‘Pedestrovia’ busca dar prioridade a quem anda a pé no centro de Porto Alegre

Na rua Doutor Flores, no centro de Porto Alegre, uma mudança chamou a atenção dos transeuntes e comerciantes: ao lado da calçada, no início da rua, uma parte foi separada do resto da via por uma faixa branca. O espaço para estacionamento de carros, motos e parada de táxi foi transferido para o lado dessa faixa, que parece uma pequena ciclovia, mas é voltada para pedestres. A “pedestrovia” (brincadeira com as palavras pedestre e ciclovia) faz parte de um projeto que busca tornar o Centro mais acessível às pessoas que o frequentam a pé, tirando a prioridade dos carros.

A iniciativa é apenas a primeira fase do projeto Rua Para Pessoas, que começou a ser discutido em um grupo de trabalho que se reúne desde o ano passado. Com a presença de secretarias da Prefeitura e entidades da sociedade civil, o GT foi uma iniciativa da ONG Mobicidade, com o objetivo de “Privilegiar ao máximo o trânsito de pedestres, visando conforto e segurança, e o atendimento às condições de acessibilidade universal, com especial atenção às áreas de cruzamentos viários”.

Faixa para pedestres amplia espaço, estreito na calçada | Foto: Caroline Ferraz/Sul21

Faixa para pedestres amplia espaço, estreito na calçada | Foto: Caroline Ferraz/Sul21

Por enquanto, a mudança causou estranhamento aos trabalhadores e frequentadores da região, que afirmam não terem sido consultados ou informados sobre a “pedestrovia” antes de sua implantação. A falta de explicações a respeito da iniciativa foi uma das críticas feitas por eles, que disseram que a faixa apareceu “da noite para o dia’.

Essa faixa, entre as ruas Voluntários da Pátria e General Vitorino, é a primeira de várias do tipo que serão pintadas. Nas ruas paralelas à Doutor Flores, o modelo se repetirá: na Marechal Floriano Peixoto, no trecho entre a Avenida Otávio Rocha e a rua General Vitorino, e no mesmo trecho da rua Vigário José Inácio. A ideia é formar um “quadrilátero”, que tenha a rua dos Andradas como ponto central, onde o pedestre seja priorizado.

O integrante da Mobicidade Marcelo Kalil pondera que “o ideal seria que proibissem a circulação de carros” na região, mas a “pedestrovia” foi o que foi possível, por enquanto, a partir do diálogo com a Prefeitura. “Hoje em dia, muita gente caminha ali no meio da rua. O que conseguimos no momento foi ampliar o espaço do pedestre”, explica, refletindo que a humanização da cidade está indo “a passos de formiguinha”.

Tombos?

Sem saber do objetivo do projeto, que incluiu sociedade civil e poder público, muitos trabalhadores da região levantaram a hipótese de que isso tenha sido feito devido aos problemas com a calçada, que é muito escorregadia, onde pelo menos uma pessoa cairia por dia, segundo vários comerciantes. “Deve ser por causa dos tombos. Alguém deve ter ligado para a Prefeitura e reclamaram, porque realmente é muito escorregadio”, avaliou Isis Peres, que trabalha em um mercadinho na rua. (…)

Para ler a matéria integral, clique aqui.

Débora Fogliatto – SUL 21



Categorias:Revitalização das Calçadas, Revitalização do centro

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13 respostas

  1. A ideia é boa.
    Como as pessoas já andam pela rua no centro, poderiam por aquele esquema de via lenta (se bem que as ruas automaticamente já são assim) e por os pedestres junto com os carros.
    Tipo, deixa a calçada no nivel da rua, demarca o que é para carros e o que é para pedestres, e ta feita a festa.
    Acho que daria certo.

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  2. Achei legal a iniciativa mas nem tachões para demarcar a área? Só tinta não tem efeito nenhum sobre nossos motoristas. E ainda pode estacionar ali em pleno centro? Isso é como cobrador de ônibus, só aqui mesmo.

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    • Espaço pra uma pessoa, com partes de veículos bloqueando o caminho. Tomara que evolua pra uma calçada.

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  3. “Pãodurice” de nao aumentar a calçada, por que dinheiro para duplicar ruas sempre tem e até para criar ciclovias tem! Ai se vê que a prioridade de poa esta longe de ser o pedestre.

    Nestas ruas do centro, com calçadinhas de 1 a 1,5m de largura é visivel a disparidade entre o enorme fluxo de pedestres em relaçao ao de veiculos.

    Espero que em breve seja dado um segundo passo melhorando fisicamente as calçadas ou entao a iniciativa sera fardada ao fracaço, como a iniciativa feita em decadas passadas para “aumentar a calçada” em esquinas fazendo apenas pinturas e colocando taxoes no asfalto.

    Em porto aalefgre hoje temos muitos exemplos como as pinturas para “educar” os motoristas nao funcion, se os mesmos nao forem educados
    https://www.google.com.br/maps/@-30.044598,-51.223339,3a,75y,275.86h,54.04t/data=!3m7!1e1!3m5!1sKJilQ9tZQs1dYSvpLq_kqw!2e0!6s%2F%2Fgeo2.ggpht.com%2Fcbk%3Fpanoid%3DKJilQ9tZQs1dYSvpLq_kqw%26output%3Dthumbnail%26cb_client%3Dmaps_sv.tactile.gps%26thumb%3D2%26w%3D100%26h%3D80%26yaw%3D39.797024%26pitch%3D0!7i13312!8i6656?hl=pt-BR

    Por fim, ainda é louvavel esta pintura feita no centro.

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  4. Estender a calçada seria uma solução muito óbvia, no Brazil o pessoal pensa fora do quadrado (e da casinha também).

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  5. Assim, ao menos quando taxi abre a porta, não tranca metade daquelas estreitas calçadas. Estender a calçada seria bem mais óbvio mesmo!!!

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  6. Essas calcadas sao na Siria?
    Que horror!

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  7. Que coisa tosca.

    Típico de Porto Alegre.

    Faz coro com corredor de ônibus novo, feito na nobre Borges de Medeiros, que tem paradas de onibus constrangedoras.

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  8. É preciso também retirar o excesso de mobiliário urbano de cima das calçadas. è muito poste, placas, lixeiras, etc que só atrapalham o deslocamento dos pedestres sem falar na inumera quantidade de placas de lojas com propaganda de suas promoções as quais são irregulares.

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  9. Já separaram a pintura com olhos de gato, e ano que vem virá a calçada. Saiu na ZH.

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