RS perdeu bilhões sem ampliação de pista do do Salgado Filho, diz estudo

Documento encomendado por Fortunati justifica modificação no aeroporto de Porto Alegre

Fernanda Pugliero
*Com informações de Heron Vidal

Ampliação da pista do Salgado Filho vai além da segurança | Foto: Samuel Maciel

Ampliação da pista do Salgado Filho vai além da segurança | Foto: Samuel Maciel

Chega às mãos do prefeito José Fortunati nesta segunda-feira um documento elaborado por técnicos municipais justificando a necessidade de ampliação da pista do Aeroporto Salgado Filho não apenas por motivos de segurança. O estudo encomendado pelo prefeito quinta-feira tão logo soube do recuo do ministro da Secretaria de Aviação Civil, Eliseu Padilha, quanto ao pedido de cancelamento da extensão — será entregue à Infraero.

O documento listará a importância da obra para a economia do Estado. Estima-se que, em 15 anos, bilhões de reais foram perdidos em tributos e negócios que deixaram de ser realizados por falta de condições de transporte aéreo. O Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística diz que há demanda reprimida. “Itens acabam transportados por via rodoviária até Campinas e de lá embarcam para Europa e Estados Unidos”, explica vice-presidente Institucional, Sérgio Neto.

Padilha disse que o volume de cargas que deixa o Estado por via aérea fica em 35 mil toneladas por ano. “É no mínimo o dobro. Só não sai mais por via área porque não tem capacidade”, aponta Neto. A atual pista suporta o peso de grandes aviões, tanto que empresas com linhas internacionais atendem Porto Alegre. Apesar do porte semelhante, aviões de passageiros pesam bem menos que cargueiros. O tamanho, porém, afeta linhas comerciais. É impossível um Boeing 777 pousar. A American Airlines usa um 767 na ligação com Miami.

O texto deverá frisar que a prefeitura cumpriu sua parte no acordo firmado com os governos federal e estadual, para garantir as obras de ampliação, entre elas, a extensão da pista em 920 metros. O município informará que a desocupação do sítio aeroportuário, para possibilitar a construção e a operação, estará concluída neste ano.

O processo de remoção das famílias das vilas Dique e Nazaré, capitaneado pelo Departamento Municipal de Habitação (Demhab), deve estar 100% pronto até março de 2016. As obras na pista, no entanto, poderiam começar antes disso. “Nós vamos atender ao cadastro original e eventualmente algum desdobramento familiar. O restante terá aluguel social por seis meses”, explica o diretor-geral do Demhab, Everton Braz.

Crea: extensão não basta

Aeroporto Salgado Filho (manter, desativar ou privatizar), aeroporto em Nova Santa Rita (construir ou abandonar a ideia) e metrô de Porto Alegre (parte do seu traçado não cruza áreas densamente povoadas) serão as pautas do congresso a ser realizado em março pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea/RS). “A sociedade precisa quebrar a caixa preta das grandes obras que lhes dizem respeito para obter transparência e influenciar na escolha da melhor decisão, apesar de ela ser da política”, defende o novo presidente do Crea/RS, Melvis Barrios Junior, que dirigirá a entidade com 75 mil profissionais cadastrados pelos próximos três anos.

Conforme o engenheiro, nos debates sobre o Salgado Filho, não se disse várias coisas. Por exemplo, o aumento da pista em 920 metros não trará aviões de grande porte. “Para isso acontecer será necessário reformar a atual pista de 2.280 metros. Do contrário ela será deformada, pois está projetada para aeronaves de 120 toneladas e não de 300.”

Essa questão precisa ser discutida tecnicamente, diz Melvis. Lembra que o Salgado Filho tem pista única, ao contrário dos aeroportos do Galeão (RJ), Guarulhos (SP) e outros. O metrô subterrâneo, no traçado do Centro até a Cairu, acompanhará a linha do atual metrô de superfície e dos corredores de ônibus da Farrapos. “Por que essa rota não segue pela Cristóvão Colombo, onde há grande concentração populacional?”, indaga. Por isso, conclui, o futuro não pode contemplar decisões exclusivas da política.

Capital quer mais linhas comerciais

Uma pista maior possibilitaria o aumento da capacidade logística do Aeroporto e aterrissagem de aviões de grande porte, o que poderia ampliar o número de linhas comerciais e de companhias aéreas internacionais. Porto Alegre desponta como a quarta capital em turismo de negócios.

A posição é também fruto da localização do Aeroporto, com acesso facilitado ao Centro em poucos minutos. “Isso interfere diretamente na vida das pessoas”, apontou o vice-prefeito Sebastião Melo. Redes hoteleiras investiram pesado nos últimos anos nesse mercado. A possibilidade de fechamento do Salgado Filho tem feito o alto escalão da prefeitura perder o sono. O governo estadual defende a construção de um novo aeroporto na divisa de Portão e Nova Santa Rita.

Correio do Povo – 24/01/2015



Categorias:Aeroporto Internacional Salgado Filho

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6 respostas

  1. O RS perde muito em não poder contar com a ampliação pronta da pista principal do SF, não é mais possível retardar esta obra tão importante para o Estado. A cidade de Porto Alegre e a sua Região Metropolitana cuja a sua população já está em torno de 4 Milhões e 300 mil habitantes, sendo considerada a quarta maior RMB não pode ficar na dependência de uma obra com pouco de 920 Metros de extensão. Que falta de consideração e reconhecimento por parte do Governo Municipal e Federal. Senhores gestores políticos mãos a obra se mexam se mobilizem pelo interesse gaúcho.

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  2. Pois é.
    E teve entendido falando que tava de boa, que não precisava e bla bla bla.

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  3. Concordo que é uma postura correta do prefeito.

    Só não esqueça que o modus operandi dele é esse: medidas positivas ele faz, negativas ele manda o boi de piranha (vice)

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  4. Ainda bem que o Fortunati tem trabalhado para que aconteça essa ampliação.

    Nao vou culpar ele pela má gestão, por que o pobre gestor pegou uma pica atrás da outra pra resolver, copa, obras da copa, BRT, licitação do transporte publico, construção da arena, beira rio e entornos. fora as desapropriaçoes da vila dique.

    Mas reconheço que o nosso prefeito poderia ter se saido melhor

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    • Como não culpá-lo pela má gestão? Oportunidades não faltaram (Copa, crédito federal abundante, administração da prefeitura de São Paulo quebrando paradigmas), mas só o que foi feito foi pelo nosso prefeito foi iniciar obras (e algumas como o metrô nem isso) e parar por falta de dinheiro deixando a cidade parada.

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  5. Parece que (finalmente) o Fortunati está mesmo empenhado na ampliação da pista do SF. Na minha opinião, brigar pela ampliação é a melhor coisa que ele fez na sua péssima administração.

    Achei interessante a cobrança do Crea, sobretudo no que diz respeito à questão do metro. Pena que em relação a isso o prefeito se faz de surdo.

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