Rosane de Oliveira (ZH) faz ótimo artigo sobre a Revitalização do Cais Mauá

Cais Mauá é exemplo do jeito gaúcho de resistir, por Rosane de Oliveira

Projeto de Revitalização do Cais Mauá.

Projeto de Revitalização do Cais Mauá.

O Rio Grande do Sul é um Estado que se orgulha de suas tradições (o que é ótimo), mas tem uma incrível vocação para viver do passado. Qualquer tentativa de mudar alguma coisa, mesmo que para melhor, esbarra numa muralha de conservadorismo. Ainda vivemos como se houvesse dinheiro farto nos cofres públicos para não precisar da iniciativa privada, esse ente ganancioso que, vejam só, quer recuperar o dinheiro investido e lucrar quando entra numa parceria com o Estado.

Os românticos porto-alegrenses cochilaram à época em que se discutiu o projeto de revitalização do Cais Mauá e não conseguiram evitar a realização da licitação e a assinatura do contrato. Eis que agora, quando o Estudo de Impacto Ambiental está pronto e a fase de licenciamento se encaminha para o desfecho, um grupo se mobiliza para começar tudo de novo. São pessoas bem-intencionadas, de respeitável formação intelectual, mas que parecem não ter se dado conta de que os tempos mudaram. E, mais estranho, parte dos inimigos do projeto Cais Mauá se encanta com a beleza do cais de Barcelona e com o Puerto Madero, em Buenos Aires.

Em um mundo ideal, o poder público faria a reforma dos armazéns e ali instalaria equipamentos culturais gratuitos ou lojinhas de artesanato para a população usufruir. No mundo real, a prefeitura e o Estado não têm dinheiro nem para garantir saúde e educação de qualidade para as crianças. Repassar o Cais Mauá para um investidor privado reformar os armazéns e explorar todo o complexo foi a saída encontrada para que os porto-alegrenses e turistas possam usufruir dessa área que está abandonada há décadas e à qual só se tem acesso uma vez por ano, na Feira do Livro.

– Ah, mas vão construir um prédio de escritórios e um shopping center – reclamam os adversários do projeto.

– E é elitista porque vai ter um estacionamento para 4 mil carros – agregam outras vozes.

Sim, e daí? Por acaso algum negócio hoje prospera sem estacionamento? Não quer ir de carro? Vai a pé, de ônibus ou de bicicleta. Quem quiser frequentar o cais sem gastar um centavo poderá levar sua cuia ou sua cesta de piquenique e passar o dia contemplando o Guaíba, com pôr do sol incluído. Para quem quiser consumir, haverá bares, restaurantes e lojas.

Fonte: Zero Hora – Rosane de Oliveira – publicado ontem, 19/09/2015

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A resposta do “Cais Mauá de Todos”, a “entidade” criada com o propósito de acabar com o projeto de revitalização:

Gostaríamos de fazer algumas observações em relação ao teu texto de sábado na ZH, te passar um pouco da visão de quem está se opondo a este projeto para o cais, ou seja, o famoso “contraditório”, ok?

Vamos lá:

1. com todo respeito, uma “muralha de conservadorismo” se constrói por quem acredita que o combo-revitalização “shopping + torres + estacionamento ” é sinônimo de melhoria de uma cidade.
Encarar um shopping como agente revitalizador urbano poderia ser aceitável nos anos 60 do século passado, quando o consumo de massa e a política rodoviarista estavam no topo da lista das novidades em termos de estratégias de desenvolvimento econômico e urbano de uma cidade. Hoje esse tipo de instrumento de desenvolvimento urbano torna-se a cada dia mais obsoleto, em parte pelo crescimento do sistema de vendas online (veja artigo do Estadão abaixo), em parte pela consciência de que esses bunkers no meio da cidade nada têm de urbanos, já que, entre outros efeitos colaterais, provocam o esvaziamento das ruas ao transferirem não só o comércio como também as pessoas para dentro de um ambiente fechado e controlado. As pessoas que defendem shopping e estacionamento no centro de Porto não percebem que o espaço público de uma cidade é realmente onde a cidade acontece, onde ela existe, e que portanto promover condições para que as pessoas permaneçam nas ruas, usufruam e se apropriem do espaço público de uma cidade é dever de sua gestão. Aliás, nesse sentido a Prefeitura parece ter esquecido de que ela mesma já esteve alinhada a esse pensamento, afinal o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental de Porto Alegre estabelece que um dos vetores de desenvolvimento econômico do centro da cidade é justamente o comércio de porta de rua.
O melhor exemplo dessa crise do modelo do shopping se vê nos Estados Unidos, país criador desse modelo de equipamento urbano, e que há algum tempo já começa a sentir seus efeitos colaterais. Além dos prejuízos decorrentes da retração desse tipo de economia, o país não sabe ainda o que fazer com o crescente número de edifícios desse tipo que estão em estado de abandono. Seguem aqui dois links com breves artigos sobre o tema, caso queiras buscar mais informação a respeito:
http://www.bbc.com/…/n…/2014/12/141219_vert_cul_fim_shopping
http://economia.estadao.com.br/…/geral,o-desinteresse-ameri…
2. Uma “muralha de conservadorismo” também se constrói por quem acredita que nenhum negócio prospera sem estacionamento.
Repensar o lugar do carro nas cidades é talvez o maior desafio deste século 21.
O que vemos hoje no mundo todo – de países desenvolvidos aos em desenvolvimento – é um movimento no sentido de diminuir o fluxo de carros em áreas centrais, qualificar transporte público e priorizar modais não motorizados, ou seja, pedestres e ciclistas. A cultura do automóvel individual, embora ainda seja propagandeada por aqueles que acreditam na ideia do “desenvolvimento a qualquer custo”, é reconhecidamente uma cadeia produtiva extremamente nociva não só ao meio ambiente mas também ao ambiente urbano e à saúde mental e social do ser humano. Falando especificamente do ciclo final dessa cadeia, o excesso de automóveis individuais nas cidades, além de congestionarem as vias e com isso dificultarem o deslocamento entre pontos, gera impactos negativos também no ambiente por onde circulam. A poluição do ar, da visão e do som faz com que ruas muito movimentadas tenham seus imóveis residenciais desvalorizados – ninguém quer morar em rua barulhenta – bem como diminuem significativamente a presença de pedestres circulando – ninguém quer caminhar por rua barulhenta – o que por consequência acarreta a desvalorização de imóveis comerciais voltados para a rua. E assim o círculo vicioso de esvaziamento e desvalorização de uma rua se completa, e é exatamente o que vemos no horizonte da nossa avenida Mauá, hoje, já vazia e desagradável, o que só tende a piorar com o aumento exponencial do tráfego de automóveis estimulados pelas 4 mil vagas de estacionamento junto ao Cais.
3. Uma “ muralha de conservadorismo” se constrói por quem acredita que os românticos são contra a iniciativa privada.
Pelo contrário, achamos que o instrumento PPP é bastante apropriado, desde que devidamente regulado pelo Estado em prol da cidade. A questão é que isso não está acontecendo: a regulação não existe, a iniciativa privada comanda a operação, define o que quer à revelia da lei e modifica incessantemente o projeto buscando enxugar recursos. Que fique bem claro, queremos sim a revitalização dos armazéns e seu uso para comércio, restaurantes, serviço e cultura. O que não aceitamos é o argumento de que a desfiguração da área com um projeto mutilado é a única possibilidade. Esse discurso de “ou é isso ou é nada” não cola.
4. Uma “ muralha de conservadorismo” se constrói por quem acredita que os “românticos” veem como exemplos a serem seguidos o caso de Puerto Madero e do Porto de Barcelona.
Não é verdade. Sem nem entrarmos no mérito de erros e acertos desses dois projetos de “referência”, a tentativa de comparação esbarra em dois fatores básicos: 1. O nosso porto é significativamente menor do que os outros dois e praticamente não há possibilidade de expansão – a área disponível nas dependências do cais é relativamente pequena, e ele está totalmente envolvido pela cidade, portanto não há para onde crescer. Essa dificuldade de expansão – e obtenção de retorno financeiro com as transações imobiliárias que daí derivam – está demonstrada claramente no atual projeto, em que se tenta desesperadamente equacionar índices construtivos de ocupação do solo na área das torres e do shopping, na tentativa de tornar o empreendimento viável – coisa que aliás parece não ter ocorrido ainda, dada a quantidade de alterações que o projeto tem sofrido nos últimos anos. 2. Porto Alegre não é uma cidade com o perfil turístico de Barcelona ou Buenos Aires. Para fins de comparação, em 2014 Porto Alegre arrecadou cerca de 19 milhões de reais com tributação relacionada ao turismo; no mesmo período, Barcelona, que é a quarta cidade mais visitada da Europa movimentou mais de 14 bilhões de euros e em Buenos Aires os turistas gastaram mais de 3 bilhões de dólares. Esses dados demonstram ainda que, além da comparação impossível em termos de modelo de gestão, tipo de equipamento urbano a ser implantado etc, a ideia divulgada pela prefeitura e empresa consorciada de propor uma ocupação da área com vistas a um retorno de arrecadação para a cidade através do turismo é uma visão, no mínimo, ingênua.
O que sim os “românticos” veem é que um modelo de reocupação bem sucedida da área deve se basear na ideia de reintegrar esse pequeno trecho de tecido urbano ao restante do centro da cidade, não só em termos de espaço, mas também de cultura e economia. O futuro do Cais como empreendimento autossustentável – e de Porto Alegre como uma cidade referência em planejamento urbano – está na ideia de pensar aquela área como parte de um conjunto maior – a região central e a cidade – e que tipo de benefícios ela pode trazer para o todo, não só em termos de retorno financeiro imediato – geração de empregos na construção civil ou nas lojas do shopping, por exemplo – mas também em que tipo de benefícios socioeconômicos ela pode trazer em um horizonte de médio, longo prazo. Destinar parte dos armazéns para usos voltados à educação e bem-estar físico e social pode, por exemplo, ajudar a enxugar as contas da saúde e da educação das crianças no futuro, hoje tão precárias e tão carentes de investimento.
5. Uma “muralha de conservadorismo” se constrói por quem acredita que os românticos estão atrasados em seu discurso, tentando reverter o irreversível.
Em primeiro lugar, importante deixar claro que, ao contrário do que tem sido divulgado por correntes defensoras do atual projeto, o processo de apresentação e discussão de possíveis projetos para o cais com a população passou ao largo da ideia de um “amplo debate”. Desde o estabelecimento das diretrizes urbanísticas que delinearam o modelo de negócios até o estágio atual em que se encontra o projeto, a postura predominante foi a da tomada de decisões a “portas fechadas”, com divulgação de informações e apresentações apenas pro forma. Se houve audiências públicas anteriores a essa, a prova cabal de que não houve interesse, por parte da prefeitura ou da empresa consorciada, em estabelecer um diálogo efetivo com a população está no fato de que nem nos mecanismos de busca do site da prefeitura, nem na página da consorciada é possível encontrar qualquer referência a eventos de discussão pública anteriores a esse.
Tu mesma pode fazer essa busca se quiseres verificar:
http://www2.portoalegre.rs.gov.br/portal_pmpa_…/default.php…
http://vivacaismaua.com.br/?s=audiencia
Além disso, a legislação é clara: enquanto se analisa o EIA/RIMA para conceder a Licença Prévia, o projeto pode sim sofrer alterações ou mesmo ser negado. Portanto a Audiência Pública não serve apenas para esclarecer o projeto, mas para o órgão ambiental receber novas informações e sugestões visando a licença. Ou seja, embora seja consultiva, dependendo dos argumentos e importância do que se apresentar o órgão ambiental tem a obrigação de considerá-los na Licença Prévia. Portanto questionamentos nessa etapa estão absolutamente dentro da normalidade protocolar. Por outro lado, o empreendedor afirmar que “descarta alterar o projeto” nessa fase é no mínimo desconhecimento da legislação, para não dizer arrogância. E essa distorção tem a ver obviamente com a conduta de subserviência do nosso poder público, que fez crer que o simples recebimento do documento era uma vitória e que não caberia questioná-lo. É triste quando essa postura deseducadora da cidadania encontra eco em alguns formadores de opinião.
O fato de estarmos questionando pontos do projeto que ultrapassam os temas ambientais e de tráfego – que em si já são suficientes para a ruína desse projeto – se embasa na constatação de que a cada nova leva de documentação divulgada há uma crescente queda da qualidade do projeto original em prol de uma melhora na “taxa de retorno do investimento” (que ainda não parece ter sido atingida). Isso demonstra não só a desqualificação do projeto atual mas também invalida qualquer consulta/aprovação pública realizada previamente, uma vez que o projeto já não é mais o mesmo e, mais profundamente, demonstra a inviabilidade do modelo formulado pelo poder público através do CAUGE (Comissão de Análise Urbanística e Gerenciamento da Secretaria do Planejamento de Porto Alegre) e portanto a necessidade de uma revisão estrutural do processo.
6. Por fim, uma “muralha de conservadorismo” se constrói por quem acredita que os românticos não têm o poder de realizar mudanças no curso da história da cidade.
Que fique bem claro que os românticos de Porto Alegre já conseguiram, entre outros, criar o Parcão, que antes de se tornar parque nos anos 50 quase foi loteado para a construção de cerca 40 edifícios, assim como conservar o Mercado Público e a Usina do Gasômetro, que na década de 70 quase foram demolidos para “melhorar o trânsito” da região. E é nesse mesmo espírito que seguiremos insistindo que se realize um projeto para o Cais Mauá que efetivamente seja positivo para a cidade.
Vou te colar alguns links com referências, ok? Tudo coisa rápida. Nem vou indicar livros, porque sei que o tempo é curto.
* Amanda Burden, urbanista de NY fala sobre a High Line, linha férrea elevada de carga dos anos 30, desativada nos anos 80, que cruza Manhattan. A linha ia ser demolida, mas um grupo de românticos impediu. E hoje ela é o espaço público mais visitado da cidade.
https://www.ted.com/…/amanda_burden_how_public_spaces_make_… – t-46933
* Como a cidade de São Francisco aproximou as pessoas da orla, retirando uma highway que funcionava como barreira. (aqui, ao contrário, construíram 6 pistas na orla do Guaíba. O ex-presidente Sarkozy tentou correr na orla, mas achou muito barulhento e poluído.)
https://vimeo.com/11910299
* A comissária de transportes de NY (que virá ao Fronteiras este ano) Janete Sadik-Khan fala sobre a experiência de fechar para carros a Broadway, criando uma área para pedestres e ciclistas de 50 mil m2. Os comerciantes foram contra num primeiro momento, porque acreditavam que sem carros os negócios cairiam e o que aconteceu foi justamente o contrário.
https://www.ted.com/…/janette_sadik_khan_new_york_s_streets…
* Em Milão, capital da moda e do design no mundo, está sendo construído um estádio para 48 mil pessoas, sem estacionamento. Qual é a lógica? Convidar as pessoas a usarem outros meios de locomoção para acessá-lo.
http://esportes.terra.com.br/…/milan-divulga-detalhes-de-pr…
obrigada pela atenção
beijo
CAIS MAUÁ DE TODOS

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Categorias:Artigos, Projeto de Revitalização do Cais Mauá

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75 respostas

  1. O texto diz no final, que em Milão estão construindo um estádio para 48.000 pessoas sem estacionamento para carros, para incentivar as pessoas a utilizarem meios coletivos de transporte. Só que tem que avisar a quem escreveu o texto que não deve conhecer a cidade de Milão, que a referida cidade tem: ônibus, metrô e tram para acessar qualquer área da cidade!!

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  2. Complemento minha opinião destacando que o Cais Mauá deve ser conservado na sua arquitetura original, revitalizado na sua manutenção elétrica hidráulica e mesmo estrutural no que necessita mantendo sua identidade externa como um dos cartões de nossa capital. O interior, este deve ser adaptado para o lazer, os negócios, restaurantes, bares, museus, livrarias, feiras, etc.
    No meu entender esta seria apenas uma etapa do projeto global da Orla fluvial, conjunto que se estende até o limite com Viamão.
    Estamos misturando as coisas, introduzindo demais interesses políticos/partidários neste assunto, mas o que os partidos deveriam se preocupar é com o bem estar dos cidadãos gaúchos e turístas, o Homem, enfim, sem danos a Natureza. Os turistas vão trazer fama, riqueza e empregos à Capital Gaucha. Quantas capitais no Brasil, fora da orla marítima, dispõem das condições hídricas que Porto Alegre possui?

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  3. QUE DESLEIXO COM O PATRIMÔNIO HISTÓRICO-CULTURAL DE PORTO ALEGRE.
    O Cais Mauá já é praticamente um símbolo de Porto Alegre, presente nas antigas fotos da cidade.
    Se for para fazer uma revitalização, basta apenas pintar, consertar o que está estragado e deu. Essa palhaçada de construir torre, shopping, é uma grande bobeira por parte de que não dá a mínima para a cidade.
    Meus parabéns aos que estão se esforçando para evitar essa ‘destruição’ de um patrimônio histórico da nossa querida Porto Alegre. Se não fosse essas pessoas, teríamos apenas um grande charuto onde hoje é a Usina do Gasômetro.
    Parece que hoje em dia todos querem apaulistar minha cidade, construindo principalmente aqueles prédios altos e feios. OS TEMPOS PODEM TER MUDADO, MAS AINDA É MELHOR NÃO FAZER NADA DO QUE ESTRAGAR O QUE ESTÁ QUIETO.

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  4. Li tanta besteira que resolvi escrever um pouco mais. Acho importante explicar alguns pontos para que o cidadão comum de PoA não caia novamente no conto do “Vigário de Passeata” que usa bonezinho vermelho.
    Há uma confusão criada entre Projeto e Empreendimento. Explico: Há mais de 30 anos os governos e empresas de fora do Brasil têm exigido não apenas os desenhos, mas a obra como um todo. No Brasil isso é mais recente. Os primeiros contratos desse tipo que eu vi foram quando trabalhei para obras do Bradesco nos anos 90. São contratos parecidos com aqueles do tipo Empreitada Global. Atualmente muitos desses contratos tem o apelido de EPC’s ou EPC Turnkey. EPC significa Engineering, Procurement & Construction, o que grosseiramente significa projeto, compras e construção. O termo turnkey exige que a obra seja entregue funcionando. São contratos utilizados atualmente por praticamente TODOS os governos e empresas. Todos os governos agem dessa forma porque você não compra um monte de papel, mas sim um compromisso tipo pacote fechado. Os poucos entes que não contratam dessa forma são algumas subsidiárias da Eletrobras (subs de Itaipu, por exemplo, que são lixo! Só tem filho de político naquele chiqueiro!) e alguns feudos estaduais. Para o governo EPC’s são o ideal, porque o liberam de muitos problemas jurídicos posteriores. Por exemplo, você compra um celular e não o “projeto de um aparelho telefônico solidário e participativo”. Entenderam?
    E para atender a isso, surgiram os Consórcios, que nada mais são que grupos empresariais organizados para atender a essa exigência. Desde o Eurotunel até o CERN, TODOS SÃO CONSÓRCIOS!
    Mas porquê eu estou falando isso?
    Porque estão confundindo ante-projeto arquitetônico com o projeto DO EMPREENDIMENTO.
    Hoje vi um alucinado que pegou uma fração do orçamento da proposta e estava discutindo sobre isso! Isso é coisa de arigó, de kid! Coisa de quem não tem experiencia nenhuma! Não se pode separar uma parte do orçamento de um EPC! Esse valor está lá devido a sinergia do consórcio que propôs esse valor a partir de um VALOR GLOBAL DO EMPREENDIMENTO!!! NÃO DÁ PARA TIRAR UM FRAGMENTO DO ORÇAMENTO!!!
    Por isso acho vocês devem prestar atenção porque estão comparando um TRABALHO DE ESTUDANTE com um contrato de Consórcio.
    Se esse pessoal do tal “coletivo” fosse um pouco mais sério e um pouco mais humilde, tentaria compor com o projeto do Consórcio as alternativas.
    Ou se são TÃO BONS QUANTO DIZEM, PORQUE NÃO APRESENTAM UM PROJETO REAL, COM ESTIMATIVAS E ORÇAMENTO, COM UM CONTRATO SOCIAL DE UM CONSÓRCIO CRIADO POR ELES, TORNANDO FACTÍVEIS SUAS PROPOSTAS? Simples! porque não tem a mínima competência para isso!
    Repito: Vocês estão caindo em mais um golpe da Vanguarda do Atraso. Não tem como comparar um Projeto Executivo de Consórcio com aquele “Caderno da Lulu” que – Uau! – tirou “A” na UFRGS! Se esse Consórcio for desmontado, não sairá nada. Não sairá nada PORQUE SIMPLESMENTE AQUELES INÚTEIS NÃO TEM A MINIMA CAPACIDADE PARA COMPOR UM CONSORCIO REGIONAL RESPONSÁVEL E ATENDER A DEMANDA!! E acreditem, os vagabundos do tal “coletivo” vão espalhar que houve um golpe, que a RBS, a Rosane, eu, o Tiririca e o FHC montamos um complô com o apoio da maçonaria e da Nova Ordem.
    Se o projeto do Consórcio não está bom, paciência. Faça-se outro. Porém, a alternativa até agora é um patético grupo de filhinhos de papai politiqueiros que só querem poder e status.

    texto de
    Pagador de Impostos em 21 de setembro de 2015
    ZH

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    • O Gerson disse tudo. Estão questionando o empreendimento, mas a proposta é um trabalhinho de faculdade. Isso que ele disse sobre os governos é verdade. Não tem coisa que fode mais politico do que bater foto com desenhos coloridos das obras e 4 anos depois não saiu nada. Realmente, até aqui na prefeitura preferem o combo (projeto+construção). Esses caras do tal movimento teriam que integralizar um Consorcio, com CNPJ e bala na agulha ($$$) para provar que podem bancar a obra. É o mais seguro e mais racional.

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  5. Porto revitalizado da Cidade do Cabo….

    Residencial, comercial, hoteis, shopping de 450 lojas e estacionamento :7500 vagas.

    Visita anual: cerca de 23 milhoes.

    Victoria & Alfred Waterfront – CapeTown
    Situated in South Africa’s oldest working harbour, the 123 hectares (300 acres) area has been developed
    for mixed-use, with both residential and commercial real estate.

    Shopping
    With over 450 retail outlets selling everything from fashion, homeware and curios, to jewellery, leather
    goods and audiovisual equipment, the V&A Waterfront is South Africa’s most popular shopping
    destination.

    Living at the V&A
    ​​​​​​​​​​When you buy property at the V&A Waterfront, you invest in an exceptional lifestyle within a secure and
    comfortable environment. The convenience and ease of living with all amenities on hand affords
    residents an unparalleled quality of life. Our buyers are afforded t​he limited opportunity of owning
    some of the most prime property in the Western Cape and South Africa.

    Accommodation
    ​​​The V&A Waterfront offers lei​​sure and business travellers an impressive selection of accommodation,
    ranging from budget-friendly to the finest five-star luxury, all of which are located in our exceptional
    surroundings.

    Parking
    Our 7583 open-air and underground parking bays are patrolled and monitored around the clock;

    http://www.waterfront.co.za

    =================================

    Revitalizacao do porto antigo de Barcelona- Port Vell

    Shopping Maremagnum na orla do Porto de Barcelona:
    http://www.barcelonatosee.com/es/centro-comercial-maremagnum-un-mar-de-tiendas-restaurantes-
    y-diversion-en-el-puerto-de-barcelona/

    W-Hotel localizado na orla de Barcelona…100m de altura.
    https://en.wikipedia.org/wiki/W_Barcelona

    Tem tb um imenso centro de convencoes(WTC).

    =================

    Revitalizacao da orla de Rotterdam, Toronto, Lisboa etc.

    Mixed-use. Moradia. Comercio. Negocio. Entertenimento.

    VIDA.

    ============================

    Um beijinho no ombro pra Katia , pra Custodio…….ah, nao podemos esquecer tb dos defensores dos fracso e oprimidos : Cavedon, Melchionna, Ruas, Zoravia, Wittler, Sgar-bosta….

    .

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  6. Faz muitos anos que escuto sobre a revitalização de nosso antigo e histórico Cais Mauá. Parece um conto da Branca de Neve para crianças! Temos uma capital privilegiada banhada por um magnífico lago Guaíba onde no meio corre um rio canalizado, dragado, que permitiu e ainda permite a navegação agora a outros cais. Os velhos portos se desatualizaram e sofreram transmutações no mundo. Como tantos outros portos de grandes capitais afora, outras vias de transporte mais rápidos concorreram e impuseram readaptações. Nos poucos que tive acesso como turista, Nova York, Buenos Aires, New Port, Annapolis, São Francisco, Miami, Baltimore, Londres, curti restaurantes, pubs, parques, shoppings, museus, marinas. Nestas inevitáveis ocasições, senti também invejas ao lembrar nosso porto abandonado por tanto tempo numa capital tão privilegiada. Capital que precisa desenvolver o turismo e oferecer a seus cidadãos a alegria, o conforto, a segurança de uma enorme área desperdiçada para lazer, happy hours restaurantes, parque de diversões, marinas, lojas de suvenirs e artigos da cultura e criação do RS.
    Passaram-se governos e partidos, cada um com seus projetos mirabolantes cada vez melhores, badalados, mas nunca executados e estamos até hoje nesta eterna e infindável discussão. Perdemos tempo, e a capacidade de decidir talvez pela falta de consenso, bom senso entre as exigências e licenças, burocracias das secretarias. Isto provavelmente mantém os empreendedores terceirizados desconcertados, inseguros. Eles precisam pelo menos das liberações já que a certeza de retorno de seus investimentos é sempre um risco mesmo explorando os locais disponibilizados pelos acordos com o Estado e Município.
    Estes projetos já tiveram assinatura de Arquitetos de renome internacional em históricos bem sucedidos em outros países. Nada adiantou! O tempo escoou e nada aconteceu. Com o povo Gaúcho prejudicado, desapontado, torna-se difícil acreditar que embora a Natureza tenha sido pródiga nos doando todo este enorme manancial hídrico, um estuário de 5 volumosos e importantes rios, um lindo e delicado Delta, desembocando neste gigante Lago venha a ser um dia também curtido por turistas, como vemos lá fora.
    Este projeto seria básico para fazer a Capital voltar-se finalmente para seu estuário. Sem a infra-instrutura adequada não faremos Porto Alegre jus ao seu nome, torná-la mais agradável, descontraída em seus maravilhosos, exuberantes, multicoloridos Por de Sol, sobre horizontes naturais, quadros de originalidade inigualáveis, únicos de Natureza pura, sem a presença comum do estereotipo retangular da Selva de Pedra ao fundo.

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  7. Outro dia fui na Barnes & Noble e abri um guia de turismo no Brasil. Na seção sobre a região Sul, dizia que visitar a Renner, Zaffari e Leroy Merlin eram atividades imperdíveis em Porto Alegre.

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  8. Não achei tão ótimo assim. Quem quer barrar não tem boas intenções, a intenção única é justamente essa: barrar, amarrar a cidade e pronto. Porto Alegre tem uma história negra de expulsão de investimentos. As pessoas pensam que se resume aos eventos recentes, mas é ainda mais antiga. Meu vô era caminhoneiro nos anos 40 e fazia o transporte de cargas dos dois maiores polos industriais do país da época, SP e POA. Ele conta que eram comum episódios de incêndios criminosos nas indústrias dos alemães e italianos do quarto distrito. Hoje o declínio do quarto distrito é estudado quase como um movimento planejado de deslocamento da produção industrial pra região metropolitana ou pelo plano diretor. Não foi, pode ter sido posteriormente, mas antes disso teve muita violência por parte dos portoalegrenses contra os investimentos do que chamavam de “estrangeiros”, por associar a um contexto nazi-fascista que não existia, tanto que muitos nazistas depois fugiram da europa e foram pra argentina. Enfim, meu vô tem alzheimer, mas do passado ele se lembra direitinho. Essa mentalidade continua até hoje, ninguém mais bota fogo, mas vai lá e expulsa e atravanca, tal qual fizeram os antepassados, barrando os investimentos há gerações e gerações rs

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