Bikes vs Carros: filme chega às salas de cinema do Brasil

Longa estreia e traz ao país a polêmica que marca a virada do século 21: cidades para carros ou pessoas?

Pre-estreia do filme, no Parque Ibirapuera, em São Paulo créditos: Fábio Miyata/ Mobilize

Pre-estreia do filme, no Parque Ibirapuera, em São Paulo
créditos: Fábio Miyata/ Mobilize

Nesta quinta-feira (18) entra em cartaz em várias capitais do Brasil o documentário Bikes vs Carros, do cineasta sueco Fredrik Gertten. O filme foi lançado em uma exibição pública e gratuita na parte externa do Auditório Ibirapuera, em São Paulo, no último sábado. Foi uma noite especial, com céu limpo e estrelado, coisa rara na capital paulista, além da presença de centenas de cicloativistas e pessoas que trabalham para a melhoria da mobilidade urbana.

O longa-metragem abre com a imagem de um megacongestionamento em São Paulo, uma das cidades discutidas ao longo de quase duas horas de projeção. Há momento hilários, como a terrível performance da urbanista Raquel Rolnik na direção de seu Fiat 500, ou o discurso “amigável” de um taxista dinamarquês sobre o excesso de ciclistas trafegando nas ruas de Copenhague. Ou ainda, a ação patética do ex-prefeito de Toronto, Rob Ford, que logo depois de eleito começou uma intensa campanha para banir os ciclistas da cidade canadense. “A guerra contra os carros acaba hoje”, declarou Ford no dia de sua posse. Sua gestão, como se sabe, foi repleta de escândalos envolvendo bebedeiras e uso de crack em público. Em 2013 ele admitiu que havia fumado crack em um de seus “estupores alcóolicos”, mas se recusou a renunciar.

Bikes vs Carros mostra a força da indústria automobilística, que nos anos 1960 conseguiu destruir toda a rede de trams (bondes) de Los Angeles nos Estados Unidos. Revela também o poderio político de empresas como a Mercedes Benz ou a BMW no jogo político da Alemanha e de toda a Europa. Mas, em outra face, revela o dia-a-dia de pessoas como a brasileira Aline Cavalcante ou o americano Dan Koeppel, um ativista que pedala pelas ruas e avenidas de L.A. em busca dos vestígios da antiga ciclovia existente na cidade, construída em 1900.

O filme articula argumentos para mostrar que a humanidade está vivendo uma luta dura entre a indústria do carro, do petróleo e da propaganda contra pessoas, milhares delas ao redor do mundo, que trabalham para liberar as cidades da fumaça e do barulho excretados por tantos motores. São Paulo também fecha a história, quando aparecem homens trabalhando para pintar – sem aviso – uma nova ciclofaixa em uma rua da cidade. Ao fundo, ouve-se a voz de Aline Cavalcante:

“Você pode ter um carro, mas não a rua. A rua pertence a todos nós. E isto não é uma guerra, é uma cidade”.

Fonte: Mobilize Brasil  |  Autor: Marcos de Sousa/ Mobilize  |  Postado em: 16 de junho de 2015



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2 respostas

  1. “Você pode ter uma bicicleta, mas não a rua. A rua pertence a todos nós. E isto não é uma guerra, é uma cidade”

    Serve para ambos os lados, correto?

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    • Com certeza ATR, regras valem para todos. Só não compare o potencial de dano de um carro com o de uma bicicleta.

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