Restinga além dos estereótipos: a vida em uma das maiores periferias de Porto Alegre

Grande parte do bairro é formado por conjuntos habitacionais erguidos pelo poder público | Foto: Filipe Castilhos/Sul21

Grande parte do bairro é formado por conjuntos habitacionais erguidos pelo poder público | Foto: Filipe Castilhos/Sul21

Um dos maiores bairros de Porto Alegre foi criado para abrigar aqueles que o poder público não queria que estivessem no centro da cidade. Em 1965, a Prefeitura da época transferiu habitantes da comunidade pobre que residia em casebres no antigo bairro Ilhota para uma área a 22 quilômetros do centro, populando a Restinga. Os moradores eram principalmente agricultores que, a partir da década de 1940, chegaram à capital de diversos lugares do interior do Estado, mas que não conseguiram prosperar na cidade.

Apenas em 1990 a Restinga foi considerada oficialmente um bairro de Porto Alegre, onde atualmente vivem, segundo o último censo do IBGE, mais de 60 mil pessoas. O número de habitantes, no entanto, é controverso. Moradores relatam que há cada vez mais gente chegando, tanto enviados pela Prefeitura quanto em busca de casa própria ou escapando de outros bairros periféricos onde há mais violência.

A Restinga é o maior bairro da região extremo-sul da cidade e faz fronteira com Chapéu do Sol, Lageado, Hípica, Aberta dos Morros, Belém Velho, Lomba do Pinheiro e Pitinga. Este último nasceu de uma vila irregular e foi emancipado da Restinga recentemente, na divisão de bairros definida em 2013. O Sul21 procurou moradores, trabalhadores e autoridades para falar sobre a vida na Restinga, abordando especialmente mobilidade e segurança, educação e saúde.

Segundo os dados do último Censo do IBGE, em 2010, a população da Restinga correspondia a 4,31% do município, com uma área de 38,56 km², o que representa 8,10% da área total de Porto Alegre. A taxa de analfabetismo era de 4,03% e o rendimento médio dos responsáveis por domicílio, de 2,10 salários mínimos. A média municipal de rendimento é de 5,29. A da Restinga é uma das mais baixas da Capital, ao lado da Lomba do Pinheiro (2,07), Arquipélago (2,03) e Mario Quintana (1,68).

A Restinga é também um dos bairros com maior concentração de população negra da cidade. Junto com Bom Jesus, Mario Quintana, Cel Aparicio Borges e Cascata, tem 37,6% de seus habitantes autodeclarados negros. O maior poder aquisitivo (13,77 salários mínimos em média) fica bem longe dali, nos bairros Moinhos de Vento, Bela Vista, Higienópolis, Boa Vista, Mont’Serrat, onde apenas 3,08% da população é negra.

Apesar do baixo poder aquisitivo de grande parte da população do bairro, os moradores se orgulham do local onde vivem e afirmam que já houve melhorias. “A Restinga melhorou muito graças à luta do povo. Lutamos para trazer um posto de Bombeiros, um Banrisul. Tudo que veio para cá foi com muito sacrifício”, explica a presidente da Associação de Moradores da Vila Restinga (Amovirc), Nídia Maria de Albuquerque.

Ela, que também é diretora da Escola de Educação Infantil Comunitária da Amovirc, destaca que a taxa populacional apontada pelos censos não é a verdadeira, afirmando que “deve ter três vezes mais” gente. Ela própria chegou na Restinga “sem querer”. “Meu marido veio trabalhar, ele é da Brigada Militar. Para mim foi o fim do mundo, foi uma briga, eu não queria vir. Mas depois que eu comecei a entrar na luta social, não saí mais”, relata.

A história de pessoas que inicialmente não queriam ir para a Restinga, mas atualmente dizem que não escolheriam outro lugar como lar, se repete nas comunidades do bairro. Marisa Graminha, que mora lá há 27 anos em blocos construídos pelo Departamento Municipal de Habitação (Demhab), foi para a Restinga após morar em Ipanema e no Guarujá. “Meu ex-marido quis vir, porque aqui íamos conseguir comprar um apartamento. Eu, primeiro, não queria, mas a Restinga não é como dizem. Não é mais violento que o resto da cidade, violência tem em todo lugar”, opina.

Hospital foi inaugurado em julho de 2014 | Foto: Hospital Restinga/ Divulgação

Hospital foi inaugurado em julho de 2014 | Foto: Hospital Restinga/ Divulgação

Leia a matéria integral, bastante extensa, no SUL21, clicando aqui



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1 resposta

  1. É um bairro com um nome que assusta as pessoas, assim como outros em Porto Alegre, aquele medo que meia duzia de vermes causam, e que atrapalha a vida de milhares.

    Pena que nossos governantes e empresários não olham como deveriam para esses bairros, existe um excelente potencial para essas regiões.

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