Porto Alegre foi privatizada pelo crime, por Adeli Sell

Porto Alegre. Foto: Gilberto Simon

Porto Alegre. Foto: Gilberto Simon

O crime compensa. Saiu do campo penal para frequentar a seara da economia. Esta é uma das razões pelo crime e a insegurança terem tomado conta de Porto Alegre, espaço privilegiado para negócios ilícitos.

Ilegalidades, essas, que privatizaram a cidade devido à ausência do Estado. Faltam ações de seus agentes de fiscalização, faltam policiais nas ruas, faltam apreensões da Receita Federal. Auxilia, também, a inércia do Ministério Público, que se esconde atrás da “política” do faz de conta.

A cidadania não morreu, mas ela sofreu duros golpes nos últimos tempos. Perdemos a fé nos valores, estamos acuados, reféns da insegurança latente, vivendo o que mais parece “o fim dos tempos”. Tudo precisa ser feito para impedir a sociedade do vale-tudo. O Estado não pode mais ser compatível com a transigência de valores e princípios. Estamos nos encaminhando para uma sociedade suicida. A criminalidade, os ilícitos e violência como um todo têm na sociedade fragilizada seu ambiente natural.

Porém, aqui sempre teve, tem e terá gente com vergonha na cara. Não podemos aceitar o título de campeões de roubos e furtos de carros. Não podemos tolerar ser campeões de muquifos sem alvará, enquanto o bom comerciante pena para tirar o seu Habite-se, sua licença de funcionamento, seu PPCI.  Neste último, a culpa maior é dos deputados, que impulsionados pelo populismo, criam leis que mudam a cada trimestre.

Aqui, por uma natureza cultural difícil de explicar, se condena o certo e se premia o errado. Em todas as áreas. Sem exceção. Precisamos de ações contra as ousadias de ladrões do Centro, que roubam o idoso  saindo da Previdência, ou o jovem que circula com seu celular comprado com o salário suado de um familiar. Roubam seu amigo, sua amiga, seu vizinho, sua faxineira. Roubam tudo de tudo e a todos e todas. Sem exceção.

Quem deveria ser o primeiro a combater o ilícito, acha que pirataria “é crime de menor impacto ofensivo”. Mas criminaliza  o “crime de bagatela” da mulher que furtou a bolachinha recheada em loja de “grife” do Centro. Sim, o caso foi parar em Brasília, segundo me disse um professor de Direito.

Mal sabem alguns doutos que o cigarro paraguaio da Borges pode estar manchado de sangue de um agente que foi morto em Foz ou no caminho a Porto Alegre. Sem falar no trabalho infantil e escravo em todos os produtos piratas que vemos por aí.

Como não se rebelar ao ver, ao longo da Voluntários, celulares furtados, vendidos por receptadores?  Quem destes meliantes que estão ali, à luz do dia, zombando do policial, com salário parcelado, tem nota a apresentar. E ousam apontar o dedo aos comerciantes, aos trabalhadores das lojas, caso venham a denunciar roubo e receptação.

Aviso que já montei um planejamento com meus parceiros de luta incessante contra a insegurança, o roubo, a receptação, a pirataria, o contrabando, com forte retomada de ações no Centro, mas que já tem ações também nos Bairros, porque meu interesse é pela nossa Capital como um todo, seja meu bairro, nosso bairro, nossa comunidade.

Nunca me afastei da cena social desta cidade. Não será agora em momentos de crise que iria me furtar de servir Porto Alegre. Não apenas denuncio, cobro, a partir de planos, de acordos, de reuniões, pois aposto sempre no poder da cidadania de nosso povo. Que nossas façanhas sirvam para alguma coisa. Pois as do passado, nem sei se foram façanhas, mas estas eu tenho certeza que são diante de tanta omissão, medo e covardia.

Por Adeli Sell

Acadêmico de direito, consultor e vereador de Porto Alegre por 16 anos



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8 respostas

  1. Concordo completamente com o texto, mas é ridículo o uso do termo “privatização” no título. O texto trata de problemas causados pela ineficiência do estado na sua área mais importante e, ainda assim, o autor conseguiu enfiar uma alusão negativa a privatizações no título.

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    • ” É ridículo o uso do termo “privatização” no título. (…)
      O autor conseguiu enfiar uma alusão negativa a privatizações no título”

      Ótima observação.

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  2. E o crime vem dando certo, em algumas favelas os traficantes até ajudam a população com dinheiro, pra ver como a privatização é eficiente, que se deixar para os governantes, bom, seria uma m*rda como o Brasil.
    hahaha

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  3. O termo correto seria “socializar” a violência. Mas vejam, tava acompanhando regiões da cidade pelo google earth hoje pela manhã. Em 10 anos, a zona leste se expandiu em uma quantidade numerosa de invasões, mais de 40 mil pessoas devem ter fundado uma nova POA no leste, de pura favela irregular.
    Nessas horas, o poder público não atua, por isso que eu digo; não é privatização, é a socialização da ilegalidade e violência. E não estou falando dos anos 70, estou falando de numa questão de 15 anos. E que continua acontecendo hoje.
    Porto Alegre sofre de uma severa ausência de política de expansão urbana por loteamento, principalmente na zona leste e sul que tão sofrendo violenta ocupação irregular.
    E se alguém tenta empreender o governo (prefeitura) impõe 20 medidas compensatórias que é pra combater o lucro das construtoras. Isso impede novos projetos e expulsa a classe média pra região metropolitana e deixa a cidade prontinha pra ser invadida irregularmente. Pois que arque com as consequências disso. Só não se espantem que a violência continue explodindo. Infelizmente a tendência é piorar.

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    • cara eu mora na zona sul a única ocupação que vejo é de condomínios,que não param de se expandir no sul da cidade!!!! vc não pode generalizar,,as construtoras estão lucrando muito no sul da cidade.

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    • Moro na zona leste, lá sempre teve muitas favelas, mas uma que vi nascer, nos anos 90, foi bizarra.
      Eles pegaram um terreno, construiram suas casas e um estacionamento.
      Onde era para seguir a rua, eles simplesmente transformaram em estacionamento, e cobram caro por isso.
      hahaha
      Eu poderia ir para a faculdade andando duas quadras, mas por causa disso, preciso dar a volta na quadra (que é grande) e dar uma baita caminhada até lá.
      Até tentei ir pela vila, mas me perdi.
      haha

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  4. É interessante a utilização do vernáculo para expressão. Porem é a maneira policita de reclamar e apontar problemas, sem que se apresente ou se mencione claramente as necessidades e suas soluções. Eu penso que precisamos uma ação mais objetiva, direta, algo realmente imediato. Precisamos da policia na rua ou então, façamos a admissão que ela não mais se apresentará, foi ou demitiu-se: então que venha o exército para a rua. Estamos permitindo que pessoas inocentes sejam vitimadas enquanto fica-se “analisando e filosofando” sobre o que esta ocorrendo. A invasão já começou; a represa rachou e essa rachadura esta aumentando: vai ruir e quando isso acontecer não mais terá solução. Este evento que já iniciou é pior que uma guerra, onde você identifica os oponentes. Precisamos de ação imediata enquanto é tempo.

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  5. E o nobre “acadêmico” de direito já foi comprar algum ” artigo” no submundo que é o camelódromo que ele mesmo ajudou a legalizar?
    Ali, certamente não há ilicitude alguma. Certo ex-e se depender de mim para sempre-vereador?
    Aquele sim é um espaço privilegiado para negócios ilícitos, travestido de legalidade emprestada pelo populismo bancado pela ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA que pode ser abreviada em duas letras.
    Aliás, se tem algum resquício de fé em valores que não podem ser transigidos, que os apresente pois os que seu partido tem apresentado à sociedade que o senhor diz servir, fazem corar até o pior dos vagabundos que frequenta aquele covil. Aliás, por que ainda não pediu pra sair? Ou já pediu?
    Sim, Sartori é um covarde que não merece a honra de governar um estado que, SIM, pode se orgulhar de suas façanhas, mas que preferiu um inepto a um crápula que liquidou com o pouco que ainda restava na economia do RS, tão vilipendiada por uma classe política oportunista, agora não só do partido do “acadêmico”. O tal ex-governador, além de crápula, é covarde pois fez a porcaria e foi para o RJ.
    Os muquifos com alvará, daquele antro que é o camelódromo, só legalizaram a profissão de sacoleiro que nada agrega a economia alguma. A China, e não só o Paraguai, deve agradecer aos néscios que o aprovaram. Aliás, se a Receita Federal der uma incerta naquele “recinto”, certamente estancará mais do que evasão de divisas, em especial se for acompanhada da Polícia Federal.
    Sim nobre “acadêmico”, a vagabundagem que está solta pelo centro é habitué das cercanias do “shopping popular”. Neste ponto concordo com a sua ideia de varrer os meliantes pras profundezas. Mas aí o douto servidor de Porto Alegre terá de segurar a onda da correligionária que tem um queda especial pelas “vítimas da sociedade” que resolveram se vingar da própria roubando, matando, traficando e chorando quando tomam uns tapas dos policiais que a ORCRIM, e não o Tiririca dos Pampas, tirou das ruas.
    Se quer pensar a cidade como um todo, humildemente sugiro ao nobre acadêmico que inicie desvencilhando-se do “partido” que partiu de vez o Brasil e, se houver justiça, em breve estará extinto. É um primeiro passo para mostrar boas intenções.
    Continue livrando-se do “coitadismo” hipócrita que é uma das marcas registradas da política pregada pelo PT, e que só funciona como um freio potente ao desenvolvimento do país, publique sua idéia sobre os meliantes já condenados que até a pouco eram proeminentes autoridades da república e sobre sua contribuição à Nação.
    Lembre-se que a economia da cidade é irmã siamesa da economia do país, diga o que pensa sobre à competência de seus pares na lida do assunto, e apresente pelo menos nomes de pessoas com competência para reverter a situação.
    Termine apresentando um projeto para a revogação da lei de Gérson.
    Ah! Não esqueça de assinar o pedido de impeachment formulado pelo Dr Hélio Bicudo.

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