Discussão sobre monumentos e pichações volta à tona após depredações na Redenção

Conhecido como “arco”, o Monumento ao Expedicionário recebeu tintas azuis | Foto: Alina Souza/Sul21 Débora Fogliatto

Conhecido como “arco”, o Monumento ao Expedicionário recebeu tintas azuis | Foto: Alina Souza/Sul21
Débora Fogliatto

Os três monumentos que foram depredados na mesma semana no Parque Farroupilha (Redenção) em Porto Alegre serão restaurados novamente pela parceria entre a Prefeitura e o Sindicato da Indústria da Construção Civil. Embora ainda não se saiba o que motivou as ações, a coordenadoria de Memória Cultural do governo municipal observou que não parece haver um padrão entre elas, o que pode significar que tenham sido feitas por grupos e motivações diferentes.

Todos estavam entre os 12 que foram restaurados pela Prefeitura e pelo Sinduscon em dezembro, com o investimento de R$ 250 mil desembolsado pelas empresas filiadas ao sindicato. Em 2015, há previsão de que a parceria seja ampliada para reformar mais monumentos da cidade. O Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) já está autorizado a começar a limpeza dos monumentos, o que pode fazer com água, mas um restaurador deve depois orientar e observar os reparos necessários.

A pichação sempre foi um assunto polêmico, dividindo opiniões entre os que a vêem como um tipo de arte e os que classificam como vandalismo. Quando o assunto envolve monumentos, e não apenas prédios ou construções regulares, a discussão se torna ainda mais acirrada. No recente caso, em que o Monumento ao Expedicionário foi atingido por tinta azul sem forma, uma carta que surgiu na internet causou alvoroço.

Intitulado “Assumimos a autoria do pixo do Arco da Redenção”, o texto seria assinado pelo grupo Galera do Pixo do Triangulo CAV do Terror. Na carta, a Galera afirma ter jogado tinta em um dos mais famosos cartões-postais de Porto Alegre, criticando a recente restauração: “Que tipo de escroto gasta 250 mil reais reformando uma um monumento bagacero desses, enquanto nas quebradas dessa mesma cidade tem piá no berço morrendo em boca do rato, porque não tem tratamento de esgoto?!”

Há também poucas palavras pichadas no monumento | Foto: Alina Souza/Sul21

Há também poucas palavras pichadas no monumento | Foto: Alina Souza/Sul21

Em tom revoltado, a carta destaca que na capital gaúcha há muitos monumentos para “homenagear matador de preto e índio, safado e corrupto”, convidando “os manos & manas pra chegar no centro e mostrar pro mundo nossa arte que é o pixo, o bixo contra o tédio monumental de Porto Alegre”.

Embora tenha repercutido nas redes, entre apoiadores e críticos da suposta ação da Galera do Pixo, a veracidade da carta não foi confirmada. Não é possível afirmar quem jogou a tinta e, da mesma forma, não foram encontrados outros registros deste grupo na internet antes da divulgação da nota. Chama atenção também o fato de não se tratar de textos assinados, como a maioria das pichações feitas por grupos de periferia, mas sim ser apenas tinta “jogada” e uma frase: “Viva a anarquia”. No texto, também não há menções ao grupo ser anarquista, o que levanta mais dúvidas.

O rebuliço foi tanto que o texto chegou à própria Prefeitura e será investigado pela Polícia Civil, embora o poder municipal não tenha denunciado. O coordenador de Memória Cultural da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), Luiz Antônio Custódio, preferiu não comentar a carta, apontando que “o vandalismo está na esfera do Judiciário”. Mas ele menciona que os três atos parecem ter tido motivações diferentes.

O monumento à Intentona Comunista, três placas com os nomes de soldados que morreram combatendo a tentativa de golpe feita em 1935 pelo Partido Comunista do Brasil, liderada por Luís Carlos Prestes, foi quebrado e sujo com tinta branca. E o

Monumento que comemora o combate à Intentona Comunista foi quebrado e pintado | Foto: Alina Souza/Sul21

Monumento que comemora o combate à Intentona Comunista foi quebrado e pintado | Foto: Alina Souza/Sul21

menino da cornucópia, no centro de uma das fontes da Redenção, foi quebrado. Enquanto o primeiro parece ter motivação política, foi claramente política, devido a seu caráter, os outros dois casos são mais difíceis de definir. “Este foi uma manifestação clara de ordem política, os outros provavelmente foi vandalismo puro. Geralmente vandalismos se dão ou para roubar material para vender, ou por manifestação política ou vandalismo puro”, aponta Custódio.

Ele destaca a importância de se realizar ações educativas, para que a população saiba os significados históricos dos monumentos. “Dentre os monumentos, há as manifestações políticas, ideológicas, artísticas ou monumentos de celebridades. A gente tem de todo o tipo de manifestação, os monumentos ajudam a contar a história e a cultura”, pondera.

Tinta está em diversas partes do Monumento | Foto: Alina Souza/Sul21

Tinta está em diversas partes do Monumento | Foto: Alina Souza/Sul21

SUL 21



Categorias:Pichação, vandalismo

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22 respostas

  1. O pior, como disseram anteriormente, é que ainda tem gente que vem defender um vagabundo que sai pichando a cidade. Eu já disse anteriormente, alguns pichadores já foram pegos pela polícia mas acabam sendo soltos, o mesmo cara por várias vezes, ou seja, por que um imbecil destes vai parar de pichar? Nada acontece com ele. Peguem o pichador, façam ele limpar o que sujou (e que use do próprio dinheiro pra comprar material para limpeza, pois se tem pra comprar spray, dinheiro não falta, né?) e limpar mais 3 lugares. Pronto, limpamos a cidade em 1 ano, ou eles param de pichar, porque aí sim vão ter medo de serem punidos de alguma forma. Muita gente é assim, só tem limites quando o medo fala mais alto, vamos negar isso até quando? E quanto aos parques de Curitiba, são cercados. Aqui em POA tinha uma proposta de cercar a Redenção… os hippies/alternativos (que me parecem ser maioria por aqui, ou pelo menos são os únicos que fazem protestos – parabéns pra eles) foram absolutamente contra. Resultado, está aí na foto. E do jeito que vai, daqui a pouco vão querer fazer um grafite no monumento, que me parece ser a única solução conhecida pela Prefeitura pra qualquer lugar.

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  2. Porrada, chibatada, relhada, e amputacao das maos……

    Chega de “discussoes” com essa cambada de vagabundos.

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