População de rua aumenta em Porto Alegre e políticas públicas falharam, diz Fasc

Na Capital, 1,3 mil pessoas constroem suas vidas tendo praças e viadutos como lares

Na Capital, 1,3 mil pessoas constroem suas vidas tendo praças e viadutos como lares | Foto: Samuel Maciel

Na Capital, 1,3 mil pessoas constroem suas vidas tendo praças e viadutos como lares | Foto: Samuel Maciel

Para a Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc), que disponibiliza 1,2 mil vagas em Porto Alegre ao acolhimento da população em situação de rua, é necessário um trabalho conjunto. “Vivemos um caos social. Entramos em ação porque as políticas públicas falharam, mas o nosso desejo é ter todas entrelaçadas para ressocializar essas pessoas”, afirma o presidente Marcelo Soares.

A população de rua é acompanhada pelos Centros de Referência Especializados de Assistência Social. A quantidade de pessoas nas ruas está aumentando, conforme Soares, e há escassez, inclusive, de pessoas para atendimento. A rede para adultos, que oferece pernoite e alimentação, conta com 173 vagas em três abrigos, 50 em abrigos familiares, 24 em república, 355 em três albergues, 260 em quatro instituições de longa permanência e 220 nos dois Centros de Referência Especializados para População em Situação de Rua.

Há ainda 24 idosos na primeira casa lar do município. Outras 123 vagas são abertas no inverno. Para a Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc), que disponibiliza 1,2 mil vagas em Porto Alegre ao acolhimento da população em situação de rua, é necessário um trabalho conjunto. “Vivemos um caos social. Entramos em ação porque as políticas públicas falharam, mas o nosso desejo é ter todas entrelaçadas para ressocializar essas pessoas”, afirma o presidente Marcelo Soares.

A população de rua é acompanhada pelos Centros de Referência Especializados de Assistência Social. A quantidade de pessoas nas ruas está aumentando, conforme Soares, e há escassez, inclusive, de pessoas para atendimento. A rede para adultos, que oferece pernoite e alimentação, conta com 173 vagas em três abrigos, 50 em abrigos familiares, 24 em república, 355 em três albergues, 260 em quatro instituições de longa permanência e 220 nos dois Centros de Referência Especializados para População em Situação de Rua. Há ainda 24 idosos na primeira casa lar do município. Outras 123 vagas são abertas no inverno.

Na Capital, 1,3 mil pessoas vivem nas ruas 

Barracos erguidos nas ruas de Porto Alegre abrigam centenas de pessoas que tiveram suas vidas moldadas debaixo de lonas. Cada construção improvisada denuncia a realidade da Capital. Entre homens, mulheres e crianças, são 1.347 em situação de rua, conforme o último censo, de 2010. Algumas delas, que se instalaram no asfalto e buscam o abrigo de viadutos e praças, estão há mais de 25 anos dessa forma. O município oferece albergues, núcleos de acolhimento e abrigos. Porém, as medidas não agradam nem alcançam a todos.

Com apenas 5 anos, Daniel Silveira se tornou um filho da rua. Nascido em Ijuí, foi deixado na capital gaúcha pela mãe e aprendeu, desde pequeno, a encontrar o seu próprio caminho. Hoje, com 43, ele tem um barraco na praça Brigadeiro Sampaio, em Porto Alegre, onde guarda os pertences e as histórias que foram acumuladas com o passar dos anos. “Quando eu cheguei na cidade e fui largado sozinho na rua, procurei logo um lugar para me deitar e me proteger do frio. Com o tempo, fui aprendendo a viver dessa forma”, lembra Daniel.

O barraco construído com lonas, que alcançam um dos braços de uma figueira centenária da praça, é dividido com o amigo Jorge Luis da Silva, 40, um conterrâneo que também ganhou as ruas.  No local, carrinhos de supermercado, caixas de papelão, sacos plásticos e um quadrado com madeiras pregadas, que imitam o esqueleto de uma cama, estão assentados na terra e compõem a moradia. Em um dos cantos, uma caixa de papelão foi transformada também em casa para a cadela que Daniel encontrou na rua, enquanto catava latinhas para a reciclagem: Lois Lane, a companheira escolhida para os momentos de solidão. O nome é inspirado no amor do Super Homem. “Encontrei ela largada, assim como eu fui, e resolvi cuidar dela. Hoje eu dou o melhor que posso a ela, porque aqui só tem amor”, conta Daniel.

O sentimento é anunciado logo na chegada por uma placa que estampa o nome escolhido para o barraco: “Recanto do Amor”. Foi dessa forma que o menino que pedia comida e dinheiro na rua cresceu e foi buscar a sobrevivência. “Comecei a trabalhar em obras e depois em um supermercado. Assim eu fui vivendo e me criei”, explica.
Daniel se casou, teve filhos e diz ter estudado. “Também dava aulas de capoeira, foi o que me salvou das drogas”, relata.  Mas a rua continuou sendo o lugar que ele escolheu para viver. “Não fiquei sempre na rua, mas acabei voltando para ela, porque isso também se tornou um estilo de vida”, resume.

Correio do Povo – Jézica Bruno



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8 respostas

  1. Quer dizer que, aproximadamente, 1 a cada mil habitantes da cidade vive na rua? Tudo bem que isso exista em qualquer lugar do mundo, mas o número aqui é absurdamente alto. Como isso acontece numa cidade demograficamente estagnada e com índices de desemprego tradicionalmente baixos?
    É uma situação degradante, de sofrimento indizível, que deveria ser combatida com unhas e dentes. Sem dúvida faltam recursos (e vontade, quase sempre), mas me preocupa mais a ideia que parece ter tomado conta dos poderes nesse país: morar na rua é uma “opção” do indivíduo, contra a qual o Estado pouco pode fazer. Parece que temos o direito de morar na rua.
    Semana passada vi um pedinte receber de outro mendigo um bolo de notas de 100 e 50 reais em plena tarde ensolarada, no centro da cidade. Ele beijou várias vezes o dinheiro e o ergueu aos céus. Para ganhar aquela quantia eu, como a maioria das pessoas, preciso trabalhar dias.
    Ninguém está totalmente a salvo de passar por isso, mas quem cai tão fundo – perdendo renda, lar, família e sanidade – deveria ser automaticamente abraçado pela “rede de proteção” do Estado, querendo ou não. Do contrário, a rua deixa a ser um espaço verdadeiramente público e passa a ser um loteamento de desesperados.

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  2. 60-80% dos moradores de rua são drogados e/ou deficientes mentais. O que falta na cidade é construir albergues públicos e proibir de dormir na rua (privatização de espaço público).

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  3. O que eu não entendo, é que uma vez que existe bosa família, como é que ainda existem moradores de rua? Essas pessoas não tem direito a esse benefício?

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  4. Para receber bolsa familia é necessário ter filho na escola e a criança tem que ter boa frequencia. A maioria dos moradores de rua não tem contato com familiares. Sem falar que bolsa familia raramente passa de 100 reais, é somente um complemento a renda, não substitui um salário.

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  5. Este é um problema que afeta não só Porto Alegre mas todo o Brasil e grande parte do mundo,quanto maior o centro urbano maior o contingente de moradores de rua.Como já foi citado aqui uma parcela é de viciados e pessoas com perturbação mental e se for feita uma pesquisa maios profunda alguns tem ate renda mas é tomada por alguém .Na minha opinião estas pessoas nunca e não serão prioridade para a pátria educadora.O que a prefeitura faz é colocar um band-aid num ferimento profundo.Diz que faz o que pode.Em uma cidade onde motoristas destroem Porsche em racha e pessoas sobrevivem na miséria o que dizer,é a miséria humana a hipocrisia que nos acompanha dia a dia é o juiz que diz que ganha pouco e quer mais,a policia que para trabalhar quer mais e outras categorias do serviço publico que estam no topo da piramide e dizem ganho pouco quero mais,depois é rezar um pai nosso levar um pacote de bolacha num asilo e pronto, se fica mais leve mais motivado para continuar a vida e ir para a Europa os EUA e falar das maravilhas de la´.

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  6. Na lei atual há um paradoxo na resolução do problema; Ela faculta e exige que entidades públicas alberguem moradores de rua, mas proíbe que os aprisionem nos estabelecimentos, visto que isso seria cerceamento à liberdade. Como se sabe, a grande maioria dos moradores de rua se recusa a viver sob um teto público, com regras de conduta interna. Então há uma lacuna impossível de ser resolvida tomando-se a legislação civil atual.
    A verdade é uma só; jamais vão tirar da rua esses “habitantes”, não só pela legislação que os mantém lá, mas também porque o tráfico de drogas encontra no Brasil, a máxima permissividade estatal.

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  7. Quando as praças são invadidas por moradores de rua a Prefeitura não faz nada, quando há algum conteúdo ideológico os ocupantes são demovidos: https://portoimagem.wordpress.com/2012/03/29/municipio-pede-reintegracao-de-posse-da-praca-da-matriz/

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