Vilas Dique e Nazaré devem ser reassentadas até 2016 para obras do aeroporto, segundo Frente Parlamentar

Trogildo é o presidente da Frente Parlamentar que irá acompanhar a ampliação | Foto: Guilherme Almeida/ CMPA

Trogildo é o presidente da Frente Parlamentar que irá acompanhar a ampliação | Foto: Guilherme Almeida/ CMPA

A Frente Parlamentar Pró Ampliação do Aeroporto Salgado Filho foi instalada na manhã desta terça-feira (19) na Câmara Municipal de Porto Alegre, com o objetivo de “articular ações entre órgãos governamentais, incluindo o setor privado, para discutir e realizar estudos, elevando o debate sobre o tema”. À tarde, os vereadores fizeram uma visita às obras habitacionais que estão em andamento para as famílias que serão reassentadas para a realização da obra.

O vereador Cássio Trogildo (PTB) preside a comissão e destacou que a ampliação do aeroporto é uma “necessidade de muito tempo”, visto que a pista é pequena e não permite que aviões de carga e de grande porte pousem. “O nosso estado já está em dificuldades, crise financeira, e estamos abrindo mão da tributação dessas cargas e recursos dos passageiros que não embarcam aqui, acabam indo até São Paulo ou Rio”, argumenta.

A reunião da Frente foi realizada de forma concomitante à do Comitê de Defesa do Aeroporto Salgado Filho, criado pela sociedade civil com 70 entidades que defendem sua ampliação. O coordenador  Alcebíades Santini lembrou que o projeto de reforma foi aprovado há 7 anos pela Prefeitura municipal, mas apenas este ano pela Infraero. “O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, já tem o projeto em mãos e está analisando se haverá um edital de licitação para empresas que se dispuserem a executar a obra ou a ampliação ocorrerá por meio de concessão”, explicou ele, que acrescentou que os trabalhos devem começar ainda em 2015.

Remoções

Um dos principais embates em relação à ampliação do aeroporto é a necessidade de remoção de famílias das vilas Dique e Nazaré. A primeira já está em grande parte reassentada no Conjunto Habitacional Porto Novo, que fica próximo ao Sambódromo Porto Seco. No entanto, como o processo tem demorado mais de quatro anos, algumas famílias se expandiram durante o reassentamento, enquanto outras chegaram Às vilas de onde os moradores estão sendo removidos. No início deste ano, um grupo deu início a um movimento para manter-se lá, alegando não querer ser reassentado no Porto Seco.

Maioria dos moradores da Vila Dique já reside no Porto Novo | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Maioria dos moradores da Vila Dique já reside no Porto Novo | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Os moradores da Vila Nazaré, por sua vez, mostraram-se contrários ao reassentamento diversas vezes, realizando protestos e resistindo no local. Agora, com a aprovação do início das obras, duas áreas já estão sendo construídas para abrigá-los. A vila se localiza na avenida Sertório, mas as famílias serão transferidas para o loteamento Bom Fim, na Assis Brasil, e para uma área na rua Irmãos Maristas, no bairro Mário Quintana. Segundo Trogildo, esta deve receber a maior parte dos moradores, 1.300 famílias. O vereador afirmou que a Quadra E do Porto Novo está em fase final de reformas e as famílias de ambas as vilas devem ser reassentadas até o final de 2016.

Histórico

Embora a Prefeitura de Porto Alegre esteja planejando a realização das obras desde 2009, a Infraero apenas aprovou a ampliação em 2015. Em janeiro, o assunto voltou à tona quando o ministro da Secretaria de Aviação Civil, Eliseu Padilha, afirmou que as obras não aconteceriam, dizendo que era desnecessária. Cerca de uma semana depois, ele voltou atrás sobre a reforma.

Vista aérea do aeroporto Salgado Filho em 2014 | Foto: Gabriel Heusi/ME

Vista aérea do aeroporto Salgado Filho em 2014 | Foto: Gabriel Heusi/ME

Cerca de dois dias depois, no dia 25 de janeiro, a Infraero autorizou o início das obras, embora depois tenha afirmado que a ampliação não seria possível sem a remoção das famílias. “Prevendo o esgotamento da capacidade de processamento do atual terminal de passageiros, que tão bem atende aos porto alegrenses e aos turistas que visitam a capital, conforme comprovado no Mundial de Futebol, a Infraero revisou em fevereiro de 2011 o plano diretor para o Aeroporto Salgado Filho, a fim de garantir a manutenção do padrão de qualidade e conforto atualmente oferecido aos seus usuários. A primeira fase do referido plano iniciou sua implantação em 2014″.

A remoção das famílias deve ser feita até o final de 2016 e as obras do aeroporto estão previstas para terminar até 2017.  A ampliação da pista de pousos e decolagens em 920 metros está estimada em cerca de R$ 500 milhões. Atualmente, a extensão da pista é de 2.280 metros. Já a reforma e ampliação do Terminal de Passageiros do Salgado Filho está em andamento desde 2013 e deve estar concluída em janeiro de 2017.

Além da ampliação do Terminal de Passageiros, as obras previstas são construção de um novo terminal de cargas, para setembro de 2016; novo pátio para o terminal de cargas, para agosto de 2015; construção de um novo edifício garagem em parceria com o setor privado, cujo edital deve ser lançado em junho de 2015; construção de um hotel também em parceria com o setor privado, com previsão de término das obras em abril de 2016; e a ampliação da pista de pouso e decolagem em 920 metros.

 SUL 21 – Débora Fogliatto – com informações da Câmara Municipal



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3 respostas

  1. Deveria haver uma lei proibindo os novos moradores de fazerem esses ” puxadinhos” horrorosos na frente das casas.
    Nao adianta….Saem da “favela” mas a favela nao sai deles.

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  2. Tô de saco cheio de ver maloqueiros e invasores, seja de propriedade pública ou privada, determinarem as políticas públicas e o ritmo de desenvolvimento das cidades, enquanto os pagantes de impostos têm de aturar atrasos em obras essenciais e ainda bancar a “realocação” dessa gente pra casas dadas de presente com nosso dinheiro… Muita demagogia com o suor alheio.

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  3. Que bandos de demagogos e quanta enrolação na questão da ampliação da pista. São todos cupins da nação e demagogos que realizam nada em interesse da comunidade gaúcha. Incompetentes.

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