EPTC anuncia tarifa técnica das passagens de ônibus de Porto Alegre em R$ 3,2691

Débora Fogliatto*

Atual passagem é de R$ 2,95 | Foto: Alina Souza/Sul21

Atual passagem é de R$ 2,95 | Foto: Alina Souza/Sul21

A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) concluiu os estudos técnicos para o reajuste tarifário dos ônibus de Porto Alegre nesta terça-feira (10). O estudo realizado, segundo a empresa, leva em conta as recomendações do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e componentes da planilha de cálculo tarifário, seguindo a legislação municipal. O índice alcançado reajusta em R$ 0,3199 o valor da passagem, chegando a uma tarifa técnica de R$ 3,2691.

O aumento representa 10,85% em relação à tarifa técnica anterior, que foi de R$ 2,9492. A passagem de ônibus atualmente é de R$ 2,95. O estudo agora será entregue ao Conselho Municipal de Transportes Urbanos (Comtu), que tem uma semana para analisá-lo e tomar alguma decisão em seu próximo encontro. O processo está à disposição para consulta no site da EPTC.

De acordo com o divulgado pela empresa, os índices que mais contribuíram para o reajuste foram: o aumento de 8% no salário dos rodoviários, correspondendo a 47% no peso da tarifa; 12% de aumento no óleo diesel, correspondendo a 23% no valor final da passagem; e redução no Índice de Passageiros Equivalentes Transportados por Quilômetro (IPK), que diminuiu em 1,98% (aumento equivalente ao percentual da redução).

O valor sugerido pelas empresas de ônibus havia sido R$ 3,49. Para Luiz Mário Magalhães Sá, gerente-executivo da Associação de Transportadoras de Pessoas (ATP), o valor está “muito aquém” das expectativas. “Certamente esse valor não repõe o contingenciamento sofrido nos dois últimos anos. Nós tivemos um aumento acumulado de somente 3,5%, então não há nenhuma condição, pelo que se viu aqui, de reposição dessa parte que foi contingenciada da tarifa”, afirmou, observando, porém, que o estudo só será disponibilizado para os conselheiros a partir desta quinta-feira (12).

Ato marcado para quinta-feira

O segundo protesto feito pelo Bloco de Luta pelo Transporte Público contra o reajuste das passagens já está marcado para esta quinta-feira (12), a partir das 18h, em frente à Prefeitura. Apesar de também desconhecer os detalhes técnicos, que ainda não estão disponíveis, o integrante do bloco Matheus Gomes aponta a necessidade de se manter a população nas ruas contra o aumento. “Este segue sendo um reajuste que me parece injustificável do ponto de vista do aumento geral do custo de vida que a população está vivendo hoje”, reflete.

*Com informações da assessoria de imprensa da EPTC

SUL 21



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20 respostas

  1. Sempre é bom lembrar,que na época do Villela se não me falhe a memória isto já faz muito tempo começaram um sistema de bilhetagem no corredor da Bento que dispensava os cobradores,deu certo não,quem jogou contra, o povo que não queria fazer transbordo ,os empresários que alegavam prejuizo porque a tarifa era mais barata e os sindicalistas que perdiam massa de manobra.Isto se chama Cultura hábitos e interesses.Nosso povo gosta de comodidade e jogar a culpa nos outros.

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  2. Tirar cobrador é comprar briga com sindicato, a gasolina poderia ser mais barata tirando os frentistas, mas olha no que deu.

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    • Em Joinville (por exemplo) conseguiram tirar os cobradores.

      Mas entendo o ponto, foi lamentável aquilo dos frentistas.

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  3. O preço individual da passagem de onibus com todos os custos envolvidos esta perto ou mais de um euro.Faz um bom tempo que fui a Madri e o preço individual do onibus urbano sem cobrador era E 1.10. Não estou defendendo dono de onibus nem cobradores,mas temos de entender que ainda gira dinheiro dentro dos coletivos e o povo não vem com o dinheiro certo e não tá nem ai.A nossa população foi criada desta forma ,isto é cultural,boa parte dos passageiros ate pode ter uma escolaridade formal razoavel,não são analfabetos,mas não fazem esforço para colaborar e ai a necessidade de manter cobradores.É bem possivel que dentro de dez ou vinte anos com a devida\ educação possa se eliminar o cobrador ,até lá não tem outro jeito.Trasnporte de massas tem de ser planejado já que tem custos e alguem de pagar os custos.O ideal seria estatizar o sistema ,mas num pais e numa cidade como a nossa seria o fim.Como boa parte do transporte é subsidiado via vale transporte aqueles que o recebem e as isenções não vão sofrer impacto algum com o aumento da tarifa. Eu li que em Campinas subiram para R3.50,isto quer dizer que não parece ser o fim do mundo ainda. O bloco de lutas a esquerda unida não deve ser hipocrita pois os preços são resultados da politica economica do governo federal que esta há muito tempo na mão do PT e seus aliados e o que nos vemos a ponta do Iceberg a Petrobras,esperem que pode vir a eletrobras, Bndes, Caixa economica FGTS e outros

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    • Eu não uso cartão 100% do tempo pela dificuldade que é recarregar ele, já que temos poucos pontos de recarga, com horários de atendimento ridículos e uma eficiência no máximo tolerável, onde perdemos um tempo considerável pra recarregar um cartão.

      Com um sistema de recargas pela internet de PA, nos moldes do VT, e venda de cartões pré pago contendo um numero x de passagens, poderíamos minimizar o pagamento de passagens em dinheiro, alem de claro, a passagem em dinheiro ser um valor redondo mais alto, facilitando o troco.

      Hoje, se um turista em porto alegre desejar usar transporte publico e um cartão de passagem, isso é impossível, já que o cartão levaria no minimo uma semana pra ser feito, e é atrelado ao CPF da pessoa, mesmo que seja pra pra uso de PA, algo totalmente desnecessario, hoje, o órgão responsável pelos cartões nem sonha em usar um cartão pré pago não associado a uma pessoa fixa.

      E, inicialmente, os cobradores poderiam ser aproveitados nas paradas de grande movimento pra venda desses cartões pré pago, ao custa da passagem em cartão, não ao em dinheiro que se paga dentro do ônibus, e a pessoa pudesse compra vários desses cartões (estilo trensurb) ou um com mais passagem, pra usar quando pegasse o ônibus em paradas sem a venda deles.

      Caldo, tudo isso que eu descrevi é algo complexo de mais pros nossos políticos pensarem em como melhora a eficiência do transporte e baixarem o seu custo.

      PS, acho que São Paulo já permite tu recarregar teu cartão em casa, a partir de alguns celulares que possuem NFC, mas não imagino que algum dia cheguemos tão longe.

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      • Felipe eu não tenho grande conhecimento de informatica mas tenho a impressão que este sistema de Porto Alegre é muito complexo e caro já que possui varias modalidades que vão da assistência social à quem paga pelo uso.Não precisa dizer o sistema é privado e tem de remunerar o capital estas empresas não estão ai para fazer caridade.Já utilizei transporte de massas na Europa e nos EUA é tudo muito simples e eficiente ao menos nas grandes cidades,voce compra com antecedência tem desconto e por ai vai.No modelo que esta ai e creio que não va mudar tão cedo pouco se pode fazer.Nunca esqueça que levou anos para implantar uma coisa simples como a travessia Guaiba POA,burocracia,interesses quem sabe.

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      • Dúvida tu usa PA por que usa lotação ou tem alguma vantagem em usá-lo para ônibus?

        Acho bem importante isso que o Renato falou sobre a complexidade. Como quase tudo aqui no Brasil ficamos criando sistemas complexos de mais como se isso não embutisse preços.

        Para mim deveria haver uma passagem única, um só valor, com cartões carregáveis em qualquer lugar (ou descartáveis mesmo). Se algum político quer fazer programa de assistência que aponte de onde vem o dinheiro e que dê cartões/cargas diretamente pras pessoas (ou reembolse depois)

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      • Uso escolar, e como ela não pode ser usada aos domingos, complemento com PA.

        A vantagem dela é poder pegar 2 ônibus e não pagar o segundo (integração), e vez ou outra que preciso do trensurb ou de lotação eu posso aproveita o mesmo PA.

        Eu sei que o sistema é complexo, mas em nenhum momento falei em mexer na parte das gratuidades, falo em mexer na parte onde tu paga integralmente pela tua passagem, simplesmente minimizar pra quase nada o uso de dinheiro, uma simples opção de recarrega de PA pela internet como é feito com o VT, já incentivaria a sua troca de dinheiro por cartão.

        Hoje, os ônibus de porto alegre passam PA dos cartões sim e teu. O PA do tri, a recarga minima são 10 passagens, hoje, 29,50 já o cartão sim, é de 5 reais, mostrando que ele pode ser recarregado com menos de 3 passagens de trem, englobando usuários esporádicos do transporte, precisamos de muito mais postos de recarga de tri PA e possibilidade de fazer pequenas recargas (minimo de 5 passagens já acho viável). Acredito que pra PA seria viável até o uso de ATM, em parceria com algum banco e cartões de débito.

        Quanto a quem gerencia precisa tira seu lucro, acredito que o governo deve se manter enxuto, mas esse é um serviço que ele deveria gerencia caso se mostrasse viável fazer isso por um custo menos do que a empresa privada atual.

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      • Ah, sim, concordo que a experiência de usuário é complexa também. Mas não acho que isso diminuiria a questão “caro” que mencionaste.

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    • Não entendi onde vê a necessidade de ter cobrador. Funciona tão bem nas lotações… sei que são menores e atendem muito menos passageiros, mas realmente acredito que a imensa maioria já usa cartão hoje.

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      • Na maior parte do dia os onibus funcionam razoavelmente vazios. Será que não da pra inicialmente tirar os cobradores em horários tranquilos (das 9:30 as 11:30 e das 14:30 as 17 e das 20:30 até as 6:30 ?? Já aliviaria bastante o sistema pois seriam necessários bem menos turnos.

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      • Bem, acho válido começar nesses horários sim.

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      • Boa parte das linhas saem do centro nos últimos horários com meia dúzia de pessoas, e não pega quase ninguém no caminho.

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    • Renato, concordo em parte. Gostaria de ler algum “insider” que informasse bastidores da folha de pagamento das empresas de ônibus. Eu fico pensando que vale muito a pena pendurar a parentada toda para trabalhar na firma e deixar o lucro sempre zerado. Desta forma o aumento da passagem tem sempre justificativa porque o custo de operação sempre é alto – por causa do inchaço na área administrativa.

      Alguém responde aí: o que estou dizendo faz sentido ou é teoria da conspiração? Só sei se que, se eu fosse concessionário, certamente essa ideia passaria pela minha cabeça. Por mais que incida imposto de renda, parece fazer mais sentido ser assalariado do que receber lucro, aí a empresa sempre precisa ser socorrida com belos reajustes anuais. Certo?

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      • É algo a se olhar, mas a maioria tem lucro e acima do “previsto” na planilha mágica…

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  4. Prevejo mais manifestações.

    “o aumento de 8% no salário dos rodoviários, correspondendo a 47% no peso da tarifa” – quero ver se o bloco de luta está disposto a discutir o fim dos cobradores. Quando vejo um cobrador num ônibus me sinto vendo um ascensorista.

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    • Está na hora de se aliviar o peso que a população tem com os “cobradores de ônibus” cujo custo não tem mais sentido. O povo tem de se acostumar com o uso do cartão para prover sua passagem, ou então pagar ao motorista o dobro do valor. Manter “cobradores” com a atual tecnologia implantada é um luxo totalmente dispensável. Está na hora do governo pensar em implantar uma forma de reciclagem dessa mão de obra, com treinamento voltado para as necessidades de nossa economia.

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      • Concordo 100%. Não sei se andas de ônibus, mas ando bastante e já é a maioria que usa cartão, não faz mais sentido.

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    • O fim dos cobradores e o fim dos diretores. Fico me perguntando se cada empresa dessas não tem meia dúzia de parentes inflando a planilha de custos com supersalários. Não duvido que os “Executivos” não tenho um peso considerável na folha de pagamento. Desta forma, é possível empurrar o lucro para baixo. É o melhor dos mundos (para o empresário) – no balanço parece um coitado, mas na prática, é um empresário-assalariado da própria empresa.

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  5. Cadê o prefeito “bonzinho” pra reduzir, pelo menos, pra R$ 3,25?

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