Consórcio que administra Guarulhos está de olho no Salgado Filho

Edital de concessão do aeroporto de Porto Alegre à iniciativa privada deve sair em breve

Aeroporto de Guarulhos. Foto: Ricardo Giusti

Aeroporto de Guarulhos. Foto: Ricardo Giusti

De olho no lançamento do edital de concessão da administração do Aeroporto Internacional Salgado Filho, a direção do GRU Aiport – Aeroporto Internacional de São Paulo apresenta um salto de qualidade dos serviços após a chegada do consórcio privado, há quase três anos. O aeroporto de Guarulhos, como é conhecido, esteve no primeiro lote concedido à iniciativa privada.

Com os bons resultados obtidos em São Paulo, a direção do consórcio formado pelas empresas Invepar e Airports Company South Africa (ACSA) aguarda com atenção e expectativa o próximo edital, que, segundo a Secretaria de Avião Civil da Presidência da República, será lançado a qualquer momento e incluirá o Salgado Filho. “Estamos atentos e temos interesse em participar, caso o edital permita, uma vez que já temos uma concessão. Temos certeza de que é possível fazer muito no Salgado Filho”, afirma o presidente interino do GRU Airport, Marcus Santarém, durante apresentação das melhorias, em Guarulhos.

O edital de concessão do Salgado Filho, que deverá conter ainda os de Florianópolis (Hercílio Luz) e Salvador (Luiz Eduardo Magalhães), é aguardado pelo segmento ligado à aviação, especialmente, diante do impasse envolvendo importantes obras que são necessárias. No caso da Capital, o ministro da Secretaria de Aviação Civil, Eliseu Padilha, adiantou que a empresa responsável deverá ter o compromisso de construir o novo terminal. Nesse mesmo acordo deverá ser incluída a ampliação da pista, que está com a licitação travada diante de discussões entre prefeitura e Infraero.

De acordo com Santarém, um dos benefícios decorrentes da concessão é a agilidade para a realização de melhorias. Ao assumir o aeroporto, o consórcio tinha como compromisso de investir R$ 4,5 bilhões em 20 anos. Desse valor, R$ 3,5 bilhões já foram aplicados.

A maior parte está no moderno Terminal de Passageiros 3 (TPS3), que entrou em operação há quase um ano e é considerado a “menina dos olhos” da direção do GRU. Ele foi erguido em prazo recorde, de um ano e nove meses.

O novo terminal é voltado exclusivamente para os voos internacionais e tem a capacidade inicial de receber 12 milhões de pessoas por ano. O empreendimento permitiu impulsionar as operações no aeroporto de Guarulhos. Igualmente garantiu a reorganização dos outros terminais já existentes e em operação e maior segurança aos passageiros.

Tempo real

A maioria das melhorias realizadas após a concessão, além da construção do Terminal 3, envolveu tecnologia. Uma das novidades foi o Centro de Controle Operacional (CCO), que coordena todas as operações de chegada e partida de aeronaves no aeroporto. São 18 monitores que mostram em tempo real informações dos terminais e da pista, assim como as posições de pouso e decolagem. “Temos condições de fazer planejamentos e, assim como em situações de urgência, adotar medidas para amenizar problemas e garantir a resolução de possíveis transtornos”, explica Wilson Souza, responsável pelo CCO.

Outro espaço diferenciado é a Sala de Crise. Apesar do nome, o espaço foi projetado para solucionar eventuais problemas que possam prejudicar a operação. Durante o período da Copa do Mundo, a sala esteve ativada por mais de 30 dias ininterruptos, em função da chegada e partidas de grupos de passageiros estrangeiros. Mas também funciona na chegada de personalidades, greves e passeatas, que poderiam prejudicar a chegada de funcionários. Também foi instalado o sistema de docagem visual, que presta as orientações para o piloto “estacionar” a aeronave. Os sinalizadores saíram de cena. É tudo informatizado.

Autoatendimento

Numa área de 192 mil metros quadrados, o Terminal 3 conta com modernos e pioneiros sistemas de tecnologia. Interligados, eles permitem, por exemplo, que o passageiro faça todos os procedimentos de embarque sozinho. Pode despachar a bagagem e fazer o check in e, em seguida, ingressar na área de embarque passando pelos portões eletrônicos de controle automatizado do passaporte brasileiro. Nele, um sensor autoriza a passagem pela análise do chip do passaporte e reconhecimento biométrico-facial.

A medida é válida apenas para adultos. Na prática, o conjunto de melhorias faz com que o tempo gasto pelo passageiro caia de 20 minutos para 13 minutos entre a chegada ao aeroporto e o ingresso na área de embarque. “Conseguimos reduzir consideravelmente o tempo. Dessa forma, o passageiro tem mais conforto e agilidade, podendo direcionar o tempo dentro do aeroporto para outras coisas”, explica a responsável pelas operações aeroportuárias, Vilma Varga. “Ele não precisará mais ficar numa fila esperando, como ocorre hoje, para despachar a bagagem ou na fila da Polícia Federal”, exemplifica. No momento, o maior desafio é mudar o conceito de atendimento entre as empresas e passageiros.

Menor extravio

Um sistema pioneiro nos aeroportos brasileiros tem garantido a redução de uma das principais reclamações dos passageiros: as bagagens. Com um volume de 130 mil malas por dia despachadas no Terminal 3 do GRU, o sistema BHS reduz o contato de funcionários e amplia a fiscalização. Com a identificação digital é possível controlar praticamente passo a passo a mala desde o momento do despacho até ser colocada na aeronave. “A possibilidade de extravio foi praticamente eliminada”, explica o responsável pelo processo de bagagem, Diego Moretti. O número de reclamações de extravios, danos ou violações reduziu 25% na comparação com os demais terminais. Após o despacho, a bagagem passa por até cinco níveis de segurança — padrão internacional. Caso seja verificada alguma irregularidade, há quatro possibilidades de apuração, todas feitas sem contato direto de uma pessoa, mas por meio de scanner, raio-x e tomógrafo. Apenas no quinto nível o passageiro e representantes da companhia e de órgãos competentes são acionados. “O conceito é reduzir o manuseio e a interferência humana dentro do terminal”, ressalta Moretti. O complexo de esteiras totaliza 5 quilômetros de extensão.

Correio do Povo – Mauren Xavier

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Categorias:Aeroporto Internacional Salgado Filho

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23 respostas

  1. Espero que NUNCA! Ja basta a Petroroubo. Imagina se tivesse CSN, CRVD, Telefônica, tudo pra fazer esquema, que ótimo que ia ser! A CRVD era referencia mundial em mineração, a Embraer vendia milhares de aviões pro mundo todo gerando dezenas de milhares de empregos, tudo isso acabou com a privatização, so que ao contrario. Sim, tirando essas excelentes jogadas que resultaram na excelência em produção e geração de empregos como CSN, CRVD e Embraer, não sobraram privatizações, apenas concessões

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    • Não vai voltar por que estas foram privatizadas. Realmente houve ganhos (apesar do valor irrisório da venda), mas não é o mesmo caso. Não existe livre mercado de aeroportos, melhor que estes operem como concessão mesmo, como está sendo feito e não é o mesmo que privatização.

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  2. O festival de bordões é o mesmo de sempre, mas me impressiona mesmo é que o pessoal não entendeu ainda que isso não é privatização. Mas tomara que saia mesmo.

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    • Sim, isso não é privatização. O FHC nunca privatizou nada também então.

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    • Pois é, Felipe X, sempre a mesma ladainha.

      Concessão é diferente de privatização, pois tem prazo definido e, em tese, o Estado pode retomar o controle caso a empresa privada não cumpra com os objetivos estipulados (disse “em tese” porque o que mais vemos é o Estado renovar concessão mesmo com um trabalho porco por parte das concessionárias – só lembrar da Yeda querendo renovar com as concessionárias de rodovias, sem licitação).

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