Alô, EPTC, tem gato no TRI?

Boa tarde Juremir,

Juremir Machado da Silva

Juremir Machado da Silva

O que vou te relatar pode implicar numa investigação da EPTC ou no mínimo do sistema informatizado implantado por eles e a Prefeitura de Porto Alegre.

Você provavelmente tem os dados corretos sobre a data em que foi implantado o sistema de débito nos cartões TRI da EPTC, por isso não vou me ater a estas informações que certamente são essenciais.

Comecei a usar o cartão TRI apenas em fevereiro de 2013 por ocasião de um novo trabalho. Até então usava o cartão estudantil em função da licenciatura e cursos de extensão.

Com uma renda apertada costumo calcular o número de passagens que gasto por dia e o custo mensal em deslocamentos. Observava que em menos de 1 hora (às vezes em 15min) a roleta do 2° ônibus debitava o meu crédito como se fosse uma nova passagem. Passei a notar que isso ocorria no outro cartão também.

Quando reclamava para os cobradores eles “davam de ombros” ou me faziam crer que eu estava enganada. Um dia me enchi de coragem e fui à EPTC depois de anotar o horário dos meus deslocamentos, e soube que havia um setor para requerer este demonstrativo.

Na 1ª verificação apareceram os tais “enganos” e fui ressarcida após assinar um recibo. Caso eu quisesse uma cópia (do recibo) teria que pagar R$ 1,00. Deixei pra lá.

Passei a repetir a pesquisa todo o mês quando ia por créditos, requerendo a observação dos extratos de meses anteriores até chegar ao ano de 2012 (do meu cartão estudantil). Houve meses em que fui ressarcida em R$ 5,90 a 23,60 reais, o que implica na seguinte questão: o acúmulo desses débitos no crédito de milhões de passageiros.

Chego a supor que o “dia do passe livre” já pode está coberto financeiramente pelo montante de dinheiro que retorna à EPTC desse modo sorrateiro. Dá pra imaginar que milhares de pessoas esgotadas num fim de tarde, num desses ônibus abarrotados do município, não se detém a observar o valor que aparece no visor da roleta, no entanto, o débito ocorreu.

Neste panorama não cogito retomar o debate sobre o que foi estabelecido no município para tentar amenizar o choque da inflação no transporte público dos usuários que utilizam vários coletivos por dia, como é o meu caso.

Tenho a impressão que há uma manobra por trás disso, pois, pouca gente sabe que tem o direito de averiguar erros no seu crédito lá na EPTC  (R.Uruguai); Tampouco os usuários sabem que podem ser ressarcidos quando isso ocorre, e por último, por que estes erros são tão frequentes se é um Programa de computador que gerencia o sistema geral de débitos?

Então o “erro” pode estar projetado para ocorrer esporadicamente?

É evidente que este esses débitos favorecem a EPTC, e se, pelos dois anos eu recebi mais de R$ 80,00 (oitenta reais), numa contabilidade básica qual seria o valor mensal desse “erro” debitado no crédito da EPTC de milhões de passageiros?

Outra dúvida, esse valor é repassado às empresas?

Penso que pelo último e abusivo valor das passagens um escândalo que envolva este órgão público e as empresas de transporte repercutiria na população como mais um jogo no qual somos lesados. É importante dizer que 75% dos meus deslocamentos são pela Carris.

Caro Juremir, acompanho tuas observações pelo rádio e algumas vezes pelo Correio do Povo. Por volta de dezembro entrei num ônibus no centro e para minha surpresa me sentei no banco a tua frente. Achei e acho que teria sido inoportuna a ocasião para rasgar algum comentário ou elogio por te diferenciar dos jornalistas que, cada vez mais, aderem ao apelo exibicionista.

Caso venhas a desdobrar esta questão, peço que meu nome não apareça porque não sou política e tenho somente a minha consciência para me amparar.

Reprodução integral da coluna do Juremir Machado da Silva, do Correio do Povo, no dia 1º/03/2015



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5 respostas

  1. Grande novidade, essa de aplicar cobranças indevidas para cima dos consumidores! Pois as operadoras de telefonia não fazem isso o tempo todo? É a tática do “se colar colou”, para faturar milhões. Sugiro, e eu tenho adotado esse sistema, de cobrarem o ressarcimento em dobro, com base no artigo 42 do CDC.

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  2. Aproveitando a onda da “maracutaia” intrínseca, gostaria de pedir a alguém que saiba me explicar o motivo de o passageiro não receber a nota fiscal no momento da recarga do tri. Certa vez pedi para a atendente que me disse que a “associação” (ATP?) fica isenta da obrigatoriedade do repasse da nota fiscal ao consumidor.
    Isso procede???
    Sempre imaginei que abriria espaço para alguma forma de sonegação…

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  3. Tem tanta falcatrua nesse sistema… a ATP deve ganhar uma fortuna com esse sistema de cobrança. Fico imaginando, ficou meses com minha última carga rendendo dinheiro nas contas dela e agora que saiu o aumento meu saldo passou a valer menos.

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  4. Gente tem gato no TRI, tem cobradores desonestos e por ai vai… uso o T3 duas vezes por semana e como sou obeso não passo pela roleta e o cobrador deveria girar a mesma no entanto observo que quando faço isso ou algum idoso senta no banco da frente os cobradores do T3 sem distinção aguardam até o momento que por acaso suba alguém que vá pagar com dinheiro e aproveitam para embolsar essa grana e a pessoa passa no meu lugar ou do idoso, alguns até ficam com o cartão do idoso e colocam dentro da sua tabela aguardando um pagante. Na linha da Cruzeiro e Pereira passos ocorre o mesmo e ainda mais pessoas sobem atrás e dão ao cobrador R$2,00 que ele embolsa e acredito que divida com o motorista.
    Nossa em que pais vivemos onde todos querem levar vantagem e outra dúvida pra onde vai o dinheiro da publicidade feita nas paradas e bus????

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