Há quatro meses sem diretor, museu da comunicação cai no esquecimento

museu-comunicacao-hipolitoReferência em pesquisa no Sul do Brasil e em países vizinhos, o Museu de Comunicação Hipólito José da Costa agoniza. A falta de funcionários em alguns setores e de organização do acervo contrastam com a importância do lugar para a memória da comunicação. No prédio localizado na esquina da Caldas Júnior com a Andradas, em Porto Alegre, é possível consultar cartazes publicitários, jornais, revistas, roteiros de televisão, filmes e documentários, discos musicais e imagens históricas da Capital e do Estado, além de equipamentos como máquinas de escrever e câmeras fotográficas. Mas o acesso à riqueza material do acervo está prejudicado. Um dos reflexos do descaso com que tem sido administrado: há quatro meses o local aguarda a nomeação de um diretor.

O Editorial J esteve na instituição, no dia 26 de março, para consultar alguns materiais e percebeu falhas. Entre elas, uma infiltração com manchas pretas que ocupa metade da parede direita de quem entra no local reservado para abrir as coleções de imprensa. Com a falta de estagiários, jornais e revistas consultados por usuários, em pesquisas, se encontravam nas mesas. A instituição limita o número de pesquisadores. Teoricamente são oito pessoas diariamente, porém, durante a visita havia 26. Algumas delas olhando as coleções no chão. Para agravar o problema administrativo, o museu está há quatro meses sem um diretor.

Além disso, o J teve acesso ao local destinado a guardar as coleções de imprensa. Lá existe uma janela que expõe diariamente jornais e revistas ao sol. Segundo a professora de Museologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Jeniffer Cuty, a luz natural tem todos os tipos de radiação. “A degradação é de um dia para o outro”, explica a especialista. Outra observação é sobre a falta de orientações aos pesquisadores. Não foi pedido o uso de luvas e nem de máscaras para o manuseio dos materiais. “O usuário precisa ser educado. E o usuário quer essa educação, essa orientação”, salienta Jeniffer. No entanto, existe uma dificuldade para que os esclarecimentos sejam oferecidos: o setor do acervo da imprensa tem apenas um funcionário com qualificação para dar explicações.

(Continua)

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Fonte: Eu sou Famecos / PUC RS



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6 respostas

  1. Triste gente.
    Arquivo dos jornais mais antigos do Estado e também do País o Museu da Comunicação Hipólito José da Costa está abandonado. Somos 3 estagiários tentando organizar o acervo da imprensa, e ao mesmo tempo acondicionar os novos jornais que chegam todos os dias. E ainda receber pesquisadores…

    Literalmente escorre água das paredes. Pingam gotas pelas lâmpadas.

    Seguimos abertos, servindo como fonte de pesquisa para Historiadores, Jornalistas e pesquisadores e curiosos em geral. Pois conhecer a nossa história nos ajuda a entender como chegamos ao que somos hoje e assim tratar de não repetir os erros do passado.

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  2. é triste ver o acervo histórico da cidade completamente esquecido, tudo isso por falta de planejamento.
    Porto Alegre tem vários museus que eu nem sabia da existência, como esse aí, só quem é da área sabe da existência deles, e pelos poucos que eu conheço percebo o quão distantes eles são, é tudo descentralizado.
    Se todo o acervo tivesse centralizado em um único museu (um museu com boa infraestrutura, estilo Iberê Camargo), esse acervo seria muito mais útil.
    De nada serve preservar essas coisas se ninguém sabe da existência, perde o sentido.
    Infelizmente o conceito de museu da cidade é só pra ocupar prédios tombados.

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  3. A Biblioteca Pública já está deteriorada por fora e nem foi reinaugurada. O Capitólio está funcionando mais ou menos. Abriu salas de cinema, mas a circulação no prédio é restrita, ainda não tem a cafeteria, etc. A CCMQ é rotineiramente subutilizada. A restauração do Cine Imperial/Guarani está parada.

    Infelizmente, acho que a única forma de tornar esses espaços sustentáveis é cedendo à iniciativa privada através de alguma renúncia fiscal. O Santander Cultural funciona bem, tem uma biblioteca pequena, mas atualizada com revistas e jornais.

    Se a Biblioteca Pública tiver uma estrutura parecida com o Santander, oferecendo mesas de estudo e Wi-Fi, será um sucesso. Mas quantos anos precisaremos esperar para que isso se concretize?

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  4. o gringo que faz… bem devagar, quase parando, mas faz.

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