O capacete para ciclistas e o macho alfa de playground de prédio

Com exceção dos óculos, todo o resto é placebo. Foto: Penny Stephens

Com exceção dos óculos, todo o resto é placebo. Foto: Penny Stephens

Para gerações e gerações de pessoas criadas em ambientes puramente urbanos, o espaço da rua é essencialmente perigoso e imprevisível. criados em espaços fechados, não conseguem ir à rua sem proteção de alguma forma: a armadura dum carro, o capacete de ciclista, o tênis no pé. Sair a pé, ou pedalando sem capacete ou simplesmente andar descalço na calçada constitui, para essas pessoas, um risco insano, uma irresponsabilidade.

O fenômeno não é atual. já no início do século XX Lord Baden-Powell percebeu que os meninos ingleses das grandes cidades em nada se pareciam com os jovens que encontrara nas campanhas na índia e principalmente na guerra do Transvaal.  Eram medrosos e desconhecedores de técnicas básicas da vida, que iam de saber amarrar os sapatos corretamente a cozinhar um ovo numa fogueira sem ter uma panela. Sistematizou um método: o escotismo.

De lá pra cá, é fato que as grandes cidades continuam a gerar pessoas medrosas. E com medos não raro totalmente infundados: horror a cobras, por exemplo. Horror a pisar no chão com os pés nus.

Ao mesmo tempo, possuem uma crença irracional na proteção dada por objetos e práticas dos mais diversos tipos. p. ex as travas finas de bicicleta ( travas psicológicas, só fazem efeito na cabeça de quem usa, pois o ladrão as corta com um alicate qualquer). Ou mesmo essa profusão de lutas ensinadas por aí para “auto-defesa”, eficientes nos treinos mas cujas técnicas nem de longe são aplicáveis a um assalto na rua, com dois ou mais bandidos com armas de fogo.

Nessa lista de produtos com eficiência super-hiper-mega valorizada está o capacete a ser usado por ciclistas.  Não é preciso ser muito inteligente para perceber que aquela casca de plástico e isopor não protege o crânio contra um esmagamento por choque com ônibus, que é o tipo de acidente mais comum em mortes de ciclistas em São Paulo. A se lembrar que as três pessoas em bicicletas atropeladas por ônibus na paulista, na ordem, Márcia, Juliana e Marlon, não apenas usavam capacetes, mas estes apenas serviram para complicar a perícia médica, de tão esfacelados.

Em lugares como Inglaterra ou austrália, onde leis obriga o uso do capacete (ao contrário do Brasil), após anos de obrigatoriedade pesquisadores os mais diversos clamam pela revogação das leis.  Nesse sentido, leia essa reportagem do jornal inglês “The Telegraph”.

Mas é fato: a lei brasileira não obriga o uso de capacete por pessoas que usem as bicicletas nas ruas, segundo a linha usada por grande parte dos países europeus e mesmo do resto do mundo, onde usar ou não o capacete é escolha puramente pessoal.

Agora, uma regra é universal: usar a bicicleta com o selim ou banco na posição errada causa lesões nos joelhos. selim muito baixo (no caso das bicicletas convencionais) e banco pouco recuado (no caso das bicicletas reclinadas) não apenas torna o pedalar mais penoso, as subidas mais íngremes e a bicicleta mais pesada, como lesiona as articulações.

E, no caso das bicicletas convencionais, no mais das vezes o hábito de usar o selim muito baixo é puro medo, e falta de domínio da bicicleta.

No videozinho abaixo a moça ensina a montar e desmontar de uma bicicleta com o selim na altura correta, mesmo que seja uma bicicleta com quadro step-through e cestinha:

Viu o vídeo? Quantos capacetes há no vídeo?

Agora perceba a altura dos selins das bicicletas em Amsterdam, no vídeo abaixo:

Claro, nenhum capacete. Mas dirão: na Holanda todos seguem as regras de trânsito, e portanto é mais seguro andar em bicicleta. De fato, veja o vídeo abaixo acerca do exemplar cumprimento de regras de trânsito na mesma Amsterdam:

Ok, Amsterdam tem muitas ciclovias segregadas, com proteção física par ao ciclista.

Como em Copenhague?

A matéria continua. Clique aqui para ler a mesma completa.

Matéria sugerida pelo leitor Felipe X

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High-visibility clothing won’t help cyclists

 



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