Modernização consolida HPS como referência em trauma

Projeto envolve investimentos de mais de R$ 60 milhões, sendo 82% da prefeitura  Foto: Ricardo Azeredo/Divulgação PMPA

Projeto envolve investimentos de mais de R$ 60 milhões, sendo 82% da prefeitura  Foto: Ricardo Azeredo/Divulgação PMPA

O ano em que completou 72 anos foi também o de maiores realizações na história do Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Porto Alegre. A instituição, que passa por uma reforma geral, está se transformando em um dos mais modernos hospitais de trauma do país. Em um projeto que envolve investimentos de mais de R$ 60 milhões, sendo 82% bancados pela prefeitura (o restante pela União), o HPS está ganhando uma estrutura totalmente renovada, concebida de acordo com modernos conceitos aplicados a hospitais de emergência em todo o mundo. Critérios rigorosos definem padrões desde mobília e acabamentos até os tomógrafos computadorizados.

Em 2015, foram inauguradas duas novas emergências, equipadas com a mais alta tecnologia nesta área, um novo bloco cirúrgico, uma sala de recuperação ampla e moderna, um setor de rádio-imagem com equipamentos de diagnóstico de última geração, e uma unidade de coleta e transfusão de sangue que devolveu ao HPS a capacidade de captar e estocar doações dentro dos parâmetros mais seguros da atualidade.

Todos os setores reformados ganharam novas redes elétricas, de gases, água e esgoto e de transmissão de dados. Sistemas novos de climatização mantém a temperatura nos ambientes dentro das rígidas regras de hospitalização. O sistema de informatização permitiu um tráfego de dados muito mais ágil. Boletins e prontuários eletrônicos agora aceleram as rotinas. E há muito mais pela frente.

Desafio de engenharia – Para as equipes de engenharia e arquitetura envolvidas na obra, a reforma geral do HPS representa um desafio. A maioria das plantas originais do prédio de sete décadas se perdeu com o tempo. Espremido na confluência das avenidas Osvaldo Aranha e Venâncio Aires, o hospital não tinha mais área de entorno onde pudesse ser ampliado. Também não podia receber mais pavimentos, por conta da estrutura antiga. A solução foi usar criatividade e tecnologia para redesenhar o hospital por dentro, além de aproveitar ao máximo os exíguos espaços externos.

Os técnicos precisaram estudar com cuidado redobrado toda a estrutura para localizar nas antigas paredes e pisos as redes elétricas, hidráulicas, de comunicação e de gases que precisavam ser substituídas. Além disso, a condição de patrimônio histórico impunha limitações legais para que se fizessem alterações na estrutura. E ainda havia o desafio, para o pessoal da obra e para as equipes médicas e administração, de tocar um projeto deste porte com o hospital em pleno funcionamento.

Referência – O secretário municipal de Saúde, Fernando Ritter, resume a importância do HPS. “Ele é a principal referência da Capital para atendimentos de vítimas de acidentes e violências. É para o HPS que vai a maioria das vítimas de acidentes de trânsito, quedas, queimados, baleados, esfaqueados e todo tipo de traumas graves.” O hospital também recebe pacientes da Região Metropolitana e de municípios mais distantes.

Em média, o hospital, que conta com 1,3 mil servidores, executa por ano mais de 5 mil internações e quase 4 mil cirurgias. “Parar o HPS para obras significaria a possibilidade de muita gente morrer por falta de atendimento. Por isso a prefeitura decidiu fazer um novo HPS, mantendo com toda a estrutura funcionando como sempre”, enfatiza Ritter.

Isso trouxe transtornos na rotina, tanto para as equipes e usuários quanto para o público. O dia a dia do projeto teve que levar em consideração um inevitável e tumultuado vai e vem de pedreiros e pacientes, material de construção e macas circulando, visitantes percorrendo os corredores, etc. Tudo isso mantendo ao máximo critérios de segurança, higiene, controle sanitário, etc.

Próximos desafios – Com áreas mais sensíveis como a emergência já concluídas e em plena operação, o HPS se encaminha para concluir no início de 2016 a nova recepção e entrada para o público, sua fachada principal. O projeto entra agora nas etapas de modernização dos andares superiores, onde estão enfermarias, área de internação e muitos outros setores de apoio.

A previsão é concluir toda a obra até o final de 2018, quando o HPS será entregue à comunidade com uma estrutura totalmente nova e modernizada, capaz de realizar uma prestação de serviços médicos de urgência e emergência ainda mais qualificada. O hospital que tradicionalmente é um dos melhores do país nesta área será comparável aos melhores do mundo. A Federação Internacional de Futebol (Fifa) escolheu o HPS como hospital de referência para traumas durante a realização da Copa do Mundo de 2014 na capital gaúcha. Uma escolha ratificada por simulações coordenadas por equipes internacionais que viram de perto o trabalho das equipes do hospital.

Residência emergencista – O HPS de Porto Alegre foi pioneiro no Brasil ao criar a primeira residência para médicos emergencistas do país, em 1996. O emergencista é profissional mais habilitado para atuar em casos críticos, pois desenvolve a capacidade de decidir rapidamente o que é preciso fazer em traumas graves que necessitam de cuidado imediato para salvar a vida da vítima. Em outubro de 2015, as principais entidades médicas do Brasil reconheceram esta especialidade a partir do pioneirismo do HPS. “Com este reconhecimento oficial, muitos hospitais pelo país poderão pleitear financiamento dos Ministérios da Saúde e Educação, para formar novas turmas de emergencistas. Estimamos que em 2016 teremos pelo menos 12 instituições preparando equipes nestes moldes no Brasil”, comemora o médico intensivista Luiz Alexandre Borges, coordenador da residência médica do HPS e idealizador da iniciativa.

Prefeitura de Porto Alegre



Categorias:Arquitetura | Urbanismo, Saúde

Tags:, ,

6 respostas

  1. O hospital é referência, pena que temos uma população que não merece essa qualidade.
    Minha mãe se aposentou no HPS, viu de tudo, as pessoas roubam e danificam os equipamentos, o mesmo acontece na santa casa.

    Quando ela trabalhou no banco de sangue, algum verme jogou uma pedra pela janela quase acertando ela e uma doadora.

    Ao menos uma boa reforma facilita a vida de quem trabalha no hospital, já que passam por tantas coisas pra salvar vidas.

    Curtir

    • O brasileiro é assim mesmo, tá sempre tirando vantagem de tudo. Aqueles que ocupam os governos são apenas um reflexo daqueles que os elegem.

      Curtir

      • Isso é a regra em um país em desenvolvimento que NÃO PREZA A EDUCAÇÃO. Vai ficar em desenvolvimento para sempre. O Japão, por exemplo, era terceiro mundo devastado depois da Segunda Guerra, mas investiu forte em educação. Até onde sei não teve ideologia comunista no governo, e hoje é o que é.

        Curtir

      • Japão recebeu uma porrada de investimentos dos EUA (Plano Marshall) para reconstruir o país após a 2ª Guerra. Não foi apenas o investimento em educação que reergueu o Japão, como tu queres insinuar, embora tenha grande importância no status atual do país.

        Curtir

  2. Renan, o Brasil teve ideologia de direita (ditadura) no pós guerra e não fez diferença…

    Curtir

    • Bingo. Povo insiste nessas baboseiras de direita/esquerda, como se não fossem todos farinha do mesmo saco interessados apenas em roubar nosso dinheiro…

      Curtir

%d blogueiros gostam disto: