Sem tetos: MP cobra ações da Prefeitura

 

viaduto-5Enquanto o número de moradores de rua aumenta à olhos vistos – o viaduto histórico da Borges já tem colchões e sofás – as ações da prefeitura quanto a esse problema são questionadas pelo Ministério Público.

Domingo passado eu vim de Canoas de tremsurb e ao subir pela Borges, cruzando a Andradas, o coração de Porto Alegre parecia uma daquelas cenas de filmes apocalípticos: tudo incrivelmente MAL ILUMINADO (o centro é tenebrosamente escuro e esquálido) , sujo, e dezenas de sem teto empurrando carrinhos e deitando-se em bandos na frente das lojas cerradas.

Mas o que fazer com essas pessoas? As soluções dos entrevistados parecem por vezes uma piada: a autora da dissertação de mestrado “Morar na Rua: Há Projeto Possível?”, defendida na Universidade de São Paulo, a arquiteta e urbanista Paula Rochlitz Quintão observa que as políticas públicas sempre preveem a retirada das pessoas de calçadas e praças, o que seria um equívoco. “Viver na rua ou indo e vindo, apesar de serem condições malvistas pela sociedade, pode ser uma escolha” – diz ela. Brilhante! – a midia, como sempre, vai entrevistar iluminados da USP(!)…

A vice coordenadora do programa Universidade na Rua, da UFRGS, defende dar semanalmente dinheiro para os sem teto. Não estaria ela condenando-os e incentivando-os a permanecerem na rua?

A ONG paulista Projeto Quixote diz: “— A rua não é o problema, o problema é de onde essas crianças vêm. A rua é um problema secundário”. Palmas para ela.

Penso que, mais que dar esmolas ou tratar o assunto como “uma escolha”, deveria-se ver quem está viciado, compulsivamente tratá-los de sua dependência, e encaminhar o resto para programas profissionalizantes. Empregá-los no DMLU talvez? Equipar melhor os albergues seria necessário também. Não é um problema fácil de se resolver, mas, se ignorado, ele só vai agigantar-se.

Alguma sugestão?

Via ClicRBS

PS: Aqui, ZH mostra como estão construindo mini favelas no arroio Dilúvio.



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26 respostas

  1. Percebo que o Poder Público Municipal deixa a desejar no que diz respeito a Política Pública para a População de Rua. É lastimável, pois sou moradora da região centro e de 10 anos para cá essa situação vem se agravando. Penso que as autoridades competentes devem sim cobrar uma atitude da Prefeitura Municipal de Porto Alegre.

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  2. Não creio que todos dormem na rua por escolha, mas é óbvio que existem casos de quem fica por escolha, pessoas que até casa tem e preferem ficar na rua.

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  3. O problema é que ninguém é obrigado a ter um tratamento, e muitos, a maioria deles não querem.

    Outros por problemas psicológicos fazem questão de viver na rua, poucos estão ali por falta de opção.

    Um amigo fez uma serie de fotos com moradores de rua, e conhecendo eles, descobriu as mais sinistras historias, a maioria é por que teve algum trauma e pirou.

    É muito difícil de resolver, albergues todos sabem que por não poder levar seus animais, ou consumir alcool e drogas, faz com que muitos desistam da ideia de ficar.

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    • Criar lugares para os cães e outras adaptações são facilmente exequíveis. Agora se recusar a ir para albergue por nao querer tomar banho ou não poder se drogar: ou você vai, ou vai preso, camarada.

      Mas albergues não resolvem o problema: para onde vão e o que ficam fazendo de dia? “Cuidando” carros? Não são tantas pessoas assim (1.300), e cada uma deveria ser abordada pessoalmente para resolver cada caso separadamente. (Mas, sim, a questão é complexa e complicada de resolver).

      PS: Não há verbas? Quem sabe não acabar com a Fundação Piratini, que consumiu ano passado trinta e quatro milhões de reais com a TVE e Rádio Cultura?

      Aqui mais uma reportagem do G1: http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2012/09/porto-alegre-tem-mais-de-13-mil-moradores-de-rua-diz-pesquisa.html

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      • O problema da TVE é o sucateamento. Os caras sequer tem equipamento de filmagem em HD. Num aparelho de tevê moderno fica tudo borrado. Isso é o mínimo: som e imagem decentes. Depois é o conteúdo. Se os caras fizessem uma cobertura séria do cenário cultural da cidade, teria muita coisa para mostrar.

        O problema é que só querem fazer documentários etnológicos, que custam tempo e dinheiro. Como isso acaba consumindo a maior parte dos recursos, acabam preenchendo a programação com conteúdo de baixíssima qualidade. Coloca uma pequena célula de inovação com uns dois jornalistas, um artista plástico, um músico, alguém das cênicas, e manda esse pessoal farejar artistas e eventos pela cidade. Duvido que a grade não fique cheia de entrevistas, apresentações, exposições e reportagens interessantes.

        Ah, e o equipamento de filmagem em HD, por favor! Ou melhor, já compra o 4K, pois a licitação deve demorar uns 2 anos para ficar pronta.

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      • A solução para falta de verbas permanentes é a venda de uma estatal, ou seja, uma verba provisória (que logo se esgotará), é isso?

        Que tu defenda a privatização das empresas do Estado, tudo bem, mas citar isso como solução em TODOS os artigos é um pouco demais, não?

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      • O que tem a ver a verba do estado com um problema intrinsecamente municipal?

        Quanto a TVE: verba de 34 milhões é irrisória para um canal de TV. Emissoras privadas regionais tem 5 a 10 vezes esse orçamento. Nos últimos 3 anos a TVE ganhou um grande fôlego com a atualização de equipamento (inclusive HD). Se dependesse do governo Yeda sequer um prédio para a emissora ainda existiria…

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  4. Any Suggestions?

    Yes, do like what they do in the Netherlands or in the US (best example is the state of Utah).
    Renovate small old abandoned apartments for small families (1 -3 people) and medium/big homes (a family of 4 or more) who are homeless and give them support/assistance (public money at work) so they become self sufficient long term. Yes, it exists and if they can do it, so can you, with the assistance of those so called NGO’s (the ones that care). Give them that and the support, that combination will help them, besides they are the ones who will also help renovate the places they will live (gives them some dignity, boost their self esteem /confidence that they are part of the community).

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  5. Ironicamente, é o próprio pessoal dos Direitos Humanos que ajuda a condenar essas pessoas a morrer na rua, porque são os primeiros a defender a ideia de que sem-tetos não podem ser removidos e tratados à força.

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    • Ricardo, tu ainda não entendeu. Ser contra tratamento a força não pé ser contra tratamento. A abordagem é a questão, já foi explicado ali em cima.

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  6. Não podemos nos esquecer da política de fechamento de leitos psiquiátricos da qual o Ministério da Saúde tanto se orgulha. Pelo que tenho visto, muitos moradores de rua são esquizofrênicos que, suponho, não encontraram apoio adequado das suas famílias e estão na rua por ser o único lugar que lhes restou. Será que um hospital psiquiátrico (onde essas pessoas receberiam, no mínimo, cuidados básicos) é mais desumano do que deixá-las na rua?

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  7. Xaropeando… podem excluir o comentário, não precisa aprovar. Apenas uma correção ortográfica:
    mau iluminado – bom iluminado
    mal iluminado – bem iluminado

    Corrijam aí! 😛

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  8. E está cada vez pior, infelizmente!!!

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  9. Mais: tratamento compulsório também é medida paternalista. Até parece que tu chega a um adulto de 40 anos e diz “TU VAI PARAR DE SE DROGAR AGORA”. Isso não existe. Mas se vocês tiverem um único caso de sucesso no mundo eu adoraria ler.

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    • Não existe. Alguém que não beba talvez diga que conseguiria parar de beber AGORA. Porém, ninguém é livre de vícios. O cara que não é do álcool pode ser viciado em açúcar, carne gorda, açaí na tigela, exercícios físicos, videogame ou pornografia. O vício é algo inerente à natureza humana. Suprimir um vício por decreto nunca vai dar certo.

      Tem tanta coisa que os agentes públicos fazem vista grossa, entre elas a lei seca. Há poucas operações Balada Segura. Na prática, uma pessoa que saia para jantar umas 20h e retornar às 23h30 pode beber tranquilamente uma garrafa de vinho, desde que não se envolva em acidente.

      Dito isto, faria bastante sentido fazer vista grossa (como se faz em relação ao álcool) e deixar os albergados fumarem o seu crack em uma área separada dos demais, uma “cracolândia” sob controle. Depois vai para a cama, dorme, toma banho, café da manhã, enfim. O primeiro passo para acabar com a fissura do crack é dar uma overdose de dignidade. É o primeiro passo para a descoberta de novos prazeres e novos vícios socialmente aceitos.

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      • Sem falar que criando esse espaço tu estaria atraindo eles para o poder público em vez de fazerem eles verem os agentes públicos como alguém de quem devem fugir. Num espaço desses muitas iniciativas de reintegração poderiam ser feitas.

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      • Guilherme, acho um pouco diferente da questão do Estado Islâmico. Tem usuário de crack zumbi, mas também há usuários integrados aos moradores, pelo menos aqui no centro. Pode ser até que te assaltem e te agridam por não te conhecerem. Eu sempre largo uns trocados na mão deles. Eventualmente, tem um que lava o meu carro. Sinceramente, é pouco o que gasto para manter uma política de boa vizinhança. A abordagem deles para “morder” uns pilas não costuma ser agressiva com quem eles conhecem. Puxam assunto, te tratam como vizinho. A mordida faz parte do estilo de vida deles, que é assim mesmo, vamos dizer, “subsidiado pelos ditos civilizados”.

        Agora, parar tirar essa galera das drogas pesadas, não é através de uma internação radical. Um mês depois, voltam às ruas e tudo volta à estaca zero. O melhor mesmo seria que pudessem viver de forma mais digna e, aos poucos, fossem sendo “contaminados” pela chama do que encaramos como o “viver civilizado”. Não é possível que o nosso estilo de vida cheio de limites, mas com seus benefícios em termos de consumo e aceitação não sejam sedutores. Eles só precisam ser expostos a um estilo de vida diferente. A necessidade de reabilitação acho que vem automaticamente. Caso não venha, bem, ainda assim é melhor acompanhar essa pessoa de perto. Possivelmente, será um agressor a menos nas ruas porque precisava de dinheiro para comprar drogas.

        De qualquer forma, essa abordagem ainda não foi testada no Brasil. Ou se deixa tudo jogado, ou o pau come. Difícil encontrar um meio termo. Por isso que eu aposto em um caminho alternativo. Hoje não há incentivo algum para não agredir um cidadão que não dá dinheiro. Agora, se houvesse um ambiente limpo e flexível aguardando-os, ACHO que pensariam duas vezes antes de fazer m****. Muito mais fácil comprar a sua droga “honestamente” com a bolsa-família, bicos ou mordendo educadamente os transeuntes.

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    • Acho que tem forçar. Provavelmente o cara vá até se sentir melhor com o tempo e continuar de sua própria vontade. Uma pessoa que está na rua já não está mais na sua razão normal.

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      • Você já conviveu com pessoas viciadas, que sabem que o seu vício faz mal, querem parar mas não conseguem? Não estou falando de gente que não tem onde morar, to falando de gente com estrutura, dinheiro sobrando, conforto, todas as necessidades básicas supridas. Lendo a tua frase me parece que acabar com viciados nas ruas é questão de sair por aí conversando com eles. Solução da Dilma para a questão do Estado Islâmico…

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      • Até quem quer tem dificuldade e remissões depois de sair de um tratamento. Forçado então… foi o cantor de qual banda mesmo que saiu do “rehab” dizendo que ia voltar a cheirar? Pantera talvez.

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  10. Não entendi qual o problema do MP cobrar mais centros de convivência e criticar a retirada dos barracos. A própria matéria disse que logo depois eles estavam de volta. A ideia de dar dinheiro achei de chorar também.

    Veja bem, não estou nem um pouco confortável com o aumento dos moradores, mas esse tipo de ação paternalista não resolve. A gente tem que convidar eles a participar da sociedade, dar oportunidade em vez de porrada.

    Se essa administração acha que vai resolver algo fechando a única escola que dá aula para eles (isso sim uma política de inserção) e simplesmente desmanchando barraco… lamento mas não vai.

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  11. Engraçado que o MP (bem como o Judiciário), com uma INTERPRETAÇÃO TORTA dos Princípios Constitucionais é um dos maiores causadores da piora dessa situação.

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    • Não entendi a sua crítica à interpretação torta. Não tenho tanta certeza de que a interpretação é torta. Em outras palavras, tem juiz que solta bandido e juiz que prende inocente. Em ambos os casos, pode haver ou não um erro de análise. Obviamente, quando um suposto bandido é solto, isso gera maior repercussão na mídia.

      Sobre o caso dos moradores de rua, o artigo da ZH questiona justamente o excesso de rigidez nos albergues. Parece até uma forma de a prefeitura se eximir de suas responsabilidade:

      “- Vejam só, temos vagas nos albergues, mas os moradores de rua não se interessam.”

      Analisando de forma ponderada, qual de nós suportaria ter de sair de casa às 7h da manhã e retornar às 19h? Sem um depósito de 1m cúbico que seja para guardar pertences, sem um canil para amarrar um cusco. O canil até é um luxo, pois nem todo morador de rua tem um cachorro, mas seria perfeitamente aceitável que uma pessoa solitária possua um animal de estimação.

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      • A prefeitura se eximir de suas responsabilidades é o que mais tem. Acredito que quando picham ou depredam algum bem público o Fortunatti solta foguete, pois pode dizer que “viu, por isso que não fazemos nada”

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