Servidores da Fundação Zoobotânica se manifestam contra fim da autarquia

Funcionários da fundação buscaram apoio da Câmara.  Foto: Leonardo Contursi

Funcionários da fundação buscaram apoio da Câmara. Foto: Leonardo Contursi

A ameaça de extinção da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul por meio de projeto de lei que será votado nos próximos dias pela Assembleia Legislativa mobilizou os funcionários da autarquia na tarde desta segunda-feira (17/8). Representante da associação dos funcionários do órgão que em Porto Alegre é responsável pelo Jardim Botânico e Museu de Ciências Naturais, a bióloga Janine Araújo ocupou o espaço da Tribuna Popular da Câmara Municipal para defender o órgão responsável pela pesquisa com a fauna e flora gaúcha.

Janine desfez os boatos de que os gastos com a fundação estariam aumentando. Em 2012, por exemplo, um pesquisador com graduação, mestrado e doutorado recebia vencimentos de menos de R$ 3 mil por mês. Em 2014, um concurso público foi realizado, mas a falta de pessoal se manteve, sendo apenas atenuada. “Além disso, a fundação capta recursos para o estado, é capaz de trabalhar por si própria, sem depender do governo”, detalhou.

A bióloga contou que a fundação desenvolve atividades como a produção de soro antiofídico, educação ambiental e é a única no estado capaz de desenvolver laudos paleontológicos. As despesas com o setor são 0,04% do orçamento do Executivo. “Não vai ajudar a saldar a dívida. Existem alternativas para aumentar a arrecadação da fundação. Isso vai trazer mais prejuízos na área ambiental do que benefícios econômicos”, resumiu.

O vereador Cássio Trogildo (PTB) avaliou que a extinção da autarquia de 43 anos vai proporcionar uma economia reduzida aos cofres públicos. Trogildo imagina que um impacto negativo em relação à preservação da biodiversidade do Rio Grande do Sul. “Como fica a pesquisa? Não dá para vender. Não quero ver nosso zoológico, daquelas inesquecíveis visitas da nossa infância, vendido”, argumentou.

Para Engenheiro Comassetto (PT), a discussão é mais ampla e incita um debate em torno do modelo de sociedade que determinados governos constroem. Ele ressaltou o fato de a autarquia em questão realizar o inventário da fauna e da flora do estado. Para ele, a proposta do fim da Fundação Zoobotânica é o princípio de um projeto maior do governo Sartori (PMDB). “Este projeto é bode na sala. O governador acredita que esta autarquia é fraca, mais fácil de privatizar. Porém, no fundo, ele quer mesmo é privatizar o Banrisul, o Daer”, projetou.

Câmara Municipal



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5 respostas

  1. Alguns seres humanos realmente são irredutiveis na sua estupidez e este governo do estado me parece nesta situação.O que alguns não entendem é que o planeta Terra não necessita dos humanos para prosseguir sua jornada no universo,nós é que precisamos dele.A Terra virando deserto quem perde somos nós.E´muita estupidez querer acabar com um orgão que tenta zelar pela nossa fauna e flora já tão castigada.

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  2. Passar para a iniciativa privada não poderia ser uma opção?

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    • Mas não era exatamente esta a ideia inicial?

      Eu sou a favor de passar pra iniciativa privada, aquilo lá tá num estado de abandono total pra quem vai visitar. Coloquem (e cumpram) uma exigência contratual de ceder espaço para realização de pesquisas do gênero por parte do estado e pronto.

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      • a maior parte dos acervos são pra estudos de gente da área, é muita pouca coisa que daria pra tornar uma atração para o público, é bem difícil tornar todo esse material algo rentável.
        E não existe uma entidade privada no brasil com grana pra adquirir isso, a PUCRS seria o mais perto disso e não sustenta nem a si mesma direito.
        Enquanto não resolverem isso, os materiais de estudo vão se degradando e se perdendo, coisas que poderiam ser fonte de estudo não vão mais existir e muitas podem ser impossíveis de serem achadas de novo, como fósseis etc.
        Brasil sempre atrás no investimento em pesquisas, não da voto.

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    • O problema não e falta de gestão é de recursos.

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