Roubo de celulares sob encomenda cresce em Porto Alegre

Série de reportagens mostra o mercado clandestino de aparelhos

Celulares são vendidos clandestinamente nas ruas do Centro de Porto Alegre | Foto: Mauro Schaefer

Celulares são vendidos clandestinamente nas ruas do Centro de Porto Alegre | Foto: Mauro Schaefer

O roubo e o furto de celulares na região central de Porto Alegre viraram uma praga urbana. Pelas ruas é fácil encontrar pessoas que já tiveram os seus aparelhos levados por ladrões. Posteriormente, os telefones são vendidos no mercado clandestino, instalados nas ruas centrais. Um caso recente descoberto pela polícia é o de uma francesa, que veio à Capital assistir aos jogos da Copa do Mundo no ano passado. No caminho para o estádio, ela teve seu Iphone levado por assaltantes. Há pouco mais de um mês, o aparelho foi apreendido na rua Voluntários da Pátria em uma ação do 9º BPM, responsável pelo policiamento na região Central. Agora, os agentes da 2ª Delegacia de Polícia (DP) tentam devolver o aparelho à turista europeia. O programa Balanço Geral, da Rede Record, passa a apresentar a partir desta segunda-feira uma série de reportagens feita em parceria com o Correio do Povosobre a venda clandestina de celulares. Crime que nos últimos anos ganhou terreno em uma velocidade que desafia a polícia.

O dinheiro fácil é um dos fatores que movimenta essa engrenagem. Imagine ganhar R$ 5 mil por dia. É a estimativa de lucro dos “vendedores” dos celulares roubados ou furtados no mercado clandestino da Capital, segundo explica a capitã Martha Richter, comandante da 1ª Companhia do 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM). Mas a própria oficial considera o valor modesto. “Estimando por baixo, eles (ladrões) ganham essa quantia por dia.” Com um desses “comerciantes” presos em Porto Alegre, a polícia encontrou cerca de R$ 20 mil em seus bolsos, ressaltou o escrivão Paulo Nunes, da 2ª DP.

Os criminosos se valem da desatenção dos proprietários dos aparelhos para cometer o roubo ou furto. Os principais alvos são crianças e mulheres que muitas vezes são abordadas subitamente com uma faca ou um revólver. Após pegar o aparelho, o ladrão o repassa por uma quantia irrisória, estimada em R$ 50, para o “vendedor” que oferece o produto nas ruas. A discrepância entre os valores das lojas convencionais e os do mercado clandestino impressiona. Um iPhone, orçado em R$ 2 mil no comércio formal, chega a ser vendido por R$ 550. Celulares recém-lançados podem atingir preços mais elevados e, não raro, são cobiçados pelos próprios negociadores. Crime encomendado? A capitã concorda com um balançar de cabeça. Martha explica que os negociadores recebem pedidos de consumidores e repassam a “encomenda” para o parceiro que está na rua.

Quem atende o celular na rua pode não perceber, mas muito provavelmente está sendo analisado por um criminoso. O ladrão observa desde a marca do aparelho e sua cotação no mercado clandestino, além das fraquezas da provável vítima.

Maneira de expor o celular mudou

A venda dos aparelhos roubados ou furtados também foi se modificando com o tempo. A capitã Martha Richter, comandante da 1ª Companhia do 9º BPM, disse que alguns “vendedores” mudaram a forma de agir para disfarçar o crime. Ao invés de mesas com os celulares expostos, eles passaram a carregar consigo os telefones. Em uma abordagem da Brigada Militar foram encontrados dez celulares com apenas um homem. A maioria dos ladrões carrega na cintura ou nos bolsos os aparelhos roubados ou furtados.

Segundo a capitã, os grupos apresentam uma organização interna com duas figuras principais: o vendedor e o assaltante. A atuação de cada um raramente se mistura. O tenente-coronel Francisco Vieira, comandante do 9º BPM, estima que existam mais de dez quadrilhas operando o esquema na região central da cidade.

Entretanto, para completar o ciclo criminoso, iniciado com a pessoa lesada, há um personagem até então pouco falado: o consumidor. O delegado Cesar Carrion, titular da 2ª DP, estabelece o perfil de quem adquire o produto, mesmo sabendo da procedência duvidosa. São pessoas mais jovens e das classes C, D e E. Quem adquire um celular roubado ou furtado, lembra o escrivão Paulo Nunes, se engana ao pensar que estará impune. Esse comprador poderá ser enquadrado por receptação, da mesma forma que os negociadores.

Hygino Vasconcellos – Correio do Povo



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4 respostas

  1. Mas e aquela história de bloqueio do aparelho por meio do IMEI?

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  2. É muito facil clonar um IMEI.
    Já fiz isso pra desbloquear um iphone (que era da minha mãe,bloqueado pra Vivo, porém meu numero era da Oi haha)
    Depois eu vi que dava pra desbloquear na própria loja, já que ela tinha o aparelho fazia mais de um ano.
    Coisas de contratos, da época.

    Sobre os roubos, todo mundo sabe onde comprar, eles abordam as pessoas na rua.
    O problema é de quem compra (já sei de gente que pagou caro achando que era um Iphone, mas na verdade era um LG com capa de Iphone hahaha), a pessoa sabe que o produto ou é de contrabando, ou roubado.
    E claro, a vitima, queira ou não, mas andar com o celular na mão em pleno centro, é pedir pra perder.

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    • “E claro, a vitima, queira ou não, mas andar com o celular na mão em pleno centro, é pedir pra perder.”

      Culpar a vítima pelo assalto é como culpar a mulher “com roupas inadequadas” pelo estupro…

      (sei que é exagero a comparação, mas acho situações bem parecidas)

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