Prefeitura realizará audiência pública sobre revitalização do Cais Mauá em janeiro de 2015

Samir Oliveira

Área do Cais Mauá foi arrendada durante 20 anos por consórcio privado liderado por empresa espanhola | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Área do Cais Mauá foi arrendada durante 20 anos por consórcio privado liderado por empresa espanhola | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

A prefeitura de Porto Alegre pretende realizar em janeiro de 2015 audiência pública sobre o projeto de revitalização do Cais Mauá. A informação é confirmada pelo Gabinete de Desenvolvimento e Assuntos Especiais, comandado por Edemar Tutikian. Atualmente, o Paço Municipal está analisando o estudo de impacto ambiental e de mobilidade urbana (EIA-RIMA) realizado pelo consórcio Porto Cais Mauá do Brasil, que administra o território.

“Esta na revisão da prefeitura e após será marcada a audiência pública para dar conhecimento dos resultado”, informa o secretário municipal. Ele projeta que para 2015  a concessão da licença ambiental e o início efetivo das obras.

Histórico do projeto

Em junho de 2010, o governo gaúcho lançou o edital para a revitalização do Cais Mauá, tradicional cartão postal da cidade de Porto Alegre. Na ocasião, as autoridades celebravam uma meta: que as obras ficassem prontas até a Copa do Mundo de 2014. Contudo, somente em novembro de 2013 – após uma série de impasses jurídicos a respeito da propriedade da orla e de licenciamentos ambientais – é que foi dado o aval para o início efetivo das obras, sob responsabilidade de um consórcio de empresas batizado de Porto Cais Mauá do Brasil.

O consórcio, que arrendou a área de 2,5 km de extensão por um período de 25 anos, é liderado pela empresa espanhola GSS Holding, que controla 51% das ações, seguida pela NSG Capital, com 39% e pelo Grupo Bettin, com 10%. O período de arrendamento poderá ser renovado por mais 25 anos.

Orçado em R$ 750 milhões, o projeto prevê a reforma de 11 armazéns históricos; a demolição de pelo menos um armazém – o que, de fato, já ocorreu; a transformação do prédio do antigo Frigorífico do Porto, próximo à Rodoviária, em um centro de eventos; a criação de 1.924 vagas de estacionamento no setor das docas, também próximo à Rodoviária, onde serão erguidas três torres de 20 andares e um hotel.

Além disso, o projeto contempla uma série de iniciativas na área mais próxima à Usina do Gasômetro. A começar pela transformação do prédio onde atualmente funciona a Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH) em um “hotel-conceito”, de acordo com a definição do site do consórcio. Na primeira fase das obras, os armazéns A e B e o pórtico central – localizado próximo à Praça da Alfândega – serão convertidos em espaços culturais. E os paralelepípedos que compõem o calçamento próximo ao Guaíba devem ser retirados para instalação de redes elétricas e hidráulicas, sendo, em seguida, recolocados.

Contrato de revitalização do Cais Mauá foi assinado no último ano do governo de Yeda Crusius | Foto Divulgação Palácio Piratini

Contrato de revitalização do Cais Mauá foi assinado no último ano do governo de Yeda Crusius | Foto Divulgação Palácio Piratini

Ao longo dos 11 armazéns, a remodelação prevê que 444 vagas de estacionamento ficarão disponíveis. Mas será no chamado “Setor Gasômetro”, exatamente ao lado da Usina, onde ficará a maior parte das vagas de estacionamento: 2.386. Junto ao estacionamento, ao lado da Usina do Gasômetro e às margens do Guaíba, será construído um shopping center com 25 mil metros quadrados de área para locação e capacidade para 180 lojas.

Como está atualmente

Na semana passada, a reportagem do Sul21 entrou em contato com a prefeitura de Porto Alegre, com o governo do Rio Grande do Sul e com o consórcio Cais Mauá do Brasil para verificar como está a situação do projeto. Até o fechamento desta edição, a empresa privada disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que “neste momento não há novidades, então a Cais Mauá não está se manifestando”, reafirmando que todas as informações estão disponíveis no site do projeto.

A reportagem esteve no pórtico principal do Cais, junto à Praça da Alfândega, e foi informada por um segurança no local que “está tudo parado” e que “apenas uns engenheiros vêm aqui de vez em quando”. O acesso ao complexo está restrito para a população, pois o consórcio alega que, por ser uma área em obras, não pode garantir a segurança de pessoas não autorizadas no local.

Oficialmente, a previsão das entidades governamentais e do consórcio é que todo o projeto de revitalização – elaborado pelo escritório do arquiteto Jaime Lerner – seja concluído em 2017.

As críticas

Desde que começou a ser revelado ao público, o projeto de revitalização do Cais Mauá tem sofrido inúmeras críticas de moradores da região central da cidade, de arquitetos, de ambientalistas e de porto-alegrenses que temem que ocorra uma elitização do espaço. As reclamações vão todas na mesma direção e acusam o projeto de priorizar a exploração comercial dos armazéns, de eliminar a memória histórica da Capital e de estragar a paisagem natural da área com a construção de torres comerciais e de um shopping center.

“Acreditamos que este processo deve considerar as vozes que vêm de diferentes regiões da cidade e deve ser construído sobre princípios como diversidade, inclusão, bem como valorização e respeito ao patrimônio histórico, cultural, social e ambiental. Entendemos que a cidade não pode ser tratada como mercadoria, e sim como espaço compartilhado de interação, apoio mútuo e fortalecimento dos que nela habitam”, diz um trecho de um manifesto divulgado pelo movimento Ocupa Cais Mauá, que conta com mais de 2,7 mil apoiadores em sua página no Facebook.

A resistência ao projeto se articula através das redes sociais, de intervenções presenciais no Cais Mauá, como ocupações pontuais, shows e atividades culturais, além de apelos a instituições, como o Ministério Público.

SUL 21

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Não entendi sinceramente por que audiência pública a essa altura dos acontecimentos se o projeto já está todo definido.

Só pra lembrar um post feito do Blog de 5 de julho de 2011:

VERGONHA: Projeto Porto Maravilha saiu depois do Cais Mauá e já está em obras



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23 respostas

  1. ^^
    Gentalha, contra-tudo, provincianos, ec…xiítas, esquerdalha, Psol, PT…

    São essas pessoas que fazem fazem guerrilha e ficam gritando “espigões”

    São essas pessoas que cometeram crime de calúnia ao mentir que a orla do Pontal seria fechada.

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    • Calma lá, Ricardo. Concordo que o PSOL, PSTU, PCO, Zorávia Betiol, ecochatos e outras nabas afins são uma gentalha…mas neste caso do Cais, eles nada tem a ver com o entrave da coisa. Pelo menos nessa, eles são inocentes. Vamos colocar a culpa em quem realmente merece. Alardearam o projeto, fizeram uma disputa de beleza entre Prefeitura, estado e União. Depois de toda aquela celeuma, nada saiu do papel. Estava tudo prontinho para as obras iniciarem. Não havia mais discussão alguma nem protesto. Já estava tudo decidido. E agora?

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  2. Falam em “espigões” como se em todo cais fossem ter prédios, quando na realidade o projeto prevê apenas três edifícios.

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  3. que bom que estao querendo discutir, antes tarde do que mais tarde ainda

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  4. Esse tal Tutikian é a velha figurinha carimbada de sempre. O rei do lero-lero. Ele realmente consegue dar entrevistas espetaculares, fala mansa, pausada, português impecável, entretanto é o porta-voz supremo da enrolação e lucubração governamental. O cidadão em questão está há uns 200 anos ocupando postos chave nos governos estadual e municipal. Sempre que uma gestão quer vender algum projeto à população, tasca uma coletiva do Edemar Tutikian. Aliás há ele e a senhora Tutikian, sempre sorvendo o mel do poder. Que duplinha dinâmica “enrolation”.

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  5. Transformarão os armazéns em residências de 30 m² para populações carentes. Haverá ainda um centro de reciclagem de lixo e a plantação de 6 mil jerivás.

    Aí sim a orla será democratizada, conforme pensamento de alguns.

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    • Perfeito! Na cabeça de alguns “revolucionários” de butique deveria ser esta a finalidade. Depois pegariam seus carros importados e iriam degustar um “filet” em algum restaurante da Padre Chagas!

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  6. Honestamente minha única crítica é aquele estacionamento com vista para o rio. Aquilo devia ser uma praça.

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  7. Caso deixarem a ganância correr solta e priorizarem a exploração comercial, vão detonar irreversivelmente a orla, assim como o bairro Petrópolis foi detonado. Espigões de 20 andares obliterando a vista do Guaiba, por favor NÃO!

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    • Não sei que vista vai ser tapada.

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    • Pietro, o projeto está pronto e vai revitalizar o cais. Agora não é mais hora de mudar o projeto.
      E vai ser pra todos os equipamentos que tiverem lá.

      Outra coisa: tem regiões da cidade, e aquela parte da orla (MORTA) é uma delas, que pode e devem ser construídos prédios sim. As grandes e desenvolvidas cidades do mundo estão fazendo isso na sua orla. Vide Barcelona, Buenos Aires, Rosário, etc… Além do mais, 20 andares não é espigão. E que termo mais horrível esse. Deve-se dizer EDIFÍCIO, PRÉDIO. E NÃO UM TERMO PEJORATIVO QUE SÓ OS CONTRA-TUDO USAM.

      E em relação ao Bairro Petrópolis, a questão é outra. A cidade tem que crescer, e não vai ser barrando alguns imóveis pra construção que vai se chegar a alguma coisa. Ou libera todos ou barra todos. Prefiro que liberem todos. Poderia se preservar apenas um ou 2 quarteirões. Pronto, ta resguardada a memória.

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      • Obrigado pelo esclarecimento , Gilberto. Lamentável é a tendência é de as pessoas afetadas “se ligarem” somente após os fatos estarem consumados. Deixo a sugestão de dar muito destaque às notícias relacionadas com os procedimentos legais relativos ao licenciamento da obra desde o início ,de forma a estimular a participação efetiva e influência da população nestes assuntos tão cruciais e decisivos para a qualidade de vida dos contemporâneos e pósteros em tempo hábil.

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      • Puerto Madero não tem torres tão perto da orla não.

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      • Não sou contra tudo. O que vejo é a ganância desfigurar paisagens. Por exemplo, imaginem a orla “ornada” com um cinturão de espigões, destoando com as construções do centro histórico. Deve haver harmonia.
        Quanto a Petrópolis, o antigo regime urbanístico que previa 4 pavimentos foi substituído ao longo das últimas décadas pela permissão de construções cada vez mais altas, acrescidas de mais pavimentos ainda pela utilização dos “índices construtivos” adquiridos em outros bairros, sufocando os moradores dos prédios baixos. Fazendo um raciocínio pelo absurdo, como ficaria a qualidade de vida em Petrópolis caso todas as casas atualmente existentes fossem substituídas por espigões?
        Utilizo propositalmente a palavra “espigão” porque acho horrível o desenho tipo caixote sem graça destes últimos lançamentos de prédios residenciais.
        Enfim, não quero ser dono de verdades. O que defendo é a efetiva participação e preponderância da opinião dos munícipes e dos moradores dos espaços nas decisões sobre regime urbanístico ,que tanto nos afetam.

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    • “espigões de 20 andares”….
      Por mim a orla deveria ter “espigões” de 40 andares, bares, centros culturais, espaços ao ar livre pras pessoas sentarem, trazer movimentação pra lá.
      Se ficar um bando de galpões ali com coisas comunitárias em 6 meses vai ficar atirado às traças. Tem que ter sim torres, trazer o empresariado pra orla, e tem que aliar isso a usos comunitários, fazer dessa região uma região que junte tudo, traga vida, e uso para TODOS.

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    • Pela tua “análise” urbanística, tu destruiirias NY, Chicago e Hong Kong. Quer vista pro Guaíba? Vai morar no Lami.

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  8. Já vi que essa bagaça não vai sair mais.
    É enrolação da empresa, chororo dos revolucionários defensores da frescura politica, os governantes complicando, e assim vai…

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