Gustavo Grisa: a degradação de Porto Alegre lembra a velha Detroit

ENTREVISTA

Gustavo Grisa, diretor da Agência Futuro

detroit

O senhor é um dos principais profissionais, no Brasil, que mais tratam da regeneração urbana e da economia de grandes centros urbanos. Pode citar um projeto no qual trabalha ?

Atualmente, entre outros projetos, trabalho no processo de revitalização econômica da região portuária do Rio de Janeiro, que muda “a cada dia”, alterando positivamente o perfil do tipo de negócios e ocupação em regiões até então degradadas como Praça Mauá e Gamboa

Mas a sua base operacional é Porto Alegre ?
Eu resido em Porto Alegre.

E como enxerga a degradação da cidade neste momento ?
Porto Alegre está com”ares de Detroit”, em especial regiões como parte do Bairro Floresta, a avenida Farrapos, e parte do centro da cidade “que, hoje, já não é uma centralidade para a cidade. O movimento nas ruas é até mesmo inferior a outros bairros

Como resolver isto ?
Faltam soluções sistêmicas que viabilizem investimentos e um movimento econômico que leve à substituição do padrão de ocupação do Centro e outras regiões degradadas da cidade. Essa á a única solução conhecida no mundo, a regeneração, através de diversos movimentos de âncoras e incentivos econômicos, e não apenas obras pontuais e boa vontade

Há 30 anos a prefeitura faz planos de revitalização da área central e isto deu que resultados ?
Esforços e investimentos feitos na região central até hoje têm sido “melhoramentos e obras públicas urbanas, obras civis”, mas que não mudam o padrão de ocupação por não criar atratividade e mobilizar os agentes econômicos.

Políbio Braga



Categorias:Arquitetura | Urbanismo

Tags:, ,

18 respostas

  1. Já vi a comparação de Pelotas com Detroit.

    “Pelotas: a Detroit brasileira.”.

    Acho que faz mais sentido. Mas acho que Poa e RM, assim como a Serra, estão infinitamente à frente da região Sul do Estado. Aliás, a maioria das pessoas da região sul quando viaja para algum desses lugares, volta dizendo que parecia estar em outro Estado ou até outro País,

    Curtir

  2. Não é preciso ter MBA para saber que as áreas degradadas da cidade corresponde ao espaço ocupado legalmente pela mendicancia ,prostituição e outros espanta pessoas.Já que esta dentro da lei não tem o que fazer com as pessoas nesta situação é um problema sem solução. Não se pode comparar banana com maça,ambas são frutas ,mas tem gosto diferente.

    Curtir

  3. Acho exagero tratar porto alegre como uma cidade abandonada, a cidade tem problemas, tem lugares feios, mas tem muitos lugares bonitos e bem cuidados, acredito o que fica é um sentimento que podemos bem mais, pois a cidade tem um potencial natural, cultural e humano para bater de frente com as melhores cidades da Europa, porém devido a incompetência, falta de vontade, corrupção e etcetcetc do agentes públicos ficamos patinando… e claro q uma grande parcela da população não contribui p mudanças… casualmente hj estava passeando pelo floresta e vendo como ele é bonito, bem arborizado, contrastes de prédios antigos e os mais novos, muitos barzinhos restaurantes e outros comercios, suas ruas de paralelepípedos, tirando a parte degradada pela prostituição acho um bairro bem legal

    Curtir

  4. Quem não vive no Floresta adora apontar o dedo para o bairro. É quase uma mini-cidade, tem várias academias, mercados (2 Zaffari, 1 Rissul), padarias, cafeterias, lancherias, lojas de variados tipos, farmácias, o Shopping Total, postos de gasolina, um hospital pertinho (Moinhos de Vento). Até entretenimento adulto kkkk

    Sim, existem casas e indústrias abandonadas, mas essa face do bairro se acentua a partir do lado esquerdo da Farrapos, em direção a Voluntários. Entretanto, compará-lo com Detroit é uma heresia, poucos bairros tem essa infraestrutura de serviços.

    O problema é a insegurança, mas acredito ser um problema geral em toda a cidade. Prefiro morar aqui do que em alguns lugares mais badalados onde tudo precisa ser feito de carro.

    Curtir

    • Moro na região, e o problema mesmo é da Farrapos pra baixo, e ainda assim, tem vida ali.
      Conheço pessoas que moram por lá, tem uns prédios antigos bem cuidados, mercadinhos, bares, mas claro, tem todo o problema da violência e tudo mais.
      A situação não é tão ruim como parece, mas ta longe de ser boa, da pra resolver.

      O Floresta, que é um bairro que eu praticamente vivo os finais de semana, é um bom bairro pra se morar, se eu tivesse uma grana pra comprar uma casa, seria em algum casarão antigo que tem pelos bairros.

      Curtir

  5. Esforços e investimentos feitos na região central até hoje têm sido “melhoramentos e obras públicas urbanas, obras civis”, mas que não mudam o padrão de ocupação por não criar atratividade e mobilizar os agentes econômicos.
    .
    Bah, falou tudo neste quesito!
    .
    O que importa ser Detroit ou outra cidade, o foco tem que ser o combate ao Trinômio do Capeta (Cond. Fechado-Carro-Shopping);
    .
    Fortalecimento da mobilidade urbana através do transporte alternativo (A Pé-Bike-VLT-Aero-Mono-Catamarã) e multiplicação de áreas de integração(parques-centro comunitários);
    .
    Alternativas no plano diretor para que bairros degradados (Humaitá-Navegantes-São Geraldo-Floresta-Centro Histórico-Cidade Baixa-Santa Cecília-Bom Fim-Independência-Moinhos-Rio Branco-Auxiliadora-São João) tenham um novo modelo de ocupação, volumetria e uso do solo;
    .
    Maleabilidade nos códigos (obras-preservação-PCCI) para que imóveis abandonados ou fora do regime atual fiquem viáveis para os empreendimentos habitacionais alternativos (com restrição de aberturas de vagas);
    .
    Incentivo aos pensadores do planejamento urbano da capital para que cobrem da iniciativa privada uma arquitetura nova (atraente-remodelada-inovadora) para dar um basta na replicação dos robocop’s atuais.

    Curtir

    • Thiago, muito boa análise. Você detalhou algumas ideias que o Grisa colocou na entrevista, principalmente aquela que eu também concordo que “Esforços e investimentos feitos na região central até hoje têm sido “melhoramentos e obras públicas urbanas, obras civis”, mas que não mudam o padrão de ocupação por não criar atratividade e mobilizar os agentes econômicos.”

      Tu detalhaste muito bem uma receita de incentivos e instrumentos economicos .Eu gostei da entrevista do Grisa, e gostei também da tua análise.

      Curtir

  6. Viagem total!!!!

    Curtir

  7. Tive um comentário bloqueado… tentando de novo:

    Que comparação esdrúxula é essa? Detroit deve redução do PIB e da sua população, não tem nada a ver com POA.

    Áreas inutilizadas acontecem em grandes cidades até que o poder público deixa de impedir o desenvolvimento da região. Aconteceu, por exemplo, no SoHo em NY.

    Curtir

  8. Que tosquice essa comparação. Detroit caiu por que faliu, a indústria saiu e a cidade chegou a ter redução populacional e do PIB… nada a ver com POA. Bairros abandonados acontecem na cidade de POA, aconteceu até com o SoHo em determinada época.

    Se a comparação fosse com a Gritty Philly ainda, seria menos mal 😛

    Curtir

  9. Só no desequelibrado do Polibio Braga pra compararem Porto Alegre com Detroit… Não chega nem perto de Detroit, nenhum outro lugar chega perto de Detroit. Esse cara deve é estar querendo demolir tudo que for histórico pra fazer estacionamento. Aí, sim, é que se encontra a polêmica.

    Curtir

    • Apenas a periferia de Detroit está degradada. A Downtown Detroit (o equivalente à região central deles) é muito bonita, com prédios impecavelmente conservados. Só que é deserta. É meio difícil comparar o centro deles com o nosso.

      O nosso é muito mais populoso e denso (+-40K hab., 2.6km2) enquanto o deles é quase uma cidade fantasma (+-5K hab., 3.5km2). Aqui circulam mais ou menos 200000 pessoas por dia. Em Detroit, há cerca de 80000 trabalhadores. Peguei essas informações na Wikipedia. No TripAdvisor, visitantes brasileiros apontam que o centro de Detroit é bastante ermo, não importa o dia.

      Esvaziar o centro pode trazer benefícios, como a conservação. Porém, pode trazer consequências desastrosas para a segurança. Se vocês acham perigoso o centro cheio de gente, imaginem vazio. Para tirar a prova, deem um passeio por ruas transversais à Andradas num domingo de verão ou num feriado.

      Curtir

      • Eu penso o contrario, tenho medo de ir pro centro pela noite, quando não tem movimento.
        Conheço pessoas que moram lá, e sempre que vou dar carona para sair na noite ou finais de semana, fico meio tenso, é chegar na frente do prédio e corre pro carro.

        Curtir

  10. “Esforços e investimentos feitos na região central até hoje têm sido “melhoramentos e obras públicas urbanas, obras civis”, mas que não mudam o padrão de ocupação por não criar atratividade e mobilizar os agentes econômicos.”

    É ai que se encontra a polemica.

    Curtir

%d blogueiros gostam disto: