Com dois barcos e um caminhão, garis começam primeira limpeza do Arroio Dilúvio de 2015

Garis começaram a remover a sujeira do Arroio nesta segunda. Trabalho nos 17 quilômetros deverá levar de 15 a 45 dias|Foto: Alina Souza/Sul21

Garis começaram a remover a sujeira do Arroio nesta segunda. Trabalho nos 17 quilômetros deverá levar de 15 a 45 dias|Foto: Alina Souza/Sul21

Jaqueline Silveira

Vinte e cinco garis começaram na tarde desta segunda-feira (9) a primeira limpeza de 2015 do Arroio Dilúvio, na Capital. Os trabalhadores devem levar entre 15 e 45 dias para concluir a limpeza dos 17 quilômetros, que se estendem até o final da Avenida Ipiranga. “Já encontramos pneu, bicicleta, ar-condicionado, garrafas pets e caixa de isopor”, conta o gari Júlio César Leal dos Santos, que integra a equipe pelo segundo ano. Ele afirma que à medida que os garis avançam pelo Arroio, o lixo aumenta. “Conforme vamos subindo (Dilúvio), vai ficando mais sujo”, constata ele. O grupo utiliza dois barcos e conta com o auxílio de um caminhão do lixo para fazer a limpeza, que iniciou na Avenida Ipiranga esquina com Avenida Borges de Medeiros.

Os garis retiravam o lixo, como garrafas pets, e colocavam nas margens do Dilúvio para depois ser levado para o caminhão|Foto: Alina Souza/Sul21

Os garis retiravam o lixo, como garrafas pets, e colocavam nas margens do Dilúvio para depois ser levado para o caminhão|Foto: Alina Souza/Sul21

Comparado ao ano passado, espera-se que o volume de lixo acumulado no Arroio seja menor. “Ultimamente, o pessoal tem colaborado”, observa Santos, referindo-se ao fato de que a população não tem depositado tantos materiais, atualmente, no Arroio. O diretor-geral do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), André Carús, diz que já foram retirados do Dilúvio em anos anteriores banheira de hidromassagem, carcaça de carro e muitos eletrônicos. Em 2013, foram removidas 267 toneladas de lixo e em 2014, cerca de 200.

A redução, segundo Carús, se deve à conscientização da população e ao monitoramento das câmeras instaladas em pontos que abrangem o Dilúvio. Ele também atribui o resultado positivo ao novo Código Municipal de Limpeza Urbana, que prevê penalidades mais severas para quem joga lixo em áreas públicas, como ruas, calçadas e arroios. As multas variam de R$ 263,82 a 4.221,21 dependendo do tipo de infração. Segundo Carús, a soma desses fatores contribuiu ainda na redução em 35% dos focos de lixo em áreas públicas de Porto Alegre. Em 2013, havia 459 áreas e, em 2014, caiu para 339.

Ao mesmo tempo em que os garis removiam a sujeira do Dilúvio, um grupo distribuía material aos motoristas com informações sobre a coleta seletiva do lixo e os bairros onde a mesma ocorre, além dos benefícios da reciclagem. Também foi distribuído panfleto específico sobre o Código Municipal de Limpeza Urbana com os tipos de infrações e o valor das multas. Foram, ainda, instaladas seis placas de “Proibido colocar lixo” em pontos estratégicos ao longo do Arroio onde é depositado material irregularmente.

Também foram instaladas placas de sinalização em pontos do Dilúvio onde normalmente é depositado lixo|Alina Souza/Sul21

Também foram instaladas placas de sinalização em pontos do Dilúvio onde normalmente é depositado lixo|Alina Souza/Sul21

Revitalização é discutida em audiência pública

O Arroio Dilúvio será tema de uma audiência pública na manhã desta terça-feira (10), a partir das 9h30min, na Câmara de Vereadores da Capital, promovida pela Comissão de Saúde e Meio Ambiente (Cosmam). O foco é o projeto de revitalização do Arroio, que envolve as prefeituras de Porto Alegre e de Viamão – onde nasce o Dilúvio-, a Uniritter, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul e a Pontifícia Universidade Católica (PUC).

O diretor-geral do DMLU diz que, por enquanto, foi concluído “o estudo básico” que servirá para elaborar o projeto executivo. Carús afirma que a prefeitura não tem “recursos suficientes” para fazer a revitalização, que envolve o tratamento do esgoto e a recuperação da bacia. Segundo ele, será preciso, talvez, uma parceria público-privada para viabilizar a revitalização, que ainda não tem um custo estimado. “É uma conquista para o futuro”, projeta ele.

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Foto: Alina Souza/Sul21

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Foto: Alina Souza/Sul21SUL 21

 



Categorias:Meio Ambiente

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12 respostas

  1. Só o ato de colocar uma placa ao lado de um arroio com os dizeres “proibido colocar lixo” já demonstra como estamos longe de sermos uma cidade civilizada. É ÓBVIO que não se coloca lixo num arroio.

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  2. Legal que o pessoal aos poucos está se conscientizando e cuidado mais do arroio. Imaginem se dessem uma urbanizada nele.

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  3. Cara, onde é que vem tanto M, olha a cor dessa água?

    Aposto que vêm de favelas e ocupações clandestinas, porque se fosse de casas, edifícios e indústrias de pessoas que pagam impostos e não existem só para votar, a Prefeitura ia lá multava e mandava consertar o problema em 30 dias. Mas os imexíveis são imexíveis.

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    • Até onde sei com o PISA vão tirar os esgotos que são largados hoje no dilúvio.

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      • Em tese, já tirou, porque o Pisa já está em funcionamento, mas o Dilúvio continua desse jeito.

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      • Já tá operando esse trecho? Bem, não sei se essa cor é necessariamente do esgoto…

        Se bem que na real hoje em dia o dilúvio já é fedorendo na nascente, pois lá perto tem aquelas invasões no campus do vale. Por sinal, quando fui lá me pareceu ter umas casas bem boas no meio…

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      • Muita gente que mora em casa, e até mesmo edifícios antigos, nem deve saber se seu esgoto está ligado ao pluvial ou cloacal, por isso a Prefeitura já deveria vir fazendo esse trabalho de inspeção, notificando os imóveis conectados incorretamente. Há quanto anos estão construindo esse Pisa, já poderiam ter feito esse serviço.

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      • Que eu saiba, isso seria uma outra etapa.
        Mas o diluvio sempre passou por problemas de esgoto clandestino, lembro que nos anos 90 direto dava problema com algumas empresas na região

        Mas não adianta, não é apenas o pessoal das favelas que faz isso, apesar de ter uma favela do lado de casa que todo o esgoto vai direto pro Diluvio (ela fica na Ipiranga, perto da CEEE), tem muita gente que mora nos prédios e casas da região que jogam sofás velhos, animais mortos, entre outros.

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    • o esgoto do dilúvio já começa nas suas nascentes, no municipio de Viamão. E é agregado pela parcela da população portoalegrense que conecta seu esgoto clocal nas ligações pluviais.
      O PISA trata de onde não tinha rede coletora de esgoto. Agora pegar esses “cidadãos de bem” que conectam sabiamento o esgoto na rede errada é um trabalho de formiguinha.

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      • Esse trabalho de formiguinha já deveria vir sendo feita enquanto se construía o Pisa e não agora.

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  4. Na última foto aparecem caixas de papelão. Sabem por que?
    1. A prefeitura não disponibiliza containers suficientes para o lixo;
    2. A prefeitura não disponibiliza e quando disponibiliza cria entraves para albergues para moradores de rua. Assim esses moradores de rua dormem no papelão. Cabe lembrar que tem cerca de 1000 moradores de rua e casualmente tem cerca de 1000 CCs na prefeitura.

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  5. Bom saber que ainda querem discutir sobre essa revitalização do diluvio.
    Melhor ainda é saber que a quantidade de lixo encontrada no arroio teve uma queda, e que estão investindo na educação do povo sobre isso.

    Vamos ver no que vai dar.

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