Ânimos se acirram durante reintegração de posse em Porto Alegre

Moradores protestaram contra desocupação de terreno na zona Leste da cidade

Mauren Xavier

Ânimos se acirram durante reintegração de posse em Porto Alegre | Foto: André Ávila

Ânimos se acirram durante reintegração de posse em Porto Alegre | Foto: André Ávila

Os ânimos se acirraram durante a reintegração de posse de um terreno próximo à avenida Ary Tarrago, na zona Leste de Porto Alegre. A desocupação, ordenada pelo Tribunal de Justiça (TJ), ocorre na manhã desta quarta-feira com o protesto de pelo menos 50 moradores. Eles se manifestaram contra a saída do local, gritaram palavras de ordem e alegaram que muitos não têm para onde ir.

A reintegração, que conta com policiais militares de quatro batalhões, é realizada de forma gradativa. Cerca de 30% do terreno, que pertence à uma empresa privada, foi desocupado. O primeiro caminhão já deixou o local, enquanto outros moradores, já conformados com a situação, ajudam na derrubada de casebres.

Uma idosa chegou a passar mal e uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) teve que ser acionada. A possibilidade de reversão da decisão do TJ não foi concretizado pelo advogado de pelo menos 200 famílias que viviam há oito meses no terreno.

Correio do Povo



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53 respostas

  1. Legal, alguém calculou nos EUA que é mais barato conseguir moradia pública para um medigo que mantê-lo na rua. http://techcrunch.com/2014/12/18/ending-the-invisibility-of-homelessness/?ncid=rss

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  2. Na minha opinião, está errada a invasão e certa a desapropriação.

    Infelizmente, nosso povo tem pensamento binário, exemplos: “Prefiro chocolate branco. – Racista”, “Sou CONTRA bolsa família – Fascista, elite branca malvada.”, “Sou a FAVOR do bolsa família – Comunista”.

    Digo pensamento binário, porque percebi que todos aqui que defendem a reintegração são xingados de “terem nascido em berço de ouro, daí fica fácil falar”. Como se isso fosse uma regra. Todo apoiador do comunismo é pobre e todo apoiador do capitalismo nasceu rico e não quer dividir seus bens.

    Digo que essa “regra” está errada. Sou, sem sombra de dúvidas, totalmente contra certas políticas socialistas e comunistas, no entanto não discordo do bolsa família, por exemplo, apenas da maneira como ele é aplicado.

    Inclusive, para desmentir a esquerda e contradizer estereótipos, sou de família muito, muito pobre, que há 20 anos atrás não tinha dinheiro para comprar azeite para fazer comida.

    Para ser ainda mais contraditório, sou totalmente anti PT. Pois hoje, meus pais tem casa própria e carro, estudo numa universidade federal em outra cidade, e tudo isso conquistado com muito esforço e trabalho, sem nunca ter recebido qualquer ajuda do governo. E mesmo estudando em outra cidade, não recebo auxílio moradia.

    Minha família saiu da extrema miséria para a classe média sem ajuda do governo, e não somos, nem seremos, e nunca vamos dedicar nossa vitória ao governo, como fazem os cubanos. Porém, convivemos com o medo de que, a qualquer momento, alguém invadirá nossa casa, e nos expulsará de lá, pois esta é a “função social” do direito a moradia. Além do mais, já sustentamos essas pessoas acomodadas.

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    • Nem minha família teve ajuda do governo. Meu avô saiu da colônia para vir trabalhar e morar num canto em POA e estudar. Ele teve ajuda de conhecidos da família.

      Só não sei se tu percebeu: tua faculdade é federal, portanto tu não paga por ela, não? Pois é.

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      • Meus pais também saíram da colônia pra viver numa cidade do interior. Viveram menos de 2 anos na casa de um tio do meu pai, em troca de limpeza e manutenção da casa, tempo suficiente para os meus pais deixarem de comprar cigarro, bebida, refrigerante, bolachinha recheada e outras bobagens pra juntar dinheiro e comprar um terreno e construir uma casinha. Nesse período, eu era criança, mas ajudava como podia.

        O que eu quis dizer com estudar numa federal, foi justamente mostrar que nessas universidades não tem só “elite” e os “filhos de empregada” que entram lá (eu), nem sempre tem ajuda do governo pra isso, entram por serem inteligentes. Eu entrei porque fui capaz, em ampla concorrência, sem nunca ter feito cursinho, e sempre estudei em escola pública, com pessoas ricas, pobres, brancos e negros. E estudar numa federal não me obriga a ser eternamente grato ao governo. Se aqui não é preciso pagar pela universidade, que bom. Mas meus pais pensaram nisso já quando eu nasci, fazendo uma poupança pra mim, guardando lá alguns trocados, quando sobrava. Hoje meu pai trabalha mais de 15 horas por dia pra ter o mínimo de conforto e me manter na uni, pois a poupança não paga os valores absurdos que estão cobrando pelo aluguel.

        “Só não sei se tu percebeu: tua faculdade é federal, portanto tu não paga por ela, não? Pois é.”

        Pois é, eu não vou ao caixa da universidade pagar a mensalidade, mas pago impostos, e muitos. (em Cuba, todos tem educação e saúde de graça, mas ganham 17 dólares de salário, enquanto o resto fica com o governo, que por sua vez, financia esses serviços para que, aparentemente, eles sejam gratuitos). Pra tu ter uma noção, meu pai paga duas taxas de serviço para água e luz, e a tarifa também é mais cara. Isso porque não participamos de nenhum assistencialismo do governo. O IPTU é mais caro também pelo mesmo motivo. Enquanto que a cidade garante moradia, água, luz e outras regalias para pessoas que se perpetuam ali. Mas elas “tem direito”. Nós é que não temos. Nós só temos deveres.

        Meu pai também é um “especulador imobiliário” malvado. Ele aluga uma casinha e ganha 300 reais com aluguel para incrementar a renda. E não é suficiente pra pagar minha estadia na cidade onde eu estudo, pois aqui um kitnet custa uns 900 reais.

        Uma vez ele alugou a casa para um casal que além de sempre atrasar o aluguel, nunca pagaram a água e a luz, deixando uma dívida de quase 1000 reais. Meu pai pediu, gentilmente, que saíssem de lá, como resposta, ele ouviu um “Tu não podes me cobrar, eu tenho direitos, vou te processar. Essa casa agora é minha.”. Em tempo, o casal saiu de lá, mas não sem antes quebrar todos os vidros, as portas e deixar muita sujeira. Sem contar a dívida da água e luz. Um vizinho nosso, o qual empregava a mulher que morava na casa numa pequena lancheria, disse que ela nunca trabalhou direito, chegava atrasada e era relaxada, mas quando a demitiu, acabou sendo processado por ela. E perdeu.

        Estamos criando monstros ou será que isso está certo?

        É assim que se faz justiça no Brasil, uns precisam trabalhar dobrado para que outros tenham o direito a moradia assegurado. As desculpas para acomodação são sempre as mesmas: desigualdade, falta de oportunidades, dono da lojinha de doces tem carro novo e eu não….

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      • Só lembrando que os imigrantes (os colonos) receberam sim ajuda do governo na época em que vieram. Não estou dizendo que é o caso de vocês, mas tá cheio de descendente de imigrante europeu que enche a boca pra criticar a assistência dada pelo governo para quem não tem casa/terra.

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    • Ah, e se for de ônibus para outra cidade vê se consegue usar o passe estudantil. http://www.rs.gov.br/conteudo/190259/passe-livre-estudantil

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      • Obrigado pela dica. Eu já conhecia esse passe, mas não posso recebê-lo. Além do mais, a viagem de ônibus é demorada e o preço da passagem acaba sendo mais oneroso do que dividir um kitnet.

        Desculpe o longo desabafo, apesar de eu ter mencionado ser anti-PT e anti políticas de esquerda, não sou cego a ponto de não ver que houveram avanços em várias áreas. Inclusive, como eu disse, sou a favor do Bolsa Família, mas contra a maneira como ele é aplicado, apenas para citar um exemplo.

        Na minha família, numa questão cultural, é vergonhoso receber ajuda de governo, e isso só deve ser feito em último caso. E deixado na primeira oportunidade.

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  3. OFF: Extra! Pá de cal na orla do Guaíba. Adeus projeto. O último que saiu apagou a luz.

    http://wp.clicrbs.com.br/estamosemobras/2014/12/18/construtora-desiste-de-obra-e-licitacao-da-orla-do-guaiba-e-cancelada/?topo=52,1,1,,171,e171

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  4. Parabéns às autoridades por fazer valer o direito de propriedade ao menos algumas vezes em nossa Banânia sem lei. Agora o que eu quero saber é quando a PREFEITURA DE PORTO ALEGRE Vai começar a buscar a reintegração de posse nas PRAÇAS E PARQUES invadidos por essa tigrada. As áreas verdes públicas cumprem funções essenciais no meio urbano e ninguém parece estar se dando conta de que a expansão destas, pra fazer frente à necessidade da cidade, está sendo engolida pelas invasões de maloqueiros teleguiados por esses movimentos partidários calhordas das isqêrda. Chega dessa omissão do Município, reintegração de posse das áreas verdes já!

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