O Cais Mauá é para todos

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Dezembro é tradicionalmente uma época tórrida em Porto Alegre. E neste dia, o calor estava especialmente convidativo para um banho no Guaíba. Peguei o catamarã em Ipanema e parti em direção ao Cais para cumprir minhas tarefas, entre elas, a de fazer algumas compras natalinas no Centro Histórico.

Mas antes de seguir em frente, preciso convidá-lo(a) para embarcar nesta viagem no tempo. Vamos visitar uma cidade possível e bem pertinho da sua casa. Basta você abrir o coração e visualizar Porto Alegre num futuro próximo.

bemvindo-a-bordoQue bom que você veio.

Seja bem-vindo a bordo.

 

Como eu dizia, entrei no catamarã com destino ao Cais Mauá. A vista pela janela da embarcação formava na minha mente um mosaico de sentimentos. Um sabor de nostalgia das histórias que meu avô contava, misturado com a refrescante cena de adultos e crianças brincando nas margens do Guaíba.

Eu vi barcos a vela, remadores novatos e experientes, praticantes de standup, acrobatas saltando de pier e muitas crianças aprendendo a nadar nos braços de seus pais.

Praia de Ipanema no final da década de 1960

Praia de Ipanema no final da década de 1960

“O Guaíba está vivo”, eu pensava, enquanto a moça anunciava mais uma parada antes da chegada ao majestoso embarcadouro do Cais. Era sábado, 13 de dezembro de 2025. Dia do marinheiro. Tempo para dizer para nossos filhos que Porto Alegre redescobriu suas lindas praias.

Época dos mutirões e dos maus odores

poluição na foz do Arroio Cavalhada

poluição na foz do Arroio Cavalhada

Passei minha juventude e a fase adulta de minha vida encarando o Guaíba como um desafio e uma decepção, ao mesmo tempo. Aquela imensa massa de água bem pertinho de nossos pés, um dia, teria que voltar a ser aproveitada para o lazer dos cidadãos.

Significava muito mais que o mais lindo por-do-sol do mundo. O fato de passarmos tantas décadas de costas para o lago nos custou um preço muito caro.

Tiramos de gerações de portoalegrenses a chance de desfrutar — com segurança e um mínimo de infraestrutura — dos locais mais prazerosos e naturais da capital.

Felizmente esse tempo acabou.

Hoje temos o Cais Mauá restaurado e bombando, como diziam antigamente; o catamarã com inúmeras linhas cruzando do extremo sul ao centro da cidade; a Orla mais linda do mundo depois do incrível trabalho de remodelação das margens; e é claro, as águas do Guaíba limpas e totalmente liberadas para o banho.

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Tudo ainda não está 100%, pois o Dilúvio ainda inspira alguns cuidados ambientais, mas devo confessar que a paisagem e o “skyline” do Portinho dá orgulho. O turismo na cidade cresceu exponencialmente na última década e promete ampliar ainda mais nos próximos anos.

Skyline de Porto Alegre no início do século XXI (antes da reforma do Cais)

Skyline de Porto Alegre no início do século XXI (antes da reforma do Cais)

Próxima parada

Mas vamos voltar à nossa viagem ao Centro Histórico, pois eu preciso lhe falar da maior transformação que a cidade viu nos últimos tempos: a restauração do Cais Mauá e a retomada da vida urbana nos maravilhosos recantos à beira do Guaíba.

Para você que viveu, como eu, o início deste século, talvez seja até difícil de acreditar.

É possível caminhar por toda a extensão do Cais, da rodoviária
até o Gasômetro sem nenhum muro, nenhuma porta. O acesso é
livre e as pessoas andam felizes por toda a parte.

Papais e mamães sacolejam com seus carrinhos de bebê sobre o paralelepípedo tombado do Cais do Porto. Os clássicos armazéns, com seus imponentes portões de ferro, são a grande atração. Livrarias, lojas de produtos naturais, cafés e uma incrível variedade de negócios e atrativos culturais estão abertos para o benefício de toda população de Porto Alegre.

O Cais recuperou sua alma e hoje recebe turistas de todas as partes do mundo, mas é especialmente habitado pelo morador da cidade que chega de barco, trem, bike, a pé ou de carro.

Uma área que passou por décadas de abandono e se viu de costas para a cidade, agora é mais uma vez o tema principal dos cartões postais da capital gaúcha. É o local mais fotografado de Porto Alegre porque depois da completa reforma em seus armazéns manteve intacta a identidade arquitetônica e cultural de um dos maiores ícones do RS.

Passear pelo Cais Mauá não é privilégio para poucos. O acesso é democratizado para todas as tribos e para todos os bolsos.

O novo Cais consegue abrigar no mesmo lugar, o novo e o antigo; o romântico e o moderno; o popular e o exclusivo. Passear por suas alamedas floridas é sentir que nossa cidade conseguiu deixar para trás anos e anos de estagnação e boicotes.

Local para mateadas, o Cais representa como nunca uma paixão para os gaúchos. Espaço para encontros de amigos e casais apaixonados, o Cais é frequentado para confraternizações e para celebrar momentos únicos. E é no Cais da Mauá que todo portoalegrense interessado em cultura tem obrigação de passar de tempos em tempos. É por aqui que a Feira do Livro ganha tons dourados e alegres com a presença de milhares de crianças. Seus armazéns recebem exposições, saraus e bienais. O Cais Mauá é o templo da cultura de Porto Alegre.

E o muro?

Sim, o famoso muro segue lá (e será tema de um capítulo especial), mas com diversas novas entradas para facilitar o fluxo das milhares de pessoas que passeiam todos os dias pelo Cais. Aquele Cais restrito a uma única abertura deu lugar a novas passagens para pedestres. Como resultado, o Centro Histórico não é mais terra-de-ninguém. A comunidade voltou às ruas e a violência caiu muito, reflexo da reutilização do local.

Proposta de lâmina d'água no muro da Mauá

Proposta de lâmina d’água no muro da Mauá

Sonho, ilusão ou certeza de um futuro melhor?

Para transformar nossa cidade no lugar que queremos precisamos quebrar o círculo vicioso que tem colocado o Rio Grande do Sul abaixo das primeiras páginas de todos os rankings que são divulgados cotidianamente. É preciso visualizar o futuro com olhar mais sereno e aberto. É fundamental apoiar movimentos que constroem melhorias e não aqueles que entram em campo apenas para derrubar propostas, mas que nada de novo trazem.

Junte-se ao PortoAlegre.cc na série que debate os grandes temas de interesse da comunidade. Ajude-nos na divulgação e traga suas ideias para uma cidade que encara o futuro com um sorriso no rosto e a certeza de que dias melhores virão.

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Fonte do artigo:  medium.com/portoalegre.cc
Obs.: tomei conhecimento deste artigo através do Facebook do Vice-Prefeito Sebastião Melo, o qual compartilhou em sua linha de tempo.


Categorias:Muro da Mauá, Projeto de Revitalização do Cais Mauá

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17 respostas

  1. Toma cuidado que é capaz de aparecer um magrão com uma arma atirando pra tudo que é lado por apoiar essa venda do por do sol mais supimpa do mundo.
    hahaha

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  2. Sgarbossa como quase sempre dizendo tudo. https://www.youtube.com/watch?v=B8AJXawZWM0#t=220

    Eu não sabia essa informação dele de que a EPTC não vai tornar pública a localização dos ônibus, mesmo tendo GPS em todos.

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  3. Pois é, também achei divertida a ironia no início do texto, mas parece que perdeu o nexo lá pela metade.

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  4. OFF TOPIC AERPORTO SFILHO
    .
    Alguém pode me explicar essas 1,6mil famílias? Como assim?
    .
    Dique: Foram instaladas 1,476mil famílias no sambódromo. http://www2.portoalegre.rs.gov.br/demhab/default.php?p_secao=104
    .
    Nazaré foi dividida 1mil estão sendo instaladas no bairro marista concau(Rua Irmãos Maristas) e 291 vão ser instaladas no bairro sarandi(Rua Senhor do Bom Fim)
    http://www2.portoalegre.rs.gov.br/demhab/default.php?p_secao=105
    .
    Alguém pode me explica? Quem são essas 1,6mil famílias?

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  5. A ironia sobre o abandono do Caís Mauá começa divertida, mas chega a enganar o leitor fugaz e desatento.
    O que está acontecendo além do Muro devia ser objeto de uma CPI

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    • Não entendi! Pode explicar? Desde já agradeço.

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      • Acho que ele quer dizer que essa obra que não anda enquanto a empresa explora o local (vide Embarcadero) merece uma CPI. Eu não sei se CPI é a solução, mas algo devia ser feito sim.

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    • Eu trabalho na esquina da Uruguai com a Mauá e da minha janela consigo ver a “Obra” o que eu vi sendo feito até agora foi a demolição de um telhadinho que existia entre os armazéns B1 e B2 e agora estou presenciando outro fato, que está me assustando, estão destruindo os guindastes históricos do Cais, ontem eu assisti um guindaste ter o seu braço removido e depois ter a base do braço cortada com um maçarico, depois cortaram novamente com um maçarico a cabine e removeram toda a base do guindaste, neste momento assisto um segundo guindaste ser também destruído. E lembrando que estes guindastes são tombados como patrimônio histórico…

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      • Vão ser preservados se não me engano 7 guindastes. Não tem necessidade de manter todos…

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      • Ah entendido Gilberto, mas não são todos tombados? Não sei como funciona lei de tombamento, mas achava que se fosse tombado então não poderia ser danificado ou demolido ou algo do tipo, mas se vão ser mantidos 7 já é um bom nº, pelo que estou contando aqui da janela ainda são 10 guindastes, devem remover mais três então.

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        • Marcos, que eu saiba os armazéns são tombados, não os guindastes. Mas vou verificar esse assunto pra trazer com certeza ao blog.
          Certamente um porto, para manter o seu aspecto de porto, historicamente falando, deveria sim manter um certo número de guindastes.

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      • Quem deu autorização para fazer todo esse barbarismo deveria ir para atrás das grades. Na China e Japão seria fuzilado.

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  6. Cidade linda quando o verde predominava.

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  7. bah essa foto da década de 60…que tristeza até hoje o Guaíba não ser totalmente balneável.

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  8. Que bobagem…

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  9. Sinto saudades do Guaiba que conheci…. tomava banho de sol em Ipanema, depois entrava no Guaiba, onde eu via o vermelho do esmalte das unhas dos pés. Enquanto isso na Ilha do Pavão, o Cláudio e seu irmão defendiam no remo, as cores do União, sem sabermos que iriamos casar e morar na ZSul, mais precisamente no Guarujá. Lá meu filho cresceu, ganhou um caiaque, aprendeu natação no Mauri, mas o Guaiba já não era o mesmo para nadar Veio a época da piscina…. Acabou-se aquela estreita relação com suas águas mas fica a esperança, de quem sabe um dia,
    minhas netas possam usufrir dessa beleza que temos, visto das nossas janelas e o ciclo da vida continue acompanhando as marolas do nosso Guaiba.

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    • Também tenho saudade daquela época, dos anos 50, 60 e 70, Até os anos 80 ainda foi boa. Depois disto a cidade andou para trás com políticos e administradores que não fazem as coisas por vocação e prazer, mas por $$$ e muita corrução. Naquela época, tempo dos bondes, até o Guaíba de chamava Rio e antes ainda com “hy”, Guahyba. Hoje alguns imbecis querem que seja um lago, Pra mim sempre foi e será Rio Guaíba. Com namoradinhas muito frequentei as areias de Ipanema, e as águas límpidas do Guaíba. Época que Porto Alegre tinha ares de cidade européia, bem cuidada, limpa, sem marginalidade nas ruas e que a palavra assalto era apenas um termo de dicionário. Mesmo muito antes dos anos 50 a cidade tinha uma vida pacata. Os seus habitantes viviam de forma mais saudável e felizes do que atualmente. Hoje, além dos buracos nas ruas, bandidagem e depredações, temos que ter em mente a máxima de SALVE-SE QUEM PUDER.

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