Incêndio no Mercado Público completa 2 anos nesta segunda

Segundo o vice-prefeito, os custos da recuperação chegarão a R$ 20 milhões

Até o fim do ano serão finalizados a parte de alvenaria, as aberturas e o telhado, orçados em R$ 9,6 milhões | Foto: Mauro Schaefer

Até o fim do ano serão finalizados a parte de alvenaria, as aberturas e o telhado, orçados em R$ 9,6 milhões | Foto: Mauro Schaefer

O Mercado Público de Porto Alegre é um local emblemático, que abriga uma parte da vida e da história da cidade. Ali é possível comprar carnes, especiarias, artigos típicos e saborear pratos deliciosos nos tradicionais restaurantes. O incêndio que consumiu parte do andar superior completa dois anos nesta segunda-feira. O fato é lembrado como um dos dias mais tristes para muitos cidadãos, pois num intervalo de poucas horas as chamas se alastraram por dezenas de salas e causaram um estrago que fechou temporariamente quase um terço das lojas.

O comandante do Corpo de Bombeiros do RS, tenente-coronel Adriano Krukoski, lembra que foram empregados 35 bombeiros de seis estações da Capital, além de duas escadas mecânicas e caminhões-tanque do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae). “O combate às chamas começou dentro do mercado e as pessoas acharam que os bombeiros estavam demorando para chegar”, assinala.

O vice-prefeito Sebastião Melo lembra as labaredas naquela noite consumindo quase toda a ala com acesso pela avenida Júlio de Castilhos. Ele não se esquece do desespero dos comerciantes e frequentadores do local, diante da possibilidade da destruição de um dos endereços mais tradicionais da cidade. “Em 38 dias conseguimos reabrir o prédio, que precisou ser coberto por lonas no lugar do telhado destruído”, recorda Melo. “Também instalamos uma rede elétrica paralela, já que a antiga ficou completamente destruída”, afirma. Foram gastos mais de R$ 1,2 milhão para a reabertura parcial. Depois dessa fase, a prefeitura trabalhou para conseguir verbas destinadas à recuperação do prédio. Melo lembra o apoio dado pela presidente Dilma Rousseff na época, que garantiu recursos para a reconstrução da edificação.

O vice-prefeito assinala os entraves burocráticos e as dificuldades técnicas que envolvem esse tipo de reforma em um prédio tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Segundo Melo, os custos da recuperação chegarão a R$ 20 milhões.

“Até o fim do ano serão finalizados a parte de alvenaria, as aberturas e o telhado, orçados em R$ 9,6 milhões”, revela Melo. Em um segundo momento, estão previstas a troca do transformador e a reforma dos elevadores, das escadas rolantes e do piso inferior. Os projetos executivos estão prontos, mas as intervenções só começam quando as verbas do governo federal forem liberadas. O telhado é a pendência que exige maior cuidado, pois as folhas de alumínio da cobertura não estão mais à venda e é preciso fazer ajustes. Com a instalação das redes, deve ser implantado o Plano de Prevenção contra Incêndios (PPCI).

Restaurar a parte visual

O presidente da Associação do Comércio do Mercado Público Central, Ivan Konig, relembra que os sete estabelecimentos atingidos pelas chamas passaram a funcionar em espaço aberto no térreo. “Os comerciantes tiveram liberadas verbas do FGTS após o incêndio”, lembra. “Mas não puderam contar com linha especial de financiamento do Banrisul.” Além das lojas, foram atingidos o espaço cultural, um auditório e banheiros. O superintendente estadual do Iphan, Eduardo Hahn, o trabalho atual visa a “reparar a integridade visual e formal da edificação histórica”. Hahn disse que a empresa contratada para o serviço tem grande experiência em restauração.

Luis Tósca – Correio do Povo



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