patrocinou uma avalanche de corrupção brutal em seu mandato. A começar pela cagada-mor de criar Brasília. Entretanto, como a nossa mídia chulé adora bajular gente com aura “democrática”, o JK é reverenciado até hoje.

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      • Você quer dizer que o que era divulgado era uma fração de hoje (e tem muita coisa que nem deve ter sido divulgada até os dias atuais).

        Juscelino? Mais badalado por quem?

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    • Ah, claro, tá na hora dos militares voltarem para amordaçar a midia e ninguém ficar sabendo dos desvios. (sarcasmo, óbvio)

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    • O povo brasileiro provou que não tem estofo moral? E as forças armadas brasileiras, que negam que assassinato, estupro e tortura sejam crimes quando são eles que fazem, têm estofo moral? Muito menos. Realmente, quem pede pela intervenção militar é um alienado perigosamente desesperado por ajuda.

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  10. Mais cedo ou mais tarde essa farra de obras superfaturadas iria ser exposta. As sutuosas doações das empreiteiras aos políticos não é de graça.

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    • E tem gente contra a proibição do financiamento empresarial de campanhas porque quem terá que pagar a campanha seremos nós, através dos impostos. Como se do jeito que está já não fôssemos nós que pagamos através dos desvios e sobrepreços.

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      • E tem gente que é a favor do financiamento público de campanha, achando que as empresas pararão de “contribuir” com os partidos. Só o que vão conseguir é acabar com o caixa 1, que é legal e oferece um mínimo de transparência para que o público saiba quais interesses financiam quais campanhas. O caixa 2, que já existe hoje, sairá fortalecido.

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      • Tales, mas pelo menos daí vai ser mais fácil cobrar e punir, caso seja detectado. Hoje as empresas fazem a festa doando legalmente para todos os candidatos, e ninguém pode contestar que não é ético ou coisa do gênero.

        E, na minha opinião, vai ser cada vez mais difícil a prática do caixa 2, com as normas de controles internos cada vez mais rígidas para as instituições financeiras.

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